Arquivo de ‘geral’

tito mouraz, open space office

as imagens não mostram mais do que uma realidade transitiva, numa paisagem natural paulatinamente em transmutação. São espaços imponentes únicos, de inegável impacto visual que conferem às imagens um grande conteúdo formal e plástico.”

A fotografia navega entre o visível e o invisível. Nela, não interessa tanto o que está fora de campo mas o que está por “detrás” do campo escolhido. Se a textura, a composição e a forma, parecem dominar a primeira abordagem a este belo trabalho de Tito Mouraz, uma análise menos superficial levará certamente ao questionamento acerca do alcance e dos porquês de se continuar a escavar.

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lugares, memória e identidade: fukushima

On June 12, three months after the earthquake, I was given a chance to go back to my house, which was within the restricted are; to pick up my family album that was full of good old memories. During this visit, I took these pictures shown here. I didn’t want to over-dramatize the situation; I simply wanted to record the current condition of the hometown from my personal perspective as I compared the past and present in my mind.Toshyia Watanabe.

Iniciativas como a Critical Mass são geralmente demonstrativas de algumas das últimas tendências temáticas e estéticas da fotografia contemporânea. Este conjunto de imagens de Toshyia Watanabe não evidencia nenhuma pirueta formal, pelo contrário, o pacifismo nelas contrasta não só com esse ruído do que é ou parece novidade, mas sobretudo com a brutalidade do desastre que atingiu o Japão há uns meses atrás. Uma cidade verdadeiramente destroçada, cuja representação tem contudo um carácter quase irreal, mais parecendo um cenário artificial, construído e posteriormente abandonado, esvaído de vída própria e assombrado pelo vazio.

Imagens de pós-tragédia tem sido uma estratégia recorrente na fotografia contemporânea em modo documentário. Menos preocupadas com sangue e lágrimas, utilizam proveitosamente outras demonstrações que permitem ao espectador liberdade na (re)construção do evento. Esse recurso é bem evidenciado neste trabalho de Watanabe, em que mais do que o assombramento pela destruição e pelo vazio irreal, é sobretudo nas pessoas – apesar da sua ausência – que pensamos. Que impacto provocará nelas toda esta destruição, que subjuga não apenas materialmente, mas sobretudo simbólicamente? Está em causa todo o simbolismo da ligação com um lugar, consagrado através de memórias “virtuais”, as que o próprio corpo produz, e de memórias “físicas”, por ex., o álbum de família, cujo resgate dá origem a este trabalho. Esse álbum, que ganha dimensão enquanto factor de identidade, de coesão e de refirmação do grupo familiar, que não é nunca um mero repositório de nostalgia. A bela e última imagem acima, é uma demonstração sintética de todo este trajecto do fotógrafo, num gesto que embora proporcione refúgio, não deixa malgrado de ser um tentativa inglória de reconstituição/reconstrução de algo que foi severamente abalado.

 

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real fake art, michael wolf

the production of these consumer products is an inadvertent criticism of the Western conception of art, threatening our understanding of what is acceptable, exhuming a myriad of complicated issues and thoughts regarding art and its contemporary interpretation.(…) Between the exceptional fame of most of the images, the quality of reproduction and the prices listed by each painting, it is clear that the retailers of these paintings aren’t attempting to pass them off as originals. Which puts the work into a new context — they are entirely consumer products.” em A Closer Look – Real Fake Art.

Michael Wolf, cujo trabalho tem vindo a abordar importantes questões contemporâneas, adicionalmente questionando a arte para lá das introvertidas questões relativas às especificidades de cada médium, como por exemplo em Fuck You Street View, ou em Tokyo Compression e agora neste Real Fake Art. Vale a pena ler o artigo A Closer Look, bem como a introdução à venda do livro, no site da Photo-Eye, para se perceber que direcções toma a fotografia contemporânea e qual a importância do que se conjuga.

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things here and things still to come

CouvCortes

Dans Things Here and Things Still to Come, il représente donc ces jeunes femmes, souvent dévêtues, et la ville. L’intime et le public mêlé. Il le fait sans froideur mais sans affect non plus. Le livre est une sorte de voyage immobile.

O novo título de José Pedro Cortes, apresentado no blogue de livros de fotografia do jornal francês Le Monde. Site do José Pedro Cortes
e da Pierre von Kleist. Uma das boas edições nacionais destes ano.

