Arquivo de ‘filmes’

fragmentos

Vi The Tracey Fragments. É mais comum classificar determinada fotografia como cinemática do que o contrário – Gregory Crewdson, Cindy Sherman, Philip-Lorca di Corcia, Jeff Wall poderiam ser alguns dos fotógrafos cinemáticos. Já cunhar um filme de fotográfico não parece tão evidente, mas este The Tracey Fragments podia ser um desses. Não pela insistência no plano fixo ou acompanhamento minucioso do gesto (Pedro Costa, por ex.), mas pela multiplicidade de planos de vista, de imagens fixas, desfocadas, de fragmentos, toda uma série de estratégias mais localizáveis na fotografia, sem esquecer a ambiguidade que a fragmentação acarreta.

Hoje foi Prénom Carmen, de Godard, que é vital e actual; como muita da imagem que se vê hoje lhe parece tão devedora. Canta Tom Waits, cita Dillinger, aquele que roubou um banco fingindo que ia filmar um video, coincidência, ontem acabei o Public Enemies, às vezes deixo fimes a meio.

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fotografia e filmes

1: War Photographer (James Nachtwey)

2: An American Journey: In Robert Frank’s Footsteps

3: The Photographers Series: Debbie Fleming Caffery

4: Manufactured Landscapes (US Edition) (Edward Burtynsky)

5: Berenice Abbott: A View of the 20th Century

50 filmes sobre ou relacionados com fotografia, neste A Photo Student, pertença do já aqui mencionado James Pomerantz.

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Estoril Film Festival

Robert Frank
Robert Frank ((Foto: EL MUNDO)


Depois de The Americans, Robert Frank desistiu da fotografia e passou ao filme. Vem ao Estoril Film Festival ‘09 na qualidade de realizador, sendo-lhes dedicadas as Robert Frank Sessions, prevendo-se para este sábado (7) um encontro com o público, o que aliás acontecerá também com outros nomes conhecidos, Francis Ford Coppola, Juliette Binoche, David Cronenberg, etc. Para fazer parte do júri, vem também Cindy Sherman, conhecida pelas cinemáticas imagens “Untitled Film Stills”. Estoril, a Cannes portuguesa, et voilá, mas com uns anitos de atraso, de todo desdenháveis face à qualidade e pluralidade do evento.

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Visões da guerra

A guerra do Iraque, através da singeleza da aguarela, MATTHEW COOK, ILLUSTRATOR. Ainda no Iraque, um dos filmes que mais gostei este ano, The Hurt Locker, de Kathryn Bigelow. Sobre a guerra no Afeganistão, este  documento de Peter van Agtmael, Two Weeks in Forever.

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a minha casinha (uma série pouco séria…) @ 27.05.2009

Vi finalmente o Changeling de Clint Eastwood, uma história arrepiante baseada em factos reais sobre a odisseia de uma mãe a quem foi devolvido o filho errado e que, não o reconhecendo, se vê internada à força num asilo psiquiátrico, onde a polícia, ao abrigo de uma lei com foros de absurdo, internava arbitrariamente tudo quanto era mulher considerada “perigosa”, barbaridade que aliás não era assim tão usual naqueles tempos, bastando relembrar a famosa lobotomia proposta pelo nosso bem conhecido e prémio Nobel, Egas Moniz, hoje justamente esquecido.

Quase um século depois prepara-se a nova revisão do DSM ou Diagnostic and Statistical Manual for Mental Disorders, sobejamente conhecido entre os estudantes de Psicologia, Psiquiatria e Psicoterapia e restantes profissionais da saúde mental, uma espécie de Biblia onde se tenta exaustivamente balizar a doença psíquica. Apesar de toda essa informação utilmente compilada, existe alguma cisão no mundo da sáude mental não só quanto à utilidade dos diagnósticos como às propostas terapêuticas deles resultantes, muitas vezes apoiadas em testemunhos pouco sólidos, sobretudo sabendo-se o quão fugidia e pouco dada a classificações é a doença mental. Um pouco à conta de toda esta classificação, tiveram que se arranjar remédios para tanta doença, no que se tornou um (imensamente) lucrativo negócio para as farmacêuticas, a quem parece dar imenso jeito que se vão inventando novas doenças, quando não as inventam directamente ou através de uma “ajudinha” dos media, veja-se a recente gripe suína e imagine-se os lucros que terão sido feitos com o Tamiflu, sobre o qual nem sequer existem certezas acerca da efectividade contra a doença.

