Arquivo de ‘fotografia’

Deep Sleep – Alien


© Yann Le Coroller 2009 – Invaded Landscape

Sob a temática Alien, o segundo número da revista virtual de fotografia Deep Sleep.

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Mikhael Subotzky, Beaufort West

A grande maioria dos fotógrafos que aqui vem sendo publicados estão um pouco longinquos do género documental, mas curiosamente, o inverso sucede nas minhas últimas aquisições de livros de fotografia. Entre eles está este Beaufort West de Mikhael Subotzky, retrato de uma pequena vila sul-africana, pleno de intensidade e proximidade, sem dúvida uma grande obra deste jovem fotógrafo, recentemente integrado na agência Magnum. Não muito extenso, são apenas 80 fotos mas que registam de modo bem agudo a disparidade existente na sociedade sul-africana pós-apartheid, com especial ênfase na vida da população negra, retratada de forma crua e bem real. Sexo, violência, alcoolismo, prisão, segregação, miséria, a nada o fotógrafo se furtou, mostrando-nos um trabalho de grande amplitude e dedicação neste álbum excelentemente impresso (as fotos aqui postadas não lhe fazem juz…) até agora, umas das melhores aquisições do ano.

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blogroll nacional

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© Sofia Silva, Fiber Organic Memory, from the series Memory’s Architecture, 2009 (work in progress)

Sigo o Nihilsentimentalgia há já algum tempo, mas até à recente mudança de endereço desse blog não me tinha apercebido que se tratava de “produto nacional”, derivado do labor de Sofia Silva, amiúde com excelentes propostas fotográficas e uma extensa lista de links, alguns dos quais desconhecia e que após leitura, percebi contribuirem valiosamente para o conhecimento sobre fotografia na blogosfera nacional, casos de sais de prata e pixels e de take a picture it lasts longer. Vale a pena espreitar!

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Her Morning Elegance / Oren Lavie

Video maravilhoso do fotógrafo israelita Eyal Landesman, que me fez lembrar Jan Van Holleben e o seu Dreams of Flying. Pelos vistos tendência do ano, estes videomatic’s.

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Continuum…

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#5 … no país da fotografia

Ida a Tomar, supresa! Criação de um centro de arte e imagem do Inst. Politécnico de Tomar, que tem uma licenciatura em Fotografia, já vai para alguns anos. Exposiçao Inaugural de José Luis Neto (premiado BESPhoto 2006) com PMC/P.M.I. Passport. Anunciada como estando aberta ao sábado de todo o dia (à tarde, das 14 às 19), não me foi possível pela manhã, pelo que a seguir ao almoço lá fui eu todo lampeiro. Pelo arrastar desta prosa já devem calcular o que aconteceu, exposição fechada, zero avisos, nada, algo inaugurado dois 2 antes… Enfim, ainda assim uma grande alegria sendo eu natural da Nabância, ainda que me veja obrigado a voltar lá antes de 22 de Novembro, data do encerramento da exposição.

Adenda [16.Nov.2008]: Ontem voltei à exposição, fui lembrado de que no dia em que fora, era feriado de Todos os Santos, logo estava fechada. Concedo, metade para mim metade para eles, no horário afixado não constava o encerramento aos feriados.

Mariana Alves, série Evan Parker, Drawn Inward

Mariana Alves, série Evan Parker, Drawn Inward

Rumei ao Seixaljazz, associado ao cartaz, uma boa surpresa e outra menos boa, começo pela melhor, “Mood Indigo“, de Mariana Alves, exposição de pintura que visou apresentar o Jazz através de representações visuais do som. O desenho exposto é da série que mais olhei, que embora seja capa do catálogo, não corresponde ao título da exposição “Mood Indigo“, obra de Duke Ellington. Esta produção foi feita no local, a artista desenhou escutando os respectivos discos. Reflectindo sobre a parte desta obra que mais gostei, a mesma talvez esteja também colorida pelo mecanismo de espanto, encanto e atracção que foi a descoberta do Evan Parker Electro-Acoustic Ensemble, através de Towards the Margins (1997), Drawn Inward (1999), Memory Vision (2003), Eleventh Hour (2004). Embora cotada como Jazz, esta é uma estética que vai muito para além disso, aliás ao ouvido comum facilmente chega a pergunta, mas isto é Jazz? O que é não interessa, só posso dizer que foi das músicas que mais me maravilhou nos últimos anos (e continua), Evan Parker talvez possa ser desconhecido do grande público do jazz, mas tem uma autêntica legião de fãs no mundo da música improvisada, aclamado como um dos grandes inovadores ainda vivos, a par de Cecil Taylor, Peter Brotzmann e talvez Ornette Coleman, este último esta semana na Aula Magna (5Nov) e no Coliseu do Porto (7Nov), a apresentar esse bom disco que é Sound Grammar, a não perder para quem gosta de jazz “à homem” (ainda sou acusado de machismo musical)… Aí embaixo uma foto (fraquita) do músico (à esquerda) na Glubenkian, reparem na expressão de ambos em face da notação musical que se pode ver na pauta, este concerto fez esfriar muito lugar nesse noite… O desagradável no Seixal, foi ver a exposição de fotografia evocativa a Eric Dolphy tão mal tratada, mal impressa, ampliada a ficar no pixel, sem qualquer jeito.

