Arquivo de ‘blogs’

unhappy hipsters

The kitchen had been the source of so much unpleasantness. (Photo: Dave Lauridsen; Dwell, November 2007)
“The kitchen had been the source of so much unpleasantness”


Neste Unhappy Hipsters exibem-se imagens ligadas ao mundo do design, da arquitectura, etc., recontextualizando-as com legendas que parecem acentuar o carácter de indiferença, indisposição ou enfado dos personagens que nelas figuram. Bom gosto, mas ainda não decidi se a tonalidade é sarcástica ou irónica.

Comentar

L O Z

image

Aparecem hoje algumas fotos dos meus trabalhos recentes no L O Z; “Ce blog fait état de mes coups de coeur et découvertes de photographes“. Merci Laurence!


Links:
blog http://laurencevecten.blogspot.com/
editora
http://www.lozenup.com/

1 comentario

e pur si muove

Não desejando entrar em polémicas ou contradizer o António Lopes, gostaria no entanto de adir ao que escreveu em Por cá…nada se move. Se bem percebi, fala de alguma falta de capacidade de renovação e actualização da fotografia portuguesa, bem como da exigua quantidade de valores que há para mostrar, citando a excepção que é Jorge Molder, com a qual aliás concordo, não no sentido de que é uma excepção, mas antes pela valia da sua obra.

Quanto a facto de não termos uma mão cheia de “mostráveis” que possam ser relevantes para a fotografia contemporânea portuguesa, talvez possa aqui acrescentar uma breve nota pessoal, a qual aliás não apresentará nada de novo, pois tratam-se de nomes que todos os que estão ligados à fotografia em Portugal têm obrigação de conhecer. Em primeiro lugar, creio que Paulo Nozolino, embora fiél a uma linguagem que muitos poderão considerar datada, é, para mim, e ao contrário desse pensamento, um clássico, cuja fotografia responde sempre a um elevadíssimo grau de exigência estética e ética, que não passa de moda porque provavelmente nunca nela esteve. José Manuel Rodrigues, pelo que se conhece e que foi superiormente revisto na retrospectiva em Évora do ano passado, poderia ser outro nome a incluir, pese embora a menor visibilidade dos últimos anos. Na vanguarda dos usos fotográficos temos José Luís Neto, embora não se possa falar dele como fotógrafo no sentido mais literal do termo, o mesmo se podendo dizer de Vasco Araújo, contudo são dois criadores cuja originalidade e capacidade de assumir riscos são inteiramente de apoiar.  Poder-se-ia falar de Edgar Martins, nome talvez agora menos consensual devido aos “maus usos” do marketing, mas cuja fotografia exibe uma qualidade que ultrapassa os déficits de legitimação com que defende a sua obra. Também alguns dos membros do colectivo Kameraphoto, pois dentre eles existem autores que actualmente exibem excelência técnica, estética e capacidade de integração de novas linguagens e abordagens.

Depois, existe um conjunto de autores cuja existência anda em volta do formato “fotografia-como-arte-contemporânea”, que tem os seus próprios meandros e fórmulas, que parecem encontrar nesse nicho de mercado um sentido artístico e existencial. É neste grupo, que porque estudou e tem know-how artistico, que em minha opinião poderia residir o maior nicho potencial de toda a fotografia portuguesa, mas de modo estranho, nele raramente se vislumbra algo de entusiasmante estética e/ou conceptualmente. Contudo considere-se que será deste núcleo que se pode esperar o maior protagonismo no presente e num futuro próximo, pelo que alguns representantes desta categoria seriam sempre de evidenciar. Alguns nomes que pertencem a este “nicho” artificial e superficialmente criado por mim, poderão ser Augusto Alves da Silva, António Júlio Duarte, Paulo Catrica, Eurico Lino do Vale, João Tabarra, Daniel Blaufuks, Daniel Malhão, José Maçãs de Carvalho, Nuno Cera, etc.

