Tuesday, April 13, 2010

Filósofo francês que tem escrito sobre fotografia, para o qual ainda aqui recentemente publiquei uma nota. O livro onde escreve sobre as quatro imagens que sobreviveram a Auschwitz, pode ser adquirido na Livraria Trama. Amanhã estará em conversa no Instituto Franco-Português e participará no colóquio Aby M. Warburg – Qual o tempo e o movimento de uma elipse? na Universidade Católica e na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a 15 e 16 de Abril de 2010.
Thursday, November 6, 2008

©2008, Performance, Festival Boom, Idanha-a-Nova
“Dir-se-ia que o nosso mundo, com a sua proliferação de canais de comunicação (…mas para comunicar o quê?), criou esta apetência confusa pelas “evidências”, em detrimento da compreensão da complexidade dos factos e das pessoas. Uma das variantes mais curiosas, e também mais deprimentes, dessa atitude, é o discurso catastrofista — o nosso espaço mediático promoveu mesmo a catástrofe à condição de sobremesa informativa do dia (basta cairem mais 10 milímetros de chuva que o normal para parecer que foi declarado o estado de sítio…).” João Lopes in
Catástrofes do dia seguinte.
Se existe tríade criadora no humano, ela pode ser composta pelo pensar, falar e agir. O valor das emoções – o pensar é também uma emoção e vice-versa – na criação da doença física e psicológica, é um dado já quase omnipresente, como António Damásio alega. O que se diz, afecta tremendamente o que vem a acontecer, ainda assim não reflectimos quando falamos sobre o mundo ou os outros e não raro observa-se a maledicência, a crítica negativa, o julgamento. Desconhecemos que aquilo que emitimos sobre o mundo é apenas uma projecção do que está dentro de nós, esse caldo de cultura, educação, genética, desejos, emoções, conceitos, etc. Desconhecemos ainda, de modo mais grave, que esse falar sobre algo nos afecta negativamente (ou o contrário) e também ao alvo da conversa, as palavras são dotadas de força, de uma energia própria, talvez aquilo que se pode entender da frase bíblica “no príncipio era o verbo“, o poder criador da palavra. Para alterarmos aquilo que nos acontece – e ao mundo – temos que alterar o modo como falamos, e antes disso, como pensamos, porque efectivamente a um nível mais profundo estamos ligados com o mundo, porque somos parte integrante dele. No agir, a grande maioria de nós não pratica “más” acções de modo consciente, todavia após reflexão pode-se admitir que não será bem desse modo. Admiramo-nos contudo quando não alcançamos aquilo que pretendemos, quando as nossas acções não resultam no efeito desejado. Talvez percebendo que aquilo a que ambicionamos, no fundo aquilo que queremos criar para nós, a nossa criação, está condicionado pelo que se pensa, diz e faz, que qualquer dissonância entre estes três actos, tornará a criação distorcida e com potencial para criar o oposto daquilo que se deseja, porque uma palavra, um pensamento, uma acção, tem sempre consequências.