“A regra dos terços foi uma tramóia do capitalismo para vender fotografias”
A minha magra contribuição para o ano que finda. De resto só posso prometer, como o Bart Simpson, que “i will not make any more _______ photography”.
A minha magra contribuição para o ano que finda. De resto só posso prometer, como o Bart Simpson, que “i will not make any more _______ photography”.
Conheceu recente reedição pela Aperture este livro seminal de John Gossage – The Pond. Aclamado ao longo dos anos, continua a ser reconhecido como uma obra decisiva, no meio que cultiva o livro de fotografia como a mais elevada forma de expressão do medium. O vídeo abaixo desvenda um pouco dos porquês de tamanha apreciação (pode ser considerado contacto informal com o mestre).
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DTLFTSOTE é uma colaboração audiovisual entre o fotógrafo britânico Mark Power e o poeta Daniel Cockrill. Os dois artistas viajam juntos por Inglaterra, partilhando e respondendo a experiências comuns, a ouver directamente no site do artista. Algumas destas fotos podem ser vistas num álbum editado pela Fundação Calouste Gulbenkian, a propósito de uma exposição de Mark Power no pólo parisiense da instituição, entre Novembro de 2007 e Janeiro de 2008. Aos interessados, penso que ainda se consegue encontrar à venda na livraria da Fundação.
Comentar“Orogenesis displays landscapes beyond the influence of time, frozen in an uncertain geological age, without any trace of culture or civilization. There is no echo in them, no voices or shouting that have vanished into the continuity of life and oblivion. There is nothing to commemorate there, nothing to remember. A kind of ‘degree zero’ terrain. Thus, they are landscapes without memory—well, with the exception of the memory of art.” Joan Fontcuberta em entrevista a Marc Feustel, a propósito do seu último trabalho – Orogenesis – um conjunto de paisagens geradas em computador.
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Continuando na senda gráfica. Não é costume chatear os clientes com relatórios e gabarolices sobre os milhares (como?) de visitas ao blog, mas, uma semana inteira dedicada ao livro de fotografia forneceu este curioso gráfico de visualizações. Livros, uma chatice! Em contrapartida, a feira do livro do passado fim de semana teve três dias fantásticos de animação e divertimento, de excelentes livros e conversas à volta da fotografia. Venham mais dez, agradeçam à Filipa Valladares, aos Suspeitos e à Fábrica Braço de Prata.
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A 1ª imagem de Daniel Blaufuks, da série collected short stories, a 2ª de Harvey Benge, da série stereotype. Embora semelhantes na aproximação formal através da estrutura diptica, ainda assim as séries diferem um pouco nas soluções encontradas. Valendo-se dessa estrutura sequencial como elemento estruturante da narrativa fotográfica, Blaufuks coloca títulos nas “histórias”, conduzindo a uma leitura mais defínida, Benge por seu lado tenta encontrar a intersecção visual que unifica os dois fotogramas. Em fotografia, nem sempre o que parece igual, é.
ComentarSem qualquer preocupação de ordem hierárquica ou até de cobrir a globalidade do espectro, alinham-se alguns blogs cujos interesses se centram principalmente na área do livro de fotografia.
Discussão prospectiva sobre a criação, financiamento e distribuição do livro de fotografia.
– How should photobook CREATION evolve in next decade?
Moderated by Marc Feustel, creator of eyecurious
– How should photobook CONSUMPTION evolve in next decade?
Moderated by Todd Walker, creator of Gallery Hopper and Ocular Octopus
– How should photobook FUNDING evolve in next decade?
Moderated by Bryan Formhals, creator of La Pura Vida Gallery
ComentarUma escolha pessoal sobre livros de 2010.
André Cepeda – Ontem. Um dos melhores trabalhos da fotografia portuguesa de cariz documental dos últimos anos. Contudo, corre o risco de passar pelo anonimato, mesmo depois da nomeação ao BESPhoto do ano passado, e diga-se que quer a exposição de nomeação quer a do prémio, não permitiram entrever o conjunto que aqui estava. Fotografia de alto nível, dispensando tentações de fotojornalismo preocupado, sem falsos moralismos nem falsas promessas de marketing, nem snapshots tirados à pressa numa qualquer viagem ao estrangeiro. A pobreza, a indigência, a toxico-dependência, etc., no Portugal contemporâneo, mais concretamente no Porto, temas duros, nem sequer os meus favoritos, mas há que perceber que são notas de uma partitura mais vasta, de um tecido social do qual se forma uma comunidade, uma sociedade, e do qual, quer queiramos quer não, todos fazemos parte.