Finalmente, existe um conjunto de talentos emergentes (muitos deles visíveis através das iniciativas Anteciparte, Prémio Fnac, Prémio Bes Revelação, Encontros de Braga, etc.) evidenciando qualidade assinalável, fruto muitas vezes da “emigração” escolar e aí parece residir um dado interessante, que é o facto de quase todos os autores “que contam” no mundo fotográfico português, sejam eles consagrados ou emergentes, terem um curriculo académico ligado à fotografia ou às artes, usualmente prosseguido por estudos pós-graduados efectuados no estrangeiro. Os seleccionados para a iniciativa Emergentes dos Encontros em Braga, onde também estive, várias vezes foram questionados sobre os estudos fotográficos, portanto é de assumir que essa seja uma questão relevante. Talvez não tanto para a avaliação do trabalho fotográfico em si, mas provavelmente para a aferição do potencial de cometimento e de entrega do candidato, da sua capacidade para formulação de um discurso e prática coerente e consistente ao longo do tempo, pois que a validação artistica é feita no longo prazo e não no curto, como muitos autores que viveram na penumbra e penúria (não) tiveram oportunidade de perceber.

Reconhecendo que por cá não se possa falar em “estrelas” da fotografia mundial – o emprego do termo “estrelato” sendo reconhecível metafórica e irónicamente como alguém que vive da imagem – ainda assim creio que existe qualidade suficiente e propícia a uma representação ampla, de consagrados a novos valores, provenientes das várias “fotografias” que por aí se fazem. Mas existirá essa vontade por parte dos diferentes actores do meio? Do lado oficial, o apoio à imagem parece estar a falhar de forma continuada: a LisboaPhoto não vingou, os Encontros da Braga ainda no ano passado ficaram por realizar, Coimbra finou-se à muito; mesmo agora que pululam as bienais de fotografia (Sintra, Vilfa Franca, Montijo, Coruche), tal parece na maioria dos casos nada trazer de novo ou positivo, excepto para os premiados “a metro”; o IPF, o CPF e outras entidades parecem ou não ter meios (o mais provável) ou não ter estamina para dinamizar, ou mesmo falta de conhecimento e profissionalismo curatorial para avaliar e promover. Embora o post vá um  pouco em contra-corrente àquilo que o António escreveu, volto a notar que essa é a opinião dele e esta é a minha, ambas são só opiniões, ainda que haja quem goste de defender as suas como se estivesse a defender uma caixa-forte. Quanto ao momento em que fala da “incapacidade de actualização da fotografia portuguesa”, é um frase forte mas sintética, pelo que seria interessante lê-lo de forma mais aprofundada sobre este assunto.

Comentar

corte na aldeia


Todos adoramos a trapaça
e a imitação. A representação une e
intensifica, por meio do carácter material e vital das suas
manifestações, todos os baixos instintos do instinto
artístico — o instinto do enigma, o instinto do
trapézio (…).
Fernando Pessoa

Deste Corte na aldeia doses generosas de fotografia, citações e mulheres bonitas.

Comentar

a camarilha dos quatro

Podcasts ecléticos e com estilo, n’a camarilha dos quatro. No #15, um fantástico e impróprio tema para quem quer deixar de fumar, “Tem cigarro aí?” Duvidam? Oiçam.

Comentar

contra mundum


“s/título”, da série capital reflex

“Criar não é imaginação, é correr o grande risco de se ter a realidade“. Clarice Lispector

Contra Mundum é um blog que anda à volta da crítica de poesia e de literatura. Excluindo falsas modéstias, são matérias nas quais me considero um leigo, todavia nele vou encontrando preocupações que podem ser comuns à fotografia, quanto mais não seja pela natureza eminentemente estética que é comum a todas as artes. Sem que se pretenda operar uma substituição simples das palavras pelas imagens, veja-se por exemplo neste O Viajante Sem Sono: “dizer a graça, dizer a beleza ou dizer a dor, não é, ao nível da literatura, apontá-las com o dedo, é produzi-las enquanto palavras” ou ainda “indicar a luz ou a escuridão enquanto experiência literária não é enunciá-las como se o seu referente pudesse caber nas palavras, é produzi-las enquanto experiência nas e apesar das palavras. Interrogações da mesma ordem podem ser produzidas sobre fotografia. A imagem pode ser uma experiência de representação, mas de que modo poderá ela ir além do seu carácter eminentemente reprodutivo e produzir a beleza, a dor ou análogamente qualquer outra experiência, ou consistirá já essa reprodução um acto de “produzir o mundo”?

