Revisitação algo paródica de obras de arte conhecidas, a condizer com o nome da banda!
1 comentarioArquivo de ‘música’
a camarilha dos quatro
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Podcasts ecléticos e com estilo, n’a camarilha dos quatro. No #15, um fantástico e impróprio tema para quem quer deixar de fumar, “Tem cigarro aí?” Duvidam? Oiçam.

Motown
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The Staple Singers – Respect Yourself (no festival de Wattstax)
Marvin Gaye “What’s Going On / What’s Happening Brother”

david s ware, godspellized
Há uns anos, enfrentei uma duro workshop de desenvolvimento pessoal, na manhã da recepção, ao entrar na sala, John Coltrane soprava “A Love Supreme” em altos berros, senti-me tão bem acolhido que mal vislumbrei o que se poderia seguir. Passados anos, novo processo de renascimento, desta feita acompanhado pela música de David S Ware, que me acolheu com “Godspellized“. Ambos os músicos partilham um concepção do Jazz, que envolve termos próximos da noção de Deus, de Espírito, de Amor, sendo “A Love Supreme” para além do tributo de John Coltrane ao Criador, uma das obras maiores de toda a história do Jazz. “Godspellized“, cujo tradução significa literalmente, enfeitiçado por Deus, embora menos conhecido não é por isso menos venerado entre os conhecedores. David S Ware, cuja sonoridade e praxis musical, condensa espiritualidade, individualidade e liberdade criativa, é desse modo comummente situado como descendente maior duma hipotética linhagem iniciada em John Coltrane e que passa por Pharoah Sanders, Albert Ayler, Charles Gayle, etc.
Passo a contar a história que me moveu a escrever este post: David Ware sofre de disfunção renal desde 1999, fazendo diálise quase diariamente. Em Janeiro, os médicos confrontaram-no com o risco de vida, caso não obtivesse uma doacção de rim. Steven Joerg, da sua editora Aum Fidelity, informou através de email (obrigado, Eduardo) que tinha sido encontrado um(a) dador compatível, Laura Mehr, informando-nos também de que já existe data marcada para o transplante, 5 de Maio.
Laura, escreveu-nos esta nota:
“Over 30 years ago, my husband and David shared time and spiritual understanding. During Maurice’s lifetime as a spiritual aspirant and transcendent artist, Maurice talked affectionately about David and the mutual artistic understandings and spiritual connections they shared.
When Maurice passed on almost two years ago, I contacted David to let him know that Maurice had passed. About a year after that, a friend of mine was in need of a kidney transplant, and I volunteered to be tested. Before I could be tested, my friend received a kidney from the UNOS transplant list. This was a great happy surprise to both of us, and he is now home and his new kidney is functioning well. Less than 48 hours after I got the news that my friend had received his transplant, Steven sent out the appeal about David’s situation. My stunned reaction that this could be happening so quickly, gave way to the even greater surprise that as with my friend, David and I were the same blood type. I did not hesitate to volunteer, as I knew that this was not simply happenstance, but divine intervention. As David later said “Life is truly stranger than fiction”.
Things have moved quickly from that point, and all tests have come back as a match, and we are ready, on May 5th, to cross that bright line where giving and receiving are actually one and the same.”
–Laura Mehr
Uma vez que lhes não posso enviar as lágrimas de alegria que verti, quando soube desta extraordinária sincronicidade e altruísmo, este post serve apenas como pálida nota de gratidão, a David S Ware, pelos sucessivos layers de divino que a sua música vem revelando em mim, a Steven Joerg, pela demonstração de como negócio e profissionalismo também rimam com humanismo, e finalmente, a Laura Mehr, talvez o anjo maior desta constelação, que com a sua dádiva altruista, permite a revelação de que a fina linha entre o dar e o receber, são apenas uma e a mesma.

