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	<title>abitpixel &#187; no país da fotografia</title>
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		<title>De que é que falamos, quando falamos de fotografia?</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Apr 2009 15:47:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoh</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div style="text-align: center;"><img class="imagem" src="http://www.culturgest.pt/arquivo/2009/ims/lempert.jpg" alt="" width="320" height="425" /></div>
<div style="text-align: center;"></div>
<p>
Algumas das exposições actualmente em cartaz em Lisboa, aludem directamente à questão em título. <strong>Jochen Lempert</strong> com <a href="http://www.culturgest.pt/actual/lempert.html" target="_blank"><em>Trabalho de Campo</em></a> na Culturgest, é uma delas, recorrendo a processos aparentemente simples e exibindo de forma modesta, coloca o espectador perante a sua própria expectativa, abalando convenções e convicções, é isto a realidade, é possível evidenciá-la em fotografia, numa espécie de questionamento em circuito fechado que parece sempre remeter mais na direcção daquele que vê do que propriamente sobre aquilo que está a ser visto. Embora pudesse ser visto sob a capa do conceptualismo na vertente da recusa do estético e da estilização em detrimento do ontológico, este trabalho parece apresentar uma poética própria que o distancia da frieza analítica, além do mais, pouco se socorrendo do apoio da linguagem para se &#8220;explicar ou da vontade ou necessidade de comunicar idéias ou conceitos.</p>
<div style="text-align: center;"><img style="max-width: 800px;" src="http://www.joaohenriques.com/abitpixel/wp-content/uploads/2009/04/rtp-sopro.png" alt="" /></div>
<p>
Com <strong>Rodrigo Tavarela Peixoto</strong> e <em>Aparelhos Breves</em> na <a href="http://www.sopro.pt/" target="_blank">Galeria Sopro</a>, em Lisboa, parece ser colocada em causa a função do objecto e também a noção de finalidade da arte (a cenoura à frente do burro&#8230;), para que serve, o que é, apenas existe aquilo que tem uma função? A noção de foto-escultura é patente, sublinhando a contradição entre a forma e a função, utilidade e ornamento, e tal como na exposição anterior, alguma aproximação à pintura, neste caso no modo como a luz cai no <em>still life</em>.</p>
<div style="text-align: center;"><img src="http://www.pente10.com/photos/sgl/11.kids.jpg" border="0" alt="" width="450" /></div>
<p>
Na galeria <a href="http://www.pente10.com/" target="_blank">Pente 10</a>, em Lisboa, o fotógrafo ucraniano <strong>Alexandr Glyadyelov</strong> com <em>The Prison Within</em>, um pouco diferente das propostas anteriores, esta talvez mais reconhecível como &#8220;fotografia&#8221;, face ao âmbito profusamente ilustrado e divulgado do fotojornalismo artístico, em jornais, revistas, prémios, etc. O documentário social tem características próprias que o distinguem e valorizam, a actualidade do tema, a ética, o humanismo, etc, contudo na utilização do preto e branco, é hoje práticamente impossível distinguir entre fotógrafos, Garry Winogrand, William Klein, Henry Cartier-Bresson, Robert Capa, James Nachtwey, firmaram o idioma desta categoria fotográfica, pelo que é sobretudo através da identificação do tema, que se faz a separação entre autores. Porém, a profundidade com que é trabalhado, a proximidade e a sensibilidade do fotógrafo e quiçá, a ubiquidade da presença mediatizada, são os factores que o tornam talvez no mais apetecido registo fotográfico, pelo grande público. Nesta exposição, são apresentadas visões da vida nas prisões na Rússia e Ucrânia, de meninos de rua e da toxicodependência.</p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://blog.photoshelter.com/image/edgar_lifeguard.jpg"><img style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 522px; height: 431px; text-align: center;" src="http://blog.photoshelter.com/image/edgar_lifeguard.jpg" border="0" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: left;">No Museu do Oriente, <a href="http://www.museudooriente.pt/530/topologies.htm" target="_blank"><em>Topologias</em></a>, de <strong>Edgar Martins</strong>, que está também exposto, como nomeado, na exibição do prémio Bes Photo 2008, no Museu Berardo. Alguns excertos: «<em>Ele (o trabalho) focaliza-se nos espaços onde se vislumbra a polaridade entre o espaço construído e o espaço natural. É um trabalho baseado em metáforas muito simples. À primeira vista, penso que poderia dizer-se que lida essencialmente com dois temas: o impacte do modernismo no meio ambiente e a fotografia enquanto processo de representação. O meu trabalho é auto-referente, ou seja, comunica ideias sobre o quão difícil é comunicar (&#8230;) Quando as coisas são simples, as pessoas são levadas a comprometer-se com o trabalho. Também me agrada partir do princípio de que a minha obra as leva a reflectir na fotografia como um processo. Os meios de comunicação tornam-nos muito passivos em relação à imagem visual. O que eu pretendo verdadeiramente é que as pessoas se comprometam cada vez mais com a imagem e com o ambiente exterior.</em>»;</p>
<p style="text-align: left;">Sobre a série representada na imagem exposta (O Teórico Acidental): «<em>Todo o meu trabalho que envolve a noite lida com a questão da representação através da ausência.</em>(&#8230;)<em>Estou interessado no aspecto teatral das imagens, na performance, mas não no sentido tradicional da palavra. Estou interessado em representar a performance do mundo consigo próprio enquanto conjunto de processos e factos.(&#8230;)</em><em>Muitas vezes perguntam-me se estas fotografias são feitas com recurso a pequenos cenários de estúdio. A ambiguidade é importante porque confere ao trabalho um lado teatral que é o que dá vida às imagens. A luz misteriosa é uma característica que une todos os trabalhos nocturnos e um dos aspectos que transmite uma carácter surreal a estas obras.(&#8230;)</em><em>Haverá pessoas que vão considerar que são controladas digitalmente &#8211; mas a verdade é que não são. Não há qualquer intervenção da minha parte, para além do enquadramento.» </em></p>
<p style="text-align: left;">Este trabalho de Edgar Martins aponta para uma simplificação dos códigos estruturantes da linguagem conceptual (e convencional) na fotografia, ainda que não deixa de ladoa noção de explicação da arte, contudo o objectivo é aproximar, não distanciar, num atitude que talvez apressadamente se possa designar de pós-conceptualista. Karl Popper tem uma posição muito semelhante sobre a linguagem, tornando-a difícil, leva-se à incompreensão e ao abandono, Einstein, por sua vez falou na diferença entre simplificar e tornar simplório. O artista parte de algumas das convenções idiomáticas da fotografia, sem perder de vista o aspecto ambivalente da representação/simbologia da imagem, na série <em>Paisagens do Além</em>, reverte para o aspecto belo e sublime, ancorando a perspectiva da morte e da mutação, partilhando com Roni Horn o fascínio pela Islândia,; na série <em>O Teórico Acidental</em>, o aspecto representacional faz-se também pela ausência, o que pode ser revelado pela escuridão; em <em>O Ensaio do Espaço</em>, a narrativa sobre o impacto do fogo na floresta portuguesa, que embora reflectindo sobre a impotência, apresenta também a capacidade de regeneração, o mito da Fénix; em <em>Aproximações,</em> o contacto com os <em>Terrains Vagues</em>, em que à semelhança com John Gossage se fazem experimentações formais, neste caso de luz.<br />
Na escolha do título <em>Topologias</em>, pode ser entendível a associação com a corrente americana designada como &#8220;novos topógrafos&#8221;, com quem parece ser partilhável uma visão artística objectiva, apoiada em rigor formal, analítico, quase parecendo tabelar em Robert Adams no acto de apreciação da beleza ao mesmo tempo ambicionando à mudança social, estetizando, sem no entanto deixar de remeter para uma realidade que é mais complexa que aquela que qualquer imagem pode abarcar.</p>
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		<title>#14 &#8230; no país da fotografia</title>
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		<pubDate>Sun, 08 Mar 2009 23:48:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoh</dc:creator>
				<category><![CDATA[geral]]></category>
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		<category><![CDATA[no país da fotografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Domingo de manhã, rodando pela A17, deparo, no vidro traseiro de uma camioneta de transporte de passageiros, ou deverei já dizer passageiras, revelando antecipadamente a trama, num cartaz onde se inscrevera &#8220;Dia Internacional da Mulher: fazemos o mesmo que os homens! E de salto alto!&#8221;. Ultrapassei o veiculo mas não o escrito,  pois até confirmei [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Domingo de manhã, rodando pela A17, deparo, no vidro traseiro de uma camioneta de transporte de passageiros, ou deverei já dizer passageiras, revelando antecipadamente a trama, num cartaz onde se inscrevera <em>&#8220;Dia Internacional da Mulher: fazemos o mesmo que os homens! E de salto alto!&#8221;</em>. Ultrapassei o veiculo mas não o <em>escrito</em>,  pois até confirmei pelo retrovisor se a <em>frente</em> corresponderia ao <em>verso</em>. Atrás do condutor, mumificado, talvez pela monotonia do conduzir em linha recta, e indiferente às mulheres em pé, uma nuvem de braços no ar, batendo palmas. Imaginei que cantavam, de preferência de salto alto. Sorri.</p>
<p>Este fim de semana foi de cálice cheio (de Porto), eis as notas da prova&#8230;</p>
<p style="text-align:center;"><span class="texto1"><strong>Li Zhensheng</strong> &#8211; <em>O Livro Vermelho de Um Fotógrafo Chinês</em> &#8211; Centro Português de Fotografia</span></p>
<p style="text-align:center;"><span class="texto1"><img class="aligncenter size-full wp-image-1267" title="20090307_lx_expo_019" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2009/03/20090307_lx_expo_019.jpg" alt="20090307_lx_expo_019" width="450" height="450" />©</span><span class="texto1">Li Zhensheng</span></p>
<p style="text-align:left;"><span class="texto1">O <em>Livro Vermelho</em> foi um dos símbolos maiores do domínio que uma ideologia pode atingir, quando servida por uma máquina de propaganda e repressão como a que foi montada na China de Mao Tse-Tung.  As imagens apresentadas são disso testemunho, como afirma <strong>Maria do Carmo Séren</strong>, &#8220;</span><span class="texto1"><em>fotografias que, vivendo, acima de tudo, a Revolução Cultural e a indefectível admiração por Mao Tsé Tung </em>(&#8230;)</span><span class="texto1"> <em>um mito de muita esquerda ocidental e </em>(que)<em> entusiasmou a contracultura. Trouxe-nos os kispos de nylon baratos, as camisas à Mao, os workshops de cultura de rua. Trouxe-nos, acima de tudo, uma China que parecia feliz e muito jovem, construindo um país com o Livro Vermelho e a ciência dos estudantes dos cursos médios, esses guardas vermelhos que Mao agraciou. Com as imagens de Li Zhensheng a humilhação inútil substitui a intransigência, a simulação do mito destrói a fé</em></span><span class="texto1">&#8221; (texto integral <a href="http://www.cpf.pt/exposicoes.htm#t1" target="_blank">aqui</a>). </span></p>
<p style="text-align:left;"><span class="texto1">É-nos mostrado em tom de proximidade o que foi uma ditadura do proletariado que se transformou numa ditadura <em>no </em>protelariado, ilustrando o impacto da ideologia numa consciência colectiva que com ela não soube o que fazer, testemunho que felizmente sobreviveu, graças à teimosia e astúcia de um fotógrafo, ele próprio vítima posterior das tentações <em>revisionistas </em>do seu país e daqueles para quem e com quem trabalhava. O aspecto propagandístico ressalta na maioria das fotos, muitas delas com um conteúdo estético quase cinematográfico a que certamente não será alheia a paixão inicial  que <strong>Li </strong></span><span class="texto1"><strong>Zhensheng</strong> </span><span class="texto1">nutria pelo cinema, à força convertida em serviço à pátria. Uma palavra para a legendagem, acrescendo à compreensão do abundante conjunto de imagens mostradas. No final, uma sensação algo apreensiva, se considerarmos que nestas fotografias </span><span class="texto1">estão </span><span class="texto1">simbólicamente contidas as sementes daquilo que parece ser a China actual, aparentando ainda ter uma visão sobre o mundo quase literalmente decalcada das páginas do <em>defunto manual</em>, com a diferença crucial de que agora o mesmo é debruado a ouro e o seu alcance se faz sentir muito para além das fronteiras internas desse país.</span></p>