Embora segundo consta (pode ser lido um pequeno artigo em DSM-V Major Changes | World of Psychology)  o DSM-V não vá trazer alterações de fundo à presente quarta edição, creio não errar muito ao afirmar que embora exaustivo continuará a não impedir o erro de diagnóstico em larga escala, como conduzirá amiúde a prescrições inadequadas (e quiçá excessivas) do ponto de vista terapêutico, embora seja essa parte da fórmula encontrada para lidar com a mais insidiosa e grave doença que afecta o mundo contemporâneo, justamente a doença mental. O despreparo – e a falta de vontade política – para lidar com o fenómeno é de tal ordem, que acaba por ser o fármaco a tomar a dianteira no amparo ao doente, que após o início da toma facilmente se vê dependente do químico, amiúde agravando o problema, ao invés de o resolver. Em vários anos de psicoterapia, assisti a uma percentagem mínima de casos em que o medicamento foi efectivo e as mais das vezes foi-o em conjunto com outras variáveis e certamente não apenas devido à medicação em si (o mesmo se pode dizer das psicoterapias), pelo que não me coíbo de afirmar que a medicação actualmente existente (ansíoliticos, antidepressivos, estabilizadores de humor, etc) é várias vezes mais perigosa para a saúde do que a sua não toma.

Infelizmente a maioria dos casos recorre ao psiquiatra, que é quem proporciona a baixa médica, as receitas para os medicamentos e quem supostamente é o expert, mas tirando os casos muito graves e pessoas em risco de suícidio, a medicação deveria ser evitada ou a última medida a tomar. A saúde pública deveria estar munida de profissionais suficientes ao nivel do atendimento psicoterapêutico, para mais com uma grave crise de desemprego entre psícólogos,  que permitissem um efectivo acompanhamento dos casos que se revelam menos graves, pois que uma larga faixa da população não tem possibilidades de recorrer à psicoterapia privada, e quando o faz a expensas próprias, muitas vezes não dá oportunidade a melhoras pelo abandono precoce das sessões porque não sente melhoras rápidas ou simplesmente não entende o que “anda lá a fazer”. Com efeito, uma parte da responsabilidade deve ser assumida por muita da psicoterapia que age de forma directiva, classificativa, julgativa, analítica, comportamental e apoiada em atitudes que embora na teoria sejam respeitadoras e empáticas da pessoa humana, na prática tal acaba por não suceder, afastando os clientes e dando mau nome à generalidade das práticas. Por outro lado, é bem possível que todo o esforço colocado na psicoterapia quer pelo cliente quer pelo terapeuta, seja invalidado pelo desconhecimento das forças que desorganizam a mente e consequentemente das que a organizam, pelo que embora muita mais aconselhada do que os medicamentos, é bem provável que seja apenas uma medida um pouco menos primitiva, aliás como parece ser a capacidade de relacionamento que temos uns com os outros através da linguagem, isto comparando com outros domínios de relacionamento bastante mais subtis, e como tal muito menos estudados e (re)conhecidos.

Mas voltando ao DSM-V, pelos vistos – desgraçadamente – aparecerá uma nova desordem relacionada com as crianças e adolescentes hiperactivos, pelo que se podem esperar doses maciças de drogas “calmantes”, em mais um episódio de continuada idiotice e falta de reconhecimento perante uma nova estirpe de jovens, que necessitam de tudo menos que os acalmem. Na parte da identidade de género, uma boa nova, pelos vistos vai passar a deixar de ser considerada doença ou disfunção sexual, e tal como na homossexualidade, que embora já tenha sido abolida como doença na revisão de 1970, ainda por aí existe muito boa alminha que acha que tudo o que sai da norma é doença. Esses são os que certamente tem também uma opinião bem formada sobre os abusos dos padres católicos sobre milhares de crianças na Irlanda (e resto do mundo) em que uma delas resume a bondade do Natal a uma época em que se fazia uma pausa nas violações…

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a minha casinha #11

Aqui pelo quintal da minha casinha, rosas a florir… já apresentei os animais da quinta, agora é a vez da mobília, onde refasteladamente vou assistindo a alguns filmes primaveris: Go Go Tales, de Abel Ferrara, passado inteiramente dentro de uma casa de alterne, gerida segundo príncipios de gestão adequados ao negócio em causa “liberdade de expressão, criatividade, paixão, amor pelo outro”. O tom semi cacofónico é rematado com um patético e formal discurso final. Hilariante mesmo é o tema musical que encerra o filme “ok you creeps, you get yourselves up here and jerk off”, porque quanto ao resto, de comédia só o projecto…

