Posts de ‘March, 2012’

Exposição de Duarte Belo no Centro Arte e Imagem-IPT

No âmbito do programa do Mestrado em Fotografia do Instituto Politécnico de Tomar, foi convidado a expôr na Galeria do IPT o fotógrafo Duarte Belo, sob a curadoria de Nuno Faria, exposição que está ainda patente até 22 Abril.

Noções de Atlas, de arquivo e de território estão fundamente embrenhadas nesta mostra inédita acerca dos processos do fotógrafo, cuja extensão de trabalho sobre o território luso é absolutamente notável, mas a folha de sala pode ser mais esclarecedora para a compreensão desta mostra: ” Com a exposição “A CONSTRUÇÃO DA FUGA: território, mapeamento e processo em Duarte Belo” propõe-se uma reflexão sobre e a partir do processo de trabalho de um dos autores cuja atividade há mais tempo e mais sistematicamente vem incidindo na relação de constituição que se estabelece entre a imagem e o território.

A extensa obra de Duarte Belo sobre o território português serviu de pretexto para uma abordagem coletiva por parte dos alunos do Mestrado em Fotografia do IPT, sob a tutela do próprio autor e do curador Nuno Faria.

Face a um trabalho que mapeou intensiva e extensivamente o território nacional nos últimos vinte e cinco anos, cuja sistematização de abordagem ao terreno se verte também depois na constituição de um massivo arquivo – no qual consta, só do território português, o impressionante número de 750.000 imagens -, tornou-se imperioso constituir um discurso expositivo que não apenas sinalizasse o sentido de missão inerente a esta empresa de recolha da paisagem e do património edificado nacional, mas que pudesse também propor novas relações de leitura com as imagens, amplificando o que per si é já de tão ampla natureza.

Fotografias, mapas, textos, desenhos, apontamentos, itinerários. Materiais que documentam um caminhar e, de alguma forma, elucidam sobre o processo e metodologias subjacentes à gestão de uma grande quantidade de informação e à constituição de um arquivo que é, ele próprio, um lugar que se desvincula do seu referente, do espaço fotografado que representa.

Optou-se por dividir esta proposta expositiva em dois núcleos: o primeiro propõe uma leitura sobre o processo, desenhando uma linha de imagens à altura do olhar cuja relação se estabelece por contiguidade/afeição ou contraste/oposição visual, a partir de uma lógica do intervalo que se cria entre imagens colocadas lado a lado. É desta linha estruturante que, em forma de rizoma, derivam pequenos núcleos de imagens que se constituem já a partir de uma lógica de contaminação ou de tipologia, intersetada por planos cartográficos, listagens toponímicas e notas de campo que sedimentam uma construção quase geológica. O segundo núcleo apresenta conjuntos de pequenas provas fotográficas, amostras de território constituídas em representação, que se constituem como o próprio solo do trabalho do autor. Estas imagens, expostas numa sucessão quase indiscernível de diferenças e repetições, tornam claro o rigor documental e a profundidade interpretativa que caracterizam  o  método  de  mapeamento  e  registo  erigido  pelo  autor.  Na  parede, combinações de provas tipográficas, estabelecem a necessária ligação a uma das principais dimensões do trabalho do autor: a edição em livro.

