Arquivo de ‘livros’

2 livros

Mármore, de Pedro Letria. Ontem, de André Cepeda.

O livro é por excelência o local d(est)a fotografia. Letria diagnostica a alma do mundo em poesia concreta, Cepeda trata da alma de um mundo em prosa versada. André Cepeda expõe-se e ao Porto a nú, é dificil olhar aquelas imagens, é-nos dificil olharmo-nos. Culpa, expiação, impotência, vergonha, vítima ou/e salvador, são noções pessoais e colectivas que assombram cada imagem de “Ontem”. A coreografia da pobreza, da prostituição, da toxicodependência, temas complexos, de difícilima abordagem, conhecem aqui um enquadramento em profundidade e extensão, que confere a este trabalho uma qualidade imutável, duradoura, que justamente perdurará. É documental? Não é? Que interessa isso? É um trabalho tremendo. Mais livre estou para o dizer, pois que inicialmente reluctei sobre este trabalho, nem a exposição na Zé dos Bois nem a do prémio BesPhoto, as únicas que vi, lhe fizeram justiça, agora sim emendada, nas paginas deste excelente “Ontem”.

Pedro Letria pisa um chão diferente, talvez não seja marmóreo como o título erróneamente leva a crer, mas a evocação da qualidade perene da pedra persiste em revelar-se a cada fotografia. O que é que se faz com a vida, ou aliás de que é feita a matéria? Para onde vamos? Em “Marmóre” a viagem faz-se pelo mundo, não em território único e circunscrito como em “Ontem”. Um mundo exterior mas cuja viagem é interna, feito de dúvidas, hesitações, onde por vezes parecem encontrar-se respostas (o magnífico jogo página-contrapágina), mas no final são as perguntas que perduram, o mistério da essência, que não está acessível nem com raio-x, imagem com que se encerra este belo trabalho.

A confrontação parece mais fácil em “Mármore” que a de “Ontem”, mas as aparências iludem, como nos deixamos influenciar pela “facilidade das formas”, embora tanto Letria como Cepeda pouco ou nada lhes cedam. No fundo ambos abordam questões semelhantes, no essencial será sempre assim, as perguntas repetem-se, a forma de as procurar responder é que é tão diversa que quase parecem existir muitas. Nenhum destes registos é de amor à primeira vista, mas não será isso nunca impeditivo a reconhecer o profundo, pensado e empenhado trabalho fotográfico que se colocou em ambos os livros.

Links
André Cepeda
Pedro Letria

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Words Without Pictures

Words Without Pictures


“WORDS WITHOUT PICTURES is purposefully multi-voiced and multi-layered [2]. It included essays [3], discussion forums [4], debates [5], one-to-one conversations [6], and questionnaires [7]. Words Without Pictures is using this range of formats to gauge a broad range of opinions about photography before they become received wisdom. We offered the ideas that began this year-long process fully aware that subsequent discussions on this site determined the directions the project would take. Words Without Pictures invites you to contribute your perspective on the directional shifts in photography and help us define their meaning [8].”

Após o ciclo de debate sobre as direcções da fotografia contemporânea, todo o processo foi alvo de edição em livro, inicialmente em Print on Demand, mas que está agora publicado pela Aperture.

Words without Pictures.

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Id, Livro

Obrigado a todos os que compareceram no sábado na Casa dos Cubos em Tomar, para o lançamento do livro. A exposição ainda ficará em exibição até dia 9 de Maio. “Id” resulta de um projecto pessoal que conjuga local e identidade, numa abordagem acerca das origens, tendo como pano de fundo a cidade de Tomar, onde nasci. Se quiserem adquirir um exemplar (10€+portes) mandem um email para joao@joaohenriques.com.

