Posts de ‘2010’

exposições: 5 estágios da dor

Negação

A abertura está para daqui a uns dias e tens vindo a negar-te à tarefa da preparação. Tens uma idéia geral mas ainda não estás seguro de que imagens vais usar. Convences-te que algures nos próximos dias vais arranjar tempo para editar uma exibição coesa, fazer umas impressões decentes, emoldurar, pendurar, escrever uma sinopse legível e actualizar o site com o novo material. Pois, pois.

Zanga

De alguma forma a exposição lá apareceu montada. Agora que está de pé é difícil obter uma reacção. Não há feedback, perguntas, recensões, comentários. Perguntas aos teus amigos mais próximos se já viram, mas ainda ninguém teve vagar. E além das alminhas que apareceram na inauguração, provavelmente movidas pelo cocktail à borla, não fazes nenhuma idéia de quem é que possa ter lá aparecido. Durante o próximo mês vais viver num zangado vazio, porque ninguém te conhece. Grrrr.

Regateando

Alguém perguntou por vendas. Querem saber se fazes um acordo por uma das cópias. Querem num tamanho menor, sem moldura e a um quarto do preço. E sim, querem saber se dá para tornar as cores um pouco mais saturadas e para imprimir em tela. Tu respondes que gostarias de vender a impressão apresentada na galeria, ao preço anunciado. Nunca mais ouvirás nada deles.

Depressão

Aproxima-se a data do fim. És tu que vai lá desmontar a exposição. As paredes estão brancas. Vais para casa e arrumas tudo no devido sítio. Após algumas semanas começas a pensar se realmente aconteceu a exposição ou se sonhaste.

Aceitação

Gradualmente, depois de muitas exposições, finalmente percebes que todas seguem a mesma rotina descrita acima. Além do mais, é provável que todas as mostras futuras venham a seguir o mesmo padrão. Então, decides parar de organizar exposições individuais, uma decisão que te liberta um pedaço de tempo para finalmente te poderes dedicar à prática da fotografia a sério.

Podem agradecer ao Blake Andrews, de onde traduzi estes The five stages of exhibition grief. Tem um fundinho de verdade, huh?

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d’agata e nozolino

autoria: antoine d’agata

autoria: paulo nozolino


Entrevistas com dois “estranhos”, Paulo Nozolino e Antoine d’Agata.

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Prix Pictet 2010

Na Galeria Les Filles du Calvaire, em Paris, está a exposição de apresentação dos nomeados ao Prémio Pictet, prémio de fotografia dedicada ao desenvolvimento sustentável, cujo tema deste ano foi o crescimento. É uma espécie de BESPhoto, bastante mais endinheirado, com a diferença de que, ao contrário do prémio nacional, onde existe um júri de nomeação e outro de atribuição, aqui as duas funções são feitas pelas mesmas pessoas, ou pelo menos, é isso que se depreende dos folhetos distribuidos. Algumas nomeações aparecem como óbvias, outras nem por isso, mas note-se o carácter eclético das mesmas onde se distinguem duas linhas: os que utilizam máquinas de grandes formatos e ampliam em acordo (Burtinsky, Epstein, Couturier, Lutter, Struth e Wolf) e o documental mais íntimo, mostrando o lado humano, ampliado em dimensões bastante mais reduzidas (Als, Jordan, Jung, Quedraogo, Tillim). É tudo uma questão de dimensão? Nem por isso, como tentarei demonstrar.

Guy Tillim foi nomeado por um trabalho algo diferente do “Avenue Patrice Lumumba“, visto em Serralves o ano passado. Embora se mantenha em África, o enfoque neste caso está mais nas pessoas, a escolha por imagens mais pequenas parece mais adequada, enquanto que no trabalho visto no Porto a questão da arquitectura tinha um papel mais importante, no entanto as ampliações apresentadas no Porto tinham uma qualidade muito discutível, provavelmente devido à ampliação excessiva. Nas imagens cujo registo aborda mais de perto o lado humano, as provas são bastante mais pequenas. Talvez se justifique pelas máquinas utilizadas de menor dimensão (35mm), que não permitem qualidade em grandes ampliações, mas contudo essa dimensão parece mais naturalmente adequada a mostrar pessoas e assim sucede em todos os autores em que mostram esse lado.

