Posts de ‘November, 2011’

text based

Holzer, Truisms poster

Jenny Holzer, Truisms. via 6decadesbooks

Aproximação apropriativa e subversiva das formas em que a cultura se representa visualmente, a fazer lembrar Foto Follies: How Photography Lost its Virginity on the Way to the Bank, em que através de um pastiche ferozDuane Michals dispara na direcção de algumas pretensões fotográficas contemporâneas.


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feiras & debates

Fim de semana de Feira de Arte de Lisboa e da Feira do Livro de Fotografia, integrada no mês da Fotografia, na Fábrica Braço de Prata. Como uma das estratégias para cativar público apresentam ambas interessantes conferências, contudo e dado o défice de eventos do género, pena é que nalguns casos decorram em simultâneo. Os interessados em ir a todas, terão que apelar ao doppelgänger.

Conversas na Fábrica Braço de Prata:

Sexta-feira, 25
19h30 – O lugar da fotografia em Portugal | com Emília Tavares, João Tabarra, José Luís Neto e Sérgio Gomes.

Sábado, 26
18h30 – Reportagem fotográfica: construção de uma narrativa – ESTAÇÃO IMAGEM |
com Paulo Pimenta, Nelson Aires e José Carlos Carvalho, moderado por Luís Vasconcelos.
19h30 – Lançamento em Lisboa do 2ºnúmero de Scopio (International Photography Magazine) | com Pedro Leão, Tiago Casanova, Susana Ventura e Pedro Gadanho.
20h30: Ver para fora de dentro – REUTERS | com Paul Hanna, José Manuel Ribeiro e Rafael Marchante, moderado por Bruno Portela.

Domingo, 27
19h30: Um outro olhar sobre a Luz | com Pedro Lopes – Megarim.

Horário da feira:
Sexta-feira das 17h00 às 22h00
Sábado e domingo das 15h00 às 21h00
Entrada livre

[programa via artephotographica]

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beijo (em) falso

A exigência de retirada da imagem mostra algo de básico, mas todos os dias recalcado (sobretudo pela cultura televisiva). A saber: nenhuma imagem é transparente, porque ecoa sempre no tecido social das linguagens — retirá-la de circulação é apenas dar a ver os limites em que se move o outro.” em Benetton contra o ódio (1/6).

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debates

Não são temas de debate, são temas de combate. A não perder, na ARTE LISBOA, de 23 a 27 de Novembro. [via AntiFrame]

Quinta 24 de Novembro | 19h00

A Cultura Desassossegada num Portugal Sossegado

Ivânia Gallo | ARTE LISBOA

Sílvia Câmara | Galeria de Arte Urbana – Câmara Municipal de Lisboa

Rui Pereira | Director “Bode Expiatório”, Jornalista

Cláudia Camacho | AntiFrame – Independent Curating Project

 

Quinta 24 de Novembro | 21h00

O Artista e a Santíssima Trindade: Coleccionador, Galerista e Curador

Mário Teixeira da Silva | Galeria Módulo – Centro Difusor de Arte

Gonçalo Lima | Coleccionador

João Silvério | Curador,  ”Empty Cube”

 

Sexta 25 de Novembro | 19h00

Quero ser artista. E agora? Terei de emigrar?

Luís Costa | Binaural / Nodar

Rui Mourão | Artista

Filipa Valladares | Stet – Livros e Fotografias

Manuel Botelho | Artista, Professor na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa

 

Sexta 25 de Novembro | 21h00

A Comunicação nas Artes feita refém dela própria

Rui Prata | Encontros da Imagem

Patrícia Remelgado | Pportodosmuseus.pt

Teresa Duarte Martinho | Observatório das Actividades Culturais

Nuno de Faria | Ponto de Contacto Cultural. Secretaria de Estado da Cultura. GPEARI – Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais.

 

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photocerie

Ce n’est pas une exposition d’images, c’est une exposition de signatures et/ou de dédicaces. Authentifiées de préférence. Valorisées en dollars (encore une fois).
Alors, y être ou ne pas en être ?
Avoir une photo accrochée aux cimaises, j’imagine que c’est un peu comme avoir son nom dans le petit Larousse.
Quoi ! J’y suis ? Nooon…
Ma foi oui, maintenant je me souviens, il y avait une galerie qui avait fort insisté pour accrocher quelques-unes de mes photos, je ne savais pas qu’elle l’avait finalement fait.
Pfff ! Enfin… Si cela leur fait plaisir…  Et on les voyait bien ? De loin ?
Après avoir visité la salle des ventes, j’ai eu une pensée émue pour tous ceux dont le nom ne figurait pas (encore) dans le petit Larousse.