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Livros: O olhar moderno – A fotografia enquanto objecto e memória

image

Ao trabalhar a questão da memória pessoal através da fotografia, da sua relação com a recolecção e a rememoração, Maria João Baltazar convoca o que de mais fascinante possui este medium, na medida em que sublinha e analisa o carácter perturbador e indecidível da fotografia privada – bem como de qualquer uma. Mas é neste nó górdio que reside, muito provavelmente, a razão pela qual o debate sobre a fotografia e a sua história tem sido tão tortuoso.

Não há recensão, pois só hoje mandei vir um.

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Eikoh Hosoe, Taka-chan and I

Este livro, mostrado na integra no LITTLE BROWN MUSHROOM BLOG, é uma autêntica jóia da narrativa visual. Não acreditam? Então vejam.

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possíveis

Photography is a system of visual editing. At bottom, it is a matter of surrounding with a frame a portion of one’s cone of vision, while standing in the right place at the right time. Like chess, or writing, it is a matter of choosing from among given possibilities, but in the case of photography the number of possibilities is not finite but infinite.John Szarkowski

Paul Graham: a shimmer of possibility


Este livro de Paul Graham: A Shimmer of Possibility poderia muito bem ilustrar a citação inicial. Dividido em capítulos, anónimos, preenchido por inúmeras páginas em branco, como se fosse o branco o silêncio ou apenas a promessa da mais pura luz, em que nada nela se imprime mas que tudo contém, fotografado de forma enigmáticamente real, nos limites do encenado ou vice-versa, sem quaisquer palavras, explicações, despido de acessórios, nele se parece representar a vastidão dos ainda prescrutáveis limites do fotográfico, ou então do Universo. A própria capa parece admitir essa paisagem infinita, misteriosa, plena de potencial mas que ao mesmo tempo pouco ou nada contém de visível, senão pequenos fragmentos de matéria de gestos feita, prenunciadores de um real, do qual parecemos só vislumbrar as aparências.

Citado por duas ou três fontes nas listas de bestofes do ano, confesso que a primeira passagem não foi de amor à primeira vista, o que é que há aqui para ver, questionei-me, mas o desapontamento é sempre aquilo que dá corpo à ilusão e reconhecida essa, ela dá lugar à percepção do que talvez possa ser outra ilusão, a de que estou perante um livro conceptual, estética e intelectualmente inabalável, e que em mim se entranha não apenas devido a esses preceitos, mas também e sobretudo, pela beleza singela e contemplativa da fotografia que nele se exibe.

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mais livros

No recente LITTLE BROWN MUSHROOM BLOG, Alec Soth escolhe os seus 10 melhores de 2009. Gerry Badger, que escreveu a introdução do recente Lisboa, cidade triste e alegre” e também co-autor com Martin Parr nos tomos “The Photobook I e II“, vai ainda mais longe no tempo e elege os 10 melhores da década.

Ainda sobre livros, a não perder a festa do livro até dia 26 na loja do Museu Glubenkian, com a qualidade editorial a que a Fundação já nos habituou e algumas verdadeiras pechinchas.

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livros para pôr no sapatinho

Durante este mês fui deixando algumas sugestões para livros de fotografia provenientes de vários quadrantes, desde o amador até ao artista de créditos firmados. Algumas edições de cariz colectivo nomeadamente fotoalternativa.net e essência e memória parecem dizer respeito a um conjunto de fotógrafos portugueses com menores pretensões, o que contudo não deveria impedir o cuidado no grafismo, na consistência das imagens e na coerência do tratamento temático. Se outros méritos não tivessem, têm pelo menos o da capacidade de associação e reunião, no caso do essência e memória com fim meritório, pois os royalties revertem a favor da beneficiência. Já as 2 edições do colectivo português Kameraphoto, a state of affairs & 450, têm naturalmente outros níveis de exigência, acabamento e qualidade, fotográfica e curatorial. Ainda por cá, 3 edições recentes, 2 da editora Pierre von Kleist, a reedição de Lisboa, cidade triste e alegre de Victor Palla e Costa Martins, bem como o “Vol I” de Pauliana Valente Pimentel, e Patricia Almeida com Portobello.

