High Line é o nome de uma linha de caminho de ferro construida nos anos 30, em Nova Iorque, para desviar o tráfego de comboios de Manhattan, subindo-o 90 metros acima do solo. As imagens de Joel Sternfeld sobre este projecto podem ser vistas aqui. Gostei delas por mostrarem uma curiosa e maioritariamente desconhecida obra de engenharia, mas também pela perspectiva sobre a cidade, diferente daquela a que estamos habituados.
Arquivo de ‘documental’
Joel Sternfeld, “Walking the High Line”
welcome to spaiñ, jordi bernadó
Este projecto fez-me lembrar o trabalho de Patricia Almeida “Portobello”.
Lu Guang: China e o Ambiente
Lu Guang foi o receptor do prémio W. Eugene Smith deste ano, com algumas das imagens que podem ser vistas nesta galeria virtual, e que formam um quadro de foros absolutamente devastadores. Este não é um problema exclusivamente dos chineses, mas antes um caso típico de “externalidades” em que a factura sobra para todos. Não existindo soluções simples, como consumidor ocidental não vislumbro outra forma de activamente fazer parar este atentado, senão através de um consumo atento. Não fosse esta criminalidade ambiental mais que suficiente para ponderar sobre a decisão de comprar produtos oriundos da China, há ainda que genericamente destacar os produtos de baixo valor acrescentado e qualidade, apoiados em salários e condições de trabalho miseráveis, cópias e falsificações dos produtos ocidentais, desrespeito pelos direitos humanos, num rol de situações que fornecem razões de sobra para reflexão.
Iniciativas no âmbito da ecologia: uma diferente e interessante em Earth Condominium; na Cimeira de Copenhaga, a possibilidade de votar e escolher as perguntas que serão feitas aos participantes em Cop15’s Channel.
Comentarleah giesler, in india: self-representation (whether you like it or not)
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Convencia-me, nem que fosse só pelo título da série, In India: Self Representation (whether you like it or not) de Leah Giesler.

Adam Panczuk, Karczeby



Karzceby é a designação polaca para aquilo que fica na terra após o abate de uma árvore – talvez o nosso toco – e também o nome dado aos habitantes de uma região entre a Polónia e a Bielorússia, registados por Adam Pańczuk.

zubin pastakia, the built landscape



Paisagem indiana e influência dos movimentos económicos, Zubin Pastakia, The Built Landscape. Um olhar diferente sobre esse fascinante país.

Prémio W Eugene Smith 2009, Lu Guang
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©Lu Guang

©W Eugene Smith
Lu Guang é o receptor da bolsa atríbuida em 2009 referente ao W. Eugene Smith Memorial Fund. Para ver em Infernal Landscapes, o impacto social e ambiental da “revolução económica” chinesa. Os relatos arrepiantes sucedem-se, mas é ver a bonomia com que se deslocalizam empresas para a China, sendo hoje delirantemente impossível comprar o que quer que seja sem a ubíqua etiqueta “Made in China”. Da minha parte tudo farei para o evitar, só mesmo se revelando de todo impossível é que comprarei produtos lá feitos. Se a linguagem do dinheiro é uma das mais fortes que se pode fazer ouvir, então ora abóbora!

Pieter Hugo, Nollywood

Escort Kama. Enugu, Nigeria, 2008

Azuka Adindu. Enugu, Nigeria, 2008

Chris Nkulo and Patience Umeh. Enugu, Nigeria, 2008
Já aqui tinha referido PIETER HUGO a propósito de THE HYENA & OTHER MEN. Agora, um novo trabalho, desta feita com retratos alusivos à indústria de filmes nigeriana, designada “Nollywood”. Apesar de conter um Darth Vader vestido de forma mais apropriada para outras guerras, não é da indústria XXX que se trata, como se pode ler em ABOUT THESE IMAGES, as quais podem ser vistas em NOLLYWOOD. Trabalhos deste género suscitam sempre comentários acerca de racismo, exploração, forma de retratar, como se pode ler neste artigo e comentários no blog de Amy Stein: A Response to Pieter Hugo’s Photographs. Uma outra opinião acerca deste assunto pode ser lida em British Journal of Photography – Seeing is deceiving?

Inês Gonçalves
Este trabalho de Pieter Hugo fez-me lembrar o projecto que Inês Gonçalves apresentou na Pente 10 em Maio passado, denominado São Tomé – Máscaras e Mitos. “Os retratos que aqui estão são encenações que convivem com outras encenações, são retratos de pessoas que fazem teatro e que aparecem com roupas de teatro, roupas de personagem de teatro.(…) São personagens representadas por grupos que em S. Tomé se chamam Tragédia, grupos que tiram o seu nome daquilo que é, na tradição grega, o género teatral nobre por excelência; um género em que a felicidade e a infelicidade, o bem e o mal, os bons e os maus se encontram em equilíbrio precário, como na vida real.”

