Posts de ‘December, 2011’

things here and things still to come

CouvCortes

Dans Things Here and Things Still to Come, il représente donc ces jeunes femmes, souvent dévêtues, et la ville. L’intime et le public mêlé. Il le fait sans froideur mais sans affect non plus. Le livre est une sorte de voyage immobile.

O novo título de José Pedro Cortes, apresentado no blogue de livros de fotografia do jornal francês Le Monde. Site do José Pedro Cortes
e da Pierre von Kleist. Uma das boas edições nacionais destes ano.

 

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Latin American Photobook

http://2.bp.blogspot.com/-QUGQIvcefx4/TrFNn6jcLKI/AAAAAAABm20/e8jKQA5XcuM/s1600/51NvTmNIb5L._SL500_AA300_.jpg

 

A growing appreciation of the photobook has inspired a flood of new scholarship and connoisseurship of the form few as surprising and inspiring as The Latin American Photobook, the culmination of a four-year, cross-continental research effort led by Horacio Fernandez.“[via bint photobooks]

Título recém lançado, mais uma compilação sobre o livro de fotografia, neste caso sul-americana, que não desaponta os mais ávidos de conhecer novas “fotografias”. Ainda que dotado de um grafismo apelativo e cuidado, o mise-en-page parece contudo algo colado aos 2 tomos da dupla Badger/Parr, desperdiçando uma oportunidade para renovar uma fórmula que apesar de ganhadora em conteúdo textual, é um pouco pobre em termos da quantidade de imagens de cada um dos 150 livros designados. Compreende-se que o impacto de mais páginas na volumetria de cada livro poderia constituir um obstáculo ao manuseamento, aos custos de produção, distribuição, etc., mas enfim, o fan de fotografia está sempre ávido de imagens que suplementem uma escolha e um eventual investimento. The Latin American Photobook.

Um exemplo de um outro livro compilação, que ao contrário deste segue uma via bastante mais funda de aproximação aos livros retratados, pode ser visto em Swiss Photobooks, impressionando pelo escopo do que aborda tanto pela forma massiva como o faz.

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photobooks to the top

Com a chegada do mês de Dezembro é a enxurrada de listas de bestofs nos fotolivros. Antes assim, já é tempo do livro ser dignificado como meio de expressão privilegiado para a excelente fotografia que por aí circula, mesmo se a internet, aparentemente concorrente, acaba por ser também ela aliada no modelo de difusão e comercialização. Quantos destes livros não serão vendidos através destas nomeações? Mesmo que se tenha oportunidade de ver fisicamente alguns deles, nunca se conseguirão ver todos. Mas basta dar uma olhada pelas listas para perceber que há livros repetidamente citados, que aconselham ao amante do livro a séria ponderação acerca da compra, mesmo sem a oportunidade de os pré-visionar.

Do site americanphoto uma massiva eleição (50 títulos) que se desagrega em várias tipologias (fine art, fotojornalismo, etc) além disso misturando livros de autor, catálogos de exposição, retrospectivas, e por aí fora, numa escolha mediática e propicia aos grandes nomes e editoras, mas pouco atenta às perólas escondidas, talvez com excepção dos livros de Brian Ulrich (Is This Place Great or What), Pieter Hugo (Permanent Error) que contudo já não são própriamente desconhecidos. Pieter Hugo continua numa caminhada extremamente bem sucedida, mesmo que feita no âmbito de uma fotografia documental mais clássica, como aliás Ulrich, o que parece comprovar que o género, embora ausente dos escaparates da arte contemporânea, está vivo e de boa saúde, pelo menos no coração dos críticos e amantes do livro de fotografia. Depois de ver ambas as listas da PDN (aqui e aqui), elaboradas previamente, esta parece um resumo algo “preguiçoso” daquelas.

