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Curiosos paralelismos existem entre as imagens deste lituano Rimaldas Viksraitis – prémio descoberta em Arles em 2009 – e as imagens do fotógrafo do post anterior.
1 comentario
Esta fantástica fotografia da (disfuncional?) familia de Richard Billingham é demais para uma visão só. Em resumo no American Suburb X.
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Sugestão do leitor Paulo Barbas, este trabalho de Ramin Haerizadeh – Men of Allah. Lidando com aspectos ligados à identidade cultural e sexual, invoca e embebe motivos, padrões, lendas e mitos da tradição persa. O artista utiliza a fotografia (auto-retrato) e a composição digital, para criar um novo e fascinante quadro, pleno de crítica e subversão, social, religiosa e política, ao mesmo tempo incorporando traços da arte ocidental (cubismo), numa contínua e arrojada provocação.
Este trabalho parece tangenciar uma nova série de Augusto Alves da Silva intitulada “Book“, que pode ser vista na exposição “Sem Saída – Ensaio sobre o Optimismo“, presentemente exposta em Serralves. Ambos lidam abertamente com o sexo – mas não só – ainda que provavelmente por vias e estratégias diferentes. Neste trabalho, o autor contratou modelos femininos, sem experiência em fotografia, fotografando-as de vários ângulos, do erótico, ao clínico, passando pelo pornográfico(?). Como não era permitida a captação de imagens é sempre difícil descrevê-las, mas a tonalidade geral poderia ser a de um erótico “chic”, bem encenado e iluminado, consistente, até talvez demais, mas quiçá sublinhando a falta de inventividade que geralmente grassa por este tipo de imagem. Só o conjunto permite aferir a estranheza da situação, isto porque algumas das imagens poderiam servir propósitos “comerciais”, afinal de contas a razão última da existência das mesmas, pois se o erótico/pornográfico vende, a arte serve-se aqui dele para vender também, ainda que a clientes algo diferentes. Registe-se no entanto que o autor procura fugir à exploração inerente a este tipo de fotografia, através da partilha com as modelos das escolhas daquilo que iria ser exposto, bem como dos lucros das vendas.
“Photography is a contest between a photographer and the presumptions of approximate and habitual seeing. The contest can be held anywhere…” Sirvo-me desta citação de John Szarkowski para referir que este trabalho se por um lado parece querer desmontar a fotografia erótica e/ou pornográfica, através de uma atitude detalhada aos gestos, a pormenores, a partes do corpo, contudo existe nele alguma ambivalência, o casamento pós-modernista do “aquilo que há para ver não está aqui exposto” com o registo documental do “isto é a realidade” nunca é simples. No entanto essa “batalha” pode ocorrer em qualquer lado, como diz John Szarkowski, e aqui ocorre através do uso do corpo feminino, se por um lado se entra quase numa tentação do escrutínio milimétrico, só faltando mesmo uma lente a entrar por uma vagina adentro para que o retrato ficasse completo e esse seria o grande final desta série – o que há para ver não é acessível – por outro lado aquilo que parece estar em análise não são os fruidores do negócio do sexo, nem as/os que o proporcionam, mas sim o espectador e a sua expectativa de verdade e realidade. É ele que vai nú por aquele corredor-orgia-visual, embora às tantas mais pareça que um caralho pintado na parede – imagem com que aliás o autor abre a série “IST”, louve-se a ousadia – poderia fazer as mesmas vezes. Ainda assim outras leituras podem ser possíveis, de que forma é que nos confrontamos publicamente com esta noção aberta de exposição sexual, quando a relação com este tipo de imagens está geralmente conotada com uma relação mais privada? Que preconceitos e esterótipos abrigamos em nós e que nos são despoletados por este visionamento?
Se estamos perante um trabalho meramente panfletário, não sobre o comércio do sexo, mas sobre a representação do mesmo nos media e dos meandros da recepção desse tipo de imagens, ou perante uma tentativa séria de reflexão sobre ambos os temas, é caso em aberto para discussão. Por outro lado, estamos dentro das fronteiras do documental, ou está isto já para lá do documental? O artista percepciona uma realidade sensível, ao mesmo tempo que ambiciona intuir uma outra que não é exprímivel, mas conduz isso a alguma ambição de verdade, até como critério de validade artistica? Ou é apenas mostrada a natureza relativa da mesma, ou seja, a sua relatividade sendo conferida por quem a vê, logo não universalizável, sancionando a idéia de que só as percepções são reais, logo verdadeiras, mas que essas existem individualmente? É visível nalguns autores o distanciamento do registo documental, quiçá por cansaço, ou por considerarem que o mesmo se encontra moribundo, sem interesse, incapaz de encurtar a distância entre real-verdade-veracidade, mas esta tentativa de “pós-fotografia” através da constante desmontagem reconfiguradora da realidade talvez procure conferir unidade ao todo, atitude que embora meritória, nem sempre parece conduzir a resultados inteiramente satisfatórios, contudo saúde-se a atitude de risco tomada nesta série. Esta retrospectiva veio abrir novas janelas sobre o trabalho do fotógrafo, reforçando a idéia de que existe nele um saudável desejo de provocação, de subversão, de incerteza, de ambiguidade, ainda que esteticamente se possa considerar o campeão nacional do banal, que contudo nos é servido com grandeza, o que provavelmente o transforma noutra coisa qualquer, menos banal.
Ainda a este respeito, do envolvimento e do uso da imagem sexual na fotografia, veja-se este trabalho, simples mas certeiro de Alec Soth.
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A maioria dos retratos contemporâneos exibem rostos introspectivos, sérios, distantes, por vezes quase inexpressivos, seja pelo distanciamento existente entre fotógrafo e fotografado, pela necessidade de resguardo do sujeito que está defronte da câmara ou quiçá, por estratégia artística, pelo que um rosto sorridente é evento raro na fotografia contemporânea. Christian Sinibaldi colmata essa falha de modo magistral.
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A semana passada citei o livro “Georgian Spring”, lançado pelo colectivo Magnum, esta semana começa-se também na Geórgia com este ensaio de Uwe Schober, que visitou o país por duas vezes, uma delas em 2008 relatando imagens do pós-guerra com a Rússia, a outra já este ano, fotografando exactamente nos mesmos locais, criando depois um compósito entre ambas. Ensaio multimedia aqui e aqui.
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Uma fotografia estranhamente enganadora, pela errância de estilos e técnicas, pela mistura de interiores, nús, still-life, paisagem, ainda assim maior que as partes que a compôem. Defende-se o potencial narrativo da imagem, este corpo fotográfico confirma-o e desmente-o em simultâneo. Revela, mas veladamente, é dotada de franqueza, mas ambigua. JH ENGSTROM, um favorito.

