Arquivo de ‘América’

robert adams

Um dos favoritos desta casa e um site que lhe é dedicado. Robert Adams, cunhado como um dos autores do que ficou conhecido por “New Topograhics”, exposição inaugurada nos anos 70 e que anda agora também em tournée pela Europa (entre Junho e Setembro no Nederlands Fotomuseum de Roterdão e entre Outubro e Janeiro no Fine Arts Museum de Bilbao). Apesar de estéticamente não se poder afirmar que existiu um estilo comum nos New Topographics, eram contudo visíveis alguns traços unificadores: temáticamente a predilecção por estruturas vulgares, também uma visão mais distanciada, ou apenas uma tendência mais objectiva, elementos unificados por um vernacular que se afastava do modernismo transcendental, optando pelo “feio e vulgar”.

Robert Adams não é só especial na forma, é-o também no conteúdo, as suas divagações e escritos são de uma riqueza filosófica que complementa e embeleza o teor por vezes melancólico e despido das suas imagens. Num tempo em que a imagem e o discurso são usados da forma mais redutora e espectacularmente mediática possível, Adams relembra precisamente o contrário, que debaixo da simplicidade se esconde a complexidade.

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anthony hernandez


Anthony Hernandez
é um nome pouco sonante da fotografia americana, mas cujas fotos impressionaram bastante numa exposição vista no LeBal em Paris. Não há grande coisa disponível pela Net mas aqui conseguem-se ver algumas imagens. Existe também um livro, cujo titulo faz lembrar o de um fantástico quarteto de discos de Miles Davis (workin’, cookin’, steamin’, relaxin’) e que se chama justamente Waiting, Sitting, Fishing and Some Automobiles: Los Angeles. É agora vendido a preços de coleccionador, embora o preço original já não fosse barato. Com design de John Gossage, um outro fotógrafo muito ligado ao livro de fotografia, luxuosamente impresso, com folhas duplas e em grandes dimensões, é um daqueles livros para gaúdio de qualquer prateleira do amante de bons livros de fotografia.

 

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it ain’t over until is over

Agora que mataram o seu inimigo público número um, os americanos “ganharam”. Imaginando que Bin Laden não seria flor que se cheire, é contudo perturbador verificar a forma como as imagens ajudam a construir este pobre imaginário da derrota e da vitória. Aqui põe-se o dedo na ferida.

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burning man studio

Um dos estúdios portáteis mais originais de sempre.
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will steacy, down these mean streets

Down these mean streets, de Will Steacy, é uma série cujo título pode ter uma tradução em português que não andará longe de qualquer coisa como “por estradas perigosas”. O fotógrafo calcorreou, à noite, estradas que medeiam entre os aeroportos e a baixa de algumas cidades americanas. Apesar do carácter suburbano das imagens, não se trata do aglomerado urbano dos subúrbios americanos que tradicionalmente se reconhece, casinhas alinhadas e relvadas, que em nada coincidem com a idéia que temos de um subúrbio português. Para quem nunca esteve nos Estados Unidos, os “dowtown”, ou o centro (a nossa baixa) são as zonas onde se agrupam os edificios mais altos, quase exclusivamente destinadas a actividades comerciais e onde à noite mal se vê vivalma. As fotografias evidenciam estas zonas de transição, estes caminhos pouco frequentados e algumas das pessoas que o fotógrafo foi encontrando.

Este parece ser o caso em que vale a pena frisar que foi feito através de uma máquina de grande formato e não de uma qualquer “aponta-dispara-e foge” de 35mm. Alguns fotógrafos garbosamente afirmam trabalhar em grandes formatos, mesmo que na maior parte dos casos não se perceba claramente o porquê desse destaque, colocando o enfâse na ferramenta como método distintivo de trabalho. Contudo, este parece ser verdadeiramente o momento em que essa afirmação trás alguma legitimidade à imagem, fazendo pensar em questões relativas ao método de produção do trabalho, nomeadamente a abordagem aos locais, a negociação com os sujeitos visados, os tempos de tomada de vistas e todas as circunstâncias que decorrem de andar a fotografar com um calhamaço, pouco ou nada móvel, em zonas pouco amigáveis.

O estilo exalado pelas imagens é directo e confrontacional, ao mesmo tempo antropológico, fazendo levantar questões pouco simpáticas a um país com tanta riqueza material, mas que tão inadequadamente a utiliza, gastando biliões em guerras, em apoios a indústrias decadentes, mas deixando à miséria e desapoiados os seus próprios cidadãos. Down these mean streets. Entrevista do autor sobre este trabalho ao blog Conscientious.

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cinzas pascais

image

Quarta-feira de cinzas em New Orleans, de Alec Soth. Ao primeiro olhar é um trabalho pouco impressionante, mas não será essa uma perspectiva redutora da fotografia, em que tudo tem que ser espectacular e sobretudo mediaticamente berrante? Mas o que impressiona é a forma como alguns “comentadores” falam da maneira como o fotógrafo explorou o tema. Citando António Guerreironada ilustra melhor a perversão dessa ideia moderna de opinião pública do que o lixo opinativo dos blogues e das caixas de comentários dos leitores nos jornais online — caricaturas grotescas da hipertrofia da opinião mediática. Este fluxo imparável da opinião é o oposto da liberdade real de pensamento e de comunicação. É uma conversa que se molda inteiramente pela vontade do reconhecimento e segundo critérios que são os de uma ortodoxia partilhada pelo grupo a que se pertence, simetricamente recusada por outros grupos cuja aspiração é a mesma: triunfar nas guerras da opinião e ocupar um lugar nesta dialéctica sem síntese.
De que modo afectam Soth estes comentários? Ele que parece um fotógrafo preocupado em perfurar a couraça da indiferença e da estupidez, através de trabalhos que conjugam o Eu e o Outro, a proposta “literária” ou “narrativa”, sempre enraizada e profunda, de quem não se limita a exibir “troféus” ganhadores de concursos de fotografia, em que o anti-vedetismo e o anti-glamour (ver o trabalho fashion magazine, por ex) se perde em favor de mais naturalidade e simplicidade.
Quanto ao trabalho mostrado, é absolutamente pertinente a questão do pecado e da expiação ou não vivessemos debaixo de 2 milénios do mito dominação-submissão embebido nessa dinâmica. Deste delirio neurótico-religioso e depois de ver esta série de imagens, parece ganhar corpo a idéia de que o pessoal que vive com o propósito de se exibir (pecado do orgulho, de ser mais importante ou atractivo que outros), acaba por não se divertir (expiação). Uma chatice, quod erat demonstratum.

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Michael Lundgren


A série chama-se Ruins, mas o que oiço nela é os cânticos do shaman enquanto vai percutindo os tambores, até as imagens me fazem lembrar a notação musical, notas de uma escrita simples, rítmica, repetida, shamanistica.
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Tony Fouhse, User Women

Olhar de frente utilizadoras de drogas duras, não será propriamente a temática mais fashion no mundo da fotografia. Não é por isso que deixam de ser tremendos, estes retratos de Tony Fouhse.

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