evan parker à esquerda, mats gustafsson, à direita

Domingo foi dia de Museu de Electricidade, em Alcântara, nunca lá tinha estado e a viagem revelou-se autêntica surpresa, tanto que me senti com uma alegria infantil, contagiante, querendo saber tudo, mexer, divertir-me como os miúdos que por lá andavam. Uma autêntica beleza este restauro, uma mais-valia para o turismo e cultura lisboeta, num local cheio de atractivos para miúdos e graúdos, simplesmente encantador. Nele figura também uma exposição (permanente segundo creio) de vários períodos do seu funcionamento, com especial incidência na década de 40, em que pontuam algumas (muito) bonitas fotos de Kurt Pinto, numa estética documentalista com traços de semelhança com o que de melhor se produz hoje. A visitar sem demora, levando filhos, sobrinhos, ou apenas a criança que há dentro de cada um.

foto, Kurt Pinho, 1940

fotografia de Kurt Pinto, 1940

O museu está também predisposto para outras mostras artísticas, como se sabe a EDP através da sua fundação tem vindo a apadrinhar novos talentos. Numa galeria está presente uma exposição de Pedro Gomes, das palavras de João Pinharanda lê-se “Pedro Gomes, une, em choque, digital e manual. E, na mesma operação, questiona o Desenho como disciplina. A Forma é um guião cifrado que se esconde na face oculta da obra, onde o desenho linear se inscreve; e que se revela pela técnica de minúsculas perfurações. A imagem final aproxima-nos (através de uma verdadeira negação irónica) da pixelização das imagens digitais que dominam a actualidade. Também a Cor não tem finalidade descritiva mas sim um fim evocativo: a nostalgia do cinzento, enunciada nas irrelevantes imagens de um quotidiano em fuga; o amarelo e o branco como pontos de uma energia que transcende a máquina e contamina a nossa vontade criativa. Somos assim conduzidos à consideração destas obras como verdadeiros “desenhos úteis.”

Quanto à parte fotográfica, ela estava inserida na Exposição internacional de Design Ecológico, “Remade In Portugal“, com dois video slideshows, “Terra Nova” de Alberto Plácido (a foto original não é tremida, foi apenas a minha deficiente captação)

©Alberto Plácido

©Alberto Plácido

cuja série apresentava fotos nocturnas tiradas em aterros sanitários, deixando transparecer uma paisagem sem humanos, quase de outro planeta (Marte talvez, devido ao vermelho…) alegoria perfeitamente conseguida face ao corrente estado do ambiental, na nossa querida nave mãe Gaia. Ambas as exposições estavam deficientemente apresentadas, com problemas de resolução do ecrã, conduzindo a um exercício bastante desconfortável de visualização, quiçá desvalorizando o potencial não só da imagem, como da mensagem que aquela carrega. As “Trashformações” de Rita Burmester, parecem conduzir a uma nova identidade do lixo,

©Rita Burmester

©Rita Burmester

mas estas fotos não mexeram comigo, nem no plano estético, nem no plano conceptual. Não creio que baste associar a idéia de “Identidade” ao lixo, ou do lixo, para que saia de imediato um trabalho de grande valia artística.  As palavrosas idéias não são tudo na fotografia, e alguma da foto contemporânea parece apenas viver do apoio das palavras, não da riqueza estética ou conceptual. A temática “ecologia” no fotográfico já ganhou uma dimensão considerável, como se pode perceber pela atribuição anual do Prix Pictet, pelo que é provavél que se venha a assistir a uma explosão deste tipo de dcoumental, inevitavelmente com trabalhos de grande calibre e outros que nem por isso.

A restante exposição tem algumas peças de designers nacionais e estrangeiros, alguns workshops temáticos, enfim vale a pena dar uma olhada, até 15 de Novembro.

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Blog Action Day – Combater a pobreza

©1990joaohenriques, Évora,

Nalguma webesfera, hoje foi dia de discutir a pobreza, ver Blog Action Day para mais informação. Alguns sustentam que se deve dar dinheiro, outros educação, tudo isso nas mais diferentes nuances, cada cabeça sua sentença. Por mim, pobreza material tem um oposto, a ganância, consuetudinada na avareza, também ela uma forma de pobreza, porque quem é verdadeiramente rico, gera abundância para si e para todos. Para se atingir um equílibrio, erradicar uma parte significaria eliminar a outra, pelo que agir apenas do lado dos pobres, é afectar uma só parte da equação, em que uns tem pouco, porque poucos tem muito.