Edward Burtinsky e Mitch Epstein mostram imagens de paisagem em níveis monumentais. Apesar do tamanho, são sempre pálidas quando comparadas à verdadeira paisagem, reforçando-lhes essa dimensão um carácter de fac-simile, de artificialidade que lhes parece reduzir inclusivamente a noção de grandeza a que pretendem ascender, num perverso efeito contrário ao desejado, quase incorrendo no risco de parecer papel de parede com uma moldura à volta, ou então, um painel publicitário. Note-se contudo, que em ambos os casos as menções são de inteira justeza, em trabalhos grandemente apreciados por aqui, pelo que não está em causa a qualidade das séries ou das reproduções. Mesmo considerando o carácter de inspecção minuciosa facilitado pelas mesmas, dimensões menores chegavam muito bem, mas o mundo fotográfico está absolutamente fascinado pelo gigantismo das provas, na maioria dos casos mais aparentando mera estratégia comercial do que um real valor acrescentado.


Casos onde a dimensão parece trazer algo – ou pelo menos não prejudicar – ocorrem nas imagens de Vera Lutter e também nas de Stephane Couturier, este último apresentando imagens captadas em fábricas, resultantes da ampliação e “colagem” de dois negativos. Já Lutter apresenta o negativo directamente, resultando num registo monocromático de bonito efeito. Em ambos os casos não parece, em minha opinião, existir uma problemática tão forte nas questões de dimensão como quando a imagem mostra uma maior proximidade ao real. Quando existe essa proximidade, essa indexação mais visível, o tamanho parece vulgarizar, pelo contrário nesta imagens de natureza mais abstracta, a maior dimensão parece valorizar as imagens. É uma opinião muito particular, outros discordarão como é natural e casos existirão onde tudo poderá parecer contrário aquilo que aqui afirmo.


Termino com o meu favorito, o já aqui mencionado Chris Jordan, cujas imagens, apesar de simples, sintetizam toda a dificuldade que o “crescimento” aporta ao planeta, nomeadamente no aspecto do equívoco e do engano em que a maior parte das estratégias desse crescimento parecem assentar.

sp

Uma novidade boa para Portugal será a provável vinda da mostra deste prémio até nós, já no próximo ano. Mas mais não se pode ainda dizer…
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“quand il me prend dans les ses bras”

autor: Willy Ronis


Os franceses amam fotografia. Atget, Brassai, Cartier-Bresson, Depardon, Ronis, Doisneau e tantos outros foram ajudando a consolidar essa atracção, que conhece o seu ponto alto em Novembro com a realização de um conjunto de eventos, potenciandos pela presença do imenso número de visitantes que aflui à cidade para se deleitar com a fotografia. Na Paris Photo, feira de arte onde se encontram as mais cotadas galerias mundiais e onde esteve a portuguesa Pente10, é o local onde se pode observar de tudo um pouco, desde as caríssimas reproduções de fotógrafos mais antigos ou de meia dúzia dos recentes que já atingiram preços elevados, até à imensidão de contemporâneos com algum estatuto, mas cujos preços são ainda relativamente baixos. Uma sensação que me deixa algum desconforto, é a de que uma boa parte destas obras parecem ser feitas a pensar num mercado específico, beneficiando do efeito de escala que lhes confere uma dimensão estética aumentada, mas cuja sensação última é a de uma espécie de brilho falso, de características que não raras vezes, roçam o decorativo.