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“These large format images are slow and deliberate. The non-judgemental image creates an experience to explore, a path to revealing the unnoticed and exposing the unexposed, consequently romanticising the courts“. Elliott Wilcox, The Courts
O excerto acima, retirado do statement, acaba por provocar alguma interrogação acerca das intenções do fotógrafo. Qual é a real necessidade de explicar o – grande – formato utilizado, ou até de se assumirem como imagens que não julgam (non-judgemental)? A uma fotografia que inova e explora, junta-se uma pitadinha de marketing, mascarada de tradição modernista “feita à mão”, temperada com a faceta naive do romantismo. Só falta dizer que não manipula, para que a receita fique completa.

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Convencia-me, nem que fosse só pelo título da série, In India: Self Representation (whether you like it or not) de Leah Giesler.

Chris Jordan constrói imagens a partir dos números colossais do consumismo, da poluição, das idiossincrasias do ser-se humano. Running the Numbers apresenta dados apenas sobre os Estados Unidos, Running the Numbers II, apresenta-os a uma escala global.

Dez mil coleiras de cães e gatos, o número médio de cães e gatos indesejados, que diáriamente são sujeitos a eutanásia nos Estados Unidos. Em baixo, detalhe da imagem.

32,000 Barbies, número de mulheres que se sujeitou a cirurgia para aumentou o peito, mensalmente, em 2006, nos Estados Unidos. Em baixo, detalhe da imagem.


Tem tanto de intrigante como de fascinante, estas imagens de Loretta Lux. Para conhecer um pouco mais,
AMERICANSUBURB X: THEORY – “Loretta Lux: New Work (2004)” e Colin Pantall’s Writing: The Lux Effect: Chapter 1: The Landscape of the Romantic Child




Paisagem indiana e influência dos movimentos económicos, Zubin Pastakia, The Built Landscape. Um olhar diferente sobre esse fascinante país.


Já aqui me tinha referido a este trabalho, mas só esta semana o adquiri. O mais fascinante álbum de fotografia que vi este ano.


Escort Kama. Enugu, Nigeria, 2008

Azuka Adindu. Enugu, Nigeria, 2008

Chris Nkulo and Patience Umeh. Enugu, Nigeria, 2008
Já aqui tinha referido PIETER HUGO a propósito de THE HYENA & OTHER MEN. Agora, um novo trabalho, desta feita com retratos alusivos à indústria de filmes nigeriana, designada “Nollywood”. Apesar de conter um Darth Vader vestido de forma mais apropriada para outras guerras, não é da indústria XXX que se trata, como se pode ler em ABOUT THESE IMAGES, as quais podem ser vistas em NOLLYWOOD. Trabalhos deste género suscitam sempre comentários acerca de racismo, exploração, forma de retratar, como se pode ler neste artigo e comentários no blog de Amy Stein: A Response to Pieter Hugo’s Photographs. Uma outra opinião acerca deste assunto pode ser lida em British Journal of Photography – Seeing is deceiving?

Inês Gonçalves
Este trabalho de Pieter Hugo fez-me lembrar o projecto que Inês Gonçalves apresentou na Pente 10 em Maio passado, denominado São Tomé – Máscaras e Mitos. “Os retratos que aqui estão são encenações que convivem com outras encenações, são retratos de pessoas que fazem teatro e que aparecem com roupas de teatro, roupas de personagem de teatro.(…) São personagens representadas por grupos que em S. Tomé se chamam Tragédia, grupos que tiram o seu nome daquilo que é, na tradição grega, o género teatral nobre por excelência; um género em que a felicidade e a infelicidade, o bem e o mal, os bons e os maus se encontram em equilíbrio precário, como na vida real.”

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Bradley Peters fornece bons exemplos de como a fotografia “encenada” pode ser tão boa ou melhor que a “realidade”. Recente vencedor da competição de portfolios promovida por Jorg Colberg do blog Conscientious, aqui fica uma entrevista entre ambos.



A seguir a um dia de eleições, em que nunca ninguém perde nada, Deus contínua no Céu, o Sporting a ser roubado com o FCP, e o único caso estranho é mesmo o do Benfica continuar a ganhar. Politiquices aparte, deixo aqui umas imagens de Olivier J. Laude, Esq, dedicadas à senhora que não sabe porquê.
