Arquivo de ‘fotógrafos’

Coincidências…

A 17 de Março postei este Branilasv Kropilak vs Edgar Martins aqui no blog, a propósito daquilo que me pareceu ser um tipo de fotografia muito próxima uma da outra, não apenas pelas imagens que postei mas pelo conjunto do que exibiam nos respectivos sites. Entretanto o português ganhou o BESPhoto 08 e andava hoje a ver os Sony World Photography Awards, onde o eslovaco arrebatou um segundo lugar na categoria “Conceptual e Construído” com esta série,

e onde o português (embora apareça como tendo concorrido como inglês, pelos vistos terá dupla nacionalidade) ganhou também um 2º lugar na categoria “Paisagem” com esta série.

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Richard Avedon, In The American West

“I think I’ve photographed what I’m feeling myself and recognize in someone else.”

“A portrait photographer depends on another person to complete his picture – the subject imagined – which in a sense is me.”

Richard Avedon, tornado famoso pela fotografia de moda, aparece em 1985 com este espantoso trabalho de retrato, cujo título, embora grandioso, parece algo amplo para o escopo de personagens que apresenta, certamente deixando de fora uma boa parte do “West”, para representar talvez a parte mais marginal do mesmo. As almas mais sociológicas interrogar-se-ão a respeito desse âmbito, mas é provável que essas dúvidas façam mais sentido à luz do academismo actual, do que propriamente ao tempo a que o trabalho se reporta ou até à intenção com que foi feito. Parecendo estranho que um fotógrafo de grandes plateaus se dedique a “marginalidades”, o certo é que Avedon pareceu, ao menos externamente, lutar contra o rótulo de fotógrafo de moda. Neste artigo são analisadas as suas idéias sobre as noções de verdade fotográfica, de autoria, de identidade e de sentido da fotografia, não tanto como parte de uma discussão teórica, mas como sentido de auto-descoberta através de acto de fotografar outros, vale a pena ler.
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New York, Peter Funch

Babeltales

Babeltales

Followingfollowers

O cliché novaiorquino bem (des)montado por Peter Funch

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taryn simon, an american index of the hidden and unfamiliar

Taryn Simon
©Taryn Simon – Playboy, Braille Edition

Taryn Simon
©Taryn Simon – Research Marijuana Crop Grow Room

Taryn Simon
©Taryn Simon - The Central Intelligence Agency, Art

Taryn Simon
©Taryn Simon – Nuclear Waste Encapsulation and Storage Facility Cherenkov

De Taryn Simon, este projecto algo oblíquo, mas nem por isso menos fascinante.

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brígida mendes

Ia começar por escrever que se trata de artista conterrânea minha, tomarense portanto, mas perdi-me pensando em que medida é que esse dado é relevante para o pensar e olhar desta série, que parece lidar efabuladamente com os meandros da identidade.

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David Zimmerman & Stephen Tamiesie, Salton Sea

David Zimmerman, Salton Sea (acima)

Dois fotógrafos, duas séries distintas sobre uma mesma zona dos EUA, aparentemente tratam-se de trabalhos que em comum apenas tem o tema, no entanto é curioso observar pontos paralelos entre ambas

STEPHEN TAMIESIE (abaixo)

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Ted Sabarese, Evolution

Há qualquer coisa de mesmerizante nesta série Evolution, de Ted Sabarese

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Wassink & Lundgren, Empty Bottles

Cruzei-me recentemente com o livro “Empty Bottles” do duo Wassink & Lundgren, que angariou o Contemporary Book Award 2007 nos Encontros de Arles. As fotos nele contidas são parcialmente encenadas, pois partem de uma garrafa estrategicamente colocada à espera que a venham recolher, acto que é fotografado sem que exista uma combinação prévia desse momento com o fotografado, uma espécie de ratoeira fotográfica que produz “apanhados”. Poderão aqui ser lidos por parte do fotógrafo sintomas de oportunismo, exploração, humilhação, etc? Ou está-se apenas a documentar uma dinâmica presente na sociedade contemporânea chinesa? Onde começa e acaba a ética artística?

