11/9



da série capital reflex

A relevância do 11/9 é inegável em quase todos os domínios. Sobretudo pelas ameaças à liberdade, justamente em nome dela. Sucessivas tentativas de invasão de privacidade, dos dados pessoais, decorrentes da “ameça” terrorista, visíveis pelo aumento estrondoso dos meios de controlo e monitorização. Porque a carnificina se deu em solo americano, o “mundo” acordou para a segurança, desatando a comprar mais essa “exportação” americana sem pestanejar, sem que a isso tenham correspondido níveis adicionais de segurança para o cidadão comum, tendo aumentado sim a paranóia da segurança, mas não a segurança em si. Não exagerando, um mundo sem a metade belicista dos americanos (republicanos ou democratas), seria muito mais seguro do que todas estas medidas de placebo com que diariamente nos deparamos.

©trevor paglen

E quanto aos impactos na fotografia desse momento da história? A histeria da vigilância e da segurança, parece pelo menos afectar o desempenho dos fotógrafos. Inglaterra, o país que mais parece ter ido à boleia do Capitão America, depois de Tony Blair ter apoiado a 2ª invasão ao Iraque, onde se tem observado um disparatado-a-roçar-o-histérico intrometimento das polícias na vida dos fotógrafos, ou de qualquer cidadão comum, apanhado a tirar fotografias de “modo suspeito”, sendo o país que provavelmente tem a maior taxa de cobertura de câmaras de vigilância pelas ruas. Para o fotojornalismo mundial e de um modo geral, não se pode assacar a falta de reportagens e histórias, apenas com base na crise dos media. O 11/9 parece ter de algum modo contribuído para o crescente acobardamento dos meios de informação, eles próprios acocorados pelo “spin”, onde a investigação já quase não tem lugar nem orçamento. Os (tele)jornais limitam-se a papaguear, até à exaustão de preferência, o que já é caso de polícia, matéria nova e reveladora? Nem vê-la. Curiosamente, um elemento activo no desmascarar de determinadas situações, tem sido um fotógrafo americano, Trevor Paglen, que tem tentado levar mais longe a descoberta de alguns podres. A fotografia como elemento de espionagem? Certamente. Do conhecimento público já eram os paparazzi, no fundo uma forma legal de espionagem e toda a restante parafernália imagética ligada ás vigilâncias. Porque não virar o feitiço contra o feitiçeiro?

A este respeito vale a pena olhar para esta fotografia, em que fotógrafo aparece como o equivalente de terrorista. [via APhotoEditor]

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