 

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Latin American Photobook

http://2.bp.blogspot.com/-QUGQIvcefx4/TrFNn6jcLKI/AAAAAAABm20/e8jKQA5XcuM/s1600/51NvTmNIb5L._SL500_AA300_.jpg

 

A growing appreciation of the photobook has inspired a flood of new scholarship and connoisseurship of the form few as surprising and inspiring as The Latin American Photobook, the culmination of a four-year, cross-continental research effort led by Horacio Fernandez.“[via bint photobooks]

Título recém lançado, mais uma compilação sobre o livro de fotografia, neste caso sul-americana, que não desaponta os mais ávidos de conhecer novas “fotografias”. Ainda que dotado de um grafismo apelativo e cuidado, o mise-en-page parece contudo algo colado aos 2 tomos da dupla Badger/Parr, desperdiçando uma oportunidade para renovar uma fórmula que apesar de ganhadora em conteúdo textual, é um pouco pobre em termos da quantidade de imagens de cada um dos 150 livros designados. Compreende-se que o impacto de mais páginas na volumetria de cada livro poderia constituir um obstáculo ao manuseamento, aos custos de produção, distribuição, etc., mas enfim, o fan de fotografia está sempre ávido de imagens que suplementem uma escolha e um eventual investimento. The Latin American Photobook.

Um exemplo de um outro livro compilação, que ao contrário deste segue uma via bastante mais funda de aproximação aos livros retratados, pode ser visto em Swiss Photobooks, impressionando pelo escopo do que aborda tanto pela forma massiva como o faz.

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photobooks to the top

Com a chegada do mês de Dezembro é a enxurrada de listas de bestofs nos fotolivros. Antes assim, já é tempo do livro ser dignificado como meio de expressão privilegiado para a excelente fotografia que por aí circula, mesmo se a internet, aparentemente concorrente, acaba por ser também ela aliada no modelo de difusão e comercialização. Quantos destes livros não serão vendidos através destas nomeações? Mesmo que se tenha oportunidade de ver fisicamente alguns deles, nunca se conseguirão ver todos. Mas basta dar uma olhada pelas listas para perceber que há livros repetidamente citados, que aconselham ao amante do livro a séria ponderação acerca da compra, mesmo sem a oportunidade de os pré-visionar.

Do site americanphoto uma massiva eleição (50 títulos) que se desagrega em várias tipologias (fine art, fotojornalismo, etc) além disso misturando livros de autor, catálogos de exposição, retrospectivas, e por aí fora, numa escolha mediática e propicia aos grandes nomes e editoras, mas pouco atenta às perólas escondidas, talvez com excepção dos livros de Brian Ulrich (Is This Place Great or What), Pieter Hugo (Permanent Error) que contudo já não são própriamente desconhecidos. Pieter Hugo continua numa caminhada extremamente bem sucedida, mesmo que feita no âmbito de uma fotografia documental mais clássica, como aliás Ulrich, o que parece comprovar que o género, embora ausente dos escaparates da arte contemporânea, está vivo e de boa saúde, pelo menos no coração dos críticos e amantes do livro de fotografia. Depois de ver ambas as listas da PDN (aqui e aqui), elaboradas previamente, esta parece um resumo algo “preguiçoso” daquelas.

Duas listas de institucionais: a do jornal francês Le Monde e a do jornal inglês Guardian. A escolha francesa já aborda alguns títulos que incorporam o livro enquanto objecto que casa conteúdo, forma e função, sinal claro de que existe uma preocupação adicional em seleccionar títulos mais pensados em termos do que pode ser a amplitude actual do livro de fotografia. Alguns destes livros são de uma tradição conceptual herdeira de Ed Ruscha e Dan Graham (este último aliás nomeado num livro), que veio não só libertar a fotografia dos ideais do modernismo, ao mesmo tempo pensando o livro enquanto objecto artístico, muito além do mero repositório de imagens. Uma lista muito interessante, com algumas excelentes escolhas também do género documental, como aliás já tinha sido a do ano passado e a de 2009. Sean Hagan do Guardian opta por tonalidades mais clássicas, mas a escolha é geralmente muito considerada. Coincidência na selecção de “The Brothers” de Elyn Hoyland que já aqui se mencionara há meses atrás.

Marc Feustel é um nome bem conhecido no meio, especialista em fotografia japonsesa, blogger em eye curious. Um dos livros que menciona é justamente de um japonês, “A Criminal Investigation“, de Watabe Yukichi, que aparece também mencionado noutras listas, livro dotado de uma extraordinária capacidade narrativa, naquele que será certamente um futuro clássico do género. A lista é muitissimo pessoal, aliás patenteada no divertido género-Oscar. Toda ela muito “independente”, nem sempre se conhece (ou concorda) com o que escolhe, o que não invalida o reconhecimento perante as propostas deste profundo conhecedor.

