Arquivo de ‘frança’

café odyssée, patrick galbats

Já não serão as mesmas condições dos “bidonville” que albergaram a emigração portuguesa em França, nos anos 60. Mas a sensação de vazio, de vidas ausentes preenchidas por trabalho árduo, talvez ainda permaneça através destas imagens de Patrick Galbats, sobre estas acomodações situadas em pisos superiores de cafés, das quais os emigrantes portugueses se servem como residência. Café Odissée, é o nome do conjunto de fotografias.

Comentar

Prix Pictet 2010

Na Galeria Les Filles du Calvaire, em Paris, está a exposição de apresentação dos nomeados ao Prémio Pictet, prémio de fotografia dedicada ao desenvolvimento sustentável, cujo tema deste ano foi o crescimento. É uma espécie de BESPhoto, bastante mais endinheirado, com a diferença de que, ao contrário do prémio nacional, onde existe um júri de nomeação e outro de atribuição, aqui as duas funções são feitas pelas mesmas pessoas, ou pelo menos, é isso que se depreende dos folhetos distribuidos. Algumas nomeações aparecem como óbvias, outras nem por isso, mas note-se o carácter eclético das mesmas onde se distinguem duas linhas: os que utilizam máquinas de grandes formatos e ampliam em acordo (Burtinsky, Epstein, Couturier, Lutter, Struth e Wolf) e o documental mais íntimo, mostrando o lado humano, ampliado em dimensões bastante mais reduzidas (Als, Jordan, Jung, Quedraogo, Tillim). É tudo uma questão de dimensão? Nem por isso, como tentarei demonstrar.

Guy Tillim foi nomeado por um trabalho algo diferente do “Avenue Patrice Lumumba“, visto em Serralves o ano passado. Embora se mantenha em África, o enfoque neste caso está mais nas pessoas, a escolha por imagens mais pequenas parece mais adequada, enquanto que no trabalho visto no Porto a questão da arquitectura tinha um papel mais importante, no entanto as ampliações apresentadas no Porto tinham uma qualidade muito discutível, provavelmente devido à ampliação excessiva. Nas imagens cujo registo aborda mais de perto o lado humano, as provas são bastante mais pequenas. Talvez se justifique pelas máquinas utilizadas de menor dimensão (35mm), que não permitem qualidade em grandes ampliações, mas contudo essa dimensão parece mais naturalmente adequada a mostrar pessoas e assim sucede em todos os autores em que mostram esse lado.

Edward Burtinsky e Mitch Epstein mostram imagens de paisagem em níveis monumentais. Apesar do tamanho, são sempre pálidas quando comparadas à verdadeira paisagem, reforçando-lhes essa dimensão um carácter de fac-simile, de artificialidade que lhes parece reduzir inclusivamente a noção de grandeza a que pretendem ascender, num perverso efeito contrário ao desejado, quase incorrendo no risco de parecer papel de parede com uma moldura à volta, ou então, um painel publicitário. Note-se contudo, que em ambos os casos as menções são de inteira justeza, em trabalhos grandemente apreciados por aqui, pelo que não está em causa a qualidade das séries ou das reproduções. Mesmo considerando o carácter de inspecção minuciosa facilitado pelas mesmas, dimensões menores chegavam muito bem, mas o mundo fotográfico está absolutamente fascinado pelo gigantismo das provas, na maioria dos casos mais aparentando mera estratégia comercial do que um real valor acrescentado.


Casos onde a dimensão parece trazer algo – ou pelo menos não prejudicar – ocorrem nas imagens de Vera Lutter e também nas de Stephane Couturier, este último apresentando imagens captadas em fábricas, resultantes da ampliação e “colagem” de dois negativos. Já Lutter apresenta o negativo directamente, resultando num registo monocromático de bonito efeito. Em ambos os casos não parece, em minha opinião, existir uma problemática tão forte nas questões de dimensão como quando a imagem mostra uma maior proximidade ao real. Quando existe essa proximidade, essa indexação mais visível, o tamanho parece vulgarizar, pelo contrário nesta imagens de natureza mais abstracta, a maior dimensão parece valorizar as imagens. É uma opinião muito particular, outros discordarão como é natural e casos existirão onde tudo poderá parecer contrário aquilo que aqui afirmo.