Este livro deu origem a discussão forte e contrastada na Net. Em 5B4: Empty Bottles by Wassink and Lundgren, para além da crítica ao livro e respectivos comentários acerca do mesmo, observei uma vez mais, uma curiosa tendência entre alguns artistas, galeristas, curadores, livreiros e outros americanos ligados ao meio, que é a de desbragadamente desancar em autores estrangeiros cujos trabalhos não lhes caem no goto – e sobretudo se forem europeus – atitude da qual no entanto se coibem em se tratando de artistas do seu próprio país… “it’s bad for business”.
Uma outra opinião acerca deste polémico livro, esta usando até forte linguagem, pode ser vista nesta entrevista de Simon Norfolk, que me faz pensar no quanto parecemos estar por vezes ligados com aquilo de que fortemente divergimos ou reagimos; para comparação e análise, deixo o trabalho de Simon Norfolk, a ser visto também ele sob o prisma da ética na fotografia.

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Alexis Pike, Claimed: Landscape

Gostei desta Claimed: Landscape, de Alexis Pike.

Benvindos ao novo blog!

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branilasv kropilak vs edgar martins

©branislav kropilak, da série Garages

©edgar martins, da série Hidden

Encontrei nas imagens de Branislav Kropilak, algumas semelhanças com trabalhos de Edgar Martins. A propósito, o artista português inaugura a exposição “Topologias” no Museu do Oriente, a 20 de Março.

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Jen Davis, Auto-Retratos

Esta série de auto-retratos de Jen Davis chamou-me a atenção de vários ângulos, por um a lado, a utilização não standardizada do corpo feminino, como paradigma de efectivação de um estudo fotográfico “bonito ou atraente”. Sabendo como no Photoshop tudo se altera, a maior parte das representação mediatizadas do corpo feminino é tudo menos realista. Por outro lado, as imagens não deixam contudo de apresentar tensão na amplo quadro de direcções  em que navegam, em que através da representação de um corpo feminino que não representa uma padrão actual de beleza, nos são sugeridas interligações com questões ligadas à sexualidade, à alimentação,  à moda, à auto-estima, etc.  Uma série que se poderia considerar íntima, subjectiva, que não reflectiria sobre o mundo mas sobre si mesma, mas que pela forma como é trabalhada consegue transitar do particular para o geral, trazendo para a linha da frente questões essenciais não só do individual, como do colectivo.

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moira lovell, the after school club

Série algo particular de Moira Lovell, jovens que se vestem de “uniforme escolar” para ir à discoteca, fotografadas no pós-festa, defronte de portões de escolas secundárias. É dissecada a temática do uniforme escolar, forma de vestir que oferece um look sexualizado e infantilizado, de não ameaçadora sexualidade da parte da mulher, perante o olhar masculino (male gaze), enquanto que no sistema educacional, o objectivo dessa indumentária é o de providenciar uma identidade homogénea, não estimuladora da competição.  É sugerido que as escolas, enquanto instituições disciplinadoras, parecem em parte, criar um núcleo de seguidores obedientes do olhar masculino (male gaze).

Esta série oferece um ponto de contacto com um aspecto que ganhou algum protagonismo nas discussões sobre metodologia de pesquisa, justamente o género (gender) de quem “vê/fotografa”, que devido à natureza da interacção sensual e sexualizada com o sujeito,  seria passível de influenciar a narrativa. Esta preocupação parece advir do facto de que a fotografia, a partir de determinada altura, passou a ser encarada não só como um bom “braço armado” da investigação antropológica, mas sobretudo, ela própria poderia aspirar à categoria de antropologia visual. Todavia, para que se consolidasse como credível nos meios de investigação, seria necessário acautelar alguns aspectos que colocavam em causa a natureza objectiva da pesquisa académica. Daí surgiu esta questão do “gender gaze”, em que se defende que a identidade do género do indíviduo que observa/fotografa, altera/distorce aquilo que está a ser observado. Seria também interessante verificar como esta tese serviu ou serve de argumento à desqualificação de determinado tipo de trabalhos, baseado naquilo que mais parece ser uma discriminação de género, embora branqueada por um suposta neutralidade objectiva face ao sujeito. Por outro lado, embora dando muito jeito o facto de existir uma versão académica que fundamenta uma determinada visão sexista da fotografia (já agora porque não das restantes artes…), é de questionar o propósito da afirmação daquilo que parece ser o “male gaze”, sobretudo se caucionar uma visão vitimizadora do sexo feminino, em que a mulher é vista como mero joguete nas mãos do homem e não como actor participante. A redução da fotografia ao documento cartográfico exposto exclusivamente segundo critérios científicos, de que esta temática abordada hoje pode ser um exemplo, tem dado origem a um corpo de trabalho na sua maioria imensamente aborrecido, de conteúdo meramente positivista, de forte extensão objectiva e fraca profundidade subjectiva, cuja visibilidade e valor comercial parece estar francamente sobreavaliado. A versão mecanicista da fotografia, que se vê pobremente decalcada das restantes ciências sociais, num esforço de credibilização, mas sobretudo de estatuto. É conhecido na Psicologia, o facto dos sentimentos de inferioridade serem amiúde compensados por uma hiper-valorização, o indíviduo que “não sabe pintar”, vai procurar colmatar essa falha de modo exagerado justamente porque sobrevaloriza essa falha, mas isso não faz dele um pintor, equívoco que parece transponível para alguma da fotografia contemporânea, que além de ter começado a querer pintar, quer agora também ser culta e saber escrever. Como parecem infirmar estas fotos de Moira Lovell, o importante na ida à escola, é poder usar esta bela (male gaze male gaze…) indumentária…