Daniel Blaufuks – Terezín. Talvez o mais “literário” dos autores portugueses contemporâneos, no que diz respeito à elaboração de livros de fotografia. Este Terezin, editado pela Steidl em parceria com a Tinta da China, aborda uma temática que lhe é muito pessoal, mas que pertence também a um largo colectivo, a do destino dos judeus às mãos dos nazis. Despoletada pela literatura de W G Sebald, esta é uma ruminação sobre a verdade das imagens, onde o valor não advém tanto das fotografias per si, mas de todo o conjunto de histórias, documentos, evocações e sensações, que nos projecta numa viagem a um passado sombrio, que muitos desejarão esquecer. Fá-lo de um modo verdadeiramente notável, devolvendo-nos um fruto brilhante do enamoramente entre a literatura e a fotografia. Mais uma vez, não posso dizer que seja tema das minhas preferências, mas como no caso do livro anterior, o que é de excelência, deve ser assinalado.
Andrew Phelps: Not Niigata. Um livro que resultou de uma encomenda para fotografar a cidade japonesa de Niigata, provavelmente sem grandes pretensões, mas que acaba por resultar num álbum fotográfico de grande beleza. As “encomendas” nem sempre parecem resultar bem, denunciando desconexão com o lugar, desconhecimento da cultura, falta de investigação, incapacidade para atinar com um tema, resultando regra geral em obras menores nas carreiras dos fotógrafos. Eis uma excepção, que parece confirmar a regra.

Graciela Iturbide: asor. Um livro estranho, onde o único personagem é o leitor, tantalizado a desvendar o mistério, por detrás dos sinistros olhos que o observam. “Down the rabitt hole”, e mais não direi.
Nadav Kander: Yangtze – The Long River. Mais que provável candidato aos “Óscars”. Curioso, é como da China ultimamente só vem fotografias com fundos nebulosos, embora não seja crível que os chineses tenham inventado propositadamente uma máquina, para fazer fundos para fotografias. Descontando a piada, é fotografia de grande calibre.
Já aqui mencionara este Words Without Pictures. De uma riqueza teórica assinalável, os seus promotores conseguiram juntar um eclético conjunto de ensaios, debates e opiniões, que certamente adicionarão à compreensão da complexidade daquilo que é a fotografia actualmente. Indispensável.
Este the pleasure of good photographs, é também ele um prazer de leitura. Assumidamente parcial, deve por isso ser lido com um pitada de sal, não deixando contudo de nos levar por um autêntico passeio pela história do medium, proporcionado por um dos indefectíveis da fotografia “em modo documentário”, como faz questão de sublinhar.
ComentarExcerto da entrevista com Markus Schaden, um dos mais conhecidos dealers (livraria em Colónia) do ramo.
ComentarA opinião imparcial de Gerhard Steidl acerca da problemática dos tons médios [via Bastard Title]
ComentarExcerto de entrevista com Patrick Le Bescont, das Filigranes Editions.
ComentarO livro de fotografia é dissecado em cada um dos pontos, por um coleccionador de fotografia que generosamente vai partilhando em blog, o enorme conhecimento de que dispõe sobre o meio.
Comentar“So what are THE BEST books on Collecting Photobooks? Well, Here is MAO’s list.. in a totally biased order of importance.. ” Dicas imparciais sobre que “guias” comprar, a quem deseja iniciar uma colecção de livros de fotografia. Dos mencionados, apenas conheço os tomos de Badger/Parr, e o da Aperture sobre os livros japoneses. Sendo qualquer um deles absolutamente recomendável, se tivesse que comprar apenas um, começaria pelo volume 2 ( na foto) da dupla Badger/Parr, aquele pelo qual ainda se conseguem encontrar livros a preços de capa, e onde é abordada a história mais recente das publicações europeias e americanas, bem como as tendências que ditaram uma boa parte das correntes modernas: o fotografia “preocupada” (concerned), os dusseldorfianos, a fotografia de intimidade, etc.
