O sentido da imagem



Vale a pena, sobretudo, tentar perceber se ainda conseguimos olhar sem esquecermos que uma imagem é um objecto convulsivo de significações que nunca cicatriza num sentido definitivo. Dito de outro modo: a história de uma imagem é também a história das suas sucessivas apropriações e dos olhares que sobre ela se depositam João Lopes, em mais uma afirmação significativa acerca do sentido da imagem e a pretexto da série de Steven Meisel ‘We Are the Slaves of Objects Around Us’.

Nao a propósito da idéia que expressa João Lopes na citação, com a qual aliás, estou em acordo absoluto, reflicto sobretudo na publicação de alguma fotografia ligada à moda aqui no blog. Após busca no meu “catálogo”, não encontro paralelismos, nem no trabalho que persigo, nem me lembro de que alguma vez se me tenha revelado vontade séria de fazer “fashion”, embora tenha pelo menos um projecto em mente que efectivamente mete umas trocas de vestuário e alguma pirotecnia em termos de iluminação, em nada isso se pode sequer assemelhar a algo que tenha que ver com moda. Ainda assim e que me lembre, provavelmente antes do fascínio “magnumnizante” dos 20′s e 30′s, talvez a revista Photo na minha adolescência me tenha dado a conhecer Helmut Newton, Richard Avedon, Bruce Weber, Herb Ritts, etc. Actualmente, da fotografia de moda contínuam a vir ensaios de grande qualidade, inspiradores, plenos de contemporaneidade e creio que será nesse sentido que os tenho aqui postado, obras de Annie Leibovitz, Steven Meisel, Mario Testino, David LaChapelle, etc, são indispensáveis não só na compreensão da fotografia contemporânea, mas das relações de força existentes no mundo actual. Face ao poder financeiro e de divulgação de que alguns nichos de media ainda dispõem, nomeadamente o segmento mais alto das revistas de moda, é bem provável que cada vez mais a fotografia de moda venha a incorporar preocupações normalmente mais conotadas com outros domínios da paisagem fotográfica contemporânea.

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