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entrevista com cátia aguiam

Cruzei-me com este trabalho de Cátia Aguiam na última Bienal de Vila Franca, em Novembro passado, acontecimento sobre o qual escrevi neste  post, tendo surgido a oportunidade de uma pequena entrevista com a autora, abaixo reproduzida.

ABP – Começo por desfazer o equívoco de ter pensado que este trabalho que apresentaste na Bienal de Vila Franca  estaria a concurso, pois não notei que se tratavam apenas de 4 imagens quando o regulamento pedia 6 para poder concorrer aos prémios. Como é que surgiu o convite para lá expôres?

CA – Este trabalho – Família – faz parte do meu projecto de final de curso na ETIC, na área de fotografia criativa. Na altura da apresentação do trabalho ao júri convidado, a escola decidiu que seria eu a representá-la na Bienal de Vila Franca de Xira, como aluna do ensino profissional. Para mim foi um privilégio que funcionou também como um incentivo a continuar com estes tipos de projectos. Foi também importante porque deu um pouco de visibilidade ao que faço.

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ABP – Como é que surgiram estas imagens?

CA -Explicar como é que uma ideia surge nunca é fácil para mim, mas vou tentar! Não posso negar que o que faço, o resultado final, tem algo de mim, no sentido  e na forma como observo, absorvo e penso o que me rodeia. Assim sendo, não posso dizer que estas imagens surgiram de uma só ideia, mas sim de várias! O que posso afirmar é que me inspirei em anúncios televisivos diversos, desde cervejas, detergentes, óleos de cozinha, carros, telenovela, o canal MTV, etc. É a partir do conjunto dessas influências que nasce o pensamento crítico que  é transmitido nesta série “Família”, pois para mim, os anúncios publicitários são veículos que reflectem muito bem a nossa sociedade. Quanto ao processo criativo propriamente dito, após um primeiro período de observação e pesquisa, nasce a vontade de partilhar ou expulsar o que vai cá dentro, mas que ainda não tem por vezes uma forma concreta!  Por exemplo, as máscaras e as situações encenadas foram modos descobertos à posteriori para transmitir as idéias!

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ABP – Nota-se trabalho de “produção” a vários níveis, conta-nos um pouco da feitura das imagens.

CA – De um modo prático, a maior dificuldade na realização das imagens foi pela tentativa em me aproximar o mais possível ao que imaginei nos momentos de criação. Nessa tentativa de mostrar os pormenores, nem sempre  consegui operacionalizar tudo, porque houve imagens que surgiram na minha cabeça  totalmente completas e detalhadas, mas que depois por factores vários não foi possível realizar do modo imaginado! Quando isso não aconteceu, tentei encontrar a pessoa que melhor se adequasse à personagem e encontrar espaços viáveis. Por exemplo, a imagem na piscina, eu queria transmitir a competitividade feminina, tinha idealizado a situação numa piscina de competição, mas como houve autorizações que estavam a tardar muito em sair e outras que nunca  cheguei sequer a obter resposta, tive que procurar alternativas, acabando por encontrar a piscina que utilizei e assim, adaptar toda a ideia a um novo espaço. Ou seja a maior dificuldade foi fazer com que tudo o que foi pensado se tornasse realidade, sem fugir à ideia inicial!