Esta leitura propicia uma curiosa inversão que é de dupla natureza: por um lado, conhecido o imenso arquivo de imagens do fotógrafo, e de modo mais geral o gigantismo indiscreto com que por vezes no contexto artístico se exibe fotografia, opta-se por uma apresentação contida, no sentido em que aquilo que se apresenta é somente uma pequena amostra que, contudo, subsume a grande envergadura e abrangência do levantamento. A essa inversão junta-se uma outra, ligada aos regimes de apresentação: documentos e cartografias, naturalmente legíveis de modo horizontal, são aqui apresentados no plano vertical; as imagens, tradicionalmente exibidas verticalmente, são-nos aqui apresentadas no plano horizontal. No primeiro núcleo, o processo é-nos apresentado através de um conjunto mais significativo de imagens, ainda que algumas delas sejam apenas fac-similes de documentos do autor, que nos descrevem o processo de modo mais amplo e complexo, como um todo. Se existe aqui uma quase subversão na relação de importância entre fotografia e processo, naturalmente se revela também a frutuosa complementaridade entre ambos, numa mostra que além disso patenteia de modo inegável essa ambígua relação da identidade fotográfica, que vive entre a arte e o documento. “A Construção da Fuga” é um processo de leitura do território, dos fazeres humanos sobre a terra, sobre a paisagem, é a fabricação de um lugar entre o real e o imaginário.
João Henriques / Nuno Faria

 

©Pedro Lucas: detalhe da exposição

©Pedro Lucas: detalhe da exposição

©Pedro Lucas: Duarte Belo (esq), Nuno Faria (dir)

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a imagem na arte

Dia 16 MARÇO 2012 – sexta – das 16h às 19h
► no CENTRO NACIONAL CULTURA ►http://t.co/r6BCItLA
ENCONTRO /Conferência com a presença de Guilherme D’Oliveira Martins, Annabela Rita, João Valente Aguiar, Manuela Paraíso e Alice Valente Alves.
►APRESENTAÇÃO de «[imagem_ns] – A Imagem Na Arte»
►E «CORPOtraçoCORPO – a poesia e a pintura» com a projecção das 72 obras das 8 das nove cores do projecto realizadas e apresentadas até ao momento.

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ciclo imagem

O Ciclo Imagem pretende discutir livros de James Elkins, Georges Didi-Huberman, Aby Warburg, Victor Stoichita e Hans Belting que pensam, problematizam e discutem a imagem em sessões com um convidado que lançará a discussão.

Haverá ainda oportunidade de ouvir directamente três dos autores discutidos, James Elkins (15.02.2012), Georges Didi-Huberman e Victor Stoichita (16.03.2012).

O Ciclo Imagem, organizado pela Linha Teoria da Arte e Práticas Disciplinares em História da Arte do Instituto de História da Arte da FCSH, terá lugar às 5ªs feiras das 18h às 20h (5 seminários de debate e 2 sessões de discussão com os autores). O ciclo é organizado com a colaboração de: Projecto Ymago, Golgona Anghel e Silvina Rodrigues Lopes (Centro de Estudos do Imaginário Literário — FCSH), Fernando Cabral Martins (FCSH), Vanessa Brito (Instituto de Filosofia e Linguagem — FCSH), André Barata (Instituto de Filosofia Prática — UBI).

A participação é livre, mediante inscrição para [email protected]

Programa:
09.02.2012 18h às 20h: James Elkins. What Photography Is.
15.02.2012 12h: encontro com James Elkins
08.03.2012 18h às 20h: Georges Didi-Huberman. Imagens apesar de tudo.
16.03.2012 10h30: encontro com G. Didi-Huberman e Viktor Stoichita
12.04.2012 18h às 20h: Aby Warburg. O Nascimento de Vénus e A Primavera de Sandro Boticelli.
03.05.2012 18h às 20h: Viktor Stoichita. O Efeito Pigmalião.
24.05.2012 18h às 20h: Hans Belting. A verdadeira Imagem.

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fora do tempo

“A artificialidade é uma das características dominantes do trabalho de Edgar Martins, e a mais eficaz.João Pinharanda, na introdução à exposição Time Machine, de Edgar Martins, que esteve em exibição no Museu da EDP.

