Posts de ‘April, 2011’

photography as “pornography”

Dois artigos interessantes: em The problem with regarding the photography of suffering as ‘pornography’, a possibilidade da fotografia se ter tornado numa ameaça à empatia, e se ao invés de um factor de motivação e informação, se transformou num de inacção. Embora gire persistentemente em torno da incorrecta utilização do termo “porn” como qualificativo de determinados tipos de imagem, ignorando talvez a sua utilização numa escrita menos académica e precisa, não deixa contudo de levantar outras questões importantes. Um outro artigo próximo deste, Nikons and Icons – Is the aestheticization-of-suffering critique still valid?, onde David Levi Strauss patroneia a dificuldade na representação da dor do Outro.

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artist statement

 

x’s Artist Statement 

“Through my work I attempt to examine the phenomenon of bugs bunny as a methaphorical interpretation of both marylin and fuck.

What began as a personal journey of taoism has translated into images of dogs and butts that resonate with white people to question their own whiteness.

My mixed media drama embody an idiosyncratic view of philip lorca dicorcia, yet the familiar imagery allows for a connection between elvis, sheets and soups.

My work is in the private collection of mister jb who said ‘ah!, that’s some real oh Art.’

I am a recipient of a grant from Folsom Prison where I served time for stealing mugs and tie clips from the gift shop of The moma. I have exhibited in group shows at burger king and gagosian, though not at the same time. I currently spend my time between my bathroom and Berlin.”

Dificuldades em escrever aquela sinopse? Eis a solução para o artista desesperado.

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Publish Your Photography Book

Um novo título que promete esclarecer o processo de publicação de um livro de fio a pavio, fornecendo evidência teórica e prática, bem como recursos para o processo. Neste link, uma palestra esclarecedora sobre o livro e os motivos da publicação.
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Fotografia e Verdade – Uma História de Fantasmas

 

Fotografia e Verdade – Uma História de Fantasmas, de Margarida Medeiros, acha bartesiana lançada de fresco  para a fogueira do pensamento fotográfico, embora a filiação em Roland Barthes não seja de minha lavra, mas de João Mário Grilo, que a sugeriu no acto de lançamento, ocorrido recentemente na Assírio& Alvim do Chiado. Num momento em que alguma da fotografia culta gira em torno “daquilo que lá não está”, concerteza que se trata de uma útil e profícua leitura. A autora lançara já anteriormente o volume Fotografia e Narcisismo – o auto-retrato contemporâneo (2000), actualmente esgotado, mas segundo consta em processo de reedição. Um novo capítulo sobre teoria e pensamento fotográfico, que vem alegrar um pouco a prateleira lusa dedicada ao tema, tradicionalmente magra na produção intelectual deste âmbito. Uma breve introdução a ambos os livros mencionados na Phala.
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burning man studio

Um dos estúdios portáteis mais originais de sempre.
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blurb

 

 
Os prémios Blurb de 2010 elegeram 4 livros vencedores, entre os quais este livro tremendo de Anton Kusters sobre a mafia japonesa. Anton é também um dos mentores da webzine Burn, e outros projectos podem ser vistos no seu site.

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imagem da mulher

 

Sob o título “Killing Us Softly: Advertising’s Image of Women“, uma reflexão sobre a forma como a imagem feminina tem sido usada em publicidade. Embora de lavra já antiga, o tema é plenamente actual, todavia parece não suscitar grande debate ou interesse público, pese embora a ocasional polémica, rapidamente soterrada pela seguinte. Um escrito que parece ter servido de sustentação teórica a esta produção, é o livro de John BergerWays of Seeing” publicado em 1972 e baseado na série da BBC com o mesmo nome. Nele, Berger procura colocar a fotografia no contexto da história de arte ocidental, afirmando a sistemática objectificação da mulher pela arte, pratica que afirma ter sido continuada pela fotografia.
Se no passado a predominância de um olhar masculino (male gaze) sobre a mulher possa ter contribuído para  que essa tendência se tenha verificado de forma continuada,  existe na fotografia contemporânea uma forte proliferação de imagens de mulheres realizadas/apropriadas/etc por mulheres. Seria interessante perceber de que modo reflectem as fotógrafas sobre esta questão, sem no entanto esquecer que o tal male gaze nunca deixou de exibir os seus créditos históricos. Infelizmente, esta é uma matéria pouco relevante no actual debate sobre fotografia, sobretudo se pensarmos que ao vermos o outro, nos estamos também a ver a nós.
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what’s next?