Lá de fora, falei de alguns livros que me pareceram edições interessantes, considerando as temáticas em causa aliadas à qualidade fotográfica e editorial, Edward Burtinsky, Oil, Cristopher Anderson, Capitolio, Mitch Epstein, American Power, e da agência Magnum,  Georgian Spring. Um livro nomeado por várias fontes é o de Roger Ballen, Boarding House, embora o tenha adquirido ainda não tive oportunidade de o ver, mas imagino que esteja totalmente à altura das expectativas. Um outro livro que embora já do ano passado não posso deixar de nomear dado que me encheu a vista de um modo completamente inesperado, foi o de Hiroh Kikai: Asakusa Portraits. Um outro é uma primeira edição da Steidl, Chauncey Hare: Protest Photographs, que vai revisitar fotografias de uma tonalidade abertamente política e quiçá desencantada, mas que não deixa de ser um livro interessante. Como disse no início, não era tanto uma escolha crítica, mas antes um conjunto de sugestões que focasse determinados aspectos que me pareceram de evidenciar, independentemente do gosto pessoal, não obstante ele aí estar relevado, pois comprei ou vi a maior parte destes livros.

Para terminar e se ainda houver espaço na carteira, deixam-se à consideração outras listagens:

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livros: georgian spring, a magnum journal

©antoine d’agata

Georgian Spring: A Magnum Journal: A Geórgia foi visitada durante a Primavera de 2009 por vários fotógrafos da agência Magnum, tendo a cada um sido atribuída uma temática, que embora tenha sido tratada de forma algo genérica – cada um tinha apenas vinte dias para realizar o ensaio – ainda assim permitiu um livro que no seu conjunto permite uma panorâmica interessante sobre este pequeno mas complexo país. Antoine D’Agata perseguiu um estranho périplo por casas de “alterne”, em busca de musas ou simplesmente de ouvir o canto das sereias, um dos mais estranhos e belos ensaios que vi ultimamente. Martine Franck leva-nos a tomar um chá com georgianos de destaque nas áreas das artes e da literatura, é quase fotografia de família. Mark Power retrata aspectos ligados à Economia, “de longe” como é seu timbre. Alex Majoli presenciou uma vizinhança difícil com a Ossétia. Martin Parr “comprou uns postais”. Alec Soth queria encontrar a mulher mais bonita da Geórgia, mas não ficámos a saber se foram ciúmes, diferenças culturais ou outras dificuldades que o impediram de a encontrar. Thomas Dworzak fotografou incessantemente o dinâmico presidente da Geórgia, alguém que demonstrou ter coragem para despedir 90% da força policial e recomeçar quase do zero em termos de segurança pública. Jonas Bendiksen mostra que a juventude georgiana, pelo menos nas aparências e comportamentos é quase igual à do resto da Europa. Gueorgui Pinkhassov fotografou à “Friedlander”, e Paolo Pellegrini encontrou a fé. Resultado de tudo isto: fiquei com vontade de ír a Tiblissi, mesmo tendo ficado com a sensação de só através do livro já ter feito uma viagem.

À semelhança do que já tinham feito o ano passado com o livro de Larry Towell The World from My Front Porch“, o editor Chris Boot e a Magnum lançam mais um belo conjunto de fotografias, sob a forma deste
Georgian Spring: A Magnum Journal [este último link é para a página da Amazon, o 1º acima é para uma prévisualização directamente no site da Magnum]

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livros: cristopher anderson, capitolio