A presença das maiores editoras de fotografia ajuda a embelezar o certame, mas a compra é desaconselhada a bolsas pequenas, pois os preços de venda são os tabelados e na Amazon consegue-se quase tudo com descontos substanciais. A excepção é feita às editoras japonesas, cujas autênticas pérolas são muitas vezes inalcançáveis de outro modo, sendo que a fotografia vinda do Japão tem autores de uma beleza muito própria e absolutamente fascinante, dos quais já citei alguns casos aqui no blog. É no entanto a oportunidade para folhear alguns exemplares, que de outro modo raramente se vislumbrarão nas livrarias portuguesas.

No âmbito do Mois da La Photo, bienal que se realiza na cidade nos anos pares, realiza-se o evento própriamente dito, com exposições de alguma dimensão e importância em cerca de 30 locais e o Mois da La PhotoOFF, evento alternativo que agrega perto de 100 locais e onde se encontram sobretudo autores menos conhecidos. Aliadas a todas estas exposiçãos, uma imensão de conferências, promoções, lançamentos, etc., que de algum modo recomendam um mês de férias em Paris, e uma semana para recuperar das ditas.

Um evento muito interessante decorreu na Offprint, feira do livro que ocorre nos 4 dias da Paris Photo, sobretudo focada nas editoras independentes e onde se pode encontrar tudo o que está ligado à fotografia impressa, desde provas, a livros, revistas, zines, etc. O nome independente aqui pode soar a pouco mas é enganador, muito do que melhor se faz hoje em dia em fotografia não passa necessáriamente pelas “grandes” editoras, a Steidl é a excepção e o ponto de referência em excelência, basta perceber que teve uma exposição exclusiva no LaMonnaie, integrada no Mois de La Photo. Mas como já mencionara, os nomes maiores do ramo da impressão estavam no Carroussel du Louvre, no âmbito da feira de arte, sendo que aqui estavam as editoras mais pequenas. Foi nesta feira que perdi a cabeça e acabei com alguns euros que levara, onde levei horas a ver livros, infelizmente de uma forma que pouco gosto que é a de folhear à pressa, e onde tive a oportunidade de conhecer alguns colegas bloggers estrangeiros e também alguns dos fotógrafos que mais admiro.

Finalizo o artigo desculpando-me pela não apresentação de imagens, mas a minha fotografia turistica é sempre tão desgraçada e escassa, que neste caso mais vale ficar quieto.

Uma segunda opinião sobre a Paris Photo de 2010? Leiam a crónica no Desenhos Com Luz.

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ligações (pouco) perigosas @19.11.2010

Brighton Picture Hunt book by Carmen Soth £15

  • Mencionou-se por aqui há uns dias uma pequena história envolvendo a Bienal de Brighton, Alec Soth e a sua filha de 7 anos, Carmen. A “inocência” da mesma é posta em causa por Nick Turpin, um dos patronos da Street Photography inglesa, alegando mau uso do dinheiro dos contibuintes, insinuando exploração infantil, enfim pelejando a favor da “sua” dama. Concorde-se ou não, é sempre interessante ler outros pontos de vista.
  • Fernando Lemos: “Eu sou a fotografia”. É a segunda menção da semana ao blog da Associação Portuguesa de Photographia, merecida pelo extenso tratamento dado ao nosso exemplo maior da fotografia surrealista.
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Livros de Fotografia – Coleccionáveis


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deepsleep@sea

O último número da Deep Sleep é dedicado ao mar, esse mar que tanto se associa à portugalidade mas que anda em maré baixa nas imagens lusas, descontando o ocasional fan do Sugimoto ou os menos ocasionais arrastamentos com rochas em primeiro plano. João Mariano é o nosso “homem marítimo” contemporâneo? Algo escasso, ou então falha-me a memória. Terá sido over-dose neorealista de barcos e pescadores?

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blogs & alfinetes

Refeita, a estrutura de blogs nos links laterais. A profundidade de campo anterior – de F2 a F8 – foi substítuida por nova divisão entre figura e fundo, distinguindo os links especificamente fotográficos dos outros.