The Savages, já de 2007, sobre um casal de irmãos que se vê confrontado com a demencia do velho pai que um dia decide reendireitar a história com recurso a dedos, merda e paredes de casa de banho. Em tom grave sobre os cuidados à terceira idade, a culpa, o remorso, o pragamtismo das vidas comuns e cheias de coisas tortas, não deixa de contudo apresentar doses maciças de compaixão e não é daquela que se compra no supermercado, basta ver a cena final…

O velho ranzinza do filme anterior fez-me lembrar um outro, absolutamente cínico, o avô de Miss Little Sunshine, que inconvenientemente – como sempre foi – morre a meio da viagem da família Hoover ao concurso de beleza para crianças. Uma gema absoluta de comédia, mas não só. E por falar em hilariante, o tremendo MASH do Robert Altman, quase Montyiano de tanto absurdo, acerca da vida num hospital de campanha americano na guerra da Coreia, onde se pratica tudo o que é políticamente incorrecto.

Para terminar, um filme intrigante, I Served the King of England de Jiri Menzel, a Checoslováquia ainda a ajustar contas com a história, através de um criado de servir à mesa que sonha ser milionário. Se há filme que consegue chegar-se à infilmável insustentável leveza esse é este, que exala Kundera por todos os poros.

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#9 a minha casinha

lxreader

O artigo podia chamar-se “a fita do Óscar”, mas o trocadilho estéril, facilmente induziria a quem passa a possibilidade de leitura acerca da melhor estatueta, quando apenas é faladura, sobre um ou outro filme da estação premiável. Vi O Leitor, lido o filme, que gira em torno (da necessidade) do julgamento, acabei meditando nas questões da lei e da moral, pilares da sociedade ou ervas daninhas? Doutro ângulo, a necessidade que temos de julgar e explicar, que nos parece col0car (in)cómodamente do lado do bem ou do mal. Se um não existe sem o outro, a erradicação de um poderia significar a erradicação do outro, talvez indo além de ambos, já preconizara Nietzsche.  É um exercício complexo esse de não julgar, sobretudo quando abundam as referências para o fazer, nessa autêntica prateleira de supermercado que é a consciência colectiva, a abarrotar de preconceitos, dogmas, mitos, ideologias, mentiras, num pronto a consumir acéfalo, geralmente servido nesse prato porta-logótipos, inútil e imbecil, em que se transformou a grande maioria dos media contemporâneos.

Quem como eu não leu o livro, acaba por não se aperceber da rasteira induzida pela adaptação do argumento, lêde isto n’ A Natureza do MalE dentro da enormidade da culpa, a insinuação de uma vergonha maior, que escorre pelo livro e é, no início, a culpa do rapaz por ter elidido Hanna Schmitt, a mulher mais velha, primeiro junto da família e depois, num momento capital. Nesse momento, que por razões inexplicáveis o filme não mostra, Hanna surge sem ser esperada na piscina fluvial e o rapaz, questionado pelo grupo de amigos, finge não a conhecer. Ele julgará que foi a sua cobardia que motivou o desaparecimento de Hanna e o espectador de O Leitor fica sem chaves para a culpa que Michael Berg arrasta consigo até reencontrar Hanna Shmitt na barra do Tribunal“. Esse artifício, cujo fim não se vislumbra claramente, que caso tivesse sido evitado, teria apenas um efeito, o de apaziguar a necessidade de encontrar explicações para a dor que não se compreende e se julga poder, através da suposta compreensão, ajudar a sarar. Seguindo os passos de uma terapia bem sucedida, na qual sem o processo de aceitação e integração, não existe dor curada, amiúde o processo de compreensão, sobretudo quando não acompanhada da empatia,  poderá até ser dispensável, sendo a prescrição mais do domínio do perdão, caminho esse percorrido tardia e equivocamente no filme.  Aliás como na vida, em que o mais importante acto interior deveria ser o de perdoar, mesmo sem passar pelo julgar ou compreender, e em que se acaba por perder demasiado tempo com o (pseudo)compreender, sem dúvida para poder inocentar ou culpar, arrastando dor e sofrimento para todos os envolvidos. Mesmo no claramente punível (no social), o suposto acto de compreender acaba por tomar tantas formas, pontos de vista, opiniões, etc, que a punição acaba por se espalhar em direcções insidiosas, quantas vezes abatendo-se sobre todos, menos sobre o que efectivamente deveria ser punido, resultando numa sociedade que não chega a termos, nem sobre a punição nem sobre o perdão, tal como parece acontecer neste filme.