ComentarEsta semana aqui no blog é inteiramente dedicada ao livro de fotografia. De fora, não poderiam ficar as (escassas?) lojas em Portugal com secções especializadas, que além da pouca oferta de que dispõem, ainda tem que concorrer com os vários fornecedores existentes via Internet, cujos preços são geralmente mais baixos. A Fnac tem uma oferta que se diria generalista, algo concentrada nos “best of” e no coffee-table, ainda que com um ou outro livro fora do mainstream, mas não se pode claramente considerar uma loja especializada, além disso, onde os autores portugueses praticamente não tem assento. Ausência que as livrarias Almedina tem conseguido colmatar, com um sortido razoável de autores nacionais, embora em termos estrangeiros a oferta seja bastante mais escassa. A livraria do museu de Serralves tem uma oferta interessante e bem seleccionada, praticamente inexistente em qualquer outro lugar, com o atractivo adicional de existirem sempre livros a preço promocional. A livraria do museu Berardo é a que tem maior sortido de revistas de fotografia, contudo a secção de livros é (ou era, entretanto deixei de ir…) das mais fracas que se pode ver, algo incompreensível para o volume de visitantes que por ali passa. A livraria da Carpe Diem tem uma oferta que ainda é pequena, mas que tem vindo a melhorar com o tempo, e só por si justificaria a visita a todo o espaço Carpe Diem. A Inc. Livros e Edições de Autor, no Porto, é uma loja singular, onde se encontra o que praticamente não existe em mais lado nenhum, onde os livros, para além de serem muito bem tratados, não são caros, pesem embora as edições exclusivas de autor e alguns exemplares raros de primeiras edições esgotadas e procuradas, essas sim, com preços menos “normais”.
Em resumo, o Porto parece estar melhor servido de livros de fotografia que Lisboa, contudo tudo por junto revela ainda assim uma oferta global relativamente pequena. Mas há que perceber que a equação do mercado também se compõe de procura, a qual, nem sempre tem que ver com disponibilidade financeira, mas também e sobretudo com conhecimento. É justamente nesse capítulo, que por aqui passarão durante esta semana indicações e direcções para que se possa ficar com uma ideia da riqueza, qualidade e âmbito do livro de fotografia.
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À semelhança da literatura, como é que um amante de fotografia vive sem livros? Eis uma excelente oportunidade para preencher essa paixão.
“…I felt that photography ought to start with and remain faithful to the appearance of the world, and in so doing record contradictions. The greatest pictures would then… find wholeness in the torn world.“ Robert Adams
Relógio de ponto. Dedicada a um dos pais espirituais da (minha) fotografia.
Escrevi aqui alguns considerandos sobre a questão das dimensões de ampliação das imagens que por aí se vêem, por vezes, mais aparentando ser mera estratégia comercial, do que própriamente um enunciado de validação artística. Há mais quem pense o mesmo, nesta crónica de viagem pelo mundo das galerias nova-iorquinas, curiosamente citando como exemplos contraditórios duas obras de Michael Wolf, uma que diz respeito aos arranha-céus em Hong-Kong (imagem acima) e outra sobre os passageiros de metro em Tokyo (Crushed).
ComentarDecorre em Vila Franca de Xira, a Bienal de fotografia local. Alexandre Pomar compila alguns das seus escritos sobre bienais anteriores, numa leitura com algumas similitudes em relação à que fiz do evento em 2008. Deste ano apenas vi a exposição dos vencedores do certame anterior, que apresentam novos trabalhos na Biblioteca Municipal. Goste-se ou não das imagens, é sobretudo impossível não comentar a falta de dignidade com que as mesmas estão expostas. No momento da visita, decorria um workshop na sala onde se encontravam as fotografias, logo, não se podia entrar. Por mero acaso aconteceu o intervalo do referido workshop e alguém teve a amabilidade de sugerir a entrada. Lá se andou a ver fotografias pelo meio de cadeiras, mesas, pertences das pessoas, etc. Não é maneira de se apresentar os vencedores de uma Bienal, nem gesto que dignifique a antiguidade ou o prestígio do certame.
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“if you make a list with the 50 best photographers in the world, you would hardly find more than 5 photographers represented at Paris Photo. The worst of the worst is that major photographers (with few exceptions, of course) are actually not shown in photo fairs anymore, but in Contemporary Art Fairs! (…) Paris Photo simply follows the average taste of the photo crowd. Photography world is very much dogmatic and conservative – probably because it is a recent art, and still insecure about its forces.” Excerto da entrevista de Yannick Bouillis, promotor da feira do livro Offprint, que decorreu durante a recente feira Paris Photo.