Existem muitas tentações de neutralidade ao nível do fotojornalismo e do registo documental, algumas delas relativamente bem sucedidas – ou disfarçadas – outras nem sequer fazendo grande esforço, como é o caso deste Capitolio. A agência Magnum também nunca foi conhecida por “tocar piano de luvas”, permitindo à sua vasta rede de fotógrafos um grau de liberdade que cada vez é mais raro, o que de todo merece aplauso. Retrato de uma cidade – Caracas – e no fundo de um país, governado por um pitoresco e ainda não se sabe até que ponto perigoso personagem, em cujo imaginário devem constar umas quantas boutades “vermelhas”, que terá sido quanto baste para tomar o poder e provavelmente fundar uma nova Cuba, agora que Fidel está prestes a arrumar o microfone. Os americanos que sempre gostaram de praticar os seus métodos democráticos pelas outras américas fora, tem agora mais uma oportunidade para continuar a saga. Apesar de toda a imaginação revolucionária de Chavez, os problemas do povo permanecem ou  agudizam-se, não obstante os gritinhos de emoção de alguns socialistas de sofá europeus. Mas isso é mais o que vamos sabendo pelas notícias do que propriamente por este livro, cuja riqueza assenta sobretudo na visão pessoal e menos na natureza objectiva, documental ou lá o que for que se peça que a fotografia sirva para. O fotojornalismo a preto e branco pode ser uma linguagem esgotada, estar à beira do fim por falta de incentivos comissões, etc., mas ainda se vão fazendo uns bons (ou maus consoante o ponto de vista) exemplos, de livros com “punctum” para todos os gostos.

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livros: mitch epstein, american power


Lidando com aspectos ligados às indústrias energéticas, e respectivas conexões políticas, ambientais, sociais, económicas, etc., este livro de Mitch Epstein: American Power oferece uma perspectiva que obriga a pensar nos porquês da ambíguidade das iniciativas que dizem respeito à protecção e preservação do meio ambiente por parte dos países industrializados, como se pode ver mais uma vez pela errática deambulação dos principais protagonistas na cimeira de Copenhaga. Além disso, é-nos também relatado um pouco da génese e elaboração deste trabalho, com destaque para as descrições sobre o assédio paranóico da segurança americana. O American Dream pintado a carvão, numa obra imensa, intensa, excelentemente fotografada e impressa.

Amos Coal Power Plant, Raymond, West Virginia 2004



Site do autor: Mitch Epstein

Mais algumas imagens deste trabalho podem ser vistas no – infelizmente inactivo – Sais de Prata e Pixels: American Power

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livros: essência e memória

Mais uma proposta natalícia, esta iniciativa liderada por António Vieira da Silva, que tem vindo a desenvolver esforços para dar oportunidades de publicação a um conjunto mais alargado de autores portugueses, aliás, neste projecto em causa, reunindo também fotógrafos de origem lusófona. Os direitos de autor da presente edição tem como destino a Associação Meninos de Oiro. Embora tenha tentado encontrar os locais de venda, inclusivamente consultado o site da Chiado Editora nada consegui, pelo que suponho esteja nas principais livrarias.

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livros: kameraphoto, a state of affairs & 450

Mais duas sugestões para ofertas natalícias, do colectivo Kameraphoto dois livros recentemente lançados: “A STATE OF AFFAIRS“, medindo o pulsar do mundo em vários pontos do globo e o “Projecto 450“, encomenda da Universidade de Évora a pretexto da comemoração do aniversário daquela instituição. Ambos correspondem a exposições actualmente em curso, a primeira na Platafórma Revólver e a segunda no Palácio da Inquisição em Évora.

©guillaume pazat

    Do projecto “A STATE OF AFFAIRS“, podem ser vistas algumas imagens de Guillaume Pazat que fizeram parte desse trabalho, em Detroit.

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    livros: joão pina “por teu livre pensamento”



      “Por teu livre pensamento” – título retirado de uma estrofe de David Mourão Ferreira – é o nome deste projecto do fotógrafo português João Pina, que tem vindo a desenvolver um trabalho talentoso, tenaz e engajado. O livro guarda para memória histórias de 25 presos políticos do regime salazarista, algo a que o fotógrafo não terá sido indiferente, uma vez que ambos os seus avós maternos estiveram presos por razões políticas. Embora já não seja deste ano ainda se encontra à venda aqui por 20 libras, assinado pelo autor.

