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África não é apenas o arraial costumeiro de fome, guerra, violência, etc., como se pode comprovar pelos ensaios em AfricaLens – Telling The Story of Africa
Comentarfotografias, minhas e as de todos
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África não é apenas o arraial costumeiro de fome, guerra, violência, etc., como se pode comprovar pelos ensaios em AfricaLens – Telling The Story of Africa
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A iniciativa Emergentes tem lugar de novo este ano nos Encontros da Imagem em Braga. Para quem não conhece, trata-se da oportunidade de fazer uma leitura crítica de portfolio, através do encontro de 20 minutos com cada um de 8 críticos, a seleccionar de um conjunto de 20 possíveis. Algumas alterações ao modelo do ano passado: maior número de seleccionados (de 40 passou a 70), maior custo de participação (de 60 euros passa a 110), e a principal, a atribuição de um prémio monetário, no valor de 7.500 euros.
Considerando a penúria que presentemente assola a maior parte das bolsas, ainda assim os valores da participação neste misto de revisão crítica e prémio de fotografia são mais baixos do que os praticados noutros certames do género. Todavia, talvez fosse conveniente a separação entre prémio e revisão, de modo a que se tornasse mais claro o custo de uma e outra participação, até porque a secção competitiva pode não interessar a todos. Provavelmente, a necessidade de conseguir alguma autonomia financeira para os Encontros, levou a que a Direcção optasse por novos modelos de abordagem ao financiamento, dada a dificuldade em promover nas entidades oficiais e apoiantes, o reconhecimento dos Encontros como o maior e mais conceituado evento ligado à fotografia em Portugal.
Tendo participado no ano transacto, posso partilhar algumas questões: a mais importante creio que se prende com o tempo, que me parece exíguo para cada revisão. Idealmente cada revisão deveria ter 45/50 minutos + intervalo. Na forma em que está, o cansaço entre todos é visível, mas sobretudo nos críticos, pois os fotógrafos acusarão menos face ao pico de energia obtida pelo entusiasmo em mostrar e discutir os trabalhos. Haveria menos seleccionados, provavelmente a inscrição seria mais cara, mas o evento poderia ser mais leve e profícuo para todos.
Quanto ao momento com os críticos, não existem guias para aquilo que se discute com cada um, existindo alguma disparidade na forma como engajam na revisão. Nalguns (poucos) parece existir menor disponibilidade para discutir trabalhos com que não empatizam, lateralizando a revisão para assuntos de menor interesse. Contudo, um dos pontos será justamente o de debater e críticar, goste-se ou não daquilo que se vê, afinal de contas, trata-se do trabalho dos fotógrafos e não das motivações dos críticos. Mas imagino que não seja humanamente fácil vêr num só dia de enfiada, 20, 30, 40 portfolios. Pessoalmente, não vejo tanto a revisão como uma oportunidade para ir mostrar o trabalho a pessoas com posições-chave no meio, embora essa seja sem dúvida uma parte interessante, antes considero a revisão como uma oportunidade para engajar, debater, comentar, críticar, a um nível mais elevado, com pessoas de reconhecida capacidade. É por ai que defendo que os 20 minutos são escassos, pois em se tratando de um show-case, talvez esse tempo chegue e sobre.
Algumas questões relativas á apresentação: embora não obrigatório, considero indispensável levar as imagens em papel, bem impressas, num tamanho mínimo de A4. O ano passado levei um portátil e sinceramente, creio que não é o melhor meio de apresentar imagens. Uma boa prova é fundamental, explanando e permitindo uma análise ao trabalho que o computador não permite. Quanto ao resto, empatia, disponibilidade para aceitar críticas, e cortesia. Considero também importante que se medite previamente nalgumas questões alusivas á natureza do trabalho: em que é que ele é relevante? o que é que se pretende fazer com ele? etc. Um bom artigo que ajuda a dissolver o sentido destas questões está em The Who, What, When, Where, Why, and How of Portfolio Reviews e Why Should I Care – Take 2. Alguns críticos pedem esclarecimentos sobre o trabalho, muitos fotógrafos pensarão que as fotografias falam por si, mas essa é uma questão controversa. Concordo com um enquadramento prévio, se tal for questionado pelo crítico, daí a importância de antecipar estas questões.
Acima de tudo, creio que é uma excelente oportunidade para fazer amizades, criar laços profissionais, conhecer outros fotógrafos e trabalhos. Só por isso, já devia valer a pena participar nos Emergentes.
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O autor do blog é apanhado a atravessar a A8 em direcção a Santa Cruz, fugindo à vaga de calor que se instalou no Oeste. A foto é do Ryan McGinley e o pessoal da frente não sei quem são.
Chegada a silly season, se a mesma não dura o ano inteiro, avisa-se o estimado leitor que a posta se torna irregular e fruto das contingências.