Qu’ai-je remarqué qui mérite d’être relaté ?
Que si le thème de la manifestation était l’Afrique, cela n’empêchait pas les galeries qui n’avait rien à montrer (sur l’Afrique) d’exposer les photos de photographes qui avaient passé leurs vacances à Zanzibar en 1994 ou qui avaient le frère d’un ami maqué avec une Ivoirienne. Sans compter tous ceux qui ne savaient pas où était l’Afrique sur la carte.
Seules quelques galeries exposaient des photographes africains. Les autres n’étaient là que pour vendre des photos. Le premiers sans doute aussi, pour être franc.
Que si les prix proposés étaient de nature à permettre aux propriétaires de ces galeries d’aller passer les fêtes de Noël à Saint-Barthélémy, les jobards qui les achetaient aux prix proposés n’avaient pas intérêt à devoir les revendre le lendemain en vente publique sauf à devoir risquer de passer leurs vacances pendant le reste de leur vie à Dunkerque-plage (à trois kilomètres de la plage, dans un garni de 14 mètres carrés orienté zone industrielle).
Et enfin que, n’ayant pas été invité, j’ai dû me mettre dans la file d’une douzaine de personnes qui payaient leur entrée.
De l’autre côté de la barrière, il y avait une file d’une bonne centaine de mètres de journalistes ou de gens qui avaient une invitation. Un petite heure d’attente seulement. Mais c’est aussi une question de notoriété.”

Pequeno escrito sobre a edição deste ano da Paris Photo, rabiscado na newsletter de uma excelente livraria belga dedicada exclusivamente à fotografia.

 

[update] – versões “alternativas”

My overall impression was of a strong year with a fairly diverse selection of material, whereas sometimes it can feel like the same pictures pop up on every booth. I don’t think Paris Photo is the place to see the cutting edge of contemporary photography, although there is always something hiding around a corner if you look hard enough, but rather a venue for great vintage work and a cross-section of what is ‘hot’ right now.” via eyecurious de Marc Feustel.

This giant photo market place was overwhelming and an immense success. The overall quality seemed to have moved up several notches and this year influential galleries such as Marion Goodman and Gagosian had joined the throng.” via harvey benge.

Having spent the first evening at Paris Photo and the rest of my time at Offprint, I felt that the excitement, energy and experimentation happening in book publishing was definitely more exciting than anything I saw at the big fair.” via horsesthink, de Ofer Wolberger.

 

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pierre von kleist: novos livros

 

 

[via pierre von kleist editions]

 

Uma  introdução aos novos trabalhos em livro de José Pedro Cortes e António Júlio Duarte, a apresentar por cá* ainda durante este mês. Já folheados ambos, cumprem com distinção naquilo que deve ser um bom livro: excelência nas fotografias e na sua edição, no design, na impressão. Se no plano do fotográfico  (qualidade das imagens e da edição) alguns autores portugueses estão ao nível do que se faz lá fora, nos campos do design e da impressão, denota-se por vezes uma cultura de menor exigência. Atitude que os mercados sobretudo internacionais tendencialmente penalizarão, considerando a elevada qualidade a que de um modo geral se vai assistindo. Nesse capítulo é de assinalar o paradigmático caso holandês, em que praticamente todo o objecto-livro enquanto receptáculo de fotografia é trabalhado ao pormenor, com uma consistência e qualidade elevadíssimas, mesmo se as fotos são por vezes apenas medianas.

 

*Pré-Apresentação
Feira de Arte de Lisboa , Stand STET – Livros & Fotografia
25 Novembro, 19.00h

Lançamento Oficial
Carpe Diem
Rua do O Século, 79 (Lisboa)
3 Dezembro, 16.00-19.00h

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180 graus, mês da fotografia de Almada

 

Este foi eleito o mês da fotografia em Almada, com um conjunto relativamente amplo de iniciativas, nas quais se inclui a minha exposição “180 graus“, que estará em exibição no Convento dos Capuchos até final do ano. O programa pode ser descarregado aqui.