Milk é o filme. Liberdade para se ser quem se é, um ser não eludido pelo arrumado consciente colectivo, onde pontuam os iluminados sermões dominicais, os limpos e imaculados lençóis conjugais, os fortes e inquebrantáveis laços pátrios, essa tríade igreja-pátria-família, cuja construção parece assentar em modelos de sustentada  hipocrisia-cobardia-irresponsabilidade. Só não estamos numa sociedade doente porque um pequeno número de células continua a lutar pela vida, pela afirmação, pela responsabilidade, pela diferença, pelo não julgamento. Os Milks desse mundo são o exemplo da afirmação – acto e palavra – maior de que um homem pode ser capaz, eu sou o que sou, desse modo erguendo-se responsável, individuado e cosmocêntrico, perante um colectivo coxamente infantilizado no eucêntrico e/ou etnocêntrico, no qual e apesar deste filme, os gays não são excepção.

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#8 a minha casinha

De vez em quando saí-nos um filme pela culatra! Em relação a Neil Jordan não deveria existir essa possibilidade, sobretudo depois de The Crying Game(1992) (em Pt, Jogo de Lágrimas), onde a revelação do inesperado amor transexual, assume uma relevância que quase asfixia o resto do filme. Neste Breakfast on Pluto (2005) que ontem me veio parar ao ecrã, o realizador revisita alguns lugares que lhe parecem ser comuns, de modo invulgar fazendo enredar no argumento a luta pela afirmação de um país (Irlanda e o Ira nos anos 70), com a perseverança da afirmação sexual, embora aqui invertendo os papéis em relação ao Jogo de Lágrimas, em que a trama da guerra assumia o papel principal. O registo ora do mais vetusto drama ora da mais hilariante comédia é soberbo, graças à estupenda interpretação de Cillian Murphy, no papel da Kitten, (trad:gatinha), “guerrilheira travesti” que contra tudo e contra todos navega na sua lírica afirmação sexual, que aliás nem afirma, ela(e) É acima de quaisquer dúvidas, ou se as há elas estão da lado da sociedade e do espectador. O conluío de todo o macho que se aproxima de Kitten é de tal forma, que espezinha completamente as sempre confortáveis noções de identidade sexual, restando saber o que pensam os homens irlandeses deste realizador, aqui num registo “almodovariano” mas à irlandesa, onde há filhos não assumidos de padres, deficientes mentais a fumar charros, clínicas de abortos, travestis, etc… enfim, um prodígio do políticamente correcto….

Na foto, uma “Kitten” que decidiu momentaneamente posar para a minha câmara.

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#6 a minha casinha

Vi esta semana um filmaço, Gomorra do italiano Matteo Garrone, uma obra feita com “tomates”, sobre a Camorra, neorealismo italiano em grande. Cá pela casinha é tudo fã de filmes mafiosos, aliás, faz-se já aqui uma votação de eleitor único, para os melhores de sempre, os Padrinhos e o Cotton Club do F F Coppola, Goodfellas e o Casino do Martin Scorcese, Era uma vez na América, do Sergio Leone, Há Lodo no Cais, do Elia Kazan, um que me divertiu muito com o Paul Newman e o Robert Redford, The Sting, de George Roy Hill e claro, Scarface de Brian de Palma.

Na foto, os suspeitos do costume, Mad Dog Plutone dá esconderijo a dois perigosos fora-da-lei, perseguidos pelo desaparecimento de ratos, sardaniscas, coelhos e tudo o mais que se mexa e seja comestível…

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#5 a minha casinha

Do filme O segredo de um couscous width=

Segredo de um Couscous

Vi ontem “O Segredo de um Couscous” de Abdel Kechiche. Só pelo magnífico (e longo) final – a fazer lembrar esse outro fantástico filme “Cotton Club” de Coppola – já valia a pena, mas não é só por isso, o filme merece na integra todos os prémios que já ganhou. A despeito de finais, alguns filmes que poderiam aspirar a outros encómios, menorizam-se um pouco chegada a hora do epílogo, sendo o fenómeno particularmente visível na cinematografia americana, para quem as directrizes do sucesso de bilheteira contam bastante, relembro um recente “Redbelt” de David Mamet. Se degustei duas obras-primas de cinema em 2008, este “couscous” foi uma delas, a outra, “Do Outro Lado“, de Fatih Akin. Ambos os realizadores “estrangeiros” no seu próprio país, Akin nascido na Alemanha de pais turcos, Kechiche tunisino que emigrou com os pais para França com 6 anos. A Europa vista por “outros europeus”… ainda não chegou a vez do cinema português, mas na música existe algo semelhante, Buraka Som Sistema, oiçam.