Termino com o meu favorito, o já aqui mencionado Chris Jordan, cujas imagens, apesar de simples, sintetizam toda a dificuldade que o “crescimento” aporta ao planeta, nomeadamente no aspecto do equívoco e do engano em que a maior parte das estratégias desse crescimento parecem assentar.

sp

Uma novidade boa para Portugal será a provável vinda da mostra deste prémio até nós, já no próximo ano. Mas mais não se pode ainda dizer…
Comentar

“quand il me prend dans les ses bras”

autor: Willy Ronis


Os franceses amam fotografia. Atget, Brassai, Cartier-Bresson, Depardon, Ronis, Doisneau e tantos outros foram ajudando a consolidar essa atracção, que conhece o seu ponto alto em Novembro com a realização de um conjunto de eventos, potenciandos pela presença do imenso número de visitantes que aflui à cidade para se deleitar com a fotografia. Na Paris Photo, feira de arte onde se encontram as mais cotadas galerias mundiais e onde esteve a portuguesa Pente10, é o local onde se pode observar de tudo um pouco, desde as caríssimas reproduções de fotógrafos mais antigos ou de meia dúzia dos recentes que já atingiram preços elevados, até à imensidão de contemporâneos com algum estatuto, mas cujos preços são ainda relativamente baixos. Uma sensação que me deixa algum desconforto, é a de que uma boa parte destas obras parecem ser feitas a pensar num mercado específico, beneficiando do efeito de escala que lhes confere uma dimensão estética aumentada, mas cuja sensação última é a de uma espécie de brilho falso, de características que não raras vezes, roçam o decorativo.

A presença das maiores editoras de fotografia ajuda a embelezar o certame, mas a compra é desaconselhada a bolsas pequenas, pois os preços de venda são os tabelados e na Amazon consegue-se quase tudo com descontos substanciais. A excepção é feita às editoras japonesas, cujas autênticas pérolas são muitas vezes inalcançáveis de outro modo, sendo que a fotografia vinda do Japão tem autores de uma beleza muito própria e absolutamente fascinante, dos quais já citei alguns casos aqui no blog. É no entanto a oportunidade para folhear alguns exemplares, que de outro modo raramente se vislumbrarão nas livrarias portuguesas.

No âmbito do Mois da La Photo, bienal que se realiza na cidade nos anos pares, realiza-se o evento própriamente dito, com exposições de alguma dimensão e importância em cerca de 30 locais e o Mois da La PhotoOFF, evento alternativo que agrega perto de 100 locais e onde se encontram sobretudo autores menos conhecidos. Aliadas a todas estas exposiçãos, uma imensão de conferências, promoções, lançamentos, etc., que de algum modo recomendam um mês de férias em Paris, e uma semana para recuperar das ditas.

Um evento muito interessante decorreu na Offprint, feira do livro que ocorre nos 4 dias da Paris Photo, sobretudo focada nas editoras independentes e onde se pode encontrar tudo o que está ligado à fotografia impressa, desde provas, a livros, revistas, zines, etc. O nome independente aqui pode soar a pouco mas é enganador, muito do que melhor se faz hoje em dia em fotografia não passa necessáriamente pelas “grandes” editoras, a Steidl é a excepção e o ponto de referência em excelência, basta perceber que teve uma exposição exclusiva no LaMonnaie, integrada no Mois de La Photo. Mas como já mencionara, os nomes maiores do ramo da impressão estavam no Carroussel du Louvre, no âmbito da feira de arte, sendo que aqui estavam as editoras mais pequenas. Foi nesta feira que perdi a cabeça e acabei com alguns euros que levara, onde levei horas a ver livros, infelizmente de uma forma que pouco gosto que é a de folhear à pressa, e onde tive a oportunidade de conhecer alguns colegas bloggers estrangeiros e também alguns dos fotógrafos que mais admiro.

Finalizo o artigo desculpando-me pela não apresentação de imagens, mas a minha fotografia turistica é sempre tão desgraçada e escassa, que neste caso mais vale ficar quieto.

Uma segunda opinião sobre a Paris Photo de 2010? Leiam a crónica no Desenhos Com Luz.

Comentar

L O Z

image

Aparecem hoje algumas fotos dos meus trabalhos recentes no L O Z; “Ce blog fait état de mes coups de coeur et découvertes de photographes“. Merci Laurence!


Links:
blog http://laurencevecten.blogspot.com/
editora
http://www.lozenup.com/

1 comentario

eric tabuchi, monuments

Monuments 1 : Eric Tabuchi

Comentar