the bad plus
Neste artigo no The Rest is Noise, Alex Ross chama a atenção para algumas particularidades da música Semi-Simple Variations (com um teledisco hilariante) inserida no novo disco dos The Bad Plus, For All I Care, desse modo aproveito a deixa, para de uma só vez preencher 3 vias, a primeira, desavergonhadamente autopromocional, apresentando fotos minhas sobre a banda; a segunda, para vos contar sobre este trio jazz de um convencional piano-baixo-bateria, mas cuja convencionalidade é algo enganadora, quiçá fazendo jus ao título da dita música… Ora ouvejam lá esta famosa faixa…
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=xyilbV0OrMQ]
Já com alguns álbuns no currículo, desta formação destacaria These Are The Vistas [2003], Give [2004] e Suspicious Activity [2005], que abrem possibilidades ao desenrolar de novos cruzamentos entre linguagens musicais, de um modo que me parece particularmente estimulante, sem nunca perder o pé no jazz. A este respeito, leiam o excelente Enquanto andamos por aí distraídos… “ele move-se!” no site de Manuel Jorge Veloso, que aliás é o alvo da última “via” deste artigo, como lhe chamei no início, tão só um palavra de reconhecimento a este crítico de jazz, talvez aquele que associou o saber musical ao talento para decifrar e descrever o jazz, de forma que mais ninguém fez em Portugal (repare-se que José Duarte não é crítico, mas sim divulgador) e que, faz já algum tempo, se entregou nas mãos da blogosfera.
Foto: Reid Anderson (contrabaixista, The Bad Plus), FMM-Sines, 2006

Petaouchnöck
Petaouchnöck, o lugar de que sempre se falou mas que nunca existiu, mas que afinal existiu, ali, num canto escondido da Fábrica Braço de Prata, prova disso aqui está, este retrato, por lá tirado nos idos de Outubro de 2007, depois disso, Petaouchnöck, qual espaço mágico, voltou à inexistência, enquanto que o Michel, anda sapateando por aí.
Comentar#7 a minha casinha
A minha casinha tem sido no último par de meses, também a da obra de Olivier Messiaen, compositor, professor e ornitólogo, de quem se tem vindo a comemorar o 100º aniversário do nascimento, com a data a ocorrer precisamente ontem, 10 de Dezembro. Devo confessar que apenas este ano descobri mais a fundo a obra deste autor, que tem momentos absolutamente extraordinários. Um deles é Quatuor por la fin du temps, ontem interpretado no CCB pelo Schostakovich Ensemble (Pascale Moraguès, clarinete, Priya Mitchell, violino, Pavel Gomziakov, violoncelo, Filipe Pinto-Ribeiro, piano), com leitura de poemas de Nelly Sachs por Beatriz Batarda e espaço cénico de Paulo Nozolino, que como se pode ver, alargou as fronteiras do seu magnífico trabalho como fotógrafo para os limites da cenografia, o que só por isso já constítuia um estimulo adicional à ida. Esta obra de Messiaen tem uma história algo trágica, sem dúvida elucidativa da vastidão da alma e do humano, que Pedro Mexia nos fez o favor de elucidar aqui, e de onde retiro este pequeno excerto, no qual se explana o modo absolutamente inesperado e maravilhoso do acrescentar de mais um dia à Criação “Messiaen explicou que o quarteto tinha oito movimentos porque Deus fez o mundo em seis dias e descansou ao sétimo; o oitavo dia
representava então a eternidade, marcada pela aparição de um anjo que declara o fim do tempo“.
