Posts de ‘September, 2012’

free of ideology



“UEZ: Then you had both finished your studies?

HB: There was no such thing as having finished. You stopped when you thought it enough.

BB: Essentially we had finished long before, but we stayed on at the academy, because this darkroom was there, to put it simply.”

Entrevista com os Becher que, mesmo que não se saiba muito bem quem são, vale a pena ler.

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fotografia conceptual

Recentemente questionado sobre o que era fotografia conceptual não consegui responder em duas linhas nem de modo a esclarecer quem perguntou. Talvez este post ajude, até porque, na maior parte dos casos em que alguém se refere a fotografia conceptual, a referência é feita em termos pouco apreciativos ou preconceituosos, o que é pena, pois é tão boa/má interessante como a restante, embora esta afirmação envolva a legitimação de categorias na fotografia, mas elas existem, quanto mais não seja para poderem ser escritas, descritas, debatidas, etc.

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encontros

Em Braga, ainda até 28 de Outubro, a 25ª edição dos Encontros da Imagem, o nosso único festival de fotografia digno desse nome, pois o de Coimbra já foi e o de Lisboa nunca chegou a ser. Um esforço assinalável, de uma equipa dirigida de forma suprema até esta edição pelo Rui Prata, que agora abandona o lugar em prol da Ângla Ferreira. Está muito bem entregue, venham mais 25, de preferência com o Rui agora a contrato como “cantor oficial”.

Ainda assim o “amor” que o festival recebe é sempre algo condicional, ora porque não tem exposições de ponta (não?), ora porque está fora do circuito de Lisboa e dá muito trabalho ir até lá acima, entre outros argumentos, onde, ao invés da paixão pela fotografia, reina o status, o desinteresse, a vaidade e o ego, em regra também denominadores comuns da falta de competência e de profissionalismo, estas últimas, pela positiva claro, caracteristicas que abundam em Braga, mesmo perante a constante falta de dinheiro que assola as diversas manifestações culturais deste país.

Mas há ainda uma outra nunace daquele festival: a simpatia e um cunho absolutamente pessoal, que até aqui tem sido dado pelo Rui Prata, personagem descomplexado, informal, de uma imensa paixão pela fotografia (quando lhe pedi para ver alguns portfolios dos alunos do IPT esteve até às 4 da manhã a pé a “chatear” os alunos) e pelas pessoas. Em 2010 expus lá, sem que ninguém me conhecesse nem ao meu trabalho, nem ele nem a Ângela me conheciam pessoalmente. Como isso parece completamente inviável neste país onde abunda a cunha, o conhecimento, o favorecimento, o andar atrás deste e daquele para fazer exposições, onde tantas vezes não se ouve uma resposta, negativa que seja. Que os Encontros vão até onde tiverem que ir, agora que o “pai” se reforma, que pela mão da Ângela a “família” cresça, rodeada dos “grandes” e dos “pequenos” da fotografia, e dos que tem paixão, pela fotografia e pelas pessoas.

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Corine Vermeulen: Living with Mies

Duas fotografias são sempre melhor que uma. Nem sempre, mas é uma frase conveniente neste caso. A imagem que olha para dentro e a que olha para fora. Embora a noção de dentro e fora seja em fotografia sempre uma noção de superficie, é esse jogo que se estabelece entre uma e outra imagem que lhe confere profundidade. Muitas vezes surge a interrogação sobre quem “fala”, na fotografia de teor documental, é o fotógrafo, ou deveria ser o fotografado? Uma nota interessante nestes dipticos é a de que a segunda imagem vê (mostra) aquilo que o retratado vê, pelo que já é uma forma, metafórica sem dúvida, de dar a ver como o outro vê o mundo, ou pelo menos, qual é o mundo que o outro vê. Este jogo curioso entre a primeira imagem, o interior da casa de alguém e as vistas a partir desse lugar, na segunda imagem permite de algum modo “dar voz” ao retratado. Contudo, é apenas um racicionio especulativo, tangencialmente ligado a esta série de Corine Vermeulen, sobre a qual se pode saber mais aqui.