Não deixa de ser curioso que a grande questão em torno do trabalho de Edgar Martins pareça girar em torno do artifício, como também não o é menos, a que consiste em sustentar a eficácia do mesmo através do recurso à sua artificialidade. Inicialmente nem sequer assumido, posteriormente embaraçadamente escondido e agora alegremente abraçado, o artifìcio surge aqui apoiado na insustentável lezeva da electricidade, no qual nem sequer cabe a anedótica e recente expressão, de que “dantes tinha medo do escuro, agora tenho medo da (conta da) luz”. Mas de que é que falamos quando falamos de artifício? Se a palavra parece remeter de imediato para a artificialidade, com que por exemplo se caracteríza a luz eléctrica por comparação à luz solar (natural), mais complicado parece de perceber em que outra relação se alicerça. No caso deste trabalho de Edgar Martins será na imponente arquitectura dos edifícios que sustentam a máquina da produção eléctrica, nos equipamentos sci-fi que os povoam, ou quiçá no conjunto fotográfico, cuja proposta é de um mundo quase ficcional e irreal, ou está-se dissimuladamente a aludir ao competente passado do fotógrafo em “alisar algumas rugas”, utilizando o photoshop como ferramenta conceptual já para não dizer mercantil?

Ainda que se levem algumas questões desta exposição há outras sobre as quais interessa reflectir, nomeadamente no artifício que está contido no preço actual da luz num momento em que perante o grave estado do país, a EDP apresenta os melhores resultados de sempre; no artifício que consiste na destruição de património único e natural a troco de mais uma barragem; no artifício do apoio governamental às energias renováveis – em que a EDP tem sido um dos principais beneficários – sem que isso signifique benefício directo para o consumidor; no artifício da privatização da energia eléctrica e da entrada de accionistas que vêm ao chamariz do subsídio público à actividade privada; no artifício de se nomear um administrador que aufere milhares de euros mensais sem que o valor que acrescenta à empresa tenha sequer uma correspondência mínima com aquilo que aufere, e que para mais afirma que quanto mais ganhar melhor, pois mais impostos paga, embora já não benefície os empregados da mesma bitola.

Escrito desta maneira até parece cartilha de esquerda, contudo o abitpixel rejeita conotações partidárias (mas não políticas) e não perde de vista o essencial do artigo: estes são assuntos do interesse público, em que o artifício reside essencialmente na forma como foram sendo escamoteados e contornados, aos quais o artista não parece dar resposta que vá para além de umas fotos técnica e estéticamente bem feitas. Discute-se o tempo enquanto conceito metafísico (e helás, artificial), quase como quem discute a meteorologia, porque pouco mais parece haver para dizer. De que teor é esta fotografia? É documental, artística, serão ambas incompatíveis? Deverá levantar questões? Ou não? Este parece ser mais um momento em  que as encomendas envolvem por vezes compromissos, distinguindo-se o trabalho de autor do da encomenda, embora os mundos artístico e comercial nem sempre tenham vivído em grande angústia sobre como separar uma coisa da outra. Registe-se por exemplo a forma como Augusto Alves da Silva tem gerido e respondido às encomendas, se bem que por vezes de formas nem sempre fáceis de entender ou aceitar.  Aqui cabe uma palavra de apreço para a progamação da Fundação EDP, que se em 2011 foi pródiga em diversidade de propostas fotográficas de qualidade, aqui patrocinou uma exposição bonita mas pouco mais que laudatória, que não corre riscos, que teria provavelmente ficado melhor entregue nas mãos de maior diversidade.

Finalmente e para quem não teve oportunidade de visitar a exposição pode-se servir aqui de alguns exemplos, de uma entrevista ao autor, e de uma recensão ao livro This is Not a House.

ps – fora de tempo é já também este artigo, pois que em tempo foi impossível de concretizar.

 

 

 

 

 

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processos instintivos

Art reviewers, for instance, feel that photographers are particularly accountable to their viewers in declaring how they have made their work, more than, say, writers, painters or sculptors are. In interviews or in the questionnaires they email to photographers, curators or gallerists, most of the questions are about this aspect of process rather than about what the work is saying or showing, the product, the finished images. Nor is there much interest in the other kind of process – what kinds of living, thinking, reading, listening or viewing have gone into the work and shaped its form and substance.

Excerto retirado daqui.

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