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      Michael Fried’s “Why Photography Matters as Art as Never Before”

      Why Photography Matters as Art as Never Before

        Fried’s argument seems to come down to is comically simple. It is that a very big photograph in full color, when hung on the wall, is inherently like a painting, or at least has some of the qualities of a painting.This is absurd.

        Em Livros, Teoria & Fotografia, já mencionara este tomo de Michael Fried, que se vê analisado em The Restless Medium, sob outro ponto de vista algo “crítico”.


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        livros: edições pierre von kleist

        ©Pauliana Valente Pimentel

          A Pierre von Kleist Editions editou recentemente “Vol I” de Pauliana Valente Pimentel. Ficções (ou não) íntimas, a fugacidade e a inquietação das relações modernas, parecem ser o leitmotiv desta pequena monografia.

          Da mesma editora, está previsto para 10 de Dezembro o lançamento de “Lisboa, cidade triste e alegre“, de Victor Palla e Costa Martins, comemorativo dos 50 anos da primeira edição. Livro há muito esgotado, encontra-se citado no “The Photobook: A History, vol 1“, de Martin Parr e Gerry Badger, com este último a escrever a introdução deste relançamento.

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          livros: portobello, de patricia almeida


          ©patricia almeida

            Portobello é o projecto fotográfico de Patricia Almeida que valeu a nomeação para o prémio BesPhoto09. O livro, além de estar à venda nalgumas livrarias, já o vi na Almedina do Saldanha Plaza, p.ex, pode também ser adquirido através das indicações contidas no link Books.

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            livros: the jazz loft project

            ©w. eugene smith: thelonious monk

            Joerg Colberg chamou a atenção para este lançamento deste livro de Sam Stephenson, “The Jazz Loft Project: Photographs and Tapes of W. Eugene Smith from 821 Sixth Avenue, 1957-1965“, que promete aquecer o Natal dos mélomanos do jazz e fans da fotografia.

            ©rodrigo amado

            Ainda a propósito de jazz e fotografia, pode-se ver – e comprar – na Galeria Módulo o último trabalho fotográfico do músico ligado ao jazz Rodrigo Amado, que se intitula “East Coasting“, também titulo de um disco de Charles Mingus. Não tem o jazz como temática, antes parecendo próximo de um registo diaristico de viagem, mas o melhor mesmo é irem “ouver” o trabalho deste saxofonista-fotógrafo.

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            livros: fotoalternativa.net

            Fotoalternativa.net define-se como uma associação de criadores de fotografia. O projecto é abrangente, o site já mencionado, um blog em alt.blog, autoedição de livros através do Blurb,  tendo o primeiro sido lançado em finais do ano passsado, intitulado N I N G U É M e um outro recentemente cujo título é de Caras (carregar nas imagens para obter algumas páginas de pré-visualização), e ainda uma exposição em curso na Lx Factory até 21 de Dezembro.

            Como já referi, o propósito destas sugestões de livros para este mês não é o da menção crítica. No presente caso apenas vi os livros pela pré-visualização disponível, não faria sentido dizer o que quer que fosse sobre eles apenas com base nisso. De qualquer forma é uma iniciativa interessante, de um grupo bastante eclético de fotógrafos. A auto-edição veio para ficar, e o site Blurb parece ser a referência no género. Convém contudo esclarecer que apesar da razoável qualidade que evidencia, não é o “estado da arte” editorial. No entanto, produzem livros perfeitamente aceitáveis a quem deseje fazer pequenas (ou únicas) edições, um portfolio, um catálogo, etc, sem as exigências de uma reprodução profissional. Já tive oportunidade de verificar a qualidade de alguns livros e embora no preto e branco seja sempre difícil atingir uma tonalidade neutra, a côrestá em linha com as gráficas de qualidade mediana e basta ver alguns títulos que por aí se lançam, para perceber que é uma edição que não envergonha ninguém.

