Posts de ‘January, 2012’

lugares, memória e identidade: fukushima

On June 12, three months after the earthquake, I was given a chance to go back to my house, which was within the restricted are; to pick up my family album that was full of good old memories. During this visit, I took these pictures shown here. I didn’t want to over-dramatize the situation; I simply wanted to record the current condition of the hometown from my personal perspective as I compared the past and present in my mind.Toshyia Watanabe.

Iniciativas como a Critical Mass são geralmente demonstrativas de algumas das últimas tendências temáticas e estéticas da fotografia contemporânea. Este conjunto de imagens de Toshyia Watanabe não evidencia nenhuma pirueta formal, pelo contrário, o pacifismo nelas contrasta não só com esse ruído do que é ou parece novidade, mas sobretudo com a brutalidade do desastre que atingiu o Japão há uns meses atrás. Uma cidade verdadeiramente destroçada, cuja representação tem contudo um carácter quase irreal, mais parecendo um cenário artificial, construído e posteriormente abandonado, esvaído de vída própria e assombrado pelo vazio.

Imagens de pós-tragédia tem sido uma estratégia recorrente na fotografia contemporânea em modo documentário. Menos preocupadas com sangue e lágrimas, utilizam proveitosamente outras demonstrações que permitem ao espectador liberdade na (re)construção do evento. Esse recurso é bem evidenciado neste trabalho de Watanabe, em que mais do que o assombramento pela destruição e pelo vazio irreal, é sobretudo nas pessoas – apesar da sua ausência – que pensamos. Que impacto provocará nelas toda esta destruição, que subjuga não apenas materialmente, mas sobretudo simbólicamente? Está em causa todo o simbolismo da ligação com um lugar, consagrado através de memórias “virtuais”, as que o próprio corpo produz, e de memórias “físicas”, por ex., o álbum de família, cujo resgate dá origem a este trabalho. Esse álbum, que ganha dimensão enquanto factor de identidade, de coesão e de refirmação do grupo familiar, que não é nunca um mero repositório de nostalgia. A bela e última imagem acima, é uma demonstração sintética de todo este trajecto do fotógrafo, num gesto que embora proporcione refúgio, não deixa malgrado de ser um tentativa inglória de reconstituição/reconstrução de algo que foi severamente abalado.

 

Comentar

real fake art, michael wolf

the production of these consumer products is an inadvertent criticism of the Western conception of art, threatening our understanding of what is acceptable, exhuming a myriad of complicated issues and thoughts regarding art and its contemporary interpretation.(…) Between the exceptional fame of most of the images, the quality of reproduction and the prices listed by each painting, it is clear that the retailers of these paintings aren’t attempting to pass them off as originals. Which puts the work into a new context — they are entirely consumer products.” em A Closer Look – Real Fake Art.

Michael Wolf, cujo trabalho tem vindo a abordar importantes questões contemporâneas, adicionalmente questionando a arte para lá das introvertidas questões relativas às especificidades de cada médium, como por exemplo em Fuck You Street View, ou em Tokyo Compression e agora neste Real Fake Art. Vale a pena ler o artigo A Closer Look, bem como a introdução à venda do livro, no site da Photo-Eye, para se perceber que direcções toma a fotografia contemporânea e qual a importância do que se conjuga.

Comentar