Pergunta-se porquê tanto link para blogs em Inglês, quando existem N blogs de fotografia em português? Muitos existem de facto, de interesse são menos, perdoem a escolha encolhida mas permitam que identifique o que considero de interesse: blogs que contribuam regularmente para a formação de uma comunidade fotográfica mais produtiva e auto-crítica. Os actualmente relevantes pouco mais vão fazendo que o obituário, a cronologia de exposições e o fait-divers. Assunto sério (independentemente da forma), pedagógico ou aprofundado vai sendo raridade. Percebe-se que a parte da retribuição sob a forma de visitas, comentários ou feedback possa ser desencorajadora, mas desengane-se quem tem um blog para esses fins. Os blogs mais “institucionais” não se podem aventurar demasiado, o meio é pequeno, as migalhas poucas, todos se conhecem, muitos são meros mecanismos promocionais, o que não sendo negativo, é sobretudo escasso. Dos colectivos de fotografia nada. Dos blogs pessoais, donde mais se poderia esperar, tirando a auto-promoção, a restante contribuição ou é nula ou existindo, incipiente, aleatória e irregular. As citações e cruzamentos de links de artigos, praticamente inexistentes, não há concórdia, nem discórdia, nem discussão, denunciando fraca porosidade, interligação e quiçá pior, egotismo e ensimesmamento. Não será mais interessante uma blogosfera activa, independente de recompensas e da aprovação das autoridades? O “agora” da blogosfera fotográfica lusa aparece algo apático e sem grandes motivos de entusiasmo. Falo de fora? Não, também estou dentro. Não sei do que falo? Iluminem-me com as vossas sugestões na caixa de comentários.

PS – Um blog que desconhecia, este APPh. – Associação Portuguesa de Photographia. Alguns artigos recentes, extensos e interessantes, embora aparentemente de pouca assiduidade. Esperemos que ganhe fôlego.


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warhol tv @ccb

Andy Warhol Polaroids
truman capote

Quem quiser ver a fama (de longe) pode ir ao CCB, ver a Warhol TV. Mas eu gosto mesmo é dos retratos, estão lá meia dúzia deles, nenhum das polaroids, embora a Pop Art também dê uns posters e uns brindes porreiros… Fora de brincadeiras, é impossível deixar de reconhecer a importância do trabalho de Warhol, quanto mais não seja pela persistência em consolidar o estatuto de “arte para todos” ou melhor, para todas as bolsas. Ainda assim diminuir o impacto da Pop Art (que não se resume a um artista) a uma máquina de fazer dinheiro é uma perspectiva retórica e redutora, pois o timing do movimento a par de outras questões acabou por abrir novos horizontes técnicos, de produção e comercialização artistica. Em simultâneo quebrou a “seriedade” do Expressionismo Abstracto e abriu portas ao entretenimento, praticamente a base de toda a indústria cultural actual. Mas se isso é bom ou mau, é assunto para outros desenvolvimentos.

Numa perspectiva de impacto social, Warhol vem contribuir e alimentar aspectos absolutamente contemporâneos: frivolidade, vaidade, ganância, e a sensação de que tudo vale a pena pelos quinze minutos de fama. E é sobre isso que fundamentalmente trata este “show”: Warhol e os famosos, a ambição do domínio (impossível) sobre a exposição mediática própria e alheia, a alteração da persona em presença da câmara, a ambiguidade entre pastiche e paródia.  De resto, é divertido ver o ar sério com que o Warhol conta a seguinte anedota: “Where did Prínce Charles spent his honeymoon? Indiana”. Parolismo blasé tem tempo ou nacionalidade? Não, mas é representável, como Warhol tão bem representou.

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Curta de São Martinho

Aproveitei algumas imagens de um novo conjunto para inventar esta pequena história. À excepção da primeira, todas foram feitas no “lar” de um sem-abrigo, ocupando o espaço de uma casa de banho pública desactivada e o átrio de uma capela. Note-se o arranjo na terceira imagem, como se fosse a mesa de uma sala pronta a receber visitas, aliás todo o espaço continha notas decorativas mesclando estética e sentido de humor. Uma lição a quem anda por aí a borrar-se com medo do FMI… fim.