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conversas

Já na próxima 4ª feira. No próximo mês será a vez deste vosso escriba acompanhado de outros “novos autores”.

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venham + 4


Foi em Setembro de 2008 que decidi abrir aqui o tasco dedicado à fotografia, minha e dos outros. Mês de tradicional insatisfação e de sentimento de vazio, o qual mais parece ser o “fim de ciclo” anual, esse foi o ano da insatisfação fotográfica. Farto de apanhar passarinhos, decidi levá-la mais a sério, embora por vezes não muito – todos temos falhas de personalidade – mas o carácter geral tem sido esse: tentar contribuir para uma discussão e um conhecimento sério sobre a fotografia. Pelo meio foi-se perdendo alguma da espontaneidade de alguns posts iniciais, talvez também algum carácter crítico sobre o panorama fotográfico português, até porque percebi em mim injustiça, impreparação, cansaço. A crítica, tal como a fotografia, é constituição do mundo em coisa, além disso, é violência, pois confronta a obra com aquilo que não é, impondo-lhe um critério exterior, tudo isso e outras coisas me deixando em dúvida sobre a acção crítica, dúvida essa que ainda permanece.

Resta a tentativa de pensamento e da provocação temática, da divulgação. O que já não é pouco. Talvez tudo pudesse ser mais bem feito, mais “profissional”, abandonando a auto-promoção, como alguns – bons – fotógrafos fazem (basta olhar para a barra lateral). Talvez conseguisse arranjar tempo mas essa é ainda uma dúvida da vontade, além disso este é o 2º ano do Mestrado em Fotografia no Politécnico em Tomar, e muitos dos recursos e empenho que aqui colocava passei-os para lá. Mas contínuo a gostar deste “speaker’s corner”, solitário, mas onde tanto tenho aprendido, não apenas sobre a fotografia mas também sobre mim. Venham + quatro?

 

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cindy clowns

If you don’t think clowns are interesting art then the portraits are empty for you. If you think that pornography promotes objectification of women, then you will find some of her pictures disgusting. However, if you believe that how your father treats your mother influences your view of women more than any media ever could, and that porn simply gets people off, then these pictures are not disgusting. What is, after all, so disgusting about a woman in a sexual position anyway?(…) “Ugly” is not a fact, ugly is a value that the viewer projects onto the photo.Aqui.

Uma possibilidade ainda pouco disseminada é a de que parece não existir real fora da percepção. Quando apontamos para ao mundo “lá fora”, no fundo aquilo que acreditamos ser o real, apontamos para quê concretamente? Em face disso, aparecem geralmente duas soluções: esperamos que o mundo “externo” se adapte a nós (e podemos esperar sentados) ou escolhemos “mudar” esse tal mundo exterior, posiçao esta geralmente defendida pelos ideólogos da intervenção, à esquerda e à direita. note-se. Tal como o excerto acima parece preconizar, a realidade talvez no fundo não seja nenhuma dessas mas uma outra: tudo é projectado no exterior a partir do interior, a violência, a beleza, a frustração, o amor, e tudo o mais que se possa imaginar. A escolha dualista entre o ficar quieto e o intervir é, na maioria dos casos, uma escolha inconsciente. As imagens, quais espelhos dos dias, só servem para nos mostrar isso. Não há nada lá fora.

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utz, daniel blaufuks

free entry, no taxes, some wine, something to see. fuck the government.”

Quando tudo o que se diz é constituinte. Very well then.

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bus stops to nowhere/the future

The Future de Miranda July [filme] e Bus Stops To Nowhere de Timo Klos [série fotográfica], dois objectos ímbuidos de questões comuns, ou tão antagónicas que acabam por se tocar. As fotografias pertencem ao registo “documentário”, tantas vezes “equivalente” a real, sendo a opção pela tipologia um sustentáculo formalista do trabalho. Que mostra o quê, concretamente? Justamente aquilo que se diz no título, paragens de autocarros, nas quais nunca passará um autocarro sequer. Porquê? Tratou-se de algum delírio urbanístico? Não, tratam-se de lugares construídos dentro de edificios que abrigam pacientes que sofrem de demência, os quais são colocados nestas paragens fictícias à espera que passe o autocarro que os levará a algum lugar, evitando desse modo que venham a entrar num autocarro real.