Duas listas de institucionais: a do jornal francês Le Monde e a do jornal inglês Guardian. A escolha francesa já aborda alguns títulos que incorporam o livro enquanto objecto que casa conteúdo, forma e função, sinal claro de que existe uma preocupação adicional em seleccionar títulos mais pensados em termos do que pode ser a amplitude actual do livro de fotografia. Alguns destes livros são de uma tradição conceptual herdeira de Ed Ruscha e Dan Graham (este último aliás nomeado num livro), que veio não só libertar a fotografia dos ideais do modernismo, ao mesmo tempo pensando o livro enquanto objecto artístico, muito além do mero repositório de imagens. Uma lista muito interessante, com algumas excelentes escolhas também do género documental, como aliás já tinha sido a do ano passado e a de 2009. Sean Hagan do Guardian opta por tonalidades mais clássicas, mas a escolha é geralmente muito considerada. Coincidência na selecção de “The Brothers” de Elyn Hoyland que já aqui se mencionara há meses atrás.

Marc Feustel é um nome bem conhecido no meio, especialista em fotografia japonsesa, blogger em eye curious. Um dos livros que menciona é justamente de um japonês, “A Criminal Investigation“, de Watabe Yukichi, que aparece também mencionado noutras listas, livro dotado de uma extraordinária capacidade narrativa, naquele que será certamente um futuro clássico do género. A lista é muitissimo pessoal, aliás patenteada no divertido género-Oscar. Toda ela muito “independente”, nem sempre se conhece (ou concorda) com o que escolhe, o que não invalida o reconhecimento perante as propostas deste profundo conhecedor.

Numa espécie de mix entre os anteriores temos a escolha do blog Claxton Projects. Depois, as escolhas (20) de Alec Soth, também através de uma divertida filtragem de livros por género (crime, comédia, drama familiar, etc), com 2 escolhas por tipo. Soth não faz grandes concessões e quase tudo o que aponta é de primeira água.

Outras listas: on almost every topic, do blogger holandês Bas Peters, e por via desse seu blog, a de Yannick Bouillis, fundador da OFFPRINT, excelente feira de livros que conheceu este ano a segunda edição, evento paralelo à ParisPhoto. A lista de Bas contém algumas coincidências com a de Soth e uma ou outra coisa independente a ter em conta. A de Yannick é a epítome do independentismo, quase só reconhecível para quem teve a oportunidade de passar em Paris e vasculhar tim-tim por tim-tim as ofertas das editoras presentes na OFFPRINT.

Irão certamente aparecer mais algumas listas, pelo que este artigo irá sendo actualizado na medida dessa aparição. Como nota final, o mercado português tem pelo menos 2 livrarias que tem tido o cuidado de trazer para Portugal alguns destes livros, a STET (Filipa Valladares e Paulo Catrica) em Lisboa e a INC (André Cepeda, Luís Palma et al) no Porto. Mesmo que a compra online represente uma alternativa, convém lembrar que são locais como estes que permitem aceder a obras, às quais doutro modo não haveria acesso. Esse facto per si, merece bem o prémio de se lá comprarem livros.

[update 1] Livros mencionados por Sebastian Hau, da LeBal, num comentário à selecção de Alec Soth:  “Canary-Mon”, by Lieko Shiga, “Let’s sit down before we go” – Bertien van Manen, “I don’t sleep” – Aya Fujioka, “Stefan Kielsznia – Ulica Nowa 3″ – Ulrike Grossarth, “Visitor” – Ofer Wolberger, “The Knife cuts through the Apple” – Adam Etmanski, “El Taco” – Guillermo Faivovich & Nicolas Goldberg, “83 days of Darkness” – Niels Stomps, “In the Picture” – Lee Friedlander, “Tristes Tropiques” – Laurence Aëgerte. Novamente uma coloração “independente”, por alguém a quem passam centenas de livros pelas mãos todos os anos, ou não fosse o gestor de uma das melhores livrarias (e sala de exposições) de fotografia de Paris, em cuja cafetaria o crumble de maçã com natas deixa saudades (agora pareço o Galopim…). Escolhas de um blogger japonês, elegendo alguns livros desse país como seria de esperar, a deixar alguma curiosidade sobre os livros de Hatakeyama e Nagase. Note-se que o livro japonês é geralmente de um cuidado extremo a todos os níveis, não raro proporcionando objectos de grande beleza.