<p style="text-align:left;">
<p style="text-align:center;"><span class="texto1">Colectiva &#8211; <em>Hospital de S. João, 3 Formas de Ver</em> &#8211; </span><span class="texto1">Centro Português de Fotografia</span></p>
<p style="text-align:center;"><span class="texto1"><img class="aligncenter size-full wp-image-1271" title="lfalves" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2009/03/lfalves.jpg" alt="lfalves" width="400" height="266" />©luís ferreira alves<br />
</span>
</p>
<p style="text-align:center;">
<p><span class="texto1">O formato de exposição colectiva em redor de um sujeito, é presentemente um dos conceitos mais complexos e interessantes que se pode encontrar na vertente da fotografia documental. Embora possa não existir uma colaboração estreita como existirá por exemplo numa equipa de investigação, em que os esforços comuns giram em volta de um sujeito confinado muitas vezes à hipótese-validação, no <em>colectivo</em> de fotógrafos existe uma soma de contributos individuais que, não estando confinados pelas barreiras do método cientifico, ainda assim não deixam de contribuir para uma noção de veracidade (não de verdade objectiva). Neste projecto, inserido nas comemorações dos 50 anos do Hospital de S. João, no Porto, é interessante o contraste obtido nas fotografias de 3 artistas com estilos, escolas e sensibilidades tão distintas, são eles </span><span style="font-weight:bold;">Luís Ferreira Alves</span>, <span style="font-weight:bold;">Olívia da Silva</span> e <span style="font-weight:bold;">Paulo Pimenta. </span></p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1273" title="lfa" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2009/03/lfa.png" alt="lfa" width="425" height="282" /><span class="texto1">©luís ferreira alves</span></p>
<p>Previamente à visita, já tinha visionado este <a href="http://artephotographica.blogspot.com/2009/02/t-res.html" target="_blank">post multimédia no Arte Photográphica</a>, que começa com uma curiosa frase de <strong>Luís Ferreira Alves</strong> &#8220;<em>cheguei à conclusão que o esquema conceptual das fotografias iria ser eu próprio, as fotografias que me saltassem ao caminho, eu tirava-as&#8221;.</em> Uma vez demonstrado ao que vinha, o fotógrafo exibe uma mão cheia de fotos absolutamente espantosas de rigor formal, de domínio técnico, mas que sem dúvida interpretam os valores do mesmo em relação ao local, um sítio feio, desinteressante, frio, escuro, sombrio, mórbido, que só a muito custo e de forma artificial consegue devolver algum lado de calor humano, contudo, isso não impedindo que o mesmo seja fotografado de forma verdadeira, realista e com tudo o que a palavra possa implicar, subjectiva. O &#8220;abalo ao conceptual&#8221; e a subjectividade do portfolio proposto poderão não deixar indiferentes os cultores da actual vertente neutral e objectiva da fotografia.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1274" title="osilva" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2009/03/osilva.png" alt="osilva" width="281" height="281" /></p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1275" title="osilva2" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2009/03/osilva2.png" alt="osilva2" width="281" height="282" />©olívia silva</p>
<p><strong>Olívia da Silva</strong> exibe uma visão também ela dotada de rigor e formalismo, embora neste caso talvez mais académico que estético. Pelas suas palavras, depreende-se que tenta fundir neste projecto de retrato, uma amostra de colaboradores, um aspecto artístico já presente no edifício que evidenciasse o aspecto de retrato (o quadro de D. João VI) e a mais complexa idéia de trazer colaboradores de várias áreas a um espaço cerimonial do hospital (a sala onde o quadro estava exposto) espaço esse que não lhes seria muito familiar. Confesso o meu gosto pelo retrato em formato quadrado, mas os planos escolhidos bem como a iluminação não me pareceram especialmente felizes. Por outro lado, a figura de D. João VI pela repetição (e posição ocupada no plano) parece ascender sobre as pessoas que estão a ser fotografadas, parecendo provocar um desequílibrio hierárquico que retira importância ao fotografado e fazendo duvidar sobre quem está a ser efectivamente a ser fotografado/representado. Quanto à ideia de colocar colaboradores em ambientes que lhes não são familiares, tal pode ser um interessante ponto de confluência entre escalões hierárquicos, todavia de que modo pode essa aproximação ser duradoura, ou temos apenas essa ilusão patente nas fotografias de que a fotografia supostamente pode ou deve promover alguma horizontalização da hierarquia? E poderá esse nivelamento ser compatível debaixo da égide de uma figura autocrática omnipresente nas fotografias, ou é apenas forjado com base no facto de D. João VI ter sido patrocinador da medicina em Portugal?</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1277" title="ppimenta1" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2009/03/ppimenta1.png" alt="ppimenta1" width="425" height="282" /></p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1278" title="ppimenta21" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2009/03/ppimenta21.png" alt="ppimenta21" width="423" height="282" />©paulo pimenta</p>
<p><strong>Paulo Pimenta</strong> apresenta uma abordagem cunhada no fotojornalismo, tal como num ensaio de cobertura de um evento, tentando dar uma visão abrangente do mesmo, ou para utilizar  as suas próprias palavras &#8220;da entrada até à saída&#8221; (do hospital, leia-se) proporcionando uma visão que tenta aproximar o  espectador da vivência na vida hospitalar, os aspectos íntimos e reconhecidos da vivência hospitalar, a dor, o sofrimento, a angústia, a espera, o acto laboral, alternando entre o fotograma realista e algumas metáforas visuais, complementando e completando este interessante projecto.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>Júlio de Matos</strong> &#8211; <em>Flat Water</em> &#8211; Galeria Serpente, Porto</p>
<p style="text-align:left;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1268" title="20090307_lx_expo_043" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2009/03/20090307_lx_expo_043.jpg" alt="20090307_lx_expo_043" width="600" height="400" /></p>
<p style="text-align:left;">Para quem não conhece o Porto, a Rua Miguel Bombarda é o ponto fulcral das artes na cidade, onde se contam fácilmente umas 4/5 dezenas de estabelecimentos, entre lojas, galerias, ateliers, etc, ligados às artes, ao design, etc, sendo promovido mensalmente o dia das inaugurações, que a torna numa artéria apinhada de pessoas e eventos interessantes, quase porta sim porta sim, num frenesim cultural sem paralelo no país (infelizmente). Este sábado foi um desses dias, o que conjugado com o dia solarengo, trouxe a essa arty rua um ambiente de festa, quase a descambar na overdose cultural.</p>
<p style="text-align:left;">É nessa rua, mais concretamente na Galeria Serpente que reside até 4 de Abril esta exposição de <a href="http://www.juliodematos.com/" target="_blank"><strong>Júlio de Matos</strong></a> em cujo statemente se lê &#8220;<em>1 &#8211; A bidimensionalidade e horizontalidade da superfície da água, quando em repouso. A água enquanto conceito inicial de espelho, que gerou mais tarde o conceito de espelho com memória.<br />
2 &#8211; A bidimensionalidade da impressão fotográfica, e a sua aparente tridimensionalidade provocada pela nossa incontrolada capacidade para descodificar a informação fotográfica como uma janela sobre a realidade.<br />
3 &#8211; A bidimensionalidade dos artefactos gráficos justapostos com um rigor pixelizante na superficie da imagem fotográfica, podem questionar a aparente tridimensionalidade da imagem ao propor á visão um exercício mental de reconciliação perceptiva.</em>&#8221;
</p>
<p style="text-align:left;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1269" title="20090307_lx_expo_045" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2009/03/20090307_lx_expo_045.jpg" alt="20090307_lx_expo_045" width="600" height="400" /></p>
<p style="text-align:left;">A apresentação desta série, está também complementada por um texto a cargo de <strong>Bernardo Pinto de Almeida</strong>, intítulado &#8220;Para uma semiologia prática da imagem&#8221;, possívelmente ancorado na incapacidade descodificadora a que alude o artista no ponto 2 do statement. A temática do elemento Água é usada como pretexto para um paralelo encontrado com os limites do fotográfico, a água como espelho e como elemento portador de memória (a este respeito ver os trabalhos de <a href="http://www.masaru-emoto.net/english/e_ome_home.html" target="_blank">Masaru Emoto</a>: Mensagens da Àgua), a bidimensionalidade da superfície aquática, qual prova de impressão e finalmente, numa vertente talvez menos percetível à ligação com a Água, os elementos gráficos introduzidos, digitalmente suponho , os quais confesso, me fizeram vir à  cabeça uma frase que vi num projecto fotográfico americano &#8220;i&#8217;m going Baldessari&#8221;. O aparente quebrar daquilo que se espera perceber numa imagem onde a natureza é dominante, induzido pelas linhas geométricas introduzidas artificialmente, tem efectivamente o dom de relançar o questionamento sobre a forma de olhar não só a natureza, como a matriz simbólica nela aposta, contudo parece também esse acto introduzir nesta série um elemento de complexidade talvez dispensável, pois creio que a mesma já contém uma riqueza conceptual considerável, mesmo considerando apenas a proposta dos pontos 1 e 2 do statement.</p>
<p style="text-align:left;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1279" title="20090307_lx_expo_046" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2009/03/20090307_lx_expo_046.jpg" alt="20090307_lx_expo_046" width="600" height="400" />Não que discorde de um certo desconforto provocado pelo sobreposição gráfica em imagens algumas delas de uma beleza relativamente kitsch, a arte também pode desconfortar mesmo sem que para isso tenha que necessiriamente <em>epater le bourgeois</em>, chocando ou subvertendo. A minha dúvida prende-se talvez com o facto de que o dispositivo empregue parece não contracenar adequadamente não só com o conceito de espelho e memória, mas além disso, dificulta a leitura simbólica da imagem, mais contribuindo para o adensar semiótico da mesma, ainda que sendo trabalhado no espectador talvez o desconstruir de uma certa forma de olhar, para posterior reconstrução da mesma com base em novos dados. Não conheço o trabalho anterior deste fotógrafo, pelo que se torna difícil perceber a sua trajectória apenas com base no texto introdutório ou no CV, todavia parece aparente a vontade de abrir novos caminhos da sua expressão fotográfica, ainda que não descolando do cariz identificador da prática anterior. Com base no que nesta exposição é dado a observar, existem dados suficientes que permitem antecipar entusiasmo e expectativa na antevisão de novos desenvolvimentos, face a esta exposição que foi talvez a mais interessante da tarde, não tanto pelo aspecto pictórico,  mas sobretudo pela proposta conceptual nela contida.</p>
<p style="text-align:left;">O dia não quis terminar sem mais uma exposição, desta feita uma pequena mostra de artistas do colectivo <a href="http://www.lab65.com/" target="_blank">lab65</a> na FNAC do NorteShopping. Pouco há a dizer, apenas duas fotos de cada fotógrafo, deu para ficar com uma idéia acerca dos trabalhos promissores das gentes sobretudo ligadas ao Norte, mas com um ou outro elemento também do Sul, quase todos com o denominador comum da premiação em concursos de renome. Foi pena não ter conseguido apanhar a <em>&#8220;Hospitalidade&#8221;</em> do <strong>Paulo Catrica</strong>, que esteve na galeria dos Silos do NorteShopping, pois que já estava em fase de desmontagem.</p>
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		<title>#13 &#8230;no país da fotografia</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Feb 2009 10:49:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoh</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Desta vez, uma mão cheia de visitas, as do fim de semana, mais a atrasada nota da ida ao Porto, para ver o prémio BesRevelação 2008, exposto em Serralves. Manuel Luís Cochofel &#8211; The Inner World of Valentina 170167 &#8211; Galeria Pente 10, Lisboa A exposição está distribuída por 2 pisos, no primeiro são exibidas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Desta vez, uma mão cheia de visitas, as do fim de semana, mais a atrasada nota da ida ao Porto, para ver o prémio <i>BesRevelação 2008</i>, exposto em Serralves. </p>