Num outro artigo Manuel de Freitas, INTERMEZZI, OP. 25 lê-se que “é pobre a poesia que se produz para se enunciar como escrita e que não assume que é, como todas as artes, ao mesmo tempo termo de mediação para o mundo e lugar de produção do próprio mundo. É grande, como em alguns dos textos deste livro, quando se assume como parte do movimento de dizer o mundo, de produzir o mundo.
Este aspecto qualitativo parece querer evidenciar que a representação (mediação) e a produção (do mundo) são indissociáveis e diferentes, embora o produto final pareça conter os dois ingredientes de uma forma que os torna potencialmente indistinguíveis.

Alguma fotografia parece ter-se já liberto da necessidade de representação mimética da realidade e ao fazê-lo, ter-se-á libertado também da possibilidade de ter que lhe atribuir um sentido, mesmo reiterando a hipótese do não-sentido, poder ela própria ser uma forma de interpretação. No entanto, a imagem de cariz mais documental ainda tende a assumir uma caracteristica de representação ou de mediação do mundo, sendo desse modo passível de atribuição de um sentido ou de ser interpretada. Mas em que medida é que a imagem produz também ela o mundo? Não sei se a resposta pode ser lida nas entrelinhas desta citação do filme Videodrome (1983) de David Cronenberg “The battle for the mind of North America will be fought in the video arena: the Videodrome. The television screen is the retina of the mind’s eye. Therefore, the television screen is part of the physical structure of the brain. Therefore, whatever appears on the television screen emerges as raw experience for those who watch it. Therefore, television is reality, and reality is less than television. Se uma imagem parece poder produzir uma experiência, é desse modo que “produz o mundo” como preconizam os excertos do contra mundum? É a intenção com que é produzida, a estética ou um misto de ambas que faz com que tal aconteça?

Outras questões se levantam e que se prendem sobretudo com o termo “mediação”. O acto de mediar envolve subjectividade, interpretação, alguns autores refutam influenciar, comentar, ou a inclusão da sua própria verdade subjectiva (veracidade), contudo a riqueza da fotografia documental parece residir também na sua capacidade (qualidade) para interpretar. Poderá ser desequilibrada a interpretação que assume foros demasiado subjectivos, perdendo em objectividade, mas o contrário também pode ser verdade, os mecanismos de interpretação parecem falhar quando perseguem uma lógica de extensão em detrimento da profundidade, de verdade em detrimento da veracidade, de objectividade contra a subjectividade, quando uma interpretação ampla tenderá a conter um equílibrio entre estes dois pólos.

Quando se fala no constante bombardeamento visual a que estamos sujeitos, residirá essa trágica metáfora na quantidade ou na qualidade da interpretação/mediação/representação dessas imagens? Do lado do receptor está sempre a possibilidade de recusa, uma recusa inteligente que visa não apenas proteger, mas sobretudo criar/produzir outra realidade diferente da que por vezes é proposta e que (amiúde) de forma passiva se assume como adquirida, determinista e imutável.

1 comentario

fotografia e filmes

1: War Photographer (James Nachtwey)

2: An American Journey: In Robert Frank’s Footsteps

3: The Photographers Series: Debbie Fleming Caffery

4: Manufactured Landscapes (US Edition) (Edward Burtynsky)

5: Berenice Abbott: A View of the 20th Century

50 filmes sobre ou relacionados com fotografia, neste A Photo Student, pertença do já aqui mencionado James Pomerantz.

Comentar

Assumpções

Photography is an art
Photography is not an art

There is such a thing as documentary photography

There is a visual truth
There is not a visual truth

The bigger the better

Estas e outras, no sempre irónico Colin Pantall: Assumptions I make about photography

Comentar

Modas

Dois blogues que se dedicam á moda JAK & JIL BLOG, The Sartorialist. Conheço um gato – fanático por sapatos – que iria gostar destas fotos.

1 comentario

blogroll nacional

portfolio_sofia-silva_15-copy
© Sofia Silva, Fiber Organic Memory, from the series Memory’s Architecture, 2009 (work in progress)

Sigo o Nihilsentimentalgia há já algum tempo, mas até à recente mudança de endereço desse blog não me tinha apercebido que se tratava de “produto nacional”, derivado do labor de Sofia Silva, amiúde com excelentes propostas fotográficas e uma extensa lista de links, alguns dos quais desconhecia e que após leitura, percebi contribuirem valiosamente para o conhecimento sobre fotografia na blogosfera nacional, casos de sais de prata e pixels e de take a picture it lasts longer. Vale a pena espreitar!

1 comentario