Desta forma, esforcei-me para que a iluminação, guarda roupa, adereços, cor e personagens estivessem todos em concordância, sendo que a única coisa que não tive a possibilidade de fazer foram as máscaras das partes do corpo. De resto, todos os elementos foram por mim tratados e compostos,  tendo surgido como resultado do que aprendi nos últimos três anos do curso que frequentei na ETIC, parte técnica e comunicação visual, bem como das minhas experiências pessoais!

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ABP – Já acabaste o curso, tens conseguido viver da fotografia?

Ao que parece essa é que é afinal a parte mais difícil! Na verdade, ainda não tive muito tempo para me organizar na procura de trabalho. Primeiro, porque após o terminus do curso, fui convidada a participar no projecto Leonardo Da Vinci, que me possibilitou ter estado os últimos meses do ano em Málaga em estágio. Até ao momento, os currículos e portfolios enviados na área de publicidade e moda, não obtiveram uma resposta totalmente positiva para mim. Deste modo, vou colaborando numa empresa familiar na área de reportagens, www.gloriaguiam.com.

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aaron huey, walk across america

Aaron e Cosmo, numa fantástica aventura de 5 meses e 3000 km, fotografias em Walk Across America.

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mathieu bernard-reymond, monuments

título: interest income comparison 4%-8%/comparação entre rendimentos de juros 4-8%


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Título: your investment can only grow/o seu investimento só pode crescer


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título: cost data for wind turbines and solar modules/custo das turbinas de vento e módulos solares

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título: portfolio diversification/diversificação do portfolio

Esta série Monuments criada em 2005 por Mathieu Bernard-Reymond, associando a linguagem da gestão à paisagem. Absolutamente fascinante…

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Martin Schoeller

© Martin Schoeller – Irene Andersen


© Martin Schoeller – Sarah Bridges


© Martin Schoeller – Sarah Dunlap


© Martin Schoeller – Nadia Nardi


Gostei desta série de Martin Schoeller, a ver no site da ACE GALLERY, o feminino sai valorizado mesmo perante a forte dimensão máscula dos corpos. Escolhi exibi-la como contraponto ao trabalho que tenho vindo a mostrar ao longo desta semana, que pode ser visto nos posts abaixo, onde são retratados indíviduos que assumem uma máscara do género contrário ao seu próprio género, sobretudo homens mascarados de mulher, num contexto carnavalesco, mas que, como tive oportunidade de ir percebendo, nalguns casos as máscaras pareciam esconder uma realidade identitária algo diferente. Aqui são retratadas mulheres, cujos corpos são fortemente masculinizados devido à prática do culturismo, fazendo-o num contexto regular, não como máscara. Todavia esta prática pelas mulheres certamente levanta questões não só quanto ao papel do género (gender role), como às formas de representação mediada do corpo feminino, e sem dúvida quanto à própria identidade do género, aqui sim cruzando-se com as “identidades trocadas” do Carnaval.

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Michel Comte, Women


© Michel Comte – Carla Bruni

© Michel Comte – Pamela Anderson

© Michel Comte – Helena Christensen

© Michel Comte – Gisele Bündchen

© Michel Comte – Lucy Liu

Através da newsletter da Photography-now.com, o anúncio da exposição de Michel Comte na galeria GUY HEPNER CONTEMPORARY, Los Angeles, USA.

E este atentado à moral chamado Lucy… onde é que pára a polícia? E o MP?

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Mikel Uribetxeberria, Animalia & Amy Stein, Domesticated

É assumido, tenho um fraco por séries com animais, ver aqui, aqui e aqui, para além das estórias com o cão e os gatos cá da casa… Hoje apresento duas séries, qualquer uma delas fantástica, uma do basco Mikel Uribtxeberria, intitulada Animalia, uma outra da fotógrafa americana Amy Stein (já mencionada anteriormente aqui) que se chama Domesticated.