<div align="center"><b>Manuel Luís Cochofel</b> &#8211; <i>The Inner World of Valentina 170167 &#8211; </i>Galeria<i> </i>Pente 10, Lisboa</div>
<p>
<div align="center"><img class="alignnone size-full wp-image-1642" title="foto" src="http://www.a23online.com/portal/wp-content/uploads/2009/01/fotoblog.jpg" alt="" height="304" width="400" /></p>
</div>
<p>A exposição está distribuída por 2 pisos, no primeiro são exibidas imagens retiradas de sites da Internet dedicados à busca de parceiro para fins matrimoniais, fotografadas directamente do ecrã. O fotógrafo seleccionou imagens que os utilizadores colocaram como sendo as mais propícias à auto descrição, num curioso exercício de &#8220;curadoria&#8221; acerca do retrato fotográfico. Esta exposição vem num momento <i>quente</i> acerca das apropriações e direitos de autor no fotográfico, com o processo movido a <b>Richard Prince</b> pela apropriação de fotos de <b>Patrick Rastafarian</b> na série <i>Canal Zone</i> e o caso mais conhecido do já icónico poster de Obama (agora toda a gente quer ter um <a target="_blank" href="http://obamiconme.pastemagazine.com/">obamavatar</a>), resultando numa acção contra <b>Sheppard Fairey,</b> movida pela Associated Press.</p>
<p>O que senti ao olhar as fotos foi uma estranha sensação de falsidade, de irreal, todavia parece ser essa &#8211; pelo menos em parte &#8211; a dinâmica que está por detrás do desejo de se dar a conhecer nestes &#8220;lugares virtuais&#8221;, onde se mostra sobretudo a imagem &#8220;luminosa&#8221;, alegre, simpática, etc, resultando contudo numa sensação de artificialidade, ainda que pelo menos um dos candidatos tenha mostrado acerca de si uma coluna de fumo proveniente de uma explosão que ocorreu perto da sua casa, o que certamente daria uma tese sobre as motivações casamenteiras deste pretendente&#8230; Na sala mais abaixo, e na continuação do projecto, o fotógrafo <i>desvenda</i> algo dessa personagem virtual mas com uma vida real, a quem fora atribuído pelo site de busca o nome de código Valentina 170167. Recorrendo a um <i>medley</i> &#8211; para usar a linguagem musical, que pelos vistos privilegiou também nesta exposição &#8211; de imagens suas provenientes de outros projectos, é exibida uma sequência que remete para o <i>estado interior</i> da pessoal real subjacente, as suas motivações, desejos, fantasias, etc. <b>Manuel L Cochofel</b> urde uma narrativa ficcionada à qual não faltam motivos de interrogação, sabendo-se no entanto que à pergunta &#8220;o que está esta fotografia aqui a fazer&#8221; pode estar subjacente&nbsp; uma boa ou má intenção. A fotografia no molde &#8220;arte contemporânea&#8221; aprofunda-se neste artista, que embora desenvolvendo um empenhado trabalho de afirmação, aparenta, estranha e injustamente, ser ignorado pela crítica local, pelo que se saúda de forma ainda mais pronunciada a aposta da Pente10 neste fotógrafo.</p>
<div align="center"><b>Paulo Nozolino</b> &#8211; <i>Bone Lonely &#8211; </i>Galeria Quadrado Azul, Lisboa</div>
<p>
<div align="center"><a href="http://alexandrepomar.typepad.com/.a/6a00d8341d53d453ef010536dcb10c970b-pi"><img alt="Noz1aweb" class="at-xid-6a00d8341d53d453ef010536dcb10c970b" src="http://alexandrepomar.typepad.com/.a/6a00d8341d53d453ef010536dcb10c970b-320wi" /></a></div>
<p>Num formato muíto diferente do habitual, quer a nível da dimensão exterior, dos acabamentos ou até de alguns recursos estéticos, mas revelando a mesma alma empática perante o sofrimento e a dor no mundo que lhe é reconhecida, imagens sempre evocantes do limiar entre a redenção e a crucificação, pelo que o trabalho embora substancialmente alterado na forma apresentada, não deixa de ter uma marca autoral vincada. Como afirma <b>Alexandre Pomar</b> na crónica sobre a exposição em <a href="http://alexandrepomar.typepad.com/alexandre_pomar/2009/01/as-fotografias-de-paulo-nozolino-reencontram-se-cada-vez-mais-com-o-sentimento-da-cat%C3%A1strofe-que-marca-como-premoni%C3%A7%C3%A3o-ou.html">Nozolino 2009</a>, e acerca da obra deste fotógrafo, &#8220;<i>sem a distância que se recomenda ao testemunho e sem a arma segurizante da ironia trata-se de uma descida aos infernos</i>&#8220;. </p>
<p>Parece evidente a existência de uma forte afirmação neste trabalho, da parte de um artista que tradicionalmente usou o mesmo grande formato expositivo anos a fio, ao apresentar agora material que cabe numa folha A4. Tal acto poderá ter subjacente várias leituras, por um lado, a possível ruptura com o <i>caminho certo</i> preconizado pela arte contemporânea, i.é, aquele que para ascender ao sucesso parece ter que passar por um aprisionante e asfixionante <i>mais do mesmo</i>, canône esse aqui parcialmente abalado, sobretudo numa faceta que até agora tem sido um dos focos da discussão sobre fotografia contemporânea, a de que o <i>tamanho conta</i>. Já era conhecida a invalidação, ao menos parcial, desse mesmo caminho pelo fotógrafo, ao recusar a nomeação para o prémio BesPhoto. Por outro lado, na actual conjuntura depressiva por todos conhecida, o artista parece emular o momento, através de um aparente &#8220;baixar&#8221; de expectativas, retornando a um formato aparentemente mais realista ou então, apenas mais deprimido financeiramente. Aspectos mais especulativos à parte, parece seguro o facto de <b>Paulo</b> <b>Nozolino</b> conseguir mais profundidade e mistério numa fotografia sua, ainda que <i>suja</i>, <i>feia</i> ou <i>pequena</i>, que outros fotógrafos em séries inteiras.</p>
<div align="center"><b>António Júlio Duarte</b> -&nbsp;<a href="http://artephotographica.blogspot.com/2009/02/jesus-nunca-falha.html"><i></i></a><i>Jesus Never Fails</i> &#8211; Museu da EDP, Lisboa</div>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/_ZRMrNHzFJQI/SXsCkYsBRpI/AAAAAAAADl0/MSH0QEOb9UU/s1600-h/22.jpg"><img style="display:block;width:400px;height:400px;text-align:center;margin:0 auto 10px;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ZRMrNHzFJQI/SXsCkYsBRpI/AAAAAAAADl0/MSH0QEOb9UU/s400/22.jpg" border="0" /></a><br /> <a href="http://artephotographica.blogspot.com/2009/02/jesus-nunca-falha.html"><i>Jesus Never Fails</i></a>, é o título desta série que <b>António Júlio Duarte</b> fotografou em Goa, frase encontrada num autocarro indiano &#8211; imagem que todavia não aparece na série mostrada, &#8220;para adensar o mistério&#8221; explica o fotógrafo, mas cuja <i>leitmotiv</i> poderia muito bem ter inspirado uma outra &#8220;<i>God Doesn´t Exist&#8221; </i>que tanta polémica deu recentemente, também ela escrita numa autocarro, desta feita europeu. O puzzle apresentado, e de facto, a fotografia quadrada presta-se bem a esta noção de puzzle enigmático, é composto por estranhas coreografias animais, fragmentos de memória da presença portuguesa no território, texturas de degradação, aspectos de construção/desconstrução do território, que embora apresentados sob a forma de uma realidade fragmentada, são unificados por um título feliz que evoca o não acaso, a desfragmentação,a unidade, a continuidade e sobretudo o <i>infalível</i> processo de contínua mutação entre nascimento, crescimento e morte, de todos-parte que dão origem a novos todos-parte, quer pela integração, quer pela dissolução dos elementos anteriores. Se existe exposição em que o título claramente é maior que a soma das fotografias, esta é certamente uma delas, sem qualquer desprimor para as imagens apresentadas.</p>
<div align="center"><b>Vários artistas</b> &#8211; <i>BesRevelação 2008</i>, Museu de Serralves, Porto</div>
<p>Este BesRevelação visando a descoberta de jovens valores na fotografia, apresenta este ano trabalhos de <b>Mariana Silva, Nikolai Nekh</b> e <b>David Infant<span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:verdana;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:Georgia;"></span></span></span>e</b><a href="http://vaiumagasosa-galeria.blogspot.com/2009/02/dav<br />
id-infante.html">.</a>A primeira destes artistas, apresenta um espaço onde podem ser vistos pequenos registos filmícos do pós-25 de Abril, com recurso a um instrumento chamado moviola, que projecta a imagem num pequeno ecrã, onde se podem ver fotogramas manipulados e realinhados de modo a proporcionar um visionamento algo desconcertante, certamente visando colocar em causa a capacidade do meio para reter a <i>verdade</i>. Embora este projecto se enquadre num âmbito algo escorregadio face ao que se poderia considerar fotográfico, é de notar que os prémios Bes, em conjunto com o trabalho de alguns outros actores do meio, tem vindo a alargar um pouco o escopo do que tradicionalmente se conhecia como fotográfico, e embora não isentos de polémica, tem o condão de poder contribuir com novos horizontes. <b>Nikolai Nekh</b> apresenta imagens que transformou em postais e um video &#8211; editado e com velocidade alterada &#8211; de gravações familiares, trabalhando aspectos ligados á memória e ao local. <b>David Infante</b> apresenta aquele que pode ser o projecto mais fotográfico dos três, numa série aparentemente inspirada naquele que parece ser uma linha de influência em si, <b>José Manuel Rodrigues</b>, de quem é assistente. O uso dos quadrados, do preto e branco, das colagens, dos elementos Terra, da utilização das imagens do fotógrafo como sujeito, evocam essa filiação, que contudo descarta as linhas de mero decalque, conseguindo aportar novos destinos, criar originalidade, numa selecção onde a memória e a identidade parecem ser os conceitos privilegiados.&nbsp; Devo dizer que simpatizei com qualquer um dos projectos, no de Mariana, pelo aspecto conceptual que coloca em dúvida a capacidade das imagens apresentarem uma qualquer verdade, algo que foi apresentado de uma forma muito interessante. Em Nikolai, um registo fotográfico de forte conteúdo estético, adensando o conceito com o recurso á instalação video, hoje em dia tão em voga, embora nem sempre acrescentando algo de novo. (abaixo fotos de <b>David Infante</b> retiradas da <a href="http://vaiumagasosa-galeria.blogspot.com/2009/02/david-infante.html">galeria gasosa)</a>.</p>
<div align="center">&nbsp;<span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:verdana;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:Georgia;"><img src="http://i476.photobucket.com/albums/rr130/vaiumagasosa/23.jpg" style="cursor:pointer;width:350px;" alt="" border="0" /></span></span></span><br /><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:verdana;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:Georgia;"></span></span></span></div>
<p><span class="Apple-style-span" style="font-size:small;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:verdana;"><span class="Apple-style-span" style="font-family:Georgia;"><br /></span></span></span>
<div align="center"><img src="http://i476.photobucket.com/albums/rr130/vaiumagasosa/19.jpg" style="cursor:pointer;width:350px;" alt="" border="0" /></div>
<p>
<div align="center"><img src="http://i476.photobucket.com/albums/rr130/vaiumagasosa/06.jpg" style="cursor:pointer;width:350px;" alt="" border="0" /></div>
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		<title>#12 &#8230; no país da fotografia</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Jan 2009 12:34:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoh</dc:creator>
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		<category><![CDATA[exposições]]></category>
		<category><![CDATA[no país da fotografia]]></category>

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		<description><![CDATA[Esta série &#8220;no país da fotografia&#8221; começa a parecer-se um pouco com uma certa fase da minha vida em que fotografava Jazz até cair. Sendo a motivação nesse tempo o &#8220;ouvir&#8221;, menos o fotografar, dei por mim a ter que assitir a muito concerto secante, razão pela qual, entre outras, fui deixando a fotografia de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Esta série &#8220;no país da fotografia&#8221; começa a parecer-se um pouco com uma certa fase da minha vida em que fotografava Jazz até cair. Sendo a motivação nesse tempo o &#8220;ouvir&#8221;, menos o fotografar, dei por mim a ter que assitir a muito concerto secante, razão pela qual, entre outras, fui deixando a fotografia de jazz para trás. A situação dentro de mim era já de tal modo incomportável, que face á minha paralisia, o Universo enviou um ladrão para me sacar o equipamento todo, no seguimento de um dia e noite <em>estranhos</em> após um Estoril Jazz. Isto a propósito de andar a percorrer exposições, não por obrigação mas por gosto, todavia está-me  a custar escrever sobre coisas que não gosto, portanto tenho que utilizar a táctica feia em termos críticos que é a de fechar os olhos e escrever apenas sobre o que gosto.</p>