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            Livros: Edward Burtinsky, Oil


            Estamos naquele mês. A aquisição de imagens aos autores/galerias é ainda uma miragem para a maioria das bolsas, não obstante estarmos em período de vacas magras no que a preços diz respeito, pelo que quem ama e pretende adquirir fotografia, tem nos livros uma possibilidade acessível e não menos excitante. Ao longo de Dezembro vou deixando algumas dicas, sem pretensões a bestof deste ano, apenas sugestões de vários quadrantes, de consagrados a ilustres desconhecidos, que por um ou outro motivo me chamaram a atenção.

            Começo por Edward Burtynsky, cada vez mais próximo de um estatuto legendário, dedica-se a trabalhos de grande pertinência e interesse mundial. O último livro é este Oil, sobre aquela que provavelmente será a mais importante e influente matéria-prima do planeta, tornando possível uma perspectiva sobre o impacto do petróleo nas mais variadas dimensões da vida contemporânea. Tema vasto, profundo e influente, tem neste livro um “compêndio” fotográfico à altura.

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            Livros, Teoria & Fotografia

            Quando se fala da produção teórica sobre fotografia, apesar de inúmera e abundante, a conversa parece desembocar amiúde nos suspeitos do costume, Susan Sontag com “On Photography” e “Camera Lucida” de Roland Barthes. Tirando estes, os prováveis bestsellers do mundo fotográfico poderão girar em volta do como fazer, todavia não deixa de ser importante pensar que a fotografia contemporânea parece tratar menos de botões e regras dos terços, antes sendo amparada no seu percurso por visões menos perfunctórias.
            Basic Critical Theory for PhotographersUm dos livros que recentemente adquiri é Basic Critical Theory for Photographers. Apresentado em 13 capítulos, nele são sintetizados e analisados alguns dos escritos mais influentes na fotografia contemporânea, aliás basta fazer o “click to look inside” para se perceber que praticamente se baterão todas as áreas importantes de pensamento sobre a fotografia. No final de cada capítulo, são propostas discussões e aproximações à matéria discutida, tornando esta edição da Focal Press bastante apetecível a professores e alunos. De linguagem acessível a leitura vê-se facilitada, concedendo acesso simplificado e útil a diferentes tipos de exigências, é no entanto de enfatizar que se tratam de sinopses, de escritos que foram publicados na integra e fundados em imagem, pelo que se vêem aqui algo modo díminuidos da sua totalidade, o que não impede uma função essencialmente didática e que claramente visa ensinar a pensar fotografia.

            Why Photography Matters as Art as Never BeforeProvavelmente o mais complexo dos 3 livros aqui expostos, Why Photography Matters as Art as Never Before. Confesso que o vou lendo a conta-gotas, tal a densidade da escrita, da informação nele contida e da profundidade com que noções sobretudo ligadas à pintura aqui são transpostas para a fotografia contemporânea. A história de Arte está amplamente embebida no ADN deste livro, ou não fosse o seu autor um expert na matéria, no que não deixa de ser uma leitura fascinante, que satisfazendo os amantes de profundidade teórica, poderá contudo alienar os mais tímidos de conhecimento. Aconselha-se contudo persistência, pois nele são analisados autores de peso da fotografia contemporânea, Jeff Wall, Hiroshi Sugimoto, Cindy Sherman, Thomas Struth, Thomas Ruff, Andreas Gursky, Luc Delahaye, Rineke Dijkstra, Patrick Faigenbaum, Roland Fischer, Thomas Demand, Candida Höfer, Beat Streuli, Philip-Lorca diCorcia, Douglas Gordon and Philippe Parreno, James Welling, and Bernd and Hilla Becher. Uma provável futura referência no mundo da arte fotográfica, aqui fica uma entrevista com o autor em ArtReview Magazine Features Michael Fried: Why Photography Matters e uma outra conduzida por Carlos Alves em Diálogo com Michael Fried e uma longa digressão pela história da arte, de Giotto a Caravaggio e de Caravaggio à fotografia actual