Mikel Uribetxeberria

30_09

Amy Stein

Watering Hole

Return

Backyard

O fotógrafo basco nada enuncia no site sobre esta série, todavia depreende-se que ao fotografar animais em locais, acções e poses eminentemente humanas, possa nesta série querer reflectir acerca do comportamento humano perante os animais selvagens, atribuindo-lhes qualidades “domésticas”, talvez iluminando uma certa necessidade não só de humanizar os animais, mas eventualmente de os compreender. Como afirma Amy Stein no statement da sua série é de facto paradoxal esta intenção relaçional, “within these scenes I explore our paradoxical relationship with the “wild” and how our conflicting impulses continue to evolve and alter the behavior of both humans and animals. We at once seek connection with the mystery and freedom of the natural world, yet we continually strive to tame the wild around us and compulsively control the wild within our own nature.”

As fotos em ambos os casos foram montadas, compostas e iluminadas de forma superior,  no do espanhol, com recurso a montagem de imagens no Photoshop, no da americana, recorrendo por vezes a animais não vivos para criar as composições. Na análise destas séries, duas questões seriam interessantes, por um lado a análise do contéudo, de que modo está ilustrada a dinâmica que se estabelece entre o humano e o selvagem, não vou enveredar por esta, embora tenha a minha posição. Por outro lado, a veracidade ou verdade na fotografia, que se levanta por estas evidentes “manipulações”, questão que fez/faz correr rios de tinta. Quanto a este aspecto não vejo em que é que a construção fotográfica possa ser desencaixada da principal discussão pós-moderna, a saber, é a realidade, exterior ao sujeito que a observa? Existe uma verdade fora do observador, ou existe ela sem o observador? Apesar das sucessivas conquistas que desaguam na diferenciação entre o eu-nós-natureza, ou belo-bom-verdadeiro, apoiadas por autores como Popper com o objectivo (natureza), subjectivo (eu) e cultural, ou Habermas com verdade objectiva (natureza), sinceridade subjectiva (eu) e justeza intersubjectiva (nós ou cultura), ainda há uma oposição forte ao reconhecimento da interdependência entre estes factores, quiçá da dificuldade em relatar algo, que pertence ao domínio dos três.

Sobretudo na fotografia “documental” e/ou “antropológica”, cada vez mais se parece observar o testamento do fotógrafo, que visa a neutralidade, a objectividade, a isenção, etc. Se isso pudesse ser tomado como uma clara tomada de posição contra o prejuízo do preconceito e do julgamento, quer da parte do fotógrafo, quer de quem vai observar as fotografias, talvez estivéssemos perante uma subjectividade isenta, mas creio que na maioria são testamentos arpoados de materialidade, razões meramente aductivas de uma neutralidade com intuito comercial, feitas para agradar a gregos e troianos, pior, destituindo o fotógrafo de consciência, de moral, de valores, de subjectividade. A fotografia aparece hoje, sobretudo com a influência da suposta escola de dusseldorf, irrazoávelmente coberta de uma aura de prestígio, que lhe advém precisamente dessa suposta neutralidade, patamar de base das ciências empiricas e avanços técnicos do séc XX, em que tudo pode ser tratado e descrito de forma objectiva. Sem dúvida que este materialismo cíentifico terá invadido as universidades ou não sejam elas as principais instituições interessadas na propagação destas idéias, com reflexo evidente nalguma fotografia académica, culta, universitária, contemporânea que por aí se vê, mas que, como já disse num artigo atrás, salvo erro na primeira ida ao BESart, é na sua grande maioria, natureza morta, aliás, não é necessário ser nenhum génio para o perceber, basta ler esta crónica recente de um coleccionador americano, a respeito de uma exposição de Candida Hoffer ” despite all of the over the top ornamental flourishes found in these rooms, the interiors are chillingly vast and empty, like tombs that have recently been unearthed and opened to anthropologists. While there are frequently subtle effects resulting from the placement of the light, for the most part, the images are dry and emotionless, in contrast to the clear hopes for grandeur and awe of the builders. (…) For us, there seems to be something absent, a missing connection that would normally draw us back to the images again and again. While Höfer has pointed her camera at a vast array of amazing places, there doesn’t seem to be anything new, fresh or memorable going on, and over time, the images become surprisingly interchangeable. And in a mind bending twist, perhaps that is just the point.”