 

Esta e outras questões analisadas e discutidas por um painel de experts em What’s Next?, site que aliás numa nota lateral, está brilhantemente construído.
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Caucase, “Souvenirs de Voyage” – entrevista com Sandra Rocha e Pauliana V Pimentel

Algumas questões à Sandra Rocha e à Pauliana Valente Pimentel a pretexto da exposição “Caucase, Souvenirs de Voyage”, ainda patente até ao próximo dia 3 de Abril na Fundação Calouste Gulbenkian, agradecendo a gentileza de terem acedido a responder às mesmas.

©sandra rocha

 

 

©pauliana valente pimentel

 

abp – Por vezes pressente-se alguma distinção entre aquilo que é um projecto pessoal e uma encomenda, nomeadamente ao nível da profundidade com que o trabalho é investigado e desenvolvido, que posteriormente se reflecte nas imagens apresentadas. Neste caso, parece existir um casamento feliz entre estas duas vertentes. Como é que vocês aproximaram este projecto de quase ilustrar um caderno de viagens, que dificuldades podem existir num projecto deste género?

sandra rocha – Este era um projecto pessoal, que não resultou de uma encomenda. Longe de ilustrar a viagem de Calouste Gulbenkian as imagens são o resultado de duas viagens realizadas lado a lado. É ai que reside o casamente feliz. E no que se refere a encomendas, acho que estas devem ser encaradas com a mesma vontade que os trabalhos autorais, caso contrário o melhor é não aceitá-las.

pauliana valente pimentel – Este projecto foi ideia nossa, não foi algo que nos foi proposto, era um projecto que queríamos muito fazer. O livro do Gulbenkian serviu de ponto de partida, o Dr. Rui Vilar deu-nos total liberdade e confiança para fazermos o projecto livremente, sem nenhuma imposição.

 

©sandra rocha

 

abp – Achei curiosa a vossa opção por uma diferenciação de estilos tão marcada, sobretudo ao nível do uso da côr. Embora seja algo que já se pode antever nos vossos trabalhos anteriores, aqui parece-me que esse aspecto é ainda mais vincado, com as imagens da Sandra a parecerem ainda mais desaturadas que o usual, e as da Pauliana, mais saturadas. A que é que preside essa orientação estilistica, como é que ela ajuda a fundamentar esta exposição?

sandra rocha – No meu caso, optei pela desaturação das imagens por achar que contribuia para o esvanecer do tempo, do agora. As cores originais produzidas pela máquina digital perturbavam-me, neste trabalho especificamente, pois atribuíam uma agressividade ao que tinha visto que não correspondia com o que sentia e queria fazer passar. Foi a grande alteração e quando me apercebi que resolvia o meu incomodo, foi como um acto de mágica. Esta opção estética em nada se relacionou com uma necessidade de distinção de estilos. Cada fotógrafo tem o seu universo.

©pauliana valente pimentel

 


pauliana valente pimentel – Eu optei para este projecto específico usar película médio formato, talvez por se tratar de uma memória de viagem … passada e presente. A saturação é do proprio filme, eu não quis alterar nada do que ficou impresso no filme, mantive as tiras, as cores.

 

©sandra rocha

 

©pauliana valente pimentel

 

abp – É interessante verificar algumas diferenças que existem nas vossas formas de retratar pessoas, embora uma das semelhanças tenha a ver com o facto de privilegiarem mulheres. Como é que escolhem os sujeitos, como é que se interage, em face de questões como as barreiras linguisticas, culturais, de génreo, etc.?

sandra rocha – A minha máquina fotográfica é capaz de derrubar todas as barreiras culturais, linguísticas, de género. As mulheres são uma constante no meu trabalho. “Portrait of a Lady”, um dos meus últimos projectos é um retrato, uma manta de retalhos sobre uma mulher. Os homens não me interessam enquanto objecto de contemplação ou de registo.