Numa espécie de mix entre os anteriores temos a escolha do blog Claxton Projects. Depois, as escolhas (20) de Alec Soth, também através de uma divertida filtragem de livros por género (crime, comédia, drama familiar, etc), com 2 escolhas por tipo. Soth não faz grandes concessões e quase tudo o que aponta é de primeira água.

Outras listas: on almost every topic, do blogger holandês Bas Peters, e por via desse seu blog, a de Yannick Bouillis, fundador da OFFPRINT, excelente feira de livros que conheceu este ano a segunda edição, evento paralelo à ParisPhoto. A lista de Bas contém algumas coincidências com a de Soth e uma ou outra coisa independente a ter em conta. A de Yannick é a epítome do independentismo, quase só reconhecível para quem teve a oportunidade de passar em Paris e vasculhar tim-tim por tim-tim as ofertas das editoras presentes na OFFPRINT.

Irão certamente aparecer mais algumas listas, pelo que este artigo irá sendo actualizado na medida dessa aparição. Como nota final, o mercado português tem pelo menos 2 livrarias que tem tido o cuidado de trazer para Portugal alguns destes livros, a STET (Filipa Valladares e Paulo Catrica) em Lisboa e a INC (André Cepeda, Luís Palma et al) no Porto. Mesmo que a compra online represente uma alternativa, convém lembrar que são locais como estes que permitem aceder a obras, às quais doutro modo não haveria acesso. Esse facto per si, merece bem o prémio de se lá comprarem livros.

[update 1] Livros mencionados por Sebastian Hau, da LeBal, num comentário à selecção de Alec Soth:  “Canary-Mon”, by Lieko Shiga, “Let’s sit down before we go” – Bertien van Manen, “I don’t sleep” – Aya Fujioka, “Stefan Kielsznia – Ulica Nowa 3″ – Ulrike Grossarth, “Visitor” – Ofer Wolberger, “The Knife cuts through the Apple” – Adam Etmanski, “El Taco” – Guillermo Faivovich & Nicolas Goldberg, “83 days of Darkness” – Niels Stomps, “In the Picture” – Lee Friedlander, “Tristes Tropiques” – Laurence Aëgerte. Novamente uma coloração “independente”, por alguém a quem passam centenas de livros pelas mãos todos os anos, ou não fosse o gestor de uma das melhores livrarias (e sala de exposições) de fotografia de Paris, em cuja cafetaria o crumble de maçã com natas deixa saudades (agora pareço o Galopim…). Escolhas de um blogger japonês, elegendo alguns livros desse país como seria de esperar, a deixar alguma curiosidade sobre os livros de Hatakeyama e Nagase. Note-se que o livro japonês é geralmente de um cuidado extremo a todos os níveis, não raro proporcionando objectos de grande beleza.

[update 2]  Do blog Bint photoBooks uma bizarra “eleição“: a do álbum compilado pelo ex-general líbio Kadafi com fotografias de Condoleezza Rice, ex-secretária de estado norte-americana. A ditadura, unida à democracia de tendências imperalistas por via de um fetiche, naquela que será certamente a melhor escolha conceptual do ano. Por via desse blog mais algumas selecções: esta curiosa lista do site Brain Pickings, que começa fulgurantemente por exemplo com “Venus with Biceps” mas que vai perdendo “força nos braços” à medida que avançam as escolhas; outras 2 listas comentadas do site PDN, esta primeira com 10 títulos, a segunda com 29, que parecem ter tido o dom da antecipação pois são ambas de Novembro. Muitos nomes sonantes e alguns novos valores, que certamente tomarão lugar nos escaparates das FNAC’s e afins. Esta é o protótipo da lista “oficial”, que tende a privilegiar uma abordagem convencional ao livro de fotografia. Uma lista algo longa, com escolhas que vagueiam entre o coffee table, o fotojornalismo turístico e o preocupado, e a retrospectiva, não obstante um ou outro título de autor. Certamente muita fotografia de qualidade, mas pouco vanguardista noutros aspectos importantes do livro de fotografia nomeadamente aqueles que dizem respeito ao trinómio forma-conteúdo-função. A construção do livro contemporâneo deve não apenas conter fotografia e edição de excelência, mas também dar importância ao design, à impressão e acabamento, e à forma como todos os elementos que o compõem se adequam para formar um todo belo e coerente. Quem queira conhecer a fundo o que de melhor se fez este ano no livro de fotografia sob estes prismas, deverá começar por procurar noutras selecções.

[update 3] A selecção sempre refinada e muito bem documentada do blogger Joerg Colberg, com destaque na fotografia americana ou feita por americanos. Uma lista de “indies”, da Indie Photobook Library e outra da Photobookstore.