Black Sea of Concrete, Rafal Milach
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1º prémio de livro de fotografia da Blurb, este fabuloso Black Sea of Concrete, de Rafal Milach.
A lista dos vencedores em Photography.Book.Now winners

Capital Reflex #18
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Após tirocínio aqui pelo blog, esta série passa a figurar também na galeria “oficial” em joaohenriques.com. A propósito da fotografia sobre os impactos da crise económica, encontrei hoje este maravilhoso slideshow que associa a fotografia documental americana dos anos 30 e 40 com o uso do filme Kodachrome.

Indian Summer, de Evi Lemberger
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“Moscow’s youth – they are “optimistic, free and self confident”, as statisticians describe them. They grew up with the Perestroika, the economic and political uncertainties of the 90s, and were slowly exposed to Western influence. This generation, which is far too young to understand their past and far too old to not know it, is highly apolitical. They believe in Putin and the Church but not in the government. Most of them desire fashion, culture, art and music. They love foreign countries, going out and are highly motivated in their careers. They seem to revolt against old ideas, against an old world”
Gostei da forma simples e elegante como esta série de Evi Lemberger está apresentada neste slideshow.

Andy Freeberg, Russians of Guardian Art Museums



Este trabalho de Andy Freeberg fez-me lembrar o Museum Watching de Elliott Erwitt. Embora aparentem algumas semelhanças, ao fim e ao cabo são pessoas enquadradas com obras de arte, em espaços construidos para o efeito, etc, nesta série a tónica parece estar centrada especificamente no “guarda” da arte. Uma grande chatice, a de guardar a arte, entenda-se.

Tony Fouhse, User Women
Olhar de frente utilizadoras de drogas duras, não será propriamente a temática mais fashion no mundo da fotografia. Não é por isso que deixam de ser tremendos, estes retratos de Tony Fouhse.

Abbas Kowsari
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Vamos tendo acesso alguns pedaços da cultura iraniana que conseguem escapar das malhas apertadas do regime, como são os casos dos cineastas Abbas Kiarostami (O Tempo das Cerejas) ou Marjane Satrapi (Persepolis). Ao nível da fotografia, alguns casos conhecidos, que embora reflictam sobre o Irão, nele não vivem, sendo talvez os nomes de maior protagonismo os do associado da Magnum Abbas, e da artista visual Shirin Neshat. Menos conhecido será o nome de Abbas Kowsari, que nas suas séries fornece algumas pistas para a compreensão desse complexo e culturamente rico país.

Wayne Lawrence
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Uma viagem pelas comunidades negras e sul-americanas, proposta por Wayne Lawrence. Espera-se apenas que a mód(ic)a tanga não pegue por cá, senão em vez do arrastão nas praias portuguesas, passamos directamente ao tsunami…
ComentarAlejandro Chaskielberg, Burn Magazine
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Tem-se assistido recentemente a uma explosão da exploração fotográfica da paisagem nocturna, algo em que tradicionalmente a fotografia inglesa sempre foi muito forte, acto que agora se vê algo universalizado. Fruto das atribuições de prémios em concursos cá e lá e portanto apenas mais uma moda, ou uma tendência ancorada no esgotamento temático da luz do dia, parece contudo evidente que nalguns casos se assistem apenas a variações “escuras” do dia, limitando-se as imagens a retirar dividendos dos aspectos gráficos proporcionados pela ausência ou forte diminuição de luz disponível, numa espécie de easy lightening fotográfico. Não é de todo o caso deste ensaio de Alejandro Chaskielberg – The High Tide finalista à bolsa de fotógrafo emergente da Burn, que trabalhando sobre uma preocupação social, o uso da água, utiliza a luz lunar (que se associa também aos ritmos da água) como fonte luminosa, criando imagens que sustentam interesse, espanto e interrogação, numa temática de grande actualidade.

Sarah Wilson, Blind Prom
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Gostei imenso deste trabalho de SARAH WILSON, Blind Prom sobre o baile de formatura numa escola de cegos.