<p>Este fim de semana fui ao Museu da EDP ver &#8220;<em>Retratos, 10 anos do Microcrédito em Portugal</em>&#8221; que conta com fotos de vários elementos do colectivo <a href="http://www.kameraphoto.com/" target="_blank">Kameraphoto</a> entre outros fotógrafos. O retrato não é uma categoria fácil, talvez seja aliás das mais difíceis, pois na maioria das vezes não conta com a colaboração do retratado e se isso acontece, é por vezes complicado <em>ensaiar</em> a naturalidade. São 40 os retratos, de outras tantas pessoas que recorreram a essa bela iniciativa que se iniciou com <a href="http://www.google.pt/aclk?sa=l&amp;ai=CPO5a5Rd3Sb3RC8yN-gaMw-CVB9ny2DjpzruBA8vi6XsQASC2VCgCUJ20i4j4_____wFg7fzdhawboAGpsP7-A8gBAaoEGU_QWyM7fDQG4O-Rr0uxI-KnHus4DLNzXGw&amp;num=1&amp;sig=AGiWqtw5NZbZ4smPvaqp4D1GsXJK3caCQQ&amp;q=http://www.grameenfoundation.org/welcome/muhammad_yunus/">Muhammad Yunus,</a> a maioria dos registos que se observam nesta exposição seguem um tom relativamente fotojornalistico, ainda assim alguns fotógrafos optaram dentro do género por apresentar um trabalho um pouco diferente. Dentre os que me cativaram encontram-se os de <a href="http://www.valtervinagre.com/en/" target="_blank"><strong>Valter Vinagre</strong></a>, pode-se ver abaixo um deles, <img style="max-width:800px;" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2009/01/20090117-lx-expo-001.jpg" alt="" width="652" height="489" /></p>
<p>uma outra série (cada fotógrafo entrou com 3 se não estou em erro) de que gostei foi a de <a href="http://www.kameraphoto.com/portfolio/sr/" target="_blank">Sandra Rocha</a>, da qual abaixo se reproduz uma, já tinha gostado bastante do trabalho que apresentara no &#8220;<a href="http://abitpixel.wordpress.com/2008/10/27/3-no-pais-da-fotografia/" target="_blank">Testemunhos &#8211; Trajectos de Qualificação</a>&#8220;.<br />
<img style="max-width:800px;" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2009/01/20090117-lx-expo-004.jpg" alt="" width="650" height="487" /></p>
<p>Para o fim deixo aquela que sem dúvida me cativou o olhar durante mais tempo, este trabalho de Nelson d&#8217;Aires, que está soberbo (fotos retiradas directamente do site do artista em <a href="http://www.nelsondaires.net/index/">nelson d&#8217;aires)</a></p>
<div style="text-align:center;"><img src="http://www.nelsondaires.net/photos/uncategorized/2008/12/15/na_exposicao_microcredito2.jpg" alt="Photo" /></div>
<div style="text-align:center;"></div>
<div style="text-align:center;"><img src="http://www.nelsondaires.net/photos/uncategorized/2008/12/15/na_exposicao_microcredito1.jpg" alt="Photo" /></div>
<div style="text-align:center;"></div>
<div style="text-align:center;"><img src="http://www.nelsondaires.net/photos/uncategorized/2008/12/15/na_exposicao_microcredito3.jpg" alt="Photo" /></div>
<div style="text-align:center;">
<div></div>
<div style="text-align:left;">Ainda no mesmo local (o Museu da Edp está a ficar uma referência incontornável nas artes plásticas, já em seguida uma exposição de <em>Jesus Never Fails</em>, de <strong>António Júlio Duarte</strong>) visitei <em>Lá Fora</em>, colectiva de artistas consagrados ou novos valores que residem ou residiram no estrangeiro. São cerca de 200 trabalhos de vários domínios &#8220;diversas linguagens, diversos suportes e técnicas, diferentes gerações&#8221;. Alguma fotografia, <strong>Edgar Martins, Júlia Ventura, Rita Barros, Brigida Mendes</strong> e um ou outro nome menos conhecido. Exposição que tenta encontrar um fio condutor da portugalidade na diáspora, fio esse que ora invisível ora menos ténue, se vai enlaçando no visitante, na medida em que se sustente um olhar mais cuidado. A nível fotográfico nada que me apetecesse <em>trazer para casa</em>, quando muito este <strong>Edgar Martins</strong> que abaixo se reproduz (foto feita no local), sobre quem já aludi <a href="http://abitpixel.wordpress.com/2008/12/05/edgar-martins/" target="_blank">aqui</a>.<br />
<img style="max-width:800px;" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2009/01/20090117-lx-expo-007.jpg" alt="" width="651" height="488" /></div>
<div>
<p style="text-align:left;">Terminei com a passagem pela galeria 3-em-1 VPF-Rock-Plataforma Revólver, para visitar <em>Boys Need Yoga Too</em> de <strong>Tatiana Macedo</strong>, da sinopse do projecto pode-se ler &#8220;<em>as imagens que vemos nesta exposição são uma parte<br />
do trabalho resultante de uma viagem de Tatiana Macedo à China, no Verão de 2008. Quando decidiu passar dois meses em Xangai, não foi cheia de ideias pré-definidas sobre o que iria desenvolver, investigar. Decidiu deixar coisas em aberto, para tentar perceber o que a cidade lhe proporcionava. Uma coisa é sempre certa. A fotografia é o seu suporte primordial. Em todas as suas múltiplas abordagens, seja mais documental, mais propositadamente “promocional”, mais conceptual. O importante em cada projecto seu é a maneira como se relaciona com o sujeito que escolhe, como se tentasse relatar e reflectir o seu contexto social, sem nunca o transformar num número ou numa percentagem. Para nos obrigar a pensar exaustivamente no outro, naquele<br />
que não somos nós. Naquilo que nos aproxima, ou no que supostamente nos afasta. Em Xangai, ao fotografar quem passava na rua apercebeu-se de uma diferença marcante. As raparigas naquela cidade não usavam calças de ganga, não usavam roupa “casual”. Estavam sempre ultra femininas, bem vestidas, arranjadas. Os rapazes a seu lado eram quase invisíveis, não se destacavam. Foi irresistível, passou dois meses a fotografar as mulheres no metro, na rua, a comer, a divertirem-se. Em cada imagem relaciona-se sempre com uma mulher, de cada vez, por um breve instante. Temos a sensação que sem o conhecimento destas. Sentimos que quase sorrateiramente, a artista investiga as jovens raparigas chinesas. Investiga também, obviamente, o seu papel na China de hoje.</em>&#8221;<br />
Imagens retiradas de <a href="http://www.artecapital.net/rockgallery/index.php?id=6">Tatiana Macedo &#8211; Boys need yoga too | VPF Rock Gallery</a><br />
<img src="http://www.artecapital.net/uploads/rock/57.jpg" alt="" width="220" /> <img src="http://www.artecapital.net/uploads/rock/22.jpg" alt="" width="220" /> <img src="http://www.artecapital.net/uploads/rock/65.jpg" alt="" width="220" />
</p>
<p style="text-align:left;">Não sei se é herdeira neste fotografar que aqui nos mostra do mestre <strong>August Sander </strong>(ver foto abaixo), mas tenta-se nesta exposição dar uma visão de um país, de uma cultura, através da moda, o que é sempre interessante, embora esta seja talvez uma perspectiva redutora sobre este trabalho&#8230;</p>
<div><img style="cursor:0;" src="http://www.raederscheidt.com/Vintage%20AR%201927%20von%20August%20Sander%20ret_bearbeitet-3.jpg" alt="http://www.raederscheidt.com/Vintage%20AR%201927%20von%20August%20Sander%20ret_bearbeitet-3.jpg" width="252" height="340" /></div>
<p style="text-align:left;">Com muito menos, <a href="http://thesartorialist.blogspot.com/">The Sartorialist</a>, faz muito mais&#8230; mas fiquei com vontade de ir á China&#8230;</p>
</div>
</div>
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		<title>#11 &#8230; no país da fotografia</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Jan 2009 22:38:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoh</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Analisada isoladamente esta imagem poderia demonstrar o &#8220;partido&#8221; tomado pelo fotógrafo, no caso eu, mas não se trata de fotojornalismo, ou documentalidade do contemporâneo, nem sequer da rápida associação ou denúncia da &#8220;escalada&#8221; do conflito, como a imagem pode sugerir, nesta guerra como em qualquer outra nunca há vencedores. Vou apenas tentar ilustrar uma idéia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-871" title="02a-14" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2009/01/02a-14.jpg" alt="02a-14" width="600" height="450" /></p>
<p>Analisada isoladamente esta imagem poderia demonstrar o &#8220;partido&#8221; tomado pelo fotógrafo, no caso eu, mas não se trata de fotojornalismo, ou documentalidade do contemporâneo, nem sequer da rápida associação ou denúncia da &#8220;escalada&#8221; do conflito, como a imagem pode sugerir, nesta guerra como em qualquer outra nunca há vencedores. Vou apenas tentar ilustrar uma idéia que hoje me ocorreu ao visitar a <strong>exposição do colectivo francês Odessa na <a href="http://www.kameraphoto.com/kgaleria/" target="_blank">Galeria K</a></strong> (kameraphoto) e que é justamente a da descontextualização e da sensação de desorientação daí advinda, também da dificuldade em penetrar, quando considerada uma foto individualmente. Pode-se ler no site  &#8220;<em>O projecto de Patrick, parte de um abcedário em que cada um dos fotógrafos foi livre de editar segundo a sua inspiração. Uma oportunidade para cada membro do colectivo compor um vocabulário imagético comum, a partir de uma escolha de palavras reveladora de sensibilidades e preocupações. Este projecto, POUR ZARMA, CHANGER À BABYLONE, é o primeiro passo na construção da identidade colectiva pois elseu modus operandi, estilo e objectivos.</em>&#8221;</p>
<p>Ao percorrer as fotografias expostas, foi-me difícil encaixar na temática face à aparente diversidade estilística, formal, contextual, sem dúvida proporcionada pelo &#8220;colectivo&#8221; nas suas diferentes expressões fotográficas, mas informo que nada li previamente, assim que entrei fui ver as fotos. Como ultimamente me tenho embrenhado em ver sobretudo trabalhos individuais (à excepção das exposições colectivas tipo BESart), trabalhos esses que aparentam ter uma direcção, um cunho bem marcado, não que aqui essa direcção não exista, talvez por isso essa minha dificuldade. Embora a unicidade se vá revelando à medida que a atenção aumenta, confesso que inicialmente andei a tentar &#8220;colar as pontas&#8221; o que não foi de todo desagradável, até porque os puzzles têm o seu encanto. Á medida que fui estando um pouco mais com as imagens, mais o conteúdo se foi revelando e embora sentisse algumas fotografias como estando descontextualizadas, todavia o &#8220;chapéu&#8221; que as abriga é tão vasto que sem dúvida fazem outro sentido. Aparentemente a única ligação com a imagem que tenho acima é a de que por vezes isoladamente, é difícil apreender a essência do que se propõe.</p>
<p style="text-align:center;"><img class="aligncenter" src="http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/ficheiros/31/21/ficheiro2131_mpicqqwuzol.jpg" alt="http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/ficheiros/31/21/ficheiro2131_mpicqqwuzol.jpg" /></p>
<p>Ainda visitei <a href="http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt/default.asp?s=12128&amp;ctd=4812" target="_blank">MANEL ARMENGOL. TRANSIÇÕES. 70s em Espanha, China, Estados Unidos</a> no Arquivo Municipal de Lisboa, pode-se ler no site &#8220;<em>Esta exposição reúne uma selecção de 75 fotografias da colecção da Fundación Foto Colectania, realizadas por Manel Armengol (Badalona, 1949) em Espanha, nos Estados Unidos e na China durante os anos setenta. Estes três países, apesar de muito diferentes, tanto geográfica como culturalmente, viviam em comum, um período de mudanças fundamentais na sua história. A obra de Manel Armengol representa este momento, numa perfeita simbiose entre o lugar, o tema fotografado e o olhar do próprio fotógrafo. </em>&#8221; Esta exposição é um caso curioso, as fotografias embora se possam confundir com tal, parecem não encaixar bem no icónico &#8220;momento exacto&#8221; da linhagem preto e branco-humanista-cartierbressoniano, aliás mais parecendo o pós-cartierbresson,  um registo mais próximo do americano do que do europeu. Algo que me pareceu peculiar, sobretudo nas fotos da China, que de facto parece casar bem com a idéia de transição e que tem a ver com os olhares fotografados, em que quase nunca se consegue identificar para onde se dirigem, algo que inevitavelmente se associa à incerteza da mudança, todavia esta séria chinesa não é loquaz no retrato da mudança, ainda que em discretas filigranas ela se possa vislumbrar. Nas fotos de Espanha, as manifestações barbaramente rechaçadas pela polícia abrem um pouco mais o espaço ao contexto proposto da &#8220;mudança&#8221;, mas nas fotografias dos Estados Unidos novamente o véu se torna mais discreto, ainda que a questão racial, a sexualidade e outras temáticas sejam abordadas, a sensação que fica é a de que o fotojornalismo praticado é-o &#8220;ao longe&#8221;, nunca &#8220;close enough&#8221; como defendia Capa.</p>