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rinko kawauchi

©joaohenriques – rinko & illuminance

 

abitpixel no espírito do fan.

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mês da fotografia, fábrica braço de prata

Fabrice Ziegler tem vindo paulatinamente a colocar a Fábrica Braço de Prata como ponto de convergência de uma fotografia menos conhecida mas nem por isso de menor empenho/valia. Dada a dificuldade para autores de menor visibilidade em encontrar locais adequados para expôr e usufruir da fotografia em Lisboa, este só pode ser um acto que se saúda. Destaque para as exposições do colectivo Portfolio Project, das agências VU e Reuters e da Estação Imagem, Lugares Alentejanos, bem como a 2ª edição da feira do livro de fotografia, a realizar no último fim de semana.

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ao gato e ao rato

 

Curiosamente adquiridos no mesmo dia, os livros I, Tokyo” de Jacob Aue Sobol e From Back Home” de Anders Petersen e JH Engstrom, deparo numa breve pesquisa com este Le sombre Sobol a-t-il plagié les photos du morose Petersen?
A citação é uma honra ao citado? E quando é que ultrapassa essa fina linha? A boa conclusão não existe, contudo parece haver nestas imagens acima matéria para alguma confusão. A estética stream of conscience e/ou provoke têm alguma tendência a provocar semelhanças, não só na forma – preto e branco carregado, arrastamentos, etc – , como nas próprias temáticas sempre muito sex & drugs & rock’n roll. O que pode derivar nestas coincidências, ou não.

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narrow kind

The making of art has very little to do with galleries. These places are, in the sense that they are commercial galleries, interested in a particular and very narrow kind of art that can be displayed within a space in a particular kind of way, they are interested in people who can produce work that galleries can show. And so people produce the kind of work that they can show, they kind of work that sells, the kind of work that wealthy people like – which is problematic. It’s a symbiotic relationship where what galleries, gallery consumers, and gallery feeders produce is intricately linked in an unbalanced but self-replicating chain.[via collin pantall]

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milhões

auction prices do not reflect artistic merit or brilliance. The reflect the art market at work, a playground for the rich and superrich, spending money on whatever looks like “high art,” regardless of whether it holds up to critical scrutiny. Auction prices reflect how much one individual (or organization) is willing to pay for some piece of art.” [via conscientious]

O valor de algo já não reside no sentido que possa ter/transmitir, mas na raridade e no preço que alcança.

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autoreferencialidade

© Martin Klimas, da série FOULARD

 

Por vezes existem escolhas temáticas que se impõem de imediato, tal é a ordem de interesse, de contemporaneidade, de valor acrescentado ao debate e ao estímulo intelectual que propõem. Outras nem por isso, sem que contudo se perca de vista o labor e o empenho de quem vai por caminhos menos óbvios. Acerca de uma exibição de fotografia, pode ler-se no descritivo da galeria que a apresenta: “High-quality silk scarves from establishments like Dior, YSL, Hermes or Louis Vuitton provide the thematic background for the new photo series ‘Foulard’ by Martin Klimas. (…) these scarves are themselves subject to an identity crisis situated between object and picture.(…) As fashion, they are more Zeitgeist than avant-garde, do not shape style so much as quote artistic trends such as Abstract Expressionism, Op and Pop Art and make us think of artists like Rothko, Vasarely or Lichtenstein. In association with the patterns, complex perspectival constructions result, opening up intriguing pictorial expanses whose visual power is absolutely bewitching.” Tomados pelo seu valor facial, estes lenços pertencem ao universo do acessório de moda. Contudo não se tratam de meros acessórios, existe algo mais neles que está para além do seu mero valor decorativo. Os seus portadores aspiram a um estatuto, o qual tem uma determinada correlacção com o valor monetário, geralmente pouco acessível a bolsas comuns, que normalmente é pedido ao candidato a possuidor. Não estando porém em causa o apport estético-estatutário que o referido objecto transfere para o seu proprietário – gostos e carteiras não tem discussão – pois nada disso interessa à fotografia, existem no entanto outras questões.