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Allan Sekulla, fotógrafo que trabalha sobre os alcances, limites e formas da fotografia documental de modo algo diferenciado. Versando a possibilidade social da imagem, as temáticas estão sobretudo ligadas aos fenómenos do capitalismo actual: o comércio global, as condições de trabalho, os movimentos anti-globalização, etc. Muito desse território tem sido desbravado no mar (Fish Story, por ex.), sendo Ship of Fools o título de uma exposição presentemente em Antuérpia, que contínua na senda desta temática, como se explica neste artigo no we make money not art.
Antisepsys #04
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ComentarPersonagem central de uma particularmente eficaz história de relação com os media (e o povo), não é essa contudo a temática central desta montagem fotográfica. Aqui pode-se ver um pouco da “liturgia” berlusconiana, a entourage, os seguidores, os gestos, os hinos, enfim a documentação do que parece estar a ser este tempo italiano. Interessante, não só o título da banda sonora que ilustra a peça, Balada para um homem só, do genial Pierre Henry, mas também o modo como a peça acentua uma dimensão obscura e inquietante, num bom apanágio do que a música pode fazer para “confortar” a mensagem que a imagem pretende passar. Welcome to Berlusconistan, um trabalho de Simone Donati/TerraProject, visível através da cooperativa PictureTank. Um outro documento que analisa de perto este tempo mediático italiano é o excelente documentário Videocracy, de Eric Gandini.
ComentarAntisepsys #03
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Comentar‘Concerned Photography, cuja tradução literal poderia ser “fotografia preocupada” deriva de um género de imagens que a partir dos anos 60 cunharam o trabalho de alguns fotógrafos, indelevelmente marcadas por uma abordagem humanista da fotografia. Poder-se-iam citar como exemplos Susan Meiselas, James Nachtwey, Raymond Depardon, Josef Koudelka, entre tantos outros. O último número da revista F-Stop tem esta temática como idéia base para a apresentação de 7 portfolios. Interessante também o facto de se poder conhecer algumas das premissas que presidiram à escolha feita por Jason Houston:
Do conjunto de portfolios apresentados neste último número destaco o de L Weingarten “A series of questions“
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e o de Diane Meyer “Without a Car in the World: 100 Car-less Angelenos Tell Stories of Los Angeles“
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Antisepsys #02
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Os últimos números da Foam-Magazine e da Ojo de Pez, somente duas das melhores revistas internacionais de fotografia, que podem ser vistos carregando directamente nas capas acima. Ainda assim aconselho uma passagem pela versão em papel, nunca é a mesma coisa, contudo é uma experiência que fica um pouco mais cara (Foam aprox 80 euros assinatura anual).
ComentarAntisepsys: Primeiro projecto da Facção Canalha, colectivo que propõe a intervenção cultural e artistica. Em exibição na Cooperativa de Comunicação e Cultura de Torres Vedras, até 18 de Julho. A 16 ocorre a Finissage, com o Live Act de Nuno C Pinto, que brilhantemente e em colaboração com os Cage Cabarett, assina a parte musical do projecto. Abaixo e em audição, primeira faixa do EP que foi lançado durante o evento.
Antisepsys #01
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Uns anitos de distância separam estas fotografias de Garry Winogrand e de Otto Snoek. Apesar das semelhanças, a distância não se fica pelo tempo em que foram feitas. Winogrand procurou dar uma imagem das “relações sociais”, embora tenha fotografado tantas outras coisas. Snoek é mais específico, mostrando eventos frequentados por pessoas com (muito) dinheiro, milionários. Que surgem aqui retratados de forma algo diferente daquela que geralmente se vê nas revistas côr-de-rosa, em que dominam as poses repetitivas e meramente presenciais ou então, a fotografia espiã e invasiva da vida privada, embora nalguns casos se pressinta por vezes alguma invasão. Curiosas semelhanças entre estes trabalhos, ou como a fotografia pode confortar a antropologia social.
“The Adventures of Guille and Belinda and the Enigmatic Meaning of Their Dreams”. O mundo das relações familiares, duas pequenas primas agitando histórias, fabulando universos de fantasia e de sonho, numa mundividência ora luminosa, ora sombria. O plano da fotografia estrictamente documental é aqui enlevado por uma vertente que associa a narrativa descritiva e literal aquilo que parece ser também alguma encenação, embora nunca se perceba muito bem quando é uma e/ou outra, e pela imensa cumplicidade entre a autora e as mocinhas. A amizade consolidou-se (ver entrevista com Alessandra sobre o trabalho) tendo tempos mais tarde dado origem a novo trabalho, “The life that came”, agora com a vida adulta das moças. “The Adventures…” conhece agora o lançamento em livro pela editora Nazraeli.