<p>[Update, às 2 e tal da manhã do dia seguinte]</p>
<p>Um pouco na linha do que escrevi na primeira parte deste artigo acerca da foto que publiquei, encontrei um post de <a href="http://alessandrasanguinetti.com/">Alessandra Sanguinetti</a> no blog da Magnum, <a href="http://blog.magnumphotos.com/2009/01/on_editorial_responsibility.html" target="_blank">discutindo a responsabilidade editorial</a> da publicação de uma imagem sobre as tropas israelitas, na primeira página de uma edição do NY Times, que para quem não sabe, é um dos jornais de referência americanos. De certo modo, os blogs também tem uma responsabilidade editorial, daí ter escrito o que escrevi.</p>
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		<title>#10 &#8230; no país da fotografia</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Dec 2008 15:38:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoh</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Visita à exposição Listen Darling… The World is Yours, na Ellipse Foundation em Alcoitão, mostra que &#8220;reúne trabalhos de mais de quarenta artistas que, no seu conjunto, evidenciam as mudanças radicais pelas quais a cultura passou nas suas dinâmicas psico-sexuais, durante os últimos trinta anos. A exposição, que se organiza em torno de alguns trabalhos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Visita à exposição <a href="http://www.ellipsefoundation.com/site/pt/index.html">Listen Darling… The World is Yours, </a>na Ellipse Foundation em Alcoitão, mostra que &#8220;<em>reúne trabalhos de mais de quarenta artistas que, no seu conjunto, evidenciam as mudanças radicais pelas quais a cultura passou nas suas dinâmicas psico-sexuais, durante os últimos trinta anos. A exposição, que se organiza em torno de alguns trabalhos fundamentais de Louise Bourgeois,  Eija-Liisa Ahtila e Shirin Neshat, entre outros, observa o modo como as mulheres vêem as mulheres, as mulheres vêem os homens, os homens as mulheres e os homens os outros homens, muitas vezes através da confrontação directa com a sexualidade e as políticas sexuais(&#8230;)“Listen, Darling” – uma expressão extremamente comum na gíria gay, conotando simultaneamente uma intimidade ligeiramente irónica e um certo cinismo – segue-se a surpresa: “The World is Yours”. A sua conjugação coloca outras questões: A quem pertenceu esse mundo? A quem pertence agora? O que significa ser-se responsável e assumir a sua propriedade? </em>&#8221; A Ellipse Foundation for Contemporary Art, face ao nome, poderia pensar-se tratar de uma qualquer iniciativa estrangeira em Portugal, mas já é por demais sabido nestes dias que é tão sómente o depósito de arte do recentemente e <em>in extremis</em> salvo da forca, Banco Privado Português. As tricas dos últimos tempos deixam um rasto pouco diáfano sobre a operativa, mas são contas de outras auditorias.</p>
<p>Esta era uma exposição com muito interesse para mim, pois prossigo um trabalho de ligação entre o papel do género (gender role) e as danças tradicionais, não se tratando contudo da dissecação da mediatização simbólica do mesmo, à semelhança dos trabalhos de <strong>Cindy Sherman</strong> com a feminilidade.  Das várias obras presentes nas diferentes categorias da arte contemporânea, conta-se alguma fotografia, que como seria de esperar face à tematica, contém <strong>Nan Goldin</strong>, <strong>Cindy Sherman</strong>, mas surpreendentemente, nada de  <strong>Duane Michals, </strong><strong>Robert Mapplethorpe</strong><strong> </strong>ou<strong> Andy Warhol</strong>, contudo é desconhecido se a colecção foi pensada ou estruturada à volta de alguma dinâmica específica do contemporâneo, ou se, utilizando uma expressão contabilistica, face <em>às existências</em>, era a mostra possível, no entanto podem existir no acervo obras desses autores sem que tenham aqui sido mostradas, embora seja algo pouco provável, considerando a temática proposta, o nome dos autores e o respectivo valor comercial.</p>
<p>Da parte fotográfica destaco 3 retratos, este de <a href="http://www.ryanmcginley.com/" target="_blank"><strong>Ryan McGinley</strong></a>, cheio de disponibilidade, de à vontade, insinuante, exalando sexualidade por todos os poros.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-747" title="20081213_lx_expo_006_pt" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/12/20081213_lx_expo_006_pt.jpg" alt="20081213_lx_expo_006_pt" width="537" height="391" /></p>
<p>Estoutro de uma artista que me tem vindo a encher o olho, <a href="http://www.rinekedijkstra.net/" target="_blank"><strong>Rineke Dijkstra</strong></a>, aliás em seguida rumei à colecção do BES no CCB,  quase só para olhar os retratos dos forcados, cuja paralelo com este parece ser a associação da masculinidade com o uso dos uniformes, aqui veja-se como é sintomática essa noção, pois trata-se dum soldado da Legião Francesa, exército para onde só iam de facto &#8220;homens&#8221;.<img class="aligncenter size-full wp-image-748" title="20081213_lx_expo_002_pt" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/12/20081213_lx_expo_002_pt.jpg" alt="20081213_lx_expo_002_pt" width="450" height="600" /></p>
<p>Finalmente este de <strong><a href="http://www.sugimotohiroshi.com/" target="_blank">Hiroshi Sugimoto</a></strong>, que me deixou em suspensão, sem palavras, talvez um dos melhores retratos que jamais vi e que só por si valeu toda a exposição. Em abono da verdade, trata-se de uma obra &#8220;falsa&#8221;, reencenada a partir de uma figura de cera, com técnicas de iluminação estudadas da pintura Renascentista, mas a verosimilhança é tal, que conforme sugere o artista &#8220;<span class="style6">If this photograph now appears lifelike to you, you had better reconsider what it means to be alive here and now&#8221;, após esta constatação, sinto-me verdadeiramente desapontado e enganado, é assim a fotografia&#8230;</span></p>
<p><span class="style6"><img class="aligncenter size-full wp-image-749" title="20081213_lx_expo_004_pt" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/12/20081213_lx_expo_004_pt.jpg" alt="20081213_lx_expo_004_pt" width="375" height="447" /></span></p>
<p>No campo dos usos mais diferenciados da fotografia, um favorito é <strong>John Baldessari</strong> (na foto abaixo)</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-750" title="20081213_lx_expo_019" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/12/20081213_lx_expo_019.jpg" alt="20081213_lx_expo_019" width="600" height="450" />a quem claramento prefiro a <strong>Richard Prince</strong>, que embora fazendo correr rios de tinta das penas pensantes, como aliás <strong>Cindy Sherman</strong>, ambos pouco me divertem, curiosamente nesta mostra, uma foto do primeiro, em que ambos aparecem juntos (foto seguinte).</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-751" title="20081213_lx_expo_012_pt" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/12/20081213_lx_expo_012_pt.jpg" alt="20081213_lx_expo_012_pt" width="600" height="450" /></p>
<p><span class="style6">Finda esta panorâmica, onde espero voltar pois a mostra estará até Agosto do próximo ano, voltei a <em>O Presente: Uma Dimensão Infinita</em>, colecção do BES que está exposta no Museu Berardo . Já me referi por duas vezes aqui no blog a esta colecção,<a href="http://abitpixel.wordpress.com/2008/10/08/1-visitas-ao-pais-da-fotografia/" target="_blank"> a primeira vez</a> vi-a no espaço denominado BESart ao Marquês de Pombal, achei-a uma mostra estranhamente estruturada, talvez melhor dizendo, com critério vago. Referi após a <a href="http://abitpixel.wordpress.com/2008/12/01/9-no-pais-da-fotografia/" target="_blank">primeira visita ao Museu Berardo</a> que algumas obras da colecção não estavam expostas, de facto assim é, mas se não estou em erro a ala &#8220;Arquitectura&#8221; da primeira vez que lá fui, não se encontrava aberta ao público, tapada que estava detrás de uma foto de Jeff Wall. Na altura aludi ao sentimento de que gostaria de ter visto<strong> Sugimoto</strong>, ora nessa ala lá está não apenas uma, mas duas fotos do artista, bem como toda a <em>tendência dusseldorfiana</em>, minha <em>besta negra</em>, mas da qual me quero ver livre, ou como dizia alguém do whisky, &#8220;se não gostas, tens que beber mais até passar a gostar&#8221;&#8230; vai ser difícil, o único que me parece comover é <strong>Struth</strong>, mas sou um tanso que fotografa e vê fotografia à espera (também) de se emocionar.</span></p>
<p><span class="style6">Entre as duas exposições que visitei, o critério da mostra torna-se mais interessante na primeira, com efeito as subdivisões propostas no BES (retrato, arquitectura, natureza, etc) embora possam parecer fáceis à vista, são um exercício de facilitação parecido com os que algumas políticas educacionais portuguesas visam atingir, ao invés do simplificar, surge o simplório, preversa antitese do objectivo a que se propõe, mas <a href="http://alexandrepomar.typepad.com/alexandre_pomar/2008/11/nuno-viegas-no-ccb.html" target="_blank">aqui</a> isto está tudo muito melhor explicado (ver caixa de comentários).</span></p>
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		<title>#9 &#8230; no país da fotografia</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Dec 2008 21:34:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoh</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Fim de semana bem passado, cheio de fotografia, mas não só, aparecem espaços artealternativos por Lisboa, por vezes com propostas interessantes, casos da Fábrica de Braço de Prata e da Lx Factory, ainda que estes sejam sobretudo frequentados por artistas em formação/afirmação, evidentemente ainda não integrados no circuito &#8220;oficial&#8221;. Comecei pela colecção de fotografia do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_687" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img class="size-full wp-image-687" title="01-d-01" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/12/01-d-01.jpg" alt="©2008 - autoretrato" width="600" height="450" /><p class="wp-caption-text">©2008 - autoretrato</p></div>
<p>Fim de semana bem passado, cheio de fotografia, mas não só, aparecem espaços artealternativos por Lisboa, por vezes com propostas interessantes, casos da Fábrica de Braço de Prata e da Lx Factory, ainda que estes sejam sobretudo frequentados por artistas em formação/afirmação, evidentemente ainda não integrados no circuito &#8220;oficial&#8221;. Comecei pela colecção de fotografia do Bes no Museu Berardo, aliás, por onde haveria de ser, já me tinha referido <a href="http://abitpixel.wordpress.com/2008/10/08/1-visitas-ao-pais-da-fotografia/" target="_blank">atrás à primeira (a)mostra</a> da mesma no espaço denominado BesArte, no edifício do banco, ao Marquês de Pombal. Em face da pouca informação disponibilizada na altura da visita, despercebi o caminho que a colecção tomava, agora, é-nos levantado não só um pouco do véu que presidiu à aquisição das obras, como também um maior número delas, permitindo um olhar mais aprofundado. Muito animadora a grande aposta em autores portugueses e sobretudo em jovens, alguns deles agraciados pelo BesRevelação (autores até 30 anos, não percebo bem porque é que não pode haver revelações mais tardias), posso dizer que gostei muito de algumas dessas propostas, aliás mais, do que da maioria das dos autores consagrados portugueses.</p>
<p>A esse propósito fiz uma viagem pelo site <a href="http://www.anamnese.pt/" target="_blank">Anamnese</a>, um tremendo trabalho de <strong>Miguel von Hafe Perez</strong> e colaboradores, &#8220;<em>Anamnese é um projecto que visa a criação de uma plataforma de informação sobre as artes plásticas em Portugal e sobre a actividade dos artistas portugueses no contexto internacional na segunda metade do séc. XX, a partir de uma cronologia de eventos no período compreendido entre 1993 e 2003.</em>&#8221; Tentei revisitar toda a fotografia produzida/exposta nesse período e um fenómeno curioso sucedeu comigo, gostei imenso de muitas das primeiras obras de vários autores, mas em face de visões de trabalhos mais recentes dos mesmos, desgostei da maior parte. Uns, poucos, de quem não aprecio particularmente a obra agora, o registo manteve-se, porque a obra deles não mudou de tom, talvez se chame a isso coerência, que provavelmente tem um determinado valor de mercado, outros de quem gostava, continuei a gostar. Ou seja, na minha percepção do percurso de alguns desses autores, houve uma degradação visível na qualidade da obra, mas como não sou expert nem crítico, dificilmente descortinarei razões para tal, se existem.</p>