A vida na Rússia, Aleksey Petrosian
Após a desagregação da ex-URSS e a queda do muro de Berlim, os países de Leste têem sido palco privilegiado para a fotografia documental de pendor mais sociopolitico, casos de Anthony Suau, Rob Hornstra, Joseph Koudelka, Luc Delahaye, Boris Mihailov, etc. Um pouco dessa dura realidade pode ser vislumbrado na galeria lisboeta Pente 10, com a exposição de Aleksandr Glyadylov, “THE PRISON WITHIN”. Via A Origem das Espécies, acedi a este registo de Aleksey Petrosian, Life in Russia, cujo estilo algo eclético não impede contudo uma versão aprofundada do quotidiano naqueles teritórios.







De que é que falamos, quando falamos de fotografia?

Algumas das exposições actualmente em cartaz em Lisboa, aludem directamente à questão em título. Jochen Lempert com Trabalho de Campo na Culturgest, é uma delas, recorrendo a processos aparentemente simples e exibindo de forma modesta, coloca o espectador perante a sua própria expectativa, abalando convenções e convicções, é isto a realidade, é possível evidenciá-la em fotografia, numa espécie de questionamento em circuito fechado que parece sempre remeter mais na direcção daquele que vê do que propriamente sobre aquilo que está a ser visto. Embora pudesse ser visto sob a capa do conceptualismo na vertente da recusa do estético e da estilização em detrimento do ontológico, este trabalho parece apresentar uma poética própria que o distancia da frieza analítica, além do mais, pouco se socorrendo do apoio da linguagem para se “explicar ou da vontade ou necessidade de comunicar idéias ou conceitos.
Com Rodrigo Tavarela Peixoto e Aparelhos Breves na Galeria Sopro, em Lisboa, parece ser colocada em causa a função do objecto e também a noção de finalidade da arte (a cenoura à frente do burro…), para que serve, o que é, apenas existe aquilo que tem uma função? A noção de foto-escultura é patente, sublinhando a contradição entre a forma e a função, utilidade e ornamento, e tal como na exposição anterior, alguma aproximação à pintura, neste caso no modo como a luz cai no still life.