[update 2]  Do blog Bint photoBooks uma bizarra “eleição“: a do álbum compilado pelo ex-general líbio Kadafi com fotografias de Condoleezza Rice, ex-secretária de estado norte-americana. A ditadura, unida à democracia de tendências imperalistas por via de um fetiche, naquela que será certamente a melhor escolha conceptual do ano. Por via desse blog mais algumas selecções: esta curiosa lista do site Brain Pickings, que começa fulgurantemente por exemplo com “Venus with Biceps” mas que vai perdendo “força nos braços” à medida que avançam as escolhas; outras 2 listas comentadas do site PDN, esta primeira com 10 títulos, a segunda com 29, que parecem ter tido o dom da antecipação pois são ambas de Novembro. Muitos nomes sonantes e alguns novos valores, que certamente tomarão lugar nos escaparates das FNAC’s e afins. Esta é o protótipo da lista “oficial”, que tende a privilegiar uma abordagem convencional ao livro de fotografia. Uma lista algo longa, com escolhas que vagueiam entre o coffee table, o fotojornalismo turístico e o preocupado, e a retrospectiva, não obstante um ou outro título de autor. Certamente muita fotografia de qualidade, mas pouco vanguardista noutros aspectos importantes do livro de fotografia nomeadamente aqueles que dizem respeito ao trinómio forma-conteúdo-função. A construção do livro contemporâneo deve não apenas conter fotografia e edição de excelência, mas também dar importância ao design, à impressão e acabamento, e à forma como todos os elementos que o compõem se adequam para formar um todo belo e coerente. Quem queira conhecer a fundo o que de melhor se fez este ano no livro de fotografia sob estes prismas, deverá começar por procurar noutras selecções.

[update 3] A selecção sempre refinada e muito bem documentada do blogger Joerg Colberg, com destaque na fotografia americana ou feita por americanos. Uma lista de “indies”, da Indie Photobook Library e outra da Photobookstore.

[update 4] A lista do blog B, a pender para um registo “independente” americano, talvez o Sundance da fotografia. A lista das listas, compilada por Marc Feustel, onde se destacam três livros: A Criminal Investigation, de Yukichi Watabe (Xavier Barral/Le Bal) Redheaded Peckerwood, de Christian Patterson (Mack) e Paloma al aire, Ricardo Cases (Photovision).

[update 5] Listas via facebook: do fotógrafo holandês Rob Hornstra; da livraria inglesa Claire de Rouen, da livraria inglesa Donlon Books.

[update 6] Para fechar, as escolhas da revista Time, embora não se trate bem das escolhas da revistas mas de um conjunto de personalidades convidadas, critério aliás seguido pela escolhas da Photo-Eye, e ainda as escolhas do blog Horses Think. Temos livros para o ano inteiro.

 

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expôr

Boa noite,

Colidi, casualmente, com o seu trabalho e fiquei deveras curioso.

Como é que o meu amigo consegue expor o seu trabalho nos locais onde já o fez? Com cunha?

Desculpe a ousadia… mas não consigo ver nada que o justifique, especialmente quando confrontado com verdadeiros talentos!!

Na expectativa de uma resposta, subscrevo-me.

Cordialmente,

( nome, do qual se mantém contudo o anonimato)

 

Decidi responder.

“Caro V…,

Esta sua interpelação, a qual por um lado atribui à capa da curiosidade e por outro, a um juizo sobre os trabalhos que apresento, pode merecer a seguinte resposta:

Quanto à sua curiosidade, as exposições aparecem porque trabalho para que tal aconteça. Não há muitos segredos, uma carta bem fundamentada sobre o trabalho que pretendo apresentar, as condições que pretendo dar e receber e a persistência até obter uma resposta. Como deve calcular, a taxa de negativas é superior às positivas. Relativamente às cunhas, essa é uma interpelação ética que deve fazer a si próprio, uma vez que não lhe compete mudar o modo como os outros possam gerir a vida deles, mas apenas zelar para que a sua decorra dentro dos príncipios que estabeleceu para si. Nesse campo, não lhe posso portanto satisfazer a curiosidade.