<p>Nesta mostra da colecção do BES não estão expostas algumas obras, mas que se sabem presentes, após visionamento do catálogo editado, ele próprio um esforço louvável de várias pessoas ligadas ao meio fotográfico. A aposta da aquisição foi centrada no séc. XXI, pois desse modo reflectiria os valores do banco, modernidade, inovação e o bla bla bla que se sabe. Todavia, como se sabe os bancos não são instituições de misericórdia, portanto haverá outros valores por detrás e certamente um deles será o potencial de valorização, pois criam-se fundos para tudo e mais alguma coisa, algum deles estará indexado à cotação da colecção, sacando-se uns cobres a clientes ávidos de risco, faz-se uma colecção com o &#8220;pêlo do cão&#8221;. Se o mercado cair, o risco é tranferido para o detentor da participação et voilá, o mecenato a fazer grande figura. Mas pode não ser bem assim e apenas deliro&#8230; Se neste caso a procura cria a oferta e se tal está ligado com a degradação (às minhas vistas) do trabalho de alguns artistas, é uma questão que ainda pode carecer de maior clarificação. Mas tudo isto são apenas possibilidades, não existe aqui nada de ilegal nem de condenável, agora porque é que tanta instituição financeira compra arte actualmente, sabendo que não há almoços de borla&#8230; Aliás a posição do BES é interessante sobretudo no domínio da fotografia, cria 2 ou 3 prémios, adquire obras aos premiados, sabendo que o simples facto de adquirir a A ou B pode fazer aumentar a cotação do artista, uma engenhoca destas no mercado de capitais teria que ser muito bem explicada, como estamos nas artes, está tudo correcto.</p>
<p>Mas nada disto tem que ver com a qualidade das obras, portanto fora estes apartes, do ponto de vista didático foi para mim uma excelente visita, que aliás espero repetir mais vezes antes de acabar. Foi maravilhoso ver ao vivo a obra de alguns autores, <strong>Baldessari, Struth, Wall, Eggelston, Dijkstra, Goldin, Michals, Moffatt, Tillmans</strong>, fiquei com pena de não ver <strong>Alessandra Sanguinetti, Sugimoto</strong>. Dos portugueses que ainda não conhecia, gostei bastante do que estava exposto de <strong>Gabriela Albergaria, Vasco Araújo e Pedro Barateiro</strong>. Embora não pudesse ter uma visão do conjunto dos portugueses por se encontrarem espalhados pelas diversas temáticas em que se encontram agrupadas as obras, revisito o catálogo e vejo muito aparato, mas pouca ousadia, risco, criatividade, diferença, dizer que há muita <em>natureza morta</em>, é uma metáfora&#8230;</p>
<p>De caminho, uma boa exposição da pintura provocante e sem concessões de <strong>Nuno Viegas</strong>, um autor que desconhecia e que muito apreciei (apesar do choque de cores e traços), na Galeria Arte Periférica ao CCB. De seguida ainda fui à Lx Factory, por onde ainda não tinha passado, uma exposição de fotografia intitulada &#8220;Insular&#8221; de <a href="http://alexanderkoch.com/" target="_blank">Alexander Koch</a>, fotógrafo ligado á moda e publicidade portuguesa,  em que o desenho da interacção entre os corpos e o vidro onde desempenham figuras de dança, confere ao corpo um carácter de ilha. As fotos estão bem trabalhadas mas acho-as talvez mais interessantes como ensaio para uma revista de moda do que para uma exposição, ou então ainda vinha de vistas alagadas pela colecção do BES. A alegoria do título é interessante, embora os corpos como ilhas, na maneira como o fotógrafo registou a interacção, pareça tudo menos solitária ou isolada, talvez possa significar que vivemos como ilhas, mesmo quando aproximamos e tocamos o outro. Ainda deu para visitar a exposição dos alunos finalistas de Artes Plásticas do politécnico de Tomar, onde a simpática autora <strong>Gabriela Carraínho</strong>, teve a bondade de me ciceroniar, devo confessar que vi alguns trabalhos muito interessantes, embora nenhuma proposta inestimável ao nível da fotografia. O potencial desta Lx Factory para a animação cultural alternativa lisboeta é enorme.</p>
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		<title>#8 &#8230; no país da fotografia</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Nov 2008 00:41:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoh</dc:creator>
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		<description><![CDATA[X Bienal de Vila Franca de Xira Importante certame da fotografia nacional, esta Bienal é um ponto de paragem obrigatório a quem se pretende afirmar no panorama fotográfico luso, folheando o catálogo de 1999 por lá estavam nomes hoje reconhecidos como Daniel Malhão, Valter Vinagre, Virgílio Ferreira, etc. Embora não tenha lido o regulamento (porque [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;"><strong>X Bienal de Vila Franca de Xira</strong></p>
<p>Importante certame da fotografia nacional, esta Bienal é um ponto de paragem obrigatório a quem se pretende afirmar no panorama fotográfico luso, folheando o catálogo de 1999 por lá estavam nomes hoje reconhecidos como <strong>Daniel Malhão</strong>, <strong>Valter Vinagre</strong>, <strong>Virgílio Ferreira</strong>, etc. Embora não tenha lido o regulamento (porque já não está online), não sei quais foram os critérios de selecção, mas é de acreditar que o amadorismo iniciado se mantenha de fora deste género de concursos, desse modo facilitando a tarefa ao júri, que se vê dispensado de analisar propostas pouco consistentes, mas e se é admitida a concurso uma dessas propostas, que por acaso (???) até o vem a ganhar? Do fotógrafo pouco se pode dizer, ambicionou-ganhou, é (quase) tão fácil como enviar um cupão, mas do júri? Que estava comprado (o fotógrafo em questão é de Vila Franca)? Que teve uma branca colectiva no acto de analisar aquelas fotos?  Quanto ao regulamento, não há uma alinea a impedir que os fotógrafos ganhadores dos anos transactos se voltem a inscrever no ano seguinte ou seguintes? Isto é algum campeonato de futebol de salão, com taças para todos os gostos e sempre com os mesmos concorrentes, que a avaliar pelo catálogo da competição se vão revezando nas participações e prémios? É também questionável o prestígio com que ficam os fotógrafos vencedores das edições anteriores face a estas políticas.</p>
<p>Mas vamos ao que interessa, que são as fotos, mencionarei brevemente algumas que me chamaram à atenção, da série de 6 com que cada autor podia concorrer:</p>
<div id="attachment_625" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><img class="size-full wp-image-625" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081122_lx-danc_010_pt.jpg" alt="afonso padilha" width="450" height="338" /><p class="wp-caption-text">alipio padilha</p></div>
<p style="text-align:left;">Este trabalho de <a href="http://luzdepalco.blogspot.com/" target="_blank"><strong>Alípio Padilha</strong></a> provocou-me sentimentos um pouco contraditórios, bom domínio da técnica fotográfica, mas creio não ter entendido a série no seu todo, são as vicissitudes de se ver uma exposição a correr, ainda assim sinal positivo. Depois de dar uma volta por <a href="http://luzdepalco.blogspot.com/" target="_blank">este blog</a>, talvez se faça mais luz.</p>
<p style="text-align:left;">
<div id="attachment_626" class="wp-caption aligncenter" style="width: 348px"><img class="size-full wp-image-626" title="ml cochofel" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081122_lx-danc_014_pt.jpg" alt="manuel luis cochofel" width="338" height="450" /><p class="wp-caption-text">manuel luis cochofel</p></div>
<p style="text-align:left;">A série &#8220;<em>Youth</em>&#8221; (que estava também exposta na Biblioteca Municipal em paralelo com estas fotos a concurso) de <a href="http://www.cochofel.net/galeria/" target="_blank"><strong>Manuel Luís Cochofel</strong></a> não deixou grandes memórias, um ou outro retrato interessante, mas o efeito de solarização vincado, creio não ter beneficiado esta série, ainda assim é notória na sua obra, uma vontade de experimentação ao nível do &#8220;efeito especial&#8221; (ver <em>Infrared</em>), portanto pode-se tratar de uma marca distintiva. Contudo há um pulular de géneros na sua fotografia, retrato, paisagem, fotojornalismo, arquitectura, grafismos, que não consigo descortinar bem em que linha se assume, talvez não seja essa a sua idéia, saúda-se o ecletismo. Sucedendo-se as técnicas e os géneros, a temática geral parece estar ligada a metáforas do contemporâneo (<em>Rolling Lives, Tags</em>), cujos trabalhos embora composicionalmente interessantes, no tratamento do contéudo parecem por vezes trabalhados de modo um pouco vago, ou então sou eu que me baralho por tanta variedade.</p>
<p style="text-align:left;">
<div id="attachment_627" class="wp-caption aligncenter" style="width: 347px"><img class="size-full wp-image-627" title="joao margalha" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081122_lx-danc_016_pt.jpg" alt="joao margalha" width="337" height="450" /><p class="wp-caption-text">joao margalha</p></div>
<p style="text-align:left;"><a href="http://www.joaomargalha.com/default.asp" target="_blank"><strong>João Margalha</strong> </a>foi prémio Fnac novos talentos em 2005, percebe-se através da fotografia qual é a filiaçao estética da mesma e o interesse no tema (<em>Antenas </em>é o título da série), dada a licenciatura e pós-graduação em Planeamento Urbano. Um documentalismo bem feito, neste caso não muito entusiasmante, embora tenha vistos coisas interessantes no seu <a href="http://www.joaomargalha.com/default.asp" target="_blank">site</a>.</p>
<p style="text-align:left;">
<div id="attachment_628" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><img class="size-full wp-image-628" title="jorge graça" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081122_lx-danc_018_pt.jpg" alt="jorge graça" width="450" height="337" /><p class="wp-caption-text">jorge graça</p></div>
<p style="text-align:left;">Belo trabalho de retrato sobre a família este de <strong>Jorge Graça</strong>, justamente mencionado com honra, as fotos falam por si.</p>
<div id="attachment_629" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><img class="size-full wp-image-629" title="marcio vilela" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081122_lx-danc_020_pt.jpg" alt="marcio vilela" width="450" height="338" /><p class="wp-caption-text">marcio vilela</p></div>
<p>Outro registo que me agradou, pelos vistos também ao júri, que mencionou honrosamente. <a href="http://marciovilela.com/" target="_blank"><strong>Márcio Vilela</strong></a>, apresenta uma síntese bem conseguida entre a paisagem/natureza e os veículos/acção humana.</p>
<p style="text-align:left;">
<dl class="wp-caption aligncenter">
<dt class="wp-caption-dt"></dt>
</dl>
<p style="text-align:center;">[Fotos retiradas, respeitando o pedido do autor, <strong>Da Maia Nogueira</strong>]</p>
<p style="text-align:left;">O <em>drama</em> desta Bienal, o vencedor ex-aequo da mesma <strong>Da Maia Nogueira</strong>, apresentou estas fotos, algumas delas desfocadas, acabamento da fotografia pb de má qualidade (mas isso seria mal menor se o resto fosse muito bom), planos de composição de fraco nível e os títulos das fotos&#8230; a segunda chama-se &#8220;filhos, um bem precioso&#8221;, a seguinte&#8221;leite, fonte de alimento&#8221;. Mas será que perdi alguma coisa? Entendo e aprecio o registo humanista, mas tirando isso, era mesmo necessário premiar esta desgraça? Coincidentalmente o autor vive em Vila Franca&#8230; <em>si non é vero é benne trovatto</em>.</p>
<div id="attachment_633" class="wp-caption aligncenter" style="width: 348px"><img class="size-full wp-image-633" title="irene gonçalves" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081122_lx-danc_031_pt.jpg" alt="irene gonçalves" width="338" height="450" /><p class="wp-caption-text">irene gonçalves</p></div>
<div id="attachment_634" class="wp-caption aligncenter" style="width: 347px"><img class="size-full wp-image-634" title="irene gonçalves" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081122_lx-danc_032_pt.jpg" alt="irene gonçalves" width="337" height="450" /><p class="wp-caption-text">irene gonçalves</p></div>
<p>Este foi o outro trabalho que obteve o grande prémio em ex-aequo com o anterior, uma série de 6 fotos de <strong>Irene Gonçalve</strong>s, em que está tudo bem feito técnicamente, um registo com alguma poética, mas uma menção honrosa creio que serviria bem esta proposta, não o grande prémio.</p>
<div id="attachment_635" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><img class="size-full wp-image-635" title="luis rocha" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081122_lx-danc_034_pt.jpg" alt="luis rocha" width="450" height="338" /><p class="wp-caption-text">luis rocha</p></div>