O espectáculo abriu e encerrou com a declamação de poesia pela actriz Beatriz Batarda, onde se ouviu pouco à vontade na lingua portuguesa, impreparo dos textos, emoção engasgada, a pontos de uma senhora ao lado comentar (em voz pouco baixa) um “não fiquei convencida”. Desvelou-se também uma faceta pouco conhecida de Paulo Nozolino, a de cenógrafo, apresentando uma instalação que consistia num imenso ecrã por detrás do quarteto, no qual se foi revelando com o andamento do concerto, um tríptico com rostos de 3 homens, provavelmente prisioneiros – à semelhança de Messiaen quando compôs a obra – 2 deles cortados a meio e apenas o rosto central em plano total, numa fotografia típica de prisioneiro. Sem dúvida uma analogia feliz, a prisão corta os homens ao meio mas ainda assim permanece neles uma luz e uma integridade, uma vez mais à semelhança com o compositor, que ainda que partido pela prisão nazi onde se encontrava, foi capaz de erigir (e até tocar para os seus captores) esta magnífica obra. O ecrã começa totalmente escuro e vai revelando essas fotografias até ao seu desaparecer total na imensa luz branca, final feliz e simbólico do retorno à luz eterna, também ele procurado por esta música religiosa.
Dois momentos de grande beleza, sensibilidade e mistério, foram o 5º andamento, Louange à l’Eternité de Jésus (Jesus-Palavra, no princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus e a Palavra era Deus) e o 8º e final, Louange à l’Imortalité de Jésus (a Palavra feita carne, Jesus-Homem, ressuscitado imortal) que ajudam a meditar no sentido desta obra dedicada ao eterno, que quanto mais não fosse, se me impunha também pela atenção a essa figura central e soberana que é Jesus Cristo, na sua faceta unificadora do bem e do mal, transcendendo a ambos pelo sacrifício e ascensão, desse modo sinalizando para o humano a possibilidade de um percurso de eternidade metafísica, em que poucos ainda hoje se atrevem sequer a acreditar. Messiaen, sem beliscar a religião católica a que pertencia, apresenta contudo aqui um quadro musical que vai muito para além da hipótese de dor, de perda, de materialidade, das trevas, ao invés a cada momento sublinhando os aspectos harmoniosos do silêncio e da luz/côr, numa ditosa emissão de vibrações de paz, sabedoria e amor.
Namaste, Olivier Messiaen.
PS – Nos próximos dias existem vários concertos de celebração deste aniversário, quem quiser saber mais pode visitar aqui, aqui e aqui.
PS2 [2008.12.15] Passados uns dias deste artigo, Augusto M Seabra publicou hoje a crónica ao concerto desta mesma obra, todavia tocado na Glubenkian no dia 1 de Dezembro por outros músicos. Vale a pena ler, aguardo com expectativa a recensão também deste concerto no CCB. Note-se que não sou crítico de música (nem de nada), apenas amante com sentido crítico, pelo que não há comparação entre o que escrevi e o imenso conhecimento que esse conhecido crítico denota.
PS3 [200.12.16] Hoje sim, publicada a nota sobre este concerto no CCB.
3 comentarios#5 a minha casinha
Vi ontem “O Segredo de um Couscous” de Abdel Kechiche. Só pelo magnífico (e longo) final – a fazer lembrar esse outro fantástico filme “Cotton Club” de Coppola – já valia a pena, mas não é só por isso, o filme merece na integra todos os prémios que já ganhou. A despeito de finais, alguns filmes que poderiam aspirar a outros encómios, menorizam-se um pouco chegada a hora do epílogo, sendo o fenómeno particularmente visível na cinematografia americana, para quem as directrizes do sucesso de bilheteira contam bastante, relembro um recente “Redbelt” de David Mamet. Se degustei duas obras-primas de cinema em 2008, este “couscous” foi uma delas, a outra, “Do Outro Lado“, de Fatih Akin. Ambos os realizadores “estrangeiros” no seu próprio país, Akin nascido na Alemanha de pais turcos, Kechiche tunisino que emigrou com os pais para França com 6 anos. A Europa vista por “outros europeus”… ainda não chegou a vez do cinema português, mas na música existe algo semelhante, Buraka Som Sistema, oiçam.
2 comentariosThe Portugals
A melhor capa de disco em PT que vi desde há muito tempo. A música tb se ouve muito bem, myspace da banda.
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