Do ponto de vista do individual, a verdade é de natureza relativa, subjectiva, o fotógrafo escolha ou não escolha, está limitado pela incapacidade do meio em comunicar ou reflectir determinadas realidades e além disso, é a sua verdade, pode ser validada ou invalidada. Do ponto de vista colectivo, do nós, existem verdades que se conjugam para apontar não numa direcção, mas em várias, verdades intersubjectivas. Apenas se não existissem pessoas, se poderia talvez falar de verdade objectiva, não porque fosse “a verdade” mas porque era a realidade, ou simplesmente, limitava-se a ser, nems eria verdade, nem realidade, era o que era. Desse modo, na maioria dos casos a fotografia é uma imagem de imagem, algo que se apreende como sendo o real ou parte dele. Edward Steichen afirma acerca da verdade truncada numa imagem “No one has ever made either in painting or in photography, a complete portrait of a person. I don’t think that’s possible in any one picture. For example everyone has the capacity for laughter and tears, and there’s no place in between that captures the whole thing“, mas não é hoje em dia o relatório do evento mais importante que o evento em si? Caímos no mesmo local, não há real (verdade), sem interpretação (sinceridade subjectiva), e essa, advém da inserção cultural (nós).

Existe verdade na fotografia?

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Bahar Yurukoglu, Museification

De Bahar Yurukoglu gostei desta série. museification, fotografias de casas-museu, cujos títulos são alusivos ao museificado.

Acima: Thomas Edison proposed to his second wife using morse code
Abaixo: Jackson Pollock loved jazz music

Abaixo: Johann Strauss composed over 400 waltzes but claimed to be a bad dancer

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Masahisa Fukase, The Solitude of Ravens

Masahisa Fukase - The Solitude of Ravens
Masahisa Fukase - The Solitude of Ravens
Masahisa Fukase - The Solitude of Ravens

No final do ano passado, olhei (online) para alguns livros premiados, tendo um ou outro fixado a minha atenção, entre os quais este The Solitude of Ravens, que embora na altura não tivesse uma noção clara da força que nele me atraira, pois dei apenas uma breve vista de olhos pela pouco esclarecedora sinopse da loja que o estava a vender, claramente senti nele algo forte, que me levou a marcá-lo para posterior revisão. Após alguma pesquisa na Net, vim a perceber que um certo estado de espírito, que talvez se possa considerar negro, embora os afro-americanos lhe mudem a cor para blue, mas dizia eu, um certo estado de espírito parecia estar subjacente. Este era, é, um livro marcado por sentimentos de tristeza, de solidão, de perda, neste caso, a perda da mulher amada, com quem o fotógrafo partilhou 13 anos de casamento, e de quem eram conhecidas as alegres fotos da sua esposa enquanto casados. Após a dissolução do casamento, Fukase, que até aí perseguira uma carreira bem sucedida no mundo da moda, começou a fotografar estes corvos, que na cultura japonesa são prenunciadores de maus augúrios. Aquilo que potencialmente seria um acto catártico, talvez se tenha vindo a consumar num verdadeiro hara-kiri através do acto fotográfico, não menos belo ou criativo e se existe esplendor na pulsão do acto criador em face da perda, ou mais poéticamente, uma art of losing love, então este sublime exemplar representando dez anos de trabalho, faz-lhe inteira justiça. Numa analogia talvez um pouco desproporcionada, vem-me à mente Nicholas Cage, em Leaving Las Vegas (1995), filme que empatiza com a vontade de morrer através do suicídio alcoólico, aqui o fotógrafo parece auto submeter-se a um suícido fotográfico, aliás basta dizer que pouco depois da publicação do livro, entrou em coma do qual não recuperou, ainda que alguma pesquisa no Google evidencie dados um pouco contraditórios.

Esta está a ser a semana da fotografia sombria aqui pelo blog, com o Ballen e o Witkin da 2ª feira, embora esta não seja o tipo de fotografia que possa denotar grandes paralelos com o meu trabalho, aprecio sobretudo a intensidade com que a mesma se me apresenta, bem como as polaridades e os opostos em relação ao que persigo, pois vejo a evolução como um desafio de integração e de transcendência.