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Fotografia pontuada por um apurado sentido de equilibrio composicional e cromático, elevando à estética o (aparentemente) banal. Privilegiando a paisagem urbana e a relação com o espaço habitado, o elemento humano faz-se presente também em The Sonic Booms. Várias galerias dos trabalhos mais recentes podem ser vistas no site do fotógrafo em http://www.carloslobo.net/. Um livro publicado em 2008, Unknown Landscapes, adquirido recentemente na Inc, denuncia uma fotografia a seguir com atenção.
ComentarReflectindo sobre diferentes aspectos do fotojornalismo actual, qualquer um destes 3 artigos se aplicam também ao contexto mais amplo daqueles que não sendo fotojornalistas, acabam por trabalhar dentro do género documental, especialmente nas áreas em que estão envolvidas narrativas sobre “a vida dos outros”. As questões mais prementes parecem estar ligadas à ética, sendo uma das mais levantadas a da formação humanista do fotógrafo, num momento em que a técnica, o estilo e a forma de produção são factores menos diferenciadores do trabalho final. É interessante notar que estas questões parecem ir de encontro ao que escrevi no artigo arte, activismo e colectivo, em que a competição, a afirmação individual, ainda supera o sentido de colectivo, de colectividade e de cooperação.

«three capacities ‘…essential to the cultivation of humanity in today’s world.’
“For a whole generation of photographers it appears that a wider understanding of ethics and cultural reference is now missing. As a young photographer I aspired to the ideals of those in Magnum, Network, and Rapho. The business was difficult to break into and there were identifiable mentors. No longer. We are all journalists now. And there is an ocean of mediocrity masquerading as the best photojournalism.” Sobre o mesmo tema, este outro Ethics and photojournalism
«Particularly since 9/11, the paradox of the spectacular image has sharpened the line between classic reportage and artistic approaches. The majority of the immediate images of that day’s events were taken by amateurs, while the photojournalists who arrived later focused on the aftermath – a form of reportage that writer and artist David Campany has termed ‘late photography’ (…) ‘The documentary photographer has a terribly difficult life compared with the conceptual artist. But, like Prometheus and Loki, we’re both tied to the same rock.’6 ‘Late photography’ incorporates the seriality of Conceptual art while consciously keeping imagery of disaster at bay. It constitutes what Campany calls ‘a second wave of representation’. How does our impression of the war change if we only see ‘traces’ rather than the ‘faces’?» Shooting Gallery – The limitations of photojournalism and the ethics of artistic representation
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©Imagem cortesia de Aleix Plademunt
Naturae será uma exposição itinerante nascida do projecto curatorial Urbanautica, tendo sido convidados fotógrafos que se destacam nas áreas ligadas à paisagem e à transformação urbana, cidadania, relação com a natureza, etc. A 1ª apresentação será em Setembro, no festival de Savignano, Itália, seguindo-se depois Treviso, Amsterdão e Berlim.
Fotógrafos convidados:
Karin Borghouts – www.karinborghouts.be
Alejandro Cartagena – www.alejandrocartagena.com
Guido Castagnoli – www.guidocastagnoli.com
Hin Chua – www.hinius.net
Michael De Kooter – www.defocus.nl
Anne Lass – www.annelass.de
Aleix Plademunt – www.aleixplademunt.com
Dustin Shum – www.dustinshum.com


“After photographing these landscapes for the past 3 years I have now returned to many of the finished housing complexes and learned of many misfortunes the new inhabitants are facing, the ecological impact and the increasing distance being formed between the well-urbanized city and these new fragmented cities in the peripheries; a new chaotic ambient to which México is growing into. Expectantly what I strive for with these aesthetic representations is to point out and open relationships between issues created by an economy-driven State and how our society resides in the dilemma of living as capitalists but wishing for a fairer World.”
Duas abordagens fotográficas ao fenómeno da construção de casas em massa, impulsionada pelo governo mexicano para fazer frente a questões de alojamento, de crescimento das cidades, de organização do território e eventualmente de resolução de alguns aspectos sociais de ordem conflitante, nomeadamente desigualdades no acesso e redistribuição de rendimentos.
ComentarA agenda (ali em cima à direita) foi actualizada com mais algumas exposições actualmente exibidas em território nacional. O projecto “Rota da Indústria” da parceria entre a APAF e a Câmara do Barreiro está até 20 de Junho no Auditório Augusto Cabrita.
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Facade, de Han Sungpil. “Among other things, the work questions ideals of beauty, visual identity, reality, public art, and the current compulsive desire to leave no part of the urban canvas unfinished. This is especially intriguing when the illusion is created to conceal other, longer-lasting cosmetic improvements in process.” No LensCulture.
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Não será muito difícil de adivinhar de que país vêm estas imagens. A do meio fez-me lembrar os meninos islâmicos a aprender o Corão. Nina Berman com imagens de uma eloquência e profundidade invulgares.
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