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“duas que eu não gostei tanto”

O título deste post é alusivo a uma série de tiras de BD do genial cartoonista brasileiro Angeli, “duas coisas que eu odeio e uma que eu adoro”. Embora geralmente por aqui se tombe de amores, hoje e para variar um pouco, nem por isso em dose dupla. Em ambos os casos, tratam-se de fotógrafos de reconhecidos créditos e com obra que testemunha já da grandeza que atingiram no campo da fotografia, sobretudo ligada ao documental.

Este trabalho de Nadav Kander.

Simon Norfolk, nestes Blenheim Oaks.

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plutão

Helmut Newton. 31 Outubro.

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plutão

Mapplethorpe. 4 Novembro.

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literacia visual

“At the same time, a lot of what passes for “visual literacy” today is merely visual cynicism. People, especially young people, are very used to saying “photographs lie,” to pointing out how images are manipulated by Photoshop or other means. Such suspicion and skepticism isn’t entirely bad, but I don’t think of it as visual literacy. I don’t urge naïve acceptance or cynical rejection of photos of political violence; the book makes a plea for us to use photographs of atrocity as starting-points to engage with very complicated histories and very specific political crises

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Visura nr 11

Este último número da Visura foca-se nas imagens de relações íntimas de família. Interessante do ponto de vista das várias estratégias de abordagem documental, envolvente pelas conexões emocionais sugeridas. Das várias disponíveis, gostei um pouco mais das 3 seguintes, a primeira, Retrospective, de Elinor Carucci, uma viagem ao longo de alguns anos sobre fotografias suas e da sua família.

De Annabel Clark, Journal, um relato íntimo e pungente da doença de sua mãe, em que a par das imagens se publicam excertos do diáriodonde a senhora foi retratando algo dos seus dias.

De Aline Smithson, Arrangement, uma exploração bem humorada das idéias pré-concebidas sobre as mães, os códigos de vestuário e a pintura “barata”.

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Ju Duoqui, Fantasies of the Chinese Cabbage

Ju Duoqui. Estamos no mês de Escorpião, é adequado.

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ligações (pouco) perigosas @29.10.2010

Para entreter o fim de semana chuvoso, as ligaçõs perigosas desta semana propõem um conjunto de videos onde fotógrafos falam sobre o seu trabalho, sobre as motivações para fotografar o que fotografam, as escolhas, etc.

Luc Delahaye, da Magnum, cujos primórdios na carreira foram feitos como fotojornalista, sobretudo cobrindo guerra. Em dado momento aproveitou os cenários de conflito para redireccionar o seu trabalho para uma vertente mais “arte contemporânea”, perseguindo um estilo talhado pela indiferença, pelo desligamento.



Os trabalhos de
Roger Ballen tem sido sempre muito acompanhados de polémica, talvez isso contribuindo para acentuar ainda mais o carisma dos mesmos, cujos registos são absolutamente fora do comum. Dificilmente se podem considerar como um registo documental, quando muito são documentos surrealistas sobre a condição humana. A África do Sul serve de contexto mas não é o tema directo. A tradicional liturgia exibindo negros, racismo, violência, miséria, é apenas pressentida, sendo substítuida por uma estranha recomposição feita de um universo quase exclusivamente constítuido por brancos. [via lapuravida]

Antoine D’Agata, também da agência Magnum, onde a vida se parece confundir com a realidade, num documental muito pessoal, confrontacional e ao mesmo tempo esquivo. Um fotógrafo sobre o qual se gostaria de ver mais, quase partilhando essa caracteristica com a persona que se percebe na entrevista.

Rob Hornstra, cujo trabalho documental tem sido de uma forte ligação à Rússia, aqui e aqui mencionado anteriomente.

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Jamal Penjweny, Iraq is Flying

No Iraque, ainda há vida para além dos morteiros. E sentido de humor. Jamal Penjweny, Iraq is Flying.