Na galeria Pente 10, em Lisboa, o fotógrafo ucraniano Alexandr Glyadyelov com The Prison Within, um pouco diferente das propostas anteriores, esta talvez mais reconhecível como “fotografia”, face ao âmbito profusamente ilustrado e divulgado do fotojornalismo artístico, em jornais, revistas, prémios, etc. O documentário social tem características próprias que o distinguem e valorizam, a actualidade do tema, a ética, o humanismo, etc, contudo na utilização do preto e branco, é hoje práticamente impossível distinguir entre fotógrafos, Garry Winogrand, William Klein, Henry Cartier-Bresson, Robert Capa, James Nachtwey, firmaram o idioma desta categoria fotográfica, pelo que é sobretudo através da identificação do tema, que se faz a separação entre autores. Porém, a profundidade com que é trabalhado, a proximidade e a sensibilidade do fotógrafo e quiçá, a ubiquidade da presença mediatizada, são os factores que o tornam talvez no mais apetecido registo fotográfico, pelo grande público. Nesta exposição, são apresentadas visões da vida nas prisões na Rússia e Ucrânia, de meninos de rua e da toxicodependência.
No Museu do Oriente, Topologias, de Edgar Martins, que está também exposto, como nomeado, na exibição do prémio Bes Photo 2008, no Museu Berardo. Alguns excertos: «Ele (o trabalho) focaliza-se nos espaços onde se vislumbra a polaridade entre o espaço construído e o espaço natural. É um trabalho baseado em metáforas muito simples. À primeira vista, penso que poderia dizer-se que lida essencialmente com dois temas: o impacte do modernismo no meio ambiente e a fotografia enquanto processo de representação. O meu trabalho é auto-referente, ou seja, comunica ideias sobre o quão difícil é comunicar (…) Quando as coisas são simples, as pessoas são levadas a comprometer-se com o trabalho. Também me agrada partir do princípio de que a minha obra as leva a reflectir na fotografia como um processo. Os meios de comunicação tornam-nos muito passivos em relação à imagem visual. O que eu pretendo verdadeiramente é que as pessoas se comprometam cada vez mais com a imagem e com o ambiente exterior.»;
Sobre a série representada na imagem exposta (O Teórico Acidental): «Todo o meu trabalho que envolve a noite lida com a questão da representação através da ausência.(…)Estou interessado no aspecto teatral das imagens, na performance, mas não no sentido tradicional da palavra. Estou interessado em representar a performance do mundo consigo próprio enquanto conjunto de processos e factos.(…)Muitas vezes perguntam-me se estas fotografias são feitas com recurso a pequenos cenários de estúdio. A ambiguidade é importante porque confere ao trabalho um lado teatral que é o que dá vida às imagens. A luz misteriosa é uma característica que une todos os trabalhos nocturnos e um dos aspectos que transmite uma carácter surreal a estas obras.(…)Haverá pessoas que vão considerar que são controladas digitalmente – mas a verdade é que não são. Não há qualquer intervenção da minha parte, para além do enquadramento.»
Este trabalho de Edgar Martins aponta para uma simplificação dos códigos estruturantes da linguagem conceptual (e convencional) na fotografia, ainda que não deixa de ladoa noção de explicação da arte, contudo o objectivo é aproximar, não distanciar, num atitude que talvez apressadamente se possa designar de pós-conceptualista. Karl Popper tem uma posição muito semelhante sobre a linguagem, tornando-a difícil, leva-se à incompreensão e ao abandono, Einstein, por sua vez falou na diferença entre simplificar e tornar simplório. O artista parte de algumas das convenções idiomáticas da fotografia, sem perder de vista o aspecto ambivalente da representação/simbologia da imagem, na série Paisagens do Além, reverte para o aspecto belo e sublime, ancorando a perspectiva da morte e da mutação, partilhando com Roni Horn o fascínio pela Islândia,; na série O Teórico Acidental, o aspecto representacional faz-se também pela ausência, o que pode ser revelado pela escuridão; em O Ensaio do Espaço, a narrativa sobre o impacto do fogo na floresta portuguesa, que embora reflectindo sobre a impotência, apresenta também a capacidade de regeneração, o mito da Fénix; em Aproximações, o contacto com os Terrains Vagues, em que à semelhança com John Gossage se fazem experimentações formais, neste caso de luz.
Na escolha do título Topologias, pode ser entendível a associação com a corrente americana designada como “novos topógrafos”, com quem parece ser partilhável uma visão artística objectiva, apoiada em rigor formal, analítico, quase parecendo tabelar em Robert Adams no acto de apreciação da beleza ao mesmo tempo ambicionando à mudança social, estetizando, sem no entanto deixar de remeter para uma realidade que é mais complexa que aquela que qualquer imagem pode abarcar.
Juliana Beasley, Lapdancer
Devia começar pelo “e porque hoje é quinta-feira” mas corro o risco da piada passar desapercebida, portanto início o post afirmando apenas que a fotografia americana tem destas coisas espantosas, a flexibilidade de acolher, apoiar, publicar, premiar e até subsidiar, autores que transparecem para o papel, algumas janelas opacas das suas vidas privadas. Nesta série, auto-retratos de Juliana Beasley, que pode ser vista também no blogue da autora em Juliana’s Lovely Land of Neurosis. Quanta desta demarche não está hoje em divída para com Robert Mapplethorpe e sobretudo Nan Goldin, é a interrogação. Cá pelo burgo, como estamos ainda longe destas fronteiras, aliás imagino o reviralho, se alguma ex-stripper aparece por aí a fazer “fotografia contemporânea”… a menos que junte DR no prefixo, ou apresente passagem por alguma London School, então aí, já não digo nada.
Voltando ao assunto, parecem coexistir duas grandes divisões nos tipos de abordagem corrente na fotografia, a “janela sobre o mundo” e o retrato intimo ou “janela sobre mim”, a segunda em clara inferioridade de projectos em relação à primeira, o que, evidentemente, nada diz da qualidade dos mesmos. A fotografia sempre foi bem acolhida como uma forma de “cartografar” o mundo, que embora se debruce sobre a extensão, envolve também a noção de profundidade, de análise, o que de certo modo parece esbater a linha divisória entre esses 2 tipos, ainda que a posição dominante actual pareça ser a de obliterar a “psique” do fotógrafo, na sua dimensão de juíz de valor, de quem tem uma posição, de quem analisa e interpreta, tudo isso em prol de e sob a capa do estudo antropológico, ainda que também ele, fruto de alguma mente que observou e que porque o fez, alterou o próprio estado do observado. Há quem prefira um tipo de fotografia a outra, por vezes considerando que o geral é mais interessante que o particular, ou que o colectivo é mais interessante que o individual, no entanto creio que o interesse de um projecto talvez possa depender não apenas da extensão, mas também da profundidade com que o objecto é trabalhado. Obviamente que os espíritos mais académico-estatísticos preferem sempre a infalibilidade da amostra, eventualmente sob a (falsa) capa do maior interesse gerado, mas se é esse o racíocinio de “sucesso de bilheteira” que vai ditando o curso das escolas de fotografia (porque é que haveriam de ser diferentes das outras escolas?), então talvez o dinheiro seja mais bem gasto em lap dances.
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