Tramas e dramas do universo feminino, são propostos nestas duas séries de Daniela Edburg, “Compulsive Knitting” talvez traduzível por crochet compulsivo e “Drop Dead Gorgeous” também com uma possível tradução manhosa para “jeitosa, vai-te matar”. Na primeira, o crochet como passatempo ou mata-tempo (killing time…) e também nas suas diferentes representações materiais, sociais e culturais, ao mesmo tempo que são explorados outros elementos simbólicos. No segundo caso, encena-se o prazer e a culpa do compulsivo consumo de doces. Em ambos, existe uma temática comum que funciona como uma espécie de âncora, em contraste com o que normalmente é feito nestas encenações acerca do universo feminino, em que a ambiguidade e a indeterminação temática são por vezes as notas dominantes. Não se pretende contudo sublinhar umas em detrimento de outras, são sobretudo abordagens diferentes embora neste caso, estes trabalhos exibam uma particularidade muito ausente dos trabalhos contemporâneos, mas que me agrada especialmente: o sentido de humor.
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Julia Fullerton-Batten
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Desta feita não destaco nenhuma série de JULIA FULLERTON-BATTEN, é tanta a imensidão de coisas boas que mais vale ver tudo. A base temática parece ser o feminino, trabalhada sob uma perspectiva que aparenta estar ligada à noção de narrativa, de encenação, de quadro figurativo, tudo isso entrelaçado com um olhar sobre as relações pessoais e emocionais que desprende nalguns casos um “male gaze”, que se tornaria suspeito caso fosse fotografado por um homem…
Já aqui falei sobre o “male gaze”, o que parece estar na mira dos defensores dessa argumentação não é a forma como foi trabalhado o sujeito, mas o “male gaze” ou “female gaze” como arma de arremesso a favor de uma suposta objectividade, um homem nunca pode fotografar objectivamente o universo feminino como uma mulher o faz, devido à “tensão sexual com o sexo oposto” e vice-versa, mas pergunta-se, seria suposto fazê-lo? Certamente não devido a uma questão de falta de empatia, nunca se trata apenas de querer calçar os sapatos do outro, ou até de compreensão e aceitação, mas ao que parece nem é por aí que vai a moda, a questão prende-se mesmo com o facto do género sexual atrapalhar a investigação, aliás só pode ser por isso que o mundo não progride, porque anda meio mundo a investigar a outra metade…
Ela perturba-me…
É o seu corpo?
Sim. O seu jeito… Ela desperta em mim um
desejo ainda indefinido.
Mais forte porque é indefinido. Um puro desejo. Um
desejo de nada.
Não quero fazer coisa alguma mas esse desejo incomoda-me… O
joelho. É o objecto do meu desejo.
Então é fácil satisfazê-lo. Ponha a mão no
joelho dela. Essa é a forma de exorcizá-lo.
Está errado. Essa é a forma mais
difícil de fazer.
em “Le genou de Claire”, de Eric
Rohmer