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u b u

UBUWEB. Base de dados cultural de inclinação vanguardista. Para quem atrofia perante o final do DocLisboa, eis uma boa oportunidade para ocupar as noites frias, com alguns destes links para a secção de filmes: John Baldessari, Matthew Barney, John Berger, Anton Corbijn, Ed van der Elsken, Gilbert & George, Sharon Lockhart, Tracey Moffatt, Robert Mapplethorpe, Gordon Matta-Clark, László Moholy-Nagy, Cindy Sherman

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capital reflex #32

Esta é a imagem que deu origem à série Capital Reflex, espécie de crónica metafórica do estado da nação.  Tirada em 18.10.2008, pareceu-me simbólicamente adequada para a situação que se vivia, não só a nível global como local. Um canguru saltitando trajado de americano, no centro do mundo-casino que gira à sua volta, enquanto cai o dia e se aproxima a noite. Embaixo, a mais recente imagem da série, tirada 2 anos depois, em 17.10.2010, mostrando um pormenor de montra de loja vazia, onde esteve uma sucursal de agência imobiliária. Também ela corroborante da situação, pois que a “crise” parece ter-se agravado com o reconhecimento da bolha especulativa no mercado imobiliário americano e respectivos sub-produtos financeiros.


Actualmente, uma crise económica, mas acima de tudo uma crise de liderança, de seriedade, de honestidade. Um vazio, que apesar de surgir como aparente vazio de poder, acaba por nunca o ser na verdade. As cadeiras estão vazias, mas já tem destinário.

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larry clark, m/18

O presidente da Câmara de Paris e pelos vistos também vogal da comissão da Patetice, proibiu a entrada a menores de 18 anos na última exposição de Larry Clark “Kiss The Past Hello” no Musée d’Art Moderne, alegando imagens de carácter pornográfico, incitando ao consumo de drogas, etc. Que dirá dos Morangos com Açucar (não sei como é que se diz em francês) locais?

Link para algumas das imagens na HUH. Se tiverem menos de 18, pf não aborreçam o senhor…

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Photographs on the Brain

Photographs on the Brain é uma rúbrica curatorial do sempre desafiante site La Pura Vida.

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no país da fotografia: imagens africanas


Portugal está cheio de África, cheio de fotografia africana entenda-se. Uma medida neocolonial decente dos mandantes da cultura indígena seria impedir a exposição de Malick Sidibe de sair do país… certamente não se combateria a bancarrota, mas talvez as imagens servissem de inspiração a alguns lusitanos mais necessitados de exemplos de simplicidade e humildade. O melhor mesmo, é pensar em comprar um livro.

Africa: See You See Me. Outro exemplo vindo do continente negro, este acerca do ecletismo da representação fotográfica – a de dentro e a vinda de fora – das africas, patente no Museu da Cidade, Lisboa. Dividida em 3 partes, a exposição apresenta paradigmas de várias práticas e abordagens, mas em que regra geral parece dominar o cariz documental, de influências da fotografia “humanista” europeia, não obstante uma ou outra excepção de raiz mais conceptual. Por um lado, a forma como os africanos se vêem a eles mesmos, quer do ponto de vista do fotógrafo quer do fotografado. Depois, os pontos de vista de fotógrafos não-africanos, mas que de certo modo exibem algum grau de integração ou colaboração com o meio que fotografam. Finalmente uma fotografia de cariz mais etnográfico, apontando à herança do retrato efectuado por colonizadores. O âmbito é também o de fornecer um contraste entre a visão da fotografia do antigamente, apontada como sendo colonialista e aquela que se pratica hoje, ou pós-colonialista. Por vezes, a barreira torna-se pouco clara entre o que pode ser ou não um “discurso colonial” do ponto de vista fotográfico. Embora não esteja suficientemente informado sobre essa questão, quase toda a fotografia enferma de estereótipos, de preconceitos, de escolhas, de julgamentos, pelo que talvez o “colonialismo” se possa assumir como a noção desequlibrada destes preceitos, quando aplicados em imagens de países colonizados, por fotógrafos de países colonizadores e que afectam noções de historia, cultura, identidade e representação. Apagados fossem os nomes dos fotógrafos desta exposição e em muitas das imagens nos seria difícil aquilatar da origem ou posição do fotógrafo, quanto mais alinhavar um discurso pelo diapasão “colonialista”, e não estou com isso a confirmar ou desmentir a existência de imagens com esse pendor, mas apenas a verificar da dificuldade de verificar uma posição. A passagem de uma posição em que “o fotógrafo vê o outro como quer”, para “o outro é fotografado como deseja ser visto” é uma dialética que não se resolve o assunto da soberania visual por mera carta de intenções. O momento em que a fotografia “casou” com a antropologia, foi também o começo de algumas questões académicas cuja validade pode e deve ser questionada, pelo que esta seria uma excelente oportunidade para a produção de um documento intelectual (e de um catálogo) acerca do tema, embora na dita exposição nada se veja. Desconhece-se se o mesmo ainda virá ou não.

