Arquivo de ‘tombei d’amores’

colossal youth, andreas weinand

 

 

Trabalho cujo nome seria mais do que mera coincidência com a tradução em inglês do filme de Pedro Costa, Juventude em Marcha, não fora a data de execução do mesmo – entre 1988 e 1990 – ser anterior à do filme. Existirá algum parentesco? A ironia do título português do filme assenta numa juventude que parece dirigir-se para lado nenhum, nihilismo que parece encontrar eco neste trabalho. Outro dado interessante diz respeito à data enunciada de execução destas imagens (1988-1990) sobretudo se considerarmos um contexto em que o género – documentário, a cores e bem por dentro da cena – conhece  um icone com a publicação de Nan Goldin, “The Ballad of Sexual Dependency“, em 1986. Esperar-se-iam 10 anos por “Ray’s a Laugh” de Richard Billingham, ou 13 por “Case History” de Boris Mikhailov, ou até 16 por “The Kids Are Alright” de Ryan McGinley, realçando ainda mais o alcance desta Colossal Youth, de Andreas Weinand, que esperou até agora para ser editado.
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landmarks, huw nicholls

Landmarks, de Huw Nicholls. Casa bem com este post. [via Urbanautica]

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stefanno parrini, land market

 
 
 

Land art e pulsão (sur)realista. Muito bom, este Land Market, de Stefanno Parrini
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the brothers

Desta vez o Maradona usou a cabeça, fintando tudo e todos com esta sugestão brilhante para o trabalho de Elin Hoyland, The Brothers.
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irina werning, back to the future


 

Projecto finalista da Burn, sempre interessante quando se combina elaboração de excelência com uma faceta divertida. Detalhe e um forte sentido da história do vernacular fazem deste Back to the Future um belo projecto, a fazer lembrar um outro, de Judith Van Ijken, Mimicry.
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daniele cinciripini

Do italiano Daniele Cinciripini, imagens das séries “La faccia della crisi” e “Green Life“. Na primeira série citada, a particularidade de o fotógrafo se incluir nas imagens, provavelmente também ele um dos afectados pela crise.

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john chervinsky

Still-life. John Chervinsky.

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mark power- destroying the laboratory for the sake of the experiment

DTLFTSOTE é uma colaboração audiovisual entre o fotógrafo britânico Mark Power e o poeta Daniel Cockrill. Os dois artistas viajam juntos por Inglaterra, partilhando e respondendo a experiências comuns, a ouver directamente no site do artista. Algumas destas fotos podem ser vistas num álbum editado pela Fundação Calouste Gulbenkian, a propósito de uma exposição de Mark Power no pólo parisiense da instituição, entre Novembro de 2007 e Janeiro de 2008. Aos interessados, penso que ainda se consegue encontrar à venda na livraria da Fundação.

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dipticos

A 1ª imagem de Daniel Blaufuks, da série collected short stories, a 2ª de Harvey Benge, da série stereotype. Embora semelhantes na aproximação formal através da estrutura diptica, ainda assim as séries diferem um pouco nas soluções encontradas.  Valendo-se dessa estrutura sequencial como elemento estruturante da narrativa fotográfica, Blaufuks coloca títulos nas “histórias”, conduzindo a uma leitura mais defínida, Benge por seu lado tenta encontrar a intersecção visual que unifica os dois fotogramas. Em fotografia, nem sempre o que parece igual, é.

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koji onaka



Aqui.

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Ju Duoqui, Fantasies of the Chinese Cabbage

Ju Duoqui. Estamos no mês de Escorpião, é adequado.

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Jamal Penjweny, Iraq is Flying

No Iraque, ainda há vida para além dos morteiros. E sentido de humor. Jamal Penjweny, Iraq is Flying.

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evzen sobek, life in blue


A number of the photos evoke the minimalist pictures of the New Topography. With time, however, we realize that the photographer has presented us with an interesting social phenomenon – a view of the special leisure activity of people who have decided to create second homes in bizarre architectural artifacts in man-made places in the great outdoors.

utópico. natural. irónico. azul. uma bela mistura. de evzen sobek.

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peter granser, signs

Peter Granser, que terá mostrado algumas destas imagens no Museu da Imagem em Braga, em Maio deste ano. Sun City, Arizona, local de retiro para reformados, onde supostamente se passa o dia a caçar baratas e a fugir do calor impiedoso. A avaliar pelas damas da segunda imagem, não nos estão a contar a história toda… Sun City, no Lens Culture.

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vivianne sassen


Intrigantes, estes retratos de Vivianne Sassen. De um lado, o limbo visual entre o que é encenado e o que não é; provavelmente nada é, mas o retrato sempre andou de mãos dadas com a pose e com a encenação. Por outro lado, a fórmula simples com que se introduz a complexidade das relações entre africanos, e entre eles e a natureza. No lado mais técnico, um aproveitamento belíssimo das zonas de sombra e contraste, face ao impiedoso (fotograficamente falando) sol a pique, que conduz a fortes contrastes e luz pouco suave, o que, segundo as regras, é completamente desadequada ao retrato. Pois não é, como se pode ver.
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will steacy, down these mean streets

Down these mean streets, de Will Steacy, é uma série cujo título pode ter uma tradução em português que não andará longe de qualquer coisa como “por estradas perigosas”. O fotógrafo calcorreou, à noite, estradas que medeiam entre os aeroportos e a baixa de algumas cidades americanas. Apesar do carácter suburbano das imagens, não se trata do aglomerado urbano dos subúrbios americanos que tradicionalmente se reconhece, casinhas alinhadas e relvadas, que em nada coincidem com a idéia que temos de um subúrbio português. Para quem nunca esteve nos Estados Unidos, os “dowtown”, ou o centro (a nossa baixa) são as zonas onde se agrupam os edificios mais altos, quase exclusivamente destinadas a actividades comerciais e onde à noite mal se vê vivalma. As fotografias evidenciam estas zonas de transição, estes caminhos pouco frequentados e algumas das pessoas que o fotógrafo foi encontrando.