[update 4] A lista do blog B, a pender para um registo “independente” americano, talvez o Sundance da fotografia. A lista das listas, compilada por Marc Feustel, onde se destacam três livros: A Criminal Investigation, de Yukichi Watabe (Xavier Barral/Le Bal) Redheaded Peckerwood, de Christian Patterson (Mack) e Paloma al aire, Ricardo Cases (Photovision).

[update 5] Listas via facebook: do fotógrafo holandês Rob Hornstra; da livraria inglesa Claire de Rouen, da livraria inglesa Donlon Books.

[update 6] Para fechar, as escolhas da revista Time, embora não se trate bem das escolhas da revistas mas de um conjunto de personalidades convidadas, critério aliás seguido pela escolhas da Photo-Eye, e ainda as escolhas do blog Horses Think. Temos livros para o ano inteiro.

 

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expôr

Boa noite,

Colidi, casualmente, com o seu trabalho e fiquei deveras curioso.

Como é que o meu amigo consegue expor o seu trabalho nos locais onde já o fez? Com cunha?

Desculpe a ousadia… mas não consigo ver nada que o justifique, especialmente quando confrontado com verdadeiros talentos!!

Na expectativa de uma resposta, subscrevo-me.

Cordialmente,

( nome, do qual se mantém contudo o anonimato)

 

Decidi responder.

“Caro V…,

Esta sua interpelação, a qual por um lado atribui à capa da curiosidade e por outro, a um juizo sobre os trabalhos que apresento, pode merecer a seguinte resposta:

Quanto à sua curiosidade, as exposições aparecem porque trabalho para que tal aconteça. Não há muitos segredos, uma carta bem fundamentada sobre o trabalho que pretendo apresentar, as condições que pretendo dar e receber e a persistência até obter uma resposta. Como deve calcular, a taxa de negativas é superior às positivas. Relativamente às cunhas, essa é uma interpelação ética que deve fazer a si próprio, uma vez que não lhe compete mudar o modo como os outros possam gerir a vida deles, mas apenas zelar para que a sua decorra dentro dos príncipios que estabeleceu para si. Nesse campo, não lhe posso portanto satisfazer a curiosidade.

Quanto à ousadia ajuizante, suponho que tenha visto as exposições. Como quem expõe, expõe-se, entendo a sua opinião como expressão daquilo que é a sua posição e saber acerca do fotográfico, quiçá até de gosto. Sustenta a falta de mérito que encontra nos meus trabalhos com recurso à comparação com verdadeiros talentos, todavia não aponta quem são esses com quem o meu trabalho se possa comparar, pelo que pouco tenho para me defender, embora de qualquer modo nunca fosse essa a razão que me motivaria a uma troca de ideias. Mas posso sempre ajudá-lo, no sentido de que me contextualize na tradição em que me insiro, não vá estar a comparar-me com autores com quem o meu trabalho não tem relações. Pelo que entendo, tem ferramentas suficientes para o fazer, pelo que me dispenso de elaborar sobre isso. Contudo, admito que a minha linguagem está ainda em fase de afirmação, quiçá enveredando (com e sem medo) por algum experimentalismo, próprio de quem está no início. Esse risco é também para mim a essência da Fotografia, pois além de poder fazer pensar, pode também divertir não apenas quem a faz, mas também quem a vê. Lamento que não se tenha divertido. Pelo menos pensou nalguma coisa. Talvez mais no que rodeia o processo, do que no trabalho em si. Pelo menos é o que depreendo da nula sustentação analítica e ajuizante sobre o trabalho, não obstante a comparação com os verdadeiros talentos.

Na expectativa de ter contribuido para o seu esclarecimento

João Henriques”

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o que um livro pode

“Entre os dias 8 e 11 de Dezembro, 2011, a Oficina do Cego e a Ghost associação, em colaboração com o Atelier Real e a livraria Stet, promovem uma série de encontros à volta do Livro de Artista e da Auto-Edição. O QUE UM LIVRO PODE é um programa de quatro dias que ambiciona lançar as fundações para um debate sobre o livro de artista em Portugal, propiciando encontros entre críticos, pensadores, artistas e designers que fazem livros e praticam a auto-edição – promovendo lançamentos e divulgando obras inéditas. Ver aqui a programação completa.” Emprestado de Making Art Happen.