Quanto à ousadia ajuizante, suponho que tenha visto as exposições. Como quem expõe, expõe-se, entendo a sua opinião como expressão daquilo que é a sua posição e saber acerca do fotográfico, quiçá até de gosto. Sustenta a falta de mérito que encontra nos meus trabalhos com recurso à comparação com verdadeiros talentos, todavia não aponta quem são esses com quem o meu trabalho se possa comparar, pelo que pouco tenho para me defender, embora de qualquer modo nunca fosse essa a razão que me motivaria a uma troca de ideias. Mas posso sempre ajudá-lo, no sentido de que me contextualize na tradição em que me insiro, não vá estar a comparar-me com autores com quem o meu trabalho não tem relações. Pelo que entendo, tem ferramentas suficientes para o fazer, pelo que me dispenso de elaborar sobre isso. Contudo, admito que a minha linguagem está ainda em fase de afirmação, quiçá enveredando (com e sem medo) por algum experimentalismo, próprio de quem está no início. Esse risco é também para mim a essência da Fotografia, pois além de poder fazer pensar, pode também divertir não apenas quem a faz, mas também quem a vê. Lamento que não se tenha divertido. Pelo menos pensou nalguma coisa. Talvez mais no que rodeia o processo, do que no trabalho em si. Pelo menos é o que depreendo da nula sustentação analítica e ajuizante sobre o trabalho, não obstante a comparação com os verdadeiros talentos.

Na expectativa de ter contribuido para o seu esclarecimento

João Henriques”

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o que um livro pode

“Entre os dias 8 e 11 de Dezembro, 2011, a Oficina do Cego e a Ghost associação, em colaboração com o Atelier Real e a livraria Stet, promovem uma série de encontros à volta do Livro de Artista e da Auto-Edição. O QUE UM LIVRO PODE é um programa de quatro dias que ambiciona lançar as fundações para um debate sobre o livro de artista em Portugal, propiciando encontros entre críticos, pensadores, artistas e designers que fazem livros e praticam a auto-edição – promovendo lançamentos e divulgando obras inéditas. Ver aqui a programação completa.” Emprestado de Making Art Happen.

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o carteiro fotocopia 2x

©ctt

Por esta via chegou-se a este carteiro que fotografa sempre duas vezes. Iniciativa idêntica, concebida pelo fotógrafo britânico Stephen Gill (nobody books) teve lugar em 2006 no Reino Unido. Nessa oportunidade os lucros reverteram a favor de instituições de apoio à doença mental. Por cá, servirão para financiar o projecto. Esperemos que o “franchising” seja pelo menos conhecido dos ingleses, caso contrário passa por idéia original. Pode-se dizer até que os contornos nem são iguais, no caso inglês houve um (grande) fotógrafo por detrás da coisa, por cá, sabe-se lá, mas espera-se que sim. Reconfortado o departamento de Marketing e PR dos CTT, pode-se dizer que não se trata de uma cópia, é mais uma foto, cópia.

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4.3 [out of 10]

©Andrea Gursky, Rhein II

 

On its visual merits alone, this show could have conceivably earned my first zero star review in the history of this site, which pains me severely given my love for Gursky’s previous work. That said, after much reflection, I think it jumps just barely to the one star category, mostly because I would recommend seeing this work to consider for yourself how one of our most shining stars could swing and miss so egregiously.” [via dlk]

Não me recordo de ler uma resenha destas no dlk, mas como disse Voltaire, “the composition of a tragedy requires testicles“. Sabendo como os americanos gostam sempre de alfinetar/rivalizar com os europeus, esta crónica no dlk será sempre tudo menos inocente. Mas quem expõe, expõe-se. Gursky pode sempre argumentar que nada tem a provar, já o senhor Gagosian não deve concordar tanto com essa defesa. Interessante será tentar perceber porque é que um artista de charneira, um líder de opinião, compõe uma obra que resvala para o decorativo e para o quanto maior melhor – há que vender apenas? – numa temática já algo batida e quiçá melhor trabalhada por outros. Fã confesso, confesso que intriga.

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gérard

Ó Gérard, você é um grand timide!”. Levantou-se, abriu ligeiramente os braços e retorquiu, com o sorriso de quem é apanhado: “Mais bien sûr”!

Excerto da apresentação do livro “Aparições – A fotografia de Gérard Castello-Lopes”, por António Barreto. O post está no blog da apph, contendo uma resenha bastante completa do evento, através de vídeos, texto e fotografias.

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