Este parece ser o caso em que vale a pena frisar que foi feito através de uma máquina de grande formato e não de uma qualquer “aponta-dispara-e foge” de 35mm. Alguns fotógrafos garbosamente afirmam trabalhar em grandes formatos, mesmo que na maior parte dos casos não se perceba claramente o porquê desse destaque, colocando o enfâse na ferramenta como método distintivo de trabalho. Contudo, este parece ser verdadeiramente o momento em que essa afirmação trás alguma legitimidade à imagem, fazendo pensar em questões relativas ao método de produção do trabalho, nomeadamente a abordagem aos locais, a negociação com os sujeitos visados, os tempos de tomada de vistas e todas as circunstâncias que decorrem de andar a fotografar com um calhamaço, pouco ou nada móvel, em zonas pouco amigáveis.

O estilo exalado pelas imagens é directo e confrontacional, ao mesmo tempo antropológico, fazendo levantar questões pouco simpáticas a um país com tanta riqueza material, mas que tão inadequadamente a utiliza, gastando biliões em guerras, em apoios a indústrias decadentes, mas deixando à miséria e desapoiados os seus próprios cidadãos. Down these mean streets. Entrevista do autor sobre este trabalho ao blog Conscientious.

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matt stuart, shoots people

HYDE PARK


COVENT GARDEN

LONDON WALL

Um misto de gag visual e instante decisivo. A street photography, género por vezes erróneamente conotado com os “apanhados” amadores, e aliás neste caso pouco vernacular, a trazer uma dimensão de humor e ironia que outras vertentes não querem (ou não conseguem) explorar. Matt StuartShoots People” e é certeiro. Além disso também “Capture Cops“, o que neste tempo de estúpida perseguição por parte dos polícias aos fotógrafos ingleses, é algo que se tem de fazer notar…

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dubailand, aleix plademunt

De Aleix Plademunt já aqui se tinha visto Espectadors. Agora, mais este excelente Dubailand.

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mitch epstein – what is american power

O trabalho de Mitch EpsteinAmerican Power“, editado em livro pela Steidl em 2009 e escolhido por algumas pessoas do meio fotográfico como um dos melhores livros do ano (subscrevo…), está também disponível em versão multimédia. Uma peça valiosa, que além de reunir todas as imagens do livro, contribui adicionalmente com testemunhos/respostas do que pode ser essa questão do “american power“.

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Andrew McConnell, E-Waste

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Este trabalho de Andrew McConnell, denuncia ilustra a forma como o “primeiro mundo” tem vindo a empurrar o lixo para debaixo do tapete, cujo suporte ideológico parece assentar na máxima “no meu quintal, não”. Sob a capa da responsabilidade ambiental, da causa verde e ecológica, spinnada até à exaustão para o consumidor desatento e pouco preocupado, vão-se criando estes autênticos caixotes de lixo ambiental, neste caso num país africano, o Gana. A palavra globalização serve para enfeitar discursos. A Terra, sendo a casa global de todos e como tal onde todos tem responsabilidades, é, para alguns de visão afunilada, apenas um patiozinho que se pode sujar á vontade. Mentalidade de pobre e de porco.

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Ian van Coller


These households are simultaneously private spaces for employers and public spaces for employees and ultimately political spaces where race, class and gender inequalities are negotiated. Most these relationships exist at a level of intimacy that is seldom experienced between other employers and employees. These relationships can hold a unique and enormous potential for change and transformation in a society that was previously so conflicted, in part because black and white South Africans led such separate lives. Now you find the women in the house, from different racial, cultural, and economic backgrounds, getting involved in the upbringing of each other’s children, cooking together, drinking tea together, and sharing intimate details of their lives together. The women on both sides of this relationship frequently turn to each other when there is crisis in their lives.”

Caí de cabeça por este trabalho “Interior Relations” de Ian van Coller, cuja parte do “statement” artistico sobre a mesma a contextualiza de forma simples e fundamentada, registo por vezes nada fácil de atingir.  Da África do Sul pensa-se de imediato em David Goldblatt cujo estilo não abertamente confrontador parece ter feito herdeiros. As imagens “falam” da História, que se sabe não ser ainda muito pacífica. Porque é que não estamos habituados a ver senhoras negras em casas tão bem arranjadas? Porque é que estas imagens gritam desigualdade apesar do seu ar aparentemente caseiro e reconfortante? Bem fotografado, bem pensado, suficientemente ambiguo para não passar por panfleto político ou sermão moral, semeando possibilidades narrativas, em suma, totalmente aconselhada a vsião no blacksnapper, sítio onde se tem visto excelência curatorial.

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Roger Ballen, Boarding House

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Em slideshow na Burn. Narrativas oníricas, a meio caminho entre a expressão abstracta e o realismo mais crú, ensaiando a meta-linguagem ou o simples divertimento com as formas, ora provocando ora embalando. Fascínio imenso, por esta obra a caminho do culto.

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pablo cabado, barrio de belgrano


Delirante série Barrio de Belgrano, do argentino Pablo Cabado.
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Michael Lundgren


A série chama-se Ruins, mas o que oiço nela é os cânticos do shaman enquanto vai percutindo os tambores, até as imagens me fazem lembrar a notação musical, notas de uma escrita simples, rítmica, repetida, shamanistica.
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Boris Mikhailov

Boris Mikhailov teria ficado em boa companhia na semana passada (por causa deste e deste).

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