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o carteiro fotocopia 2x

©ctt

Por esta via chegou-se a este carteiro que fotografa sempre duas vezes. Iniciativa idêntica, concebida pelo fotógrafo britânico Stephen Gill (nobody books) teve lugar em 2006 no Reino Unido. Nessa oportunidade os lucros reverteram a favor de instituições de apoio à doença mental. Por cá, servirão para financiar o projecto. Esperemos que o “franchising” seja pelo menos conhecido dos ingleses, caso contrário passa por idéia original. Pode-se dizer até que os contornos nem são iguais, no caso inglês houve um (grande) fotógrafo por detrás da coisa, por cá, sabe-se lá, mas espera-se que sim. Reconfortado o departamento de Marketing e PR dos CTT, pode-se dizer que não se trata de uma cópia, é mais uma foto, cópia.

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4.3 [out of 10]

©Andrea Gursky, Rhein II

 

On its visual merits alone, this show could have conceivably earned my first zero star review in the history of this site, which pains me severely given my love for Gursky’s previous work. That said, after much reflection, I think it jumps just barely to the one star category, mostly because I would recommend seeing this work to consider for yourself how one of our most shining stars could swing and miss so egregiously.” [via dlk]

Não me recordo de ler uma resenha destas no dlk, mas como disse Voltaire, “the composition of a tragedy requires testicles“. Sabendo como os americanos gostam sempre de alfinetar/rivalizar com os europeus, esta crónica no dlk será sempre tudo menos inocente. Mas quem expõe, expõe-se. Gursky pode sempre argumentar que nada tem a provar, já o senhor Gagosian não deve concordar tanto com essa defesa. Interessante será tentar perceber porque é que um artista de charneira, um líder de opinião, compõe uma obra que resvala para o decorativo e para o quanto maior melhor – há que vender apenas? – numa temática já algo batida e quiçá melhor trabalhada por outros. Fã confesso, confesso que intriga.

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gérard

Ó Gérard, você é um grand timide!”. Levantou-se, abriu ligeiramente os braços e retorquiu, com o sorriso de quem é apanhado: “Mais bien sûr”!

Excerto da apresentação do livro “Aparições – A fotografia de Gérard Castello-Lopes”, por António Barreto. O post está no blog da apph, contendo uma resenha bastante completa do evento, através de vídeos, texto e fotografias.

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text based

Holzer, Truisms poster

Jenny Holzer, Truisms. via 6decadesbooks

Aproximação apropriativa e subversiva das formas em que a cultura se representa visualmente, a fazer lembrar Foto Follies: How Photography Lost its Virginity on the Way to the Bank, em que através de um pastiche ferozDuane Michals dispara na direcção de algumas pretensões fotográficas contemporâneas.


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feiras & debates

Fim de semana de Feira de Arte de Lisboa e da Feira do Livro de Fotografia, integrada no mês da Fotografia, na Fábrica Braço de Prata. Como uma das estratégias para cativar público apresentam ambas interessantes conferências, contudo e dado o défice de eventos do género, pena é que nalguns casos decorram em simultâneo. Os interessados em ir a todas, terão que apelar ao doppelgänger.

Conversas na Fábrica Braço de Prata:

Sexta-feira, 25
19h30 – O lugar da fotografia em Portugal | com Emília Tavares, João Tabarra, José Luís Neto e Sérgio Gomes.

Sábado, 26
18h30 – Reportagem fotográfica: construção de uma narrativa – ESTAÇÃO IMAGEM |
com Paulo Pimenta, Nelson Aires e José Carlos Carvalho, moderado por Luís Vasconcelos.
19h30 - Lançamento em Lisboa do 2ºnúmero de Scopio (International Photography Magazine) | com Pedro Leão, Tiago Casanova, Susana Ventura e Pedro Gadanho.
20h30: Ver para fora de dentro – REUTERS | com Paul Hanna, José Manuel Ribeiro e Rafael Marchante, moderado por Bruno Portela.

Domingo, 27
19h30: Um outro olhar sobre a Luz | com Pedro Lopes – Megarim.

Horário da feira:
Sexta-feira das 17h00 às 22h00
Sábado e domingo das 15h00 às 21h00
Entrada livre

[programa via artephotographica]

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beijo (em) falso

A exigência de retirada da imagem mostra algo de básico, mas todos os dias recalcado (sobretudo pela cultura televisiva). A saber: nenhuma imagem é transparente, porque ecoa sempre no tecido social das linguagens — retirá-la de circulação é apenas dar a ver os limites em que se move o outro.” em Benetton contra o ódio (1/6).