            The Photograph as Contemporary Art (World of Art)O mais “leve” deste lote é The Photograph as Contemporary Art, cujo intuíto é o de sobrevoar e catalogar possíveis motivações e expressões da fotografia contemporânea. 7 capitulos, correspondentes a outras tantas “estratégias”, que assentam mais na “idéia” que está por detrás da imagem que na prática visual propriamente dita, embora não se desconsidere o aspecto estilistico num eventual agrupar de tendências, que se vêem aqui amplamente ilustradas através de diferentes categorias, do conceptual ao narrativo, o deadpan, as relações pessoais, o documental, terminando nos limites da fotografia. Estimulante, ainda que sem ambições “pesadas” em termos teóricos, contribui para uma entrada no mundo da fotografia contemporânea, lendo-se de um fôlego.

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            Mikhael Subotzky, Beaufort West

            A grande maioria dos fotógrafos que aqui vem sendo publicados estão um pouco longinquos do género documental, mas curiosamente, o inverso sucede nas minhas últimas aquisições de livros de fotografia. Entre eles está este Beaufort West de Mikhael Subotzky, retrato de uma pequena vila sul-africana, pleno de intensidade e proximidade, sem dúvida uma grande obra deste jovem fotógrafo, recentemente integrado na agência Magnum. Não muito extenso, são apenas 80 fotos mas que registam de modo bem agudo a disparidade existente na sociedade sul-africana pós-apartheid, com especial ênfase na vida da população negra, retratada de forma crua e bem real. Sexo, violência, alcoolismo, prisão, segregação, miséria, a nada o fotógrafo se furtou, mostrando-nos um trabalho de grande amplitude e dedicação neste álbum excelentemente impresso (as fotos aqui postadas não lhe fazem juz…) até agora, umas das melhores aquisições do ano.

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            Wassink & Lundgren, Empty Bottles

            Cruzei-me recentemente com o livro “Empty Bottles” do duo Wassink & Lundgren, que angariou o Contemporary Book Award 2007 nos Encontros de Arles. As fotos nele contidas são parcialmente encenadas, pois partem de uma garrafa estrategicamente colocada à espera que a venham recolher, acto que é fotografado sem que exista uma combinação prévia desse momento com o fotografado, uma espécie de ratoeira fotográfica que produz “apanhados”. Poderão aqui ser lidos por parte do fotógrafo sintomas de oportunismo, exploração, humilhação, etc? Ou está-se apenas a documentar uma dinâmica presente na sociedade contemporânea chinesa? Onde começa e acaba a ética artística?

            Este livro deu origem a discussão forte e contrastada na Net. Em 5B4: Empty Bottles by Wassink and Lundgren, para além da crítica ao livro e respectivos comentários acerca do mesmo, observei uma vez mais, uma curiosa tendência entre alguns artistas, galeristas, curadores, livreiros e outros americanos ligados ao meio, que é a de desbragadamente desancar em autores estrangeiros cujos trabalhos não lhes caem no goto – e sobretudo se forem europeus – atitude da qual no entanto se coibem em se tratando de artistas do seu próprio país… “it’s bad for business”.
            Uma outra opinião acerca deste polémico livro, esta usando até forte linguagem, pode ser vista nesta entrevista de Simon Norfolk, que me faz pensar no quanto parecemos estar por vezes ligados com aquilo de que fortemente divergimos ou reagimos; para comparação e análise, deixo o trabalho de Simon Norfolk, a ser visto também ele sob o prisma da ética na fotografia.

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            foto livros

            A Photo-Eye Magazine publicou uma lista interactiva dos melhores livros de fotografia de 2008, atribuida por fotógrafos, editores, críticos, seleccionando depois um top-10, dos quais espremo o meu top 5:

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            in-uteis

            Via Focal Point, descobri esta loja/livraria online com uma secção interessante dedicada à fotografia, em  in-uteis design, pelos vistos da mesma entidade que está a gerir a loja do Museu Berardo.

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