 

©sandra rocha


pauliana valente pimentel – Eu não faço distinção de géneros, fotografo homens, mulheres, transexuais, o que for, atrai-me sobretudo pessoas fora do comum, com uma “aura”/personalidade forte, envolvente e intrigante. É verdade que normalmente atrai-me mais o genero feminino, mas é pela sua beleza intrinseca. A escolha é natural, não penso nisso, assim que me aparece alguém à frente que me atrai verdadeiramente, tenho que a fotografar. A interacção para mim é universal, não há essa questão de barreira. Há uma pergunta “posso ou não fotografar” e se sim, tudo é feeling. Eu adoro fotografar pessoas!

 

©pauliana valente pimentel

 

abp – Embora uma pergunta menos fotográfica, tenho também alguma curiosidade em perceber qual será o estado de espírito pelo qual se passa durante uma expedição destas. Que emoções assumem o protagonismo? Certamente o facto de irem as duas facilitou um pouco a vida. Querem partilhar uma história boa ou menos boa, que vos tenha sucedido?

sandra rocha – O estado de espírito é o característico de viagens longas e longínquas: organização quotidiana, gestão de malas, redefinição do percurso, contorno de acontecimentos pontuais inesperados. e, ao mesmo tempo, tentar viver o lugar, ver o lugar, registar o lugar. Aconteceram histórias boas todos os dias. Quando se viaja e se dorme em casa de locais, a viagem é sempre mágica e muito mais compensadora. Foi este o caso. De país em país, de cidade em cidade, de aldeia em aldeia, encontramos sempre alguém curioso com a nossa chegada, disponível para nos ajudar. Em cada lugar, uma experiência diferente.

pauliana valente pimentel – As emoções são as de quem viaja durante um mês em países desconhecidos, e onde é muito difícil a comunicação. Mas tanto eu como a Sandra já tínhamos uma vasta experiência neste género de viagens…por isso estive sempre serena, feliz por estar a viver experiências novas. Claro que ter companhia ajuda bastante…principalmente quando surgem dificuldades….e essas dificuldades tiveram a ver com o quererem sacar dinheiro por acharmos que somos ricas, o sermos duas mulheres, o não falarmos a língua.


abp – Qual é a ideia com que ficaram da situação política, social e cultural daquela região? (Não coloco esta questão de modo a que a mesma se conforme com as vossas imagens.) Por que países passaram?

sandra rocha – Estivemos nos 3 países que formam o Caucaso: Geórgia, Arménia e Azerbeijão. Fiquei com a ideia que há muito para fazer mas acho que olho sempre, tendencialmente, para o mundo com os olhos do Ocidente, acreditando que a nossa forma de viver e de estar é sempre a melhor, superior aos outros. Mas tenho vindo a melhorar e acredito que, à parte das injustiças relacionadas com maus tratos, abusos, desiquilibrios, há outras formas de estar no mundo tão válidas quanto a minha/nossa. falando especificamente dos países do Caucaso, senti uma Arménia isolada, apertada pelos Turcos de um lado, roubada pelo Azerbaijão de outro,; uma Geórgia capaz e autrora grandiosa ( visível na arquitectura rural e citadina); e um Azerbaijão “fora da lei”, um capitalismo selvagem a toque ditaturial. Muito ou pouco ainda por fazer.

pauliana valente pimentel – Muito resumidamente, a Arménia, Georgia e Azerbeijão apesar de serem países que fazem fronteira uns com os outros e de serem muito pequenos, são bastante distintos. As religiões são diferentes, existem fronteiras que estão fechadas, algumas em conflito. São países bastante rurais. Mas nunca tivemos problemas, são países seguros, apesar de não estarem nada habituados a turismo, as pessoas são muito afáveis, apesar das dificuldades linguísticas.

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