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debates

Não são temas de debate, são temas de combate. A não perder, na ARTE LISBOA, de 23 a 27 de Novembro. [via AntiFrame]

Quinta 24 de Novembro | 19h00

A Cultura Desassossegada num Portugal Sossegado

Ivânia Gallo | ARTE LISBOA

Sílvia Câmara | Galeria de Arte Urbana – Câmara Municipal de Lisboa

Rui Pereira | Director “Bode Expiatório”, Jornalista

Cláudia Camacho | AntiFrame – Independent Curating Project

 

Quinta 24 de Novembro | 21h00

O Artista e a Santíssima Trindade: Coleccionador, Galerista e Curador

Mário Teixeira da Silva | Galeria Módulo – Centro Difusor de Arte

Gonçalo Lima | Coleccionador

João Silvério | Curador,  ”Empty Cube”

 

Sexta 25 de Novembro | 19h00

Quero ser artista. E agora? Terei de emigrar?

Luís Costa | Binaural / Nodar

Rui Mourão | Artista

Filipa Valladares | Stet – Livros e Fotografias

Manuel Botelho | Artista, Professor na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa

 

Sexta 25 de Novembro | 21h00

A Comunicação nas Artes feita refém dela própria

Rui Prata | Encontros da Imagem

Patrícia Remelgado | Pportodosmuseus.pt

Teresa Duarte Martinho | Observatório das Actividades Culturais

Nuno de Faria | Ponto de Contacto Cultural. Secretaria de Estado da Cultura. GPEARI – Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais.

 

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photocerie

Ce n’est pas une exposition d’images, c’est une exposition de signatures et/ou de dédicaces. Authentifiées de préférence. Valorisées en dollars (encore une fois).
Alors, y être ou ne pas en être ?
Avoir une photo accrochée aux cimaises, j’imagine que c’est un peu comme avoir son nom dans le petit Larousse.
Quoi ! J’y suis ? Nooon…
Ma foi oui, maintenant je me souviens, il y avait une galerie qui avait fort insisté pour accrocher quelques-unes de mes photos, je ne savais pas qu’elle l’avait finalement fait.
Pfff ! Enfin… Si cela leur fait plaisir…  Et on les voyait bien ? De loin ?
Après avoir visité la salle des ventes, j’ai eu une pensée émue pour tous ceux dont le nom ne figurait pas (encore) dans le petit Larousse.

Qu’ai-je remarqué qui mérite d’être relaté ?
Que si le thème de la manifestation était l’Afrique, cela n’empêchait pas les galeries qui n’avait rien à montrer (sur l’Afrique) d’exposer les photos de photographes qui avaient passé leurs vacances à Zanzibar en 1994 ou qui avaient le frère d’un ami maqué avec une Ivoirienne. Sans compter tous ceux qui ne savaient pas où était l’Afrique sur la carte.
Seules quelques galeries exposaient des photographes africains. Les autres n’étaient là que pour vendre des photos. Le premiers sans doute aussi, pour être franc.
Que si les prix proposés étaient de nature à permettre aux propriétaires de ces galeries d’aller passer les fêtes de Noël à Saint-Barthélémy, les jobards qui les achetaient aux prix proposés n’avaient pas intérêt à devoir les revendre le lendemain en vente publique sauf à devoir risquer de passer leurs vacances pendant le reste de leur vie à Dunkerque-plage (à trois kilomètres de la plage, dans un garni de 14 mètres carrés orienté zone industrielle).
Et enfin que, n’ayant pas été invité, j’ai dû me mettre dans la file d’une douzaine de personnes qui payaient leur entrée.
De l’autre côté de la barrière, il y avait une file d’une bonne centaine de mètres de journalistes ou de gens qui avaient une invitation. Un petite heure d’attente seulement. Mais c’est aussi une question de notoriété.”

Pequeno escrito sobre a edição deste ano da Paris Photo, rabiscado na newsletter de uma excelente livraria belga dedicada exclusivamente à fotografia.

 

[update] – versões “alternativas”

My overall impression was of a strong year with a fairly diverse selection of material, whereas sometimes it can feel like the same pictures pop up on every booth. I don’t think Paris Photo is the place to see the cutting edge of contemporary photography, although there is always something hiding around a corner if you look hard enough, but rather a venue for great vintage work and a cross-section of what is ‘hot’ right now.” via eyecurious de Marc Feustel.

This giant photo market place was overwhelming and an immense success. The overall quality seemed to have moved up several notches and this year influential galleries such as Marion Goodman and Gagosian had joined the throng.” via harvey benge.

Having spent the first evening at Paris Photo and the rest of my time at Offprint, I felt that the excitement, energy and experimentation happening in book publishing was definitely more exciting than anything I saw at the big fair.” via horsesthink, de Ofer Wolberger.