<p><strong>Luis Rocha</strong> apresenta um fotojornalismo <em>à la Magnum</em>, quando bem feito &#8211; como é o caso deste trabalho &#8211; torna-se sempre interessante, embora o tema desta vez seja em tons mais leves e não com as infelizmente habituais desgraças africanas. Dado que se anuncia por aí a morte do fotojornalismo, veremos que derivações poderão estes autores enunciar futuramente nas suas obras. Menção honrosa.</p>
<div id="attachment_636" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><img class="size-full wp-image-636" title="catia aguiam" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081122_lx-danc_037_pt.jpg" alt="catia aguiam" width="450" height="337" /><p class="wp-caption-text">catia aguiam</p></div>
<p>Gostei bastante deste trabalho de <strong>Cátia Aguiam</strong>, que não teve direito a prémio. A proposta é forte, ilustrar o preconceito, a inveja, a vaidade, a arrogância, o assédio, o moralismo, etc, tudo isso ligado á identidade <span style="text-decoration:line-through;">de género</span>, perdão, do papel do género (gender role), não é propriamente uma tarefa fácil e se bem que o recurso à colagem tenha facilitado essa dinâmica, mesmo sem ela, as fotos sobreviveriam muito bem. Ironia, citação, conceito, técnica, estudo, tudo isso é visível, mas ou da colagem dadaísta ou da encenação ou duma consciência crítica directa, a la neorealismo, algo não <em>colou</em> bem no júri que não premiou esta mistura.</p>
<div id="attachment_637" class="wp-caption aligncenter" style="width: 348px"><img class="size-full wp-image-637" title="paulo roberto" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081122_lx-danc_042_pt.jpg" alt="paulo roberto" width="338" height="450" /><p class="wp-caption-text">paulo roberto</p></div>
<div id="attachment_638" class="wp-caption aligncenter" style="width: 347px"><img class="size-full wp-image-638" title="paulo roberto" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081122_lx-danc_050_pt.jpg" alt="paulo roberto" width="337" height="450" /><p class="wp-caption-text">paulo roberto</p></div>
<p>Alguém precisa de um calendário prá oficína? <a href="http://www.studio8a.pt/http://www.studio8a.pt/" target="_blank">Paulo Roberto</a> vende (vá lá, pelo menos não ganhou prémio). Proposta para novo workshop: como desgraçar fotografias com recurso a moças maravilhosas&#8230;</p>
<div id="attachment_639" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><img class="size-full wp-image-639" title="Colette Douillard" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081122_lx-danc_052_pt.jpg" alt="Colette Douillard" width="450" height="338" /><p class="wp-caption-text">Colette Douillard</p></div>
<p>Numa versão masculina da proposta anterior, menção honrosa para esta série sobre o nú masculino de <strong>Colette Douillard</strong>, a título de curiosidade, ela e <strong>Paulo Roberto</strong>, inscritos na Bienal como representantes da Soc. Nacional de Belas Artes. Pelos vistos o nú masculino a dar cartas aqui pelo Bienal, é caso para desconfiar se não anda práqui o tal de lobby (gastei a piada homofóbica da semana)&#8230; e se as &#8220;belas artes&#8221; lusas não andam perdidas pela rua do <em>desespero</em>.</p>
<div id="attachment_640" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><img class="size-full wp-image-640" title="andreia lima" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081122_lx-danc_055_pt.jpg" alt="andreia lima" width="450" height="338" /><p class="wp-caption-text">andreia quelhas lima</p></div>
<p>Se houvesse uma categoria de fábula do contemporâneo PB, a mim convencia-me esta série de <strong>Andreia Quelhas Lima</strong>, que nada ganhou.</p>
<div id="attachment_641" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><img class="size-full wp-image-641" title="João Grama" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081122_lx-danc_059_pt.jpg" alt="João Grama" width="450" height="338" /><p class="wp-caption-text">Rui Pedro Rafael</p></div>
<p>Menção honrosa para este trabalho de <strong>Rui Pedro Rafael</strong> (Iade), ilustrar um proposta com forte conteúdo arquitéctónico, com recurso a lentes de 35 mm não me parece boa idéia (como eu percebo a falta de fundos, o médio formato ficava aqui a matar&#8230;) as linhas aparecem tortas (a minha foto agravou isso), noutra vertente técnica, as altas luzes tem excessivo protagonismo nas fotos, enfim problemas técnicos que ainda assim deixam entrever um proposta conceptual que <em>pode estar</em> ligada ao abandono do trabalho produtivo, á reconfiguração do local, etc. Um trabalho interessante, mas não digno de menção, sobretudo devido a problemas técnicos.</p>
<div id="attachment_642" class="wp-caption aligncenter" style="width: 348px"><img class="size-full wp-image-642" title="Pedro Ramos Santos" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081122_lx-danc_061_pt.jpg" alt="Pedro Ramos Santos" width="338" height="450" /><p class="wp-caption-text">Pedro Ramos Santos</p></div>
<p><strong>Pedro Ramos Santos</strong> (Iade) enganou-se na porta, os estudos cromáticos da fotografia são avaliados no Bes&#8230;</p>
<div id="attachment_643" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><img class="size-full wp-image-643" title="José Gomes Oliveira" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081122_lx-danc_012_pt.jpg" alt="José Gomes Oliveira" width="450" height="338" /><p class="wp-caption-text">José Gomes Oliveira</p></div>
<p>Afinal não havia engano não, o Bes é mesmo aqui, menção honrosa para este exercício escolar, pelos vistos começa a fazer escola a premiação dos usos <em>estratégicos</em> da fotografia.</p>
<p>A fotografia é uma excelente ferramenta de expressão criativa, embora nem todos tenham ganho prémios, todos saíram (saímos) beneficiados. De realçar positivamente o apoio e a visibilidade que o municípo vilafranquense concede à fotografia, com várias exposições a decorrer em paralelo noutros espaços do concelho. A acabar a tarde ainda visitei o <em>Museu do Neorealismo</em>, edificío bonito do arq <strong>Alcino Soutinho</strong>, aberto ao público desde Outubro de 2007, numa visita bem agradável à história desse <em>movimento </em>na arte portuguesa, sendo contudo conveniente deixar o cartão do partido á porta, pois entra-se em território maioritariamente <em>vermelho</em>.</p>
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		<title>#7 &#8230; no país da fotografia</title>
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		<pubDate>Sun, 16 Nov 2008 18:57:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoh</dc:creator>
				<category><![CDATA[geral]]></category>
		<category><![CDATA[exposições]]></category>
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		<description><![CDATA[&#8220;PMC/ P.M.I. Passport&#8220;, José Luis Neto Na Galeria IPT, em Tomar, mais uma volta pelo país da fotografia, desta feita na sua faceta &#8220;arte contemporânea&#8221;. A escolha deste artista &#8211; premiado Besphoto em 2005 &#8211; para a primeira exposição desta nova galeria do Instituto Politécnico local (que oferece uma licenciatura em Fotografia) é algo que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><em>&#8220;PMC/ P.M.I. Passport</em><em>&#8220;, </em><strong>José Luis Neto</strong></p>
<p style="text-align:center;"><strong><img class="alignnone size-full wp-image-544" title="imprensa-web" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/imprensa-web.jpg" alt="imprensa-web" width="300" height="452" /><br />
</strong></p>
<p>Na <a href="http://www.galeriaipt.blogspot.com/" target="_blank"><em>Galeria IPT</em></a>, em Tomar, mais uma volta pelo país da fotografia, desta feita na sua faceta &#8220;arte contemporânea&#8221;. A escolha deste artista &#8211; premiado Besphoto em 2005 &#8211; para a primeira exposição desta nova galeria do Instituto Politécnico local (que oferece uma licenciatura em Fotografia) é algo que me convoca alguma reflexão. Algumas <a href="http://abitpixel.wordpress.com/" target="_blank">páginas atrás</a>, <em>bati</em> no excessivo protagonismo daquilo que me parece ser uma corrente de utilização estratégica da fotografia, ligada a um academismo formalista, pouco inovador, mais preocupado com normas e métodos. Parece-me que este autor está de certo modo ligado a essa corrente, mas, e desconheço ainda porquê mas tentarei encontrar-me, neste projecto não se me oferece a mesma vontade de <em>violência</em>. Seja porque sou natural de Tomar e estou naturalmente satisfeito por lá ver a fotografia singrar, ou porque coloco em causa os meus handicaps, provavelmente ligados a uma visão da fotografia de pendor humanista, ou vanguardista, ou demasiado <em>Magnumnizado</em> que foi o meu cérebro, pela presença contínua de autores na cabeceira do leito. Ou então, simplesmente simpatizo com alguns projectos de José Luis Neto, como foi o caso deste. Diga-se, em abono da verdade, que em termos de fotografia no seu molde &#8220;tradicional&#8221; não há ali nada para <em>ver</em>, mas em abundância parece haver o questionamento sobre o modo como se vê.</p>
<p>Uma certa tendência despolitizada ou melhor dizendo menos partidarizada, porque a política até é interessante, sobretudo se não tiver partidos, mas dizia eu, uma abordagem mais fenomenológica, questionando o experiencial, embora não pareça ser uma marca muito vincada neste autor, ou pelo menos neste projecto, dela se podem vislumbrar alguns traços. Do que se lê no blog da <a href="http://galeriaipt.blogspot.com/2008/11/exposio-de-jos-lus-neto.html" target="_blank">galeriaipt</a> &#8220;<em>estas imagens são então utilizadas como base para um trabalho que vai interrogar a natureza e os limites do fotográfico, da representação e da autoria</em>&#8220;, inferimos a parte da desconstrução do <em>medium</em>, enfim, todas as artes necessitam dos seus falsos dramas do tobias ou não tobias, mas descambo. Evidentemente que não se trata apenas disso, a mutabilidade é o que abre caminho aos novos processos, aos novos ciclos de criação-manutenção-destruição, mas ver toda a gente a fazer do mesmo, já é algo assim <em>estranho</em>. Este trabalho pode não ter <em>fotografia</em>, mas tem idéias interessantes através da mesma, as quais são apresentadas em paralelo com o processo do questionamento do meio em si, se o mesmo serve a identidade do estudo proposto, é uma questão a reflectir. Em torno de alguma comunidade fotográfica contínua o debate sobre se &#8220;é isto fotografia&#8221;, a resposta parece ser a de que sim, também é, embora noutros moldes que importa também entender, de modo a que o percurso do &#8220;fotográfico&#8221; se vá tornando perceptível e transmutando em novas abordagens.</p>
<p>A imagem falhada, o apagar da identidade em favor da identificação, entre outros dados deste trabalho, são factores interessante quando analisadas do ponto de vista da divergente distância entre o Eu real e o Eu imaginado, que conduz à neurose colectiva contemporânea, com frisa a psicologia. No entanto, em que medida é que esta arte contribuí &#8211; se é que tem que o fazer &#8211; para que entre o humano possa emergir a empatia, a compreensão e a congruência, é resposta que provavelmente daqui não virá. Não se estando em presença de uma exposição que sob alguns critérios (será que servem aqui??) se possa considerar <em>conseguida</em>, vemos contudo um artista que tem preserverado na afirmação da sua linguagem (ver <em>Continuum, 22474, 22475 Anónimo</em>, projecto <em>7 Maravilhas</em>), num obra que procura levantar questões importantes, se depois a um nível mais plástico as mesmas tem <em>conteúdo</em> isso parece não ter tanta importância no esgrimir destas propostas. Convém no entanto referir que esta atitude da convergência entre os trabalhos ao nível da coerência da linguagem utilizada, da temática conceptual &#8211; nalguns casos apenas uma espécie de mais do mesmo &#8211; são valores bem cotados na bolsa da arte contemporânea, pelo que esta exposição terá que ser vista também sob esse prisma. A este respeito certamente não será indiferente nem inocente a escolha deste autor (embora talvez nem lhe interesse representar essa via) para primeira exposição, da galeria de uma escola de fotografia, afinal de contas, há rankings, há prestígio, há competitividade, há status e toda essa tralha que <em>convém</em> ensinar aos alunos/artistas, se querem ter sucesso no mundo da arte contemporânea, mas como diz <strong>Manoel de Oliveira</strong>, &#8220;<em>um tem a escola, outro a espontaneidade, o que eu gosto mais é da espontaneidade</em>&#8220;.