Permanecendo em África, ainda que por vias indirectas, a exposição Res Publica, na Fundação Calouste Gulbenkian, na qual em vários trabalhos fotográficos se podem vislumbrar questão ligadas às colonizações, antigas e modernas. Fotográficamente destaco Manuel Botelho (abaixo), que explora o still-life escultórico para criar pequenos tableaux que conferem sentido exploratório à construção proposta pelos curadores.


Saindo das africas, esta exibição na Gulbenkian aspira a uma abordagem mais global da noção de res publica, legítima sem dúvida, mas na qual contudo se parece por vezes esbarrar nalguns corpos estranhos. Dou como exemplo os retratos de Pierre Gonnord (abaixo), que contrastam nitidamente com o

sentido geral da exibição, em que o “cliente” vai desde o início sendo encaminhado para o universo artístico português e para as questões correlatas à portugalidade – que agora comemora o centenário da Republica – mas que de repente se vê colocado perante deambulações menos óbvias. Pierre Gonnord trabalha sobretudo questões ligadas ao rosto e ao retrato, lateralmente denotando influências da pintura. Gabriel Orozco trabalha o sentido escultórico de inserção no espaço e no tempo, aproveitando o ready made para sublinhar esses aspectos (ver imagem abaixo). Em ambos os casos, só algum esforço permite enquadrar estes trabalhos no sentido que se pretende dar a esta Res Publica, mesmo considerando um critério curatorial mais amplo. Certamente todas as escolhas tem uma justificação, seria interessante conhecê-la, pois que nalguns casos a obra em si já é suficientemente críptica ou opaca, e nos casos mencionados, nem a génese da mesma permite aquilatar da valia da mesma para a coesão desta exposição.


Pode no entanto estar a escapar algum detalhe, pois que algo desta dimensão é certamente estudado e analisado ao mais infímo pormenor, sendo nesse aspecto de notar positivamente a pertinência para o contexto proposto da inserção de 3 imagens de Taryn Simon, da série An American Index of the Hidden and Unfamiliar, as quais e ainda assim pesando a vontade de “globalizar” o assunto, não aparecem como óbvias para o ênfase geral, que parece pender claramente para a res publica lusa.

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2 joão henriques

O mundo já era pequeno demais para 1 João Henriques, então 2… O verdadeiro, é fotojornalista do Público. O outro é apenas um clone meio sério/meio doido sobre a fotografia ;)
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editora pierre von kleist

Uma apresentação da editora Pierre Von Kleist, dos portugueses André Príncipe e José Pedro Cortes. A reedição do clássco livro de Victor Palla e Costa MartinsLisboa, Cidade Triste e Alegre” valeu-lhes os maiores encómios por parte dos entusiastas do livro fotográfico por esse mundo fora. Entretanto tem editado também os seus próprios livros e de mais alguns autores, em edições cuidadas que merecem um visionamento atento (e a compra).

[UPDATE 07.12.2010]  Link corrigido para o vídeo aqui.

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