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#4 a minha casinha

©2008joaohenriques

Vou apresentando os membros da quinta, gatos já foram tantos que a conservatória esgotou os nomes para lhes dar. Gata como top model? Não é p’ra qualquer um… Falando em felinos, que tal um par deles em “Cat on a Hot Tin Roof” (pt, Gata em Telhado de Zinco Quente) com Paul Newman e Elizabeth Taylor?

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#3 a minha casinha


Se esta foto tivesse por título “capitalismo de casino”, seria essa uma associação tendenciosa? Quer no fotojornalismo quer noutras áreas do fotográfico, é comum hoje em dia, o fotógrafo apresentar-se como alguém que não deseja apresentar uma visão crítica ou quiçá noutro registo, visando apagar da fotografia os traços da sua persona fotográfica, em contraponto à fotografia “de autor”. Embora perceba a atitude que diz respeito ao despir do ego em favor do mostrar o sujeito/objecto de modo mais neutro possível, já me custa mais a perceber a necessidade do distanciamento sobre uma visão crítica da sociedade.

Um outro ponto a favor dessa postura parece-me ser o de não atiçar polarização sobre determinado assunto, mas no caso do fotojornalismo e quando associado à palavra, essa tarefa parece estar actualmente subvertida pelo modo como sobretudo a televisão e a imprensa generalista trata a maioria dos assuntos, geralmente com a profundidade e espessura de uma folha A4. Não que a fotografia tenha que tomar partido – aliás se for político muito menos, a própria política encarregar-se-á de a subverter para seu uso – mas daí a recear a conotação crítica… ou então tudo não passa de um embuste de linguagem do domínio do políticamente correcto, em que o termo é suavemente substituído pela “reflexão sobre”, destinado a agradar a gregos e a troianos. É possível que alguma desta postura seja efectivamente uma forma de resposta perante a sociedade mais humanista, mais empática, de menos julgamento e crítica negativa.
Bem, largando a BS – bullshit (algo que não presta, ou que é mentira) – e passando a Bulworth – cujo termo poderá ser o trocadilho de algo que é verdade, que vale a pena, ou é valioso(worth) – paródia de Warren Beatty sobre a política americana que embora oscile entre o hilariante e o muito mauzinho, não deixa de fazer um serão bem passado. Gostaria de saber para quantas mais festas da society altamente politizada dos EUA, foi convidado o autor, depois deste filme.

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#2 a minha casinha

© 2008 Joao Henriques / Todos os direitos reservados/All rights reserved

©2007joaohenriques - pluto

Pluto, brincalhão, perguntam-me porque o tenho preso, alivío a pergunta, respondo que não é meu que não tenho culpa que já falei com o dono, coisa que infelizmente os cães tem, este sabe que não sou eu e já mo “cãomunicou” da sua boca duas ou três vezes, e até pelos vistos o real proprietário já foi também avisado. Ainda a propósito da propriedade, da posse, morreu Paul Newman, já não é nosso dizem alguns, vi The Hustler, um filmaço à antiga, Fast Eddie Felson num epílogo digno desse nome, desaperta a trela que o mantinha cativo, à morte da sua amada, à servidão, ao jogo, à mediocridade. Eu sei que os cães vem filmes… e ainda mais gostam quando a banda sonora é soprada a Jazz, música que aqui o meu Pluto conhece bem, ou já não o tenha apanhado algumas vezes a imitar tiradas d’algum saxofone mais esganiçado.

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#1 a minha casinha

© 2008 Joao Henriques / Todos os direitos reservados/All rights reserved

©2007joaohenriques - limoeiros

A minha casinha é uma série em estilo de fotodiário, mas sem esse peso da periodicidade definida. É um livro de rascunhos, apanhando os momentos como quem colhe uma mação caída no chão, mesmo aqui ao pé da porta… Mas esse respigar, palavra-acto que conheci através de um filme de Agnés Varda “Les Glaneurs et la Glaneuse”, em que se colhe apenas o que está caído no chão, conferindo um carácter aleatório, pouco ordenado, imprevisível, ao fruto recolhido. Respigadas também, é como vejo estas fotos daqui …

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