Num ensaio bastante interessante sobre a partilha de poder dentro dum empresa multinacional, verificou-se que a partilha do mesmo aumentava a rentabilidade das sucursais que aderiram em 40 a 60% em relação às que não faziam parte do projecto, mas apesar disso, o processo nunca foi avante. Porquê? Os administradores/accionistas queriam deter o poder. Enquanto a bola estiver apenas do lado dos pobres, ou seja, sem a boa vontade dos que podem influenciar o curso das coisas, pouco há a fazer, esperemos que esta crise possa trazer uma visão mais solidária do mundo, a todos os que até agora viveram fechados para ele.

Num visão mais microscópica, a grande maioria de nós é pobre mesmo sem o saber, pobre de espírito, emocional e intelectualmente, perpetuando essa condição, mesmo nas melhores condições para a superar. O roteiro de mudança é interior, passa pela tríade do que diariamente se pensa, se diz, se faz. Alguém que afirma/pensa/age como se o dinheiro fosse a raíz de todos os males, está apenas a demonstrar a sua incompetência e desconhecimento sobre como lidar com um dos aspectos materiais da vida… Mentalidade de pobre, talvez mais difícil de erradicar que a própria pobreza.

Nota sobre a fotografia: Miúdos a brincar num playground de um bairro de Évora. Se atentarem, verão 2 condições sociais distintas, claramente separadas na fotografia. Nesse dia embora brincassem no mesmo local, não brincavam juntos, a disposição dos elementos foi deles, não minha.

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As primeiras

©1990, Évora_Praça Giraldo_Senhora dos Jornais

Depois do post de ontem sobre Évora, fui rebuscar umas velharias saídas dos primeiros 10 ou 20 rolos que disparei. A minha primeira máquina foi uma Canon AE-1, que comprei com 2 lentes e mais uns acessórios por 50 contos, com o meu primeiro salário de 56 contos. Nesse mês cheguei a casa e vai de pedir um “empréstimo” à minha mãe a qual espantada perguntou, mas já não ganhas o teu ordenado, respondi orgulhoso tirando do saco, está aqui o meu ordenado todo. E aí fui eu armado em fotógrafo, sonhando com a Magnum, o Cartier-Bresson, o Capa, o Erwitt e outros tantos…

©1990, Évora_Praça Giraldo_Miúdos

©1990, Évora_Praça Giraldo_Miúdos

Estas três primeiras foram ambas tiradas no 25 de Abril de 90, os miúdos brincando no palanque das comemorações que entretanto já tinham acabado, a outra de uma senhora que vendia jornais pela rua, mas que já andava muita encurvada pelo peso dos anos que até metia dó vê-la ainda a ganhar a jorna, carregando as notícias frescas na sacola ao ombro.

©1990, Evora_Arcadas_Cego

Esta tem um história para contar, estive encostado uns bons 20 minutos esperando apanhar a arcada limpa de gente, uma vez que era feriado e o povo passeava pela rua, apesar da chuva. Aí estava eu a praticar a paciência, apanho uma aberta de passeantes, foco, disparo, passados días revelo, espreito as provas de contacto e não é que vejo uma figura a espreitar detrás do homem, diabos me levem se dei por ela ao fotografar.

©1990, Reguengos de Monsaraz, familia de ciganos

Estas são de uma família cigana que vivia para os lados da praça de touros de Reguengos de Monsaraz, um dia por lá me aventurei a fotografar sendo abordado por 2 pequenos, passados minutos já fotografava o acampamento todo, as famílias, com a devida algazarra do costume, se queria comprar umas calças, etc, ainda o melhor estava para vir, entro numa barraca com uma velhota já cega que grita pra mim “aí o mê sobrinho voltou” e assim que diz aquilo desata o mulherio numa gritaria pegada, que era eu que tinha ido para o Porto à tantos anos e que nunca mais tinha voltado, enfim uma história mirabolante da qual lá me desenvencilhei como pude. Por lá fiquei conversando e fotografando até ao final da tarde, ora me queriam comprar o carro, se sabia de alguém que quisesse comprar uma mula, de tudo se falou, na altura da refeição ainda tentei tirar umas fotos mas fui severamente reprimido pelo chefe, à refeição nunca, disse. Feitas as despedidas, ficou prometido que voltaria daí a dias com as fotos, chegado a casa pousei a máquina e alguém se lembra de ver se tem rolo dentro (só tinha feito um rolo, fotografar à pobre), aflito acudi mas já o negativo tinha ficado quase todo queimado, ainda revelei mas só se aproveitavam meia dúzia e algumas delas parcialmente queimadas, perdi a coragem de os enfrentar e de propôr novos retratos e nunca voltei, hoje com pena minha e certamente deles também, que quantas pragas não terão rogado ao fotógrafo aldrabão.

©1990, Reguengos de Monsaraz, familia de ciganos

©1990, Reguengos de Monsaraz, família de ciganos

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