Algo que se pode dizer de imediato é que, pelo menos neste caso e através destas fotografias e o que sabemos dos lugares que mostram, não é necessário pessoalizar para entender de imediato a dimensão que assume a doença. Embora o objecto não a mostre, nem à pessoa, é tão fortemente sugestivo que se torna desnecessário fazê-lo, mesmo em se tratando do “real”. Nas fotografias impressiona sobretudo, além da doença, uma noção que nos é cara, a de futuro e da sua ausência. Futuro esse que está dissimulado no filme The Future de Miranda July, que não é um documentário, é ficção, mas que impressiona também por razões similares: um objecto que pertence a um real quase surreal (que não advém apenas de um gato falante). Se nas fotografias, não nos imaginamos a ficar numa paragem onde nunca passará nenhum autocarro, não só porque se trata da construção de um real sem “futuro”, sem consequências, algo que é do domínio do inconcebível, aliás mesmo as pessoas que lá estão partilharão dessa opinião, pois para elas aquilo “é” o real, no filme, constrói-se o real através de uma acção futura mas quase irreal, a compra de um gato pelo casal, que se subdivide em acções mais pequenas, as quais parecem não levar também a lado nenhum, quiçá, sem futuro.

Sob capas diversas, a doença nas fotografias, o relacionamento do casal no filme, ambos pertencem a um fundo transcendente, metafísico, cujas interrogações são absolutamente imprescindiveis: para onde é que vai a vida ques e vive, o que é futuro, o que é que importa (performance) aquilo que se faz?

[links]

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grow or go

First, new money find many reasons to pour crumbs (the global fine art trade is assessed to a yearly total of 50 bln usd, very small vs the size of investable assets) of their wealth into art and particularly contemporary art.

Third, one cannot speak of artists’ careers anymore but almost of months or years in the sun as galleries have more and more difficulties in investing in the early days of their artists. (…) “non-performing artists” are dropped like old horses with no mercy.


Artigo – longo – escrito por um galerista nova-iorquino, cuja temática é tangencial à fotografia [ou não é?] mas nem por isso menos interessante. Em jeito de conclusão, diz-se à boca pequena entre os “happy few” que o mercado da arte é cada vez mais um indústria de bens de luxo. Como em qualquer outra indústria existe pressão da concorrência para entrar e sobretudo, quando existe uma “vaca leiteira” (termo dos domínios da gestão), a pressão para fazer “mais do mesmo”. Algumas questões importantes: “where is the art left when uniformization and comfort of eye-candy art is the main offer of the art market?; More money for less quality and greed replacing all kind of morality or love of art.”

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rien, andré cepeda

Depois do excelente Ontem, mais um título de André Cepeda, Rien, desta feita pela mão da Pierre Von Kleist, com lançamento previsto para esta semana em Lisboa (ZDB, 5/9, 18.30) e Porto (Inc, 7/9, 18.30).

Facebook de Mr Pierre (para ver mais).

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unseen, nova feira de fotografia


Nova feira da fotografia, a qual, segundo consta, se deseja concorrente da Paris Photo, até pela data escolhida, a menos de um mês e meio do certame parisiense. Será tudo muito fashion ou não estivessemos na Holanda, onde além dos já recorrentes portfolio reviews, aqui apelidados de portfolio pitch e cujo prémio é “a seat at a exclusive dinner”, haverá ainda uma feira do livro (Offprint Amsterdam, em principio um réplica da excelente Offprint Paris) e etc., como se pode ver no site. Pelo programa, poderá ser um bom evento local para colecionadores, os quais certamente não terão dificuldades em ir também a Paris pouco depois. Todavia a Paris Photo parece estar demasiado perto, e embora seja apenas um evento, é por essa altura que a cidade se mobiliza em mil e um acontecimentos de fotografia, de tanto ou maior interesse que a própria feira. Para bolsas mais “curtas” poderá ser uma escolha difcíl, entre ir a Paris, onde há de tudo, ou ir até Amsterdão, verificar o que há de novo.

unseenamsterdam

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