 

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pierre von kleist: novos livros

 

 

[via pierre von kleist editions]

 

Uma  introdução aos novos trabalhos em livro de José Pedro Cortes e António Júlio Duarte, a apresentar por cá* ainda durante este mês. Já folheados ambos, cumprem com distinção naquilo que deve ser um bom livro: excelência nas fotografias e na sua edição, no design, na impressão. Se no plano do fotográfico  (qualidade das imagens e da edição) alguns autores portugueses estão ao nível do que se faz lá fora, nos campos do design e da impressão, denota-se por vezes uma cultura de menor exigência. Atitude que os mercados sobretudo internacionais tendencialmente penalizarão, considerando a elevada qualidade a que de um modo geral se vai assistindo. Nesse capítulo é de assinalar o paradigmático caso holandês, em que praticamente todo o objecto-livro enquanto receptáculo de fotografia é trabalhado ao pormenor, com uma consistência e qualidade elevadíssimas, mesmo se as fotos são por vezes apenas medianas.

 

*Pré-Apresentação
Feira de Arte de Lisboa , Stand STET – Livros & Fotografia
25 Novembro, 19.00h

Lançamento Oficial
Carpe Diem
Rua do O Século, 79 (Lisboa)
3 Dezembro, 16.00-19.00h

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180 graus, mês da fotografia de Almada

 

Este foi eleito o mês da fotografia em Almada, com um conjunto relativamente amplo de iniciativas, nas quais se inclui a minha exposição “180 graus“, que estará em exibição no Convento dos Capuchos até final do ano. O programa pode ser descarregado aqui.

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rinko kawauchi

©joaohenriques – rinko & illuminance

 

abitpixel no espírito do fan.

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mês da fotografia, fábrica braço de prata

Fabrice Ziegler tem vindo paulatinamente a colocar a Fábrica Braço de Prata como ponto de convergência de uma fotografia menos conhecida mas nem por isso de menor empenho/valia. Dada a dificuldade para autores de menor visibilidade em encontrar locais adequados para expôr e usufruir da fotografia em Lisboa, este só pode ser um acto que se saúda. Destaque para as exposições do colectivo Portfolio Project, das agências VU e Reuters e da Estação Imagem, Lugares Alentejanos, bem como a 2ª edição da feira do livro de fotografia, a realizar no último fim de semana.

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ao gato e ao rato

 

Curiosamente adquiridos no mesmo dia, os livros I, Tokyo” de Jacob Aue Sobol e From Back Home” de Anders Petersen e JH Engstrom, deparo numa breve pesquisa com este Le sombre Sobol a-t-il plagié les photos du morose Petersen?
A citação é uma honra ao citado? E quando é que ultrapassa essa fina linha? A boa conclusão não existe, contudo parece haver nestas imagens acima matéria para alguma confusão. A estética stream of conscience e/ou provoke têm alguma tendência a provocar semelhanças, não só na forma – preto e branco carregado, arrastamentos, etc – , como nas próprias temáticas sempre muito sex & drugs & rock’n roll. O que pode derivar nestas coincidências, ou não.

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narrow kind

The making of art has very little to do with galleries. These places are, in the sense that they are commercial galleries, interested in a particular and very narrow kind of art that can be displayed within a space in a particular kind of way, they are interested in people who can produce work that galleries can show. And so people produce the kind of work that they can show, they kind of work that sells, the kind of work that wealthy people like – which is problematic. It’s a symbiotic relationship where what galleries, gallery consumers, and gallery feeders produce is intricately linked in an unbalanced but self-replicating chain.[via collin pantall]

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milhões

auction prices do not reflect artistic merit or brilliance. The reflect the art market at work, a playground for the rich and superrich, spending money on whatever looks like “high art,” regardless of whether it holds up to critical scrutiny. Auction prices reflect how much one individual (or organization) is willing to pay for some piece of art.” [via conscientious]

O valor de algo já não reside no sentido que possa ter/transmitir, mas na raridade e no preço que alcança.

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autoreferencialidade

© Martin Klimas, da série FOULARD

 