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Roger Balen




Não entendo ainda muito bem em que é que Roger Ballen me faz relembrar Joel Peter Witkin, este último um dos fotógrafos que me conquistou para a fotografia, com duas tremendas exposiçoes nos Encontros de Fotografia em Coimbra, a primeira na Casa das Caldeiras e a segunda quase de seguida no Palácio da Inquisição. Witkin é absolutamente inesquecível, um verdadeiro génio da fotografia do século XX, embora com uma temática algo “retorcida”, para quem o desconhece, aqui fica um pequeno portfolio. Voltando ao início do post, parecem existir algumas semelhanças na construção das fotos, abaixo uma de Witkin que Ballen poderia muito bem ter citado. Do ponto de vista da construção da imagem as semelhanças são evidentes, a atenção ao detalhe, a encenação, a não distinção do espaço psicológico figura-fundo, torna este trabalho ainda mais verosímil com o de Witkin, ainda que incorrendo na injustiça da comparação entre ambos os autores, tal é o calibre de ambas obras. A um nível mais interpretativo, já ambas as linguagens se parecem separar um pouco mais, Witkin a pender para a dissecação da pulsão entre Eros e Tanathos, em Ballen, a representação da internalizada experiência de mundos subjectivos que roçam o absurdo, a fantasia, a estranheza, o corte na linha espaço-tempo, quase a fazer lembrar também um David Lynch (cinema).

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Juliana Beasley, Lapdancer


Devia começar pelo “e porque hoje é quinta-feira” mas corro o risco da piada passar desapercebida, portanto início o post afirmando apenas que a fotografia americana tem destas coisas espantosas, a flexibilidade de acolher, apoiar, publicar, premiar e até subsidiar, autores que transparecem para o papel, algumas janelas opacas das suas vidas privadas. Nesta série, auto-retratos de Juliana Beasley, que pode ser vista também no blogue da autora em Juliana’s Lovely Land of Neurosis. Quanta desta demarche não está hoje em divída para com Robert Mapplethorpe e sobretudo Nan Goldin, é a interrogação. Cá pelo burgo,  como estamos ainda longe destas fronteiras, aliás imagino o reviralho, se alguma ex-stripper aparece por aí a fazer “fotografia contemporânea”… a menos que junte DR no prefixo, ou apresente passagem por alguma London School, então aí, já não digo nada.

Voltando ao assunto, parecem coexistir duas grandes divisões nos tipos de abordagem corrente na fotografia, a “janela sobre o mundo” e o retrato intimo ou “janela sobre mim”, a segunda em clara inferioridade de projectos em relação à primeira, o que, evidentemente, nada diz da qualidade dos mesmos. A fotografia sempre foi bem acolhida como uma forma de “cartografar” o mundo, que embora se debruce sobre a extensão, envolve também a noção de profundidade, de análise, o que de certo modo parece esbater a linha divisória entre esses 2 tipos, ainda que a posição dominante actual pareça ser a de obliterar a “psique” do fotógrafo, na sua dimensão de juíz de valor, de quem tem uma posição, de quem analisa e interpreta, tudo isso em prol de e sob a capa do estudo antropológico, ainda que também ele, fruto de alguma mente que observou e que porque o fez, alterou o próprio estado do observado. Há quem prefira um tipo de fotografia a outra, por vezes considerando que o geral é mais interessante que o particular, ou que o colectivo é mais interessante que o individual, no entanto creio que o interesse de um projecto talvez possa depender não apenas da extensão, mas também da profundidade com que o objecto é trabalhado. Obviamente que os espíritos mais académico-estatísticos preferem sempre a infalibilidade da amostra, eventualmente sob a (falsa) capa do maior interesse gerado, mas se é esse o racíocinio de “sucesso de bilheteira” que vai ditando o curso das escolas de fotografia (porque é que haveriam de ser diferentes das outras escolas?), então talvez o dinheiro seja mais bem gasto em lap dances.

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jazz, aqui dentro de casa

aqui dentro de casa, temos boa fotografia de jazz, mas não só. Fotos de Nica Paixão.

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Aleix Plademunt, Espectadors

Aleix Plademunt, fotógrafo basco, aqui apresentando Espectadors, uma série para ver sentado. O sufrágio dos grandes desafios contemporâneos, a transcendência ou a dissolução, irónicamente assistidos por uma imensa e silenciosa plateia vazia.

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Her Morning Elegance / Oren Lavie

Video maravilhoso do fotógrafo israelita Eyal Landesman, que me fez lembrar Jan Van Holleben e o seu Dreams of Flying. Pelos vistos tendência do ano, estes videomatic’s.

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