Por exemplo, existe por detrás destas fotografias mais alguma coisa que não estejamos a ver, além da autoreferência e da contínuada apropriação do mundo da moda por objectos artísticos? A autoreferência da arte em relação a si mesma, neste caso a fotografia apontando para a história de arte, é sem dúvida um mecanismo legítimo, aliás, qual é ele que não o seja hoje em dia. Porém, será que este conjunto de citações de tendências artisiticas suporta algo mais que essa autoreferência? De que modo é que fala sobre o mundo, qual é a opacidade que esses lenços podem ocultar?

Uma possibilidade mais velada tem que ver com o jogo de palavras possível: uma aparência, aliás um lenço, algo que contribui para a aparência, que por sua vez aparece noutra aparência que é a imagem. Se esta é outra forma, quiçá mais elaborada de autoreferência, acontece porém que nesse jogo de espelhos apenas se reflecte outra imagem, reflexão essa não no sentido do pensar mas da aparência. É uma imagem que se reflecte a ela mesma, mas não sobre ela mesma. Algo que se vê ao espelho, mas que pouco ou nada representa ou coloca em perspectiva das suas próprias contradições, restando ao pobre espelho responder à “quem é a mais bela de todas”.

Habituados que estamos às complexas elaborações artísticas contemporâneas, ficam dúvidas sobre a possibilidade meramente narcisista que se levanta. Quando a arte se limita a referenciar a si mesma desta forma algo “decorativa”, estará a crise de identidade situada entre o objecto e a picture, como alude o texto introdutório? Curiosamente o termo “crise de identidade” pode colar-se até de forma malévola não ao objecto, mas ao seu possuidor, cuja crise se pode manifestar mais pela busca de uma aparência do que por uma identidade propriamente dita. Que porventura se pode estender ao comprador da picture, que pensa estar a levar arte para casa, apenas porque entrou numa galeria e pagou em conformidade. Mesmo em termos formais, onde estão as “intriguing pictorial expanses whose visual power is absolutely bewitching”? Parece nunca ter estado fora de moda, este género de argumentação que se procura auto-fundamentar com uma verborreia – e obra – artístico-decorativa, não sendo no entanto por isso que se torna menos entediante. Um prelúdio para a PARISPHOTO. Felizmente há mais Paris. E foto.

 

© François Berthoud

Aborde-se outro caso, desta vez uma exposição de trabalhos de ilustração numa outra galeria: “Berthoud soon developed a distinctive style for the graphic transcription and illustration of contemporary clothing, shoes, handbags, perfumes, and accessories. His expressive, aesthetically appealing linocuts, drip pictures, and computer graphics have accompanied countless fashion campaigns – from Yves Saint Laurent to Bulgari or Sonia Rykiel. In these works the depicted object and Berthoud’s visual interpretation of it complement one another to generate atmospheric total works of art that substantially shape our perception of a featured product and contribute to its marketing success. (…) Particularly fascinating is the use of complementary analog and digital techniques to produce masterly results.”

Conhece-se pouco da problemática da ilustração para a representação do real. O texto introdutório parece apontar para a prática como mero adereço comercial, como aliás pode ser entendida a maior parte da fotografia de moda. Pode também neste caso como no anterior afirmar-se que se trata de uma imagem que reflecte outra e não sobre outra? Um adereço que reflecte outro, pode ser de uma ironia algo tautológica. Para que serve esse reflexo, aparentemente mais belo e contendo mais craftsmanship que o anterior, se pouco ou nada reflecte, senão o mero instrumento de marketing? Se, ainda para mais, se fascína com o “use of complementary analog and digital techniques to produce masterly results”, então estamos perante uma arte que olha para o umbigo e pouco mais.

 

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to sell

Podem dormir descansados, que o abitpixel NUNCA irá descambar num consultório sentimental para fotógrafos.

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autoria ou curadoria?





A New American Picture, de Doug Rickard e No Man’s Land, de Mishka Henner, dois projectos relevantes para o debate contemporâneo sobre a fotografia documental, ambos compilados a partir do Google Street View. Se em ambos os casos a noção de autoria parece ser a que mais proeminência assume, no caso de Mishka Henner pode-se ainda acrescentar o voyeurismo, a intrusão e a exploração, como temas passíveis de suscitar acalorada discussão.

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