Por vezes existem escolhas temáticas que se impõem de imediato, tal é a ordem de interesse, de contemporaneidade, de valor acrescentado ao debate e ao estímulo intelectual que propõem. Outras nem por isso, sem que contudo se perca de vista o labor e o empenho de quem vai por caminhos menos óbvios. Acerca de uma exibição de fotografia, pode ler-se no descritivo da galeria que a apresenta: “High-quality silk scarves from establishments like Dior, YSL, Hermes or Louis Vuitton provide the thematic background for the new photo series ‘Foulard’ by Martin Klimas. (…) these scarves are themselves subject to an identity crisis situated between object and picture.(…) As fashion, they are more Zeitgeist than avant-garde, do not shape style so much as quote artistic trends such as Abstract Expressionism, Op and Pop Art and make us think of artists like Rothko, Vasarely or Lichtenstein. In association with the patterns, complex perspectival constructions result, opening up intriguing pictorial expanses whose visual power is absolutely bewitching.” Tomados pelo seu valor facial, estes lenços pertencem ao universo do acessório de moda. Contudo não se tratam de meros acessórios, existe algo mais neles que está para além do seu mero valor decorativo. Os seus portadores aspiram a um estatuto, o qual tem uma determinada correlacção com o valor monetário, geralmente pouco acessível a bolsas comuns, que normalmente é pedido ao candidato a possuidor. Não estando porém em causa o apport estético-estatutário que o referido objecto transfere para o seu proprietário – gostos e carteiras não tem discussão – pois nada disso interessa à fotografia, existem no entanto outras questões.

Por exemplo, existe por detrás destas fotografias mais alguma coisa que não estejamos a ver, além da autoreferência e da contínuada apropriação do mundo da moda por objectos artísticos? A autoreferência da arte em relação a si mesma, neste caso a fotografia apontando para a história de arte, é sem dúvida um mecanismo legítimo, aliás, qual é ele que não o seja hoje em dia. Porém, será que este conjunto de citações de tendências artisiticas suporta algo mais que essa autoreferência? De que modo é que fala sobre o mundo, qual é a opacidade que esses lenços podem ocultar?

Uma possibilidade mais velada tem que ver com o jogo de palavras possível: uma aparência, aliás um lenço, algo que contribui para a aparência, que por sua vez aparece noutra aparência que é a imagem. Se esta é outra forma, quiçá mais elaborada de autoreferência, acontece porém que nesse jogo de espelhos apenas se reflecte outra imagem, reflexão essa não no sentido do pensar mas da aparência. É uma imagem que se reflecte a ela mesma, mas não sobre ela mesma. Algo que se vê ao espelho, mas que pouco ou nada representa ou coloca em perspectiva das suas próprias contradições, restando ao pobre espelho responder à “quem é a mais bela de todas”.

Habituados que estamos às complexas elaborações artísticas contemporâneas, ficam dúvidas sobre a possibilidade meramente narcisista que se levanta. Quando a arte se limita a referenciar a si mesma desta forma algo “decorativa”, estará a crise de identidade situada entre o objecto e a picture, como alude o texto introdutório? Curiosamente o termo “crise de identidade” pode colar-se até de forma malévola não ao objecto, mas ao seu possuidor, cuja crise se pode manifestar mais pela busca de uma aparência do que por uma identidade propriamente dita. Que porventura se pode estender ao comprador da picture, que pensa estar a levar arte para casa, apenas porque entrou numa galeria e pagou em conformidade. Mesmo em termos formais, onde estão as “intriguing pictorial expanses whose visual power is absolutely bewitching”? Parece nunca ter estado fora de moda, este género de argumentação que se procura auto-fundamentar com uma verborreia – e obra – artístico-decorativa, não sendo no entanto por isso que se torna menos entediante. Um prelúdio para a PARISPHOTO. Felizmente há mais Paris. E foto.

 

© François Berthoud

Aborde-se outro caso, desta vez uma exposição de trabalhos de ilustração numa outra galeria: “Berthoud soon developed a distinctive style for the graphic transcription and illustration of contemporary clothing, shoes, handbags, perfumes, and accessories. His expressive, aesthetically appealing linocuts, drip pictures, and computer graphics have accompanied countless fashion campaigns – from Yves Saint Laurent to Bulgari or Sonia Rykiel. In these works the depicted object and Berthoud’s visual interpretation of it complement one another to generate atmospheric total works of art that substantially shape our perception of a featured product and contribute to its marketing success. (…) Particularly fascinating is the use of complementary analog and digital techniques to produce masterly results.”

Conhece-se pouco da problemática da ilustração para a representação do real. O texto introdutório parece apontar para a prática como mero adereço comercial, como aliás pode ser entendida a maior parte da fotografia de moda. Pode também neste caso como no anterior afirmar-se que se trata de uma imagem que reflecte outra e não sobre outra? Um adereço que reflecte outro, pode ser de uma ironia algo tautológica. Para que serve esse reflexo, aparentemente mais belo e contendo mais craftsmanship que o anterior, se pouco ou nada reflecte, senão o mero instrumento de marketing? Se, ainda para mais, se fascína com o “use of complementary analog and digital techniques to produce masterly results”, então estamos perante uma arte que olha para o umbigo e pouco mais.

 

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Podem dormir descansados, que o abitpixel NUNCA irá descambar num consultório sentimental para fotógrafos.

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