</p>
<p style="text-align:center;"><em>&#8220;De Corpo e Alma&#8221;</em>, vários autores</p>
<p>Em seguida fui até ao magnífico <a href="http://www.ippar.pt/monumentos/conjunto_cristo.html" target="_blank"><strong>Convento de Cristo</strong></a>, ultimamente tenho sido visita regular mas confesso não perceber ainda bem porquê, embora possa pensar nalgumas pistas. Numa sessão de desenvolvimento pessoal vi-me (e todos os presentes) confrontado por um potente medium com uma parte daquilo que seria a minha história anterior, o qual me falou brevemente sobre a ligação que (supostamente) eu tivera aos Templários e note-se a bem da credibilidade, que desconhecia em absoluto o facto de eu ter nascido em Tomar. Suponho que possa vir daí o crescente interesse que tenho pelo local, que cada vez mais vai revelando ao público novas áreas restauradas, onde desta vez descobri uma ala apelidada de &#8220;<em>Noviciado</em>&#8220;, com uma fantástica sala, decifrada pelos entendidos como uma obra prima do <strong>Renascimento</strong>. Ando-me a confrontar com a minha própria história, talvez sem o saber.</p>
<div id="attachment_549" class="wp-caption aligncenter" style="width: 605px"><img class="size-full wp-image-549" title="20081115_lx-danc_077" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081115_lx-danc_077.jpg" alt="acosta" width="595" height="446" /><p class="wp-caption-text">Autor: acosta</p></div>
<p>Fui então visitar a exposição &#8220;<em>De Corpo e Alma</em>&#8220;, tema que dá mote à &#8220;<a href="http://bienaldoportosanto.jokerartgallery.com/" target="_blank">III Bienal Porto Santo</a>&#8220;, uma exposição de arte contemporânea patente no Convento de Cristo, que reúne trabalhos de cerâmica, desenho, escultura, fotografia, instalação, joalharia, pintura e vídeo. A fotografia está representada pela &#8220;<em>Secção de Fotografia da AAC com a mais <a href="http://www.flickr.com/photos/31110999@N03/sets/72157607741282693/">recente proposta fotográfica</a>, contextualizada no ambiente e características do espaço arquitectónico que acolhe a exposição.</em>&#8221; Nesta mostra fotográfica estão patentes vários artistas, mas duas delas tem nomes que desconheço serem a mesma <strong>Patrícia Almeida</strong> <a href="http://abitpixel.wordpress.com/2008/10/27/3-no-pais-da-fotografia/" target="_blank">daqui</a> e <a href="http://abitpixel.wordpress.com/2008/10/08/1-visitas-ao-pais-da-fotografia/" target="_blank">daqui</a> e <strong>Joana Vasconcelos</strong>, <a href="http://www.joanavasconcelos.com/" target="_blank">daqui</a>, mas estou em crer que se trata de mera coincidência de nomes, pois em nenhum dos casos <em>reconheci</em> as autoras, but&#8230; Uma fantástica caixa de luz (este mecanismo impressiona-me sempre) de <strong>acosta</strong> e uma montagem de <strong>Mauro Almeida</strong> foram as <em>boas notas</em> nesta secção &#8220;Académica de Coimbra&#8221;, cujo pendor é claramente amador, talvez à semelhança da equipa de futebol, mas nada contra o amadorismo, aliás só a favor, é tudo &#8220;fotográfico&#8221;.</p>
<div id="attachment_550" class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-550" title="mauro-almeida" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/mauro-almeida.jpg" alt="Mauro Almeida" width="500" height="233" /><p class="wp-caption-text">Autor: Mauro Almeida</p></div>
<p>Embora estivesse presente mais alguma (pouca) fotografia nesta mostra, a parte da AAC estava concentrada apenas numa sala. Desta mostra colectiva de fotografia pode-se dizer que de um modo geral a selecção estava inteligível face ao tema proposto do &#8220;corpo e alma&#8221;, embora fora desta secção estivesse um fotógrafo cujo nome não recordo, que apresentou apenas uma fotografia, de um rebanho de cabras&#8230; Do restante trabalho posso dizer que gostei tremendamente da obra de uma autora para mim desconhecida, <strong>Salomé Nascimento</strong>, uma espécie de pintura em pele ou a fazer lembrar pele, profundamente hipnótica e que só por si me valeu a exposição toda. Após passagem pelo trabalho que tem online, <a href="http://www.salomenascimento.com/" target="_blank">aqui</a> e <a href="http://www.salomen.blogspot.com/" target="_blank">aqui</a>, só confirmei a excelência do mesmo.</p>
<p>Uma bela excursão à minha terrinha, até parece que o Pai Natal das artes, por lá chegou mais cedo este ano.</p>
<p style="text-align:center;"><em>Da Vinha ao Vinho</em>, de <strong>Nanã Sousa Dias</strong></p>
<p>Da minha outra terrinha, aquela onde vivo actualmente, na galeria da câmara municipal de Torres Vedras está <a href="http://www.cm-tvedras.pt/outros/agenda/detalhes/?id=387" target="_blank">este trabalho</a>, de um autor que fez a sua afirmação fotográfica já tardiamente e que era (é) conhecido como músico de jazz. Fazendo valer o ditado, de que mais vale tarde que nunca, desenhou-se uma ascensão na sua afirmação estética que encontrou algum eco a nível nacional e internacional, sobretudo no domínio da fotografia de paisagem. A fama foi grangeada através da utilização apurada da técnica de Ansel Adams conhecida pelo <em>sistema de zonas</em>, em conjunto pela preferência dada ao retrato paisagistico, em preto e branco, utilizando máquinas de médio e grande formato. Nesse domínio viu-se competência técnica, nalgumas fotografias da costa portuguesa com bom recorte estético, mas quando confrontado com pessoas ou paisagem urbana já o tratamento dado por este autor, parecia ainda andar á procura de uma expressão mais coerente. Que revelaria este trabalho, quiçá exigente, de uma linguagem que não parecia ser a sua, a do registo documental mais <em>etnográfico</em>.</p>
<p>É sempre um prazer entrar numa sala repleta de fotografia a preto e branco, para mais impressa em papel baritado. Do percurso pelas fotos expostas, pode-se ler a utilização feita pelo autor de 5 formatos diferentes de câmeras fotográficas, desde o 35 mm, passando pelo médio, até ao grande formato, cujos reflexos são evidentes numa panóplia de tamanhos das fotografias apresentadas, tendo sido utilizados também 5 tipos de rolos PB diferentes. Nalguns casos, parece não ser claramente visível o que é que a alteração no formato pode acrescentar ao tratamento do tema, utilizando-se indiscriminadamente o 35 mm para fazer paisagem e o médio formato para reportagem, numa mescla técnica algo complicada de masterizar. Num autor a quem ouvi afirmar não gostar do formato quadrado por ser muito difícil de compôr, curiosamente algumas boas fotos desta exposição são nesse formato, quiçá, terá aletarado a sua opinião. Por outro lado pergunta-se como alguém que é conhecido pela exigência técnica nos seus trabalhos e difunde o sistema de zonas como &#8220;imagem de marca&#8221;, se permite expôr fotos com zonas queimadas ao nível das altas luzes, com quase todas as fotos demasiado escuras nas zonas médias e sombras?</p>
<p>Num trabalho complexo como poderá ser este, é tentador afirmar que se faria assim ou assado, aliás contaram-me uma história interessante a esse respeito, acerca de dois autores, ambos convidados para determinado projecto fotográfico. Quando o segundo deu uma vista de olhos pelo material do primeiro e viu que lhe faltava uma parte da temática que justamente o primeiro tinha feito, voltou apressadamente ao local e bateu a sua chapa, <em>inspirado</em> no trabalho do outro. Posteriormente foi mostrar essa fotografia &#8211; onde supostamente fez melhor &#8211; ao outro fotógrafo com a frase &#8220;tás a ver pá, assim é que devias ter feito&#8221;&#8230; Ainda assim, há que analisar até onde for possível, sem caír nessa tentação do &#8220;como faria eu&#8221;. Desta mostra, algumas linhas da mesma parecem um pouco repetitivas, num exemplo, apresentam-se 6 fotos consecutivas a fotografar uma cuba em aço inox, motivo gráfico que pelos vistos animou o autor a apresentar 6 variações ao tema, o mesmo voltando a suceder com a &#8220;paisagem vinha&#8221; e aí terei contado mais que 6, embora quase todas com tomadas de vista muito próximas, num registo excessivo, aliás esta mostra peca por isso, fotos a mais, poder-se-ia ter guardado todos estes planos para o livro &#8211; se houvesse insistência nisso pois alguns parecem redundantes &#8211; fazendo-se a exposição apenas com o <em>best of</em>, poupava-se em dinheiro, todos ganhavam. Matuto para encontrar pontos fortes e comparando com outras coisas que vi sobre o vinho, até de artistas locais como <strong>Daniel Abreu</strong> e <strong>João Paulo Barrinha</strong>, não consigo ver em que ponto é que a escolha deste autor foi uma proposta de valor acrescentado para a idéia &#8220;<em>da vinha ao vinho</em>&#8220;.</p>
<p>O registo documental etnográfico assumiu uma densidade notável nos últimos anos, o fotógrafo tem que se preparar muito para além das suas noções préconcebidas acerca do tema que vai fotografar, se o quiser retratar de forma coerente. O que transpira desta exposição é alguma falta de idéias, compensada com múltiplas tomadas de vista sobre o mesmo sujeito, variando apenas os angulos de abordagem, as câmaras e os filmes usados, etc. Se ainda assim, em face dessas escolhas, estivéssemos em presença de trabalho pleno de estética, de pictórico, de variedade, de composições interessantes, então poderíamos dizer que apesar de tudo, se tinha obtido um bom trabalho, assim obteve-se, não de todo um mau trabalho, mas apenas mediano.</p>
<p>Este tipo de encomendas contém algumas desvirtudes a analisar, a pessoa que escolhe o fotógrafo tem noção de que tipo de fotografia se trata, a fim de poder escolher alguém que entregue um bom trabalho, ou será que o critério é esse e se não é  baseia-se em quê? Na amizade? No currículo do fotógrafo? No facto de ser da praça? Qualquer um destes fins é legítimo políticamente ainda que discutível, atente-se nas palavras do presidente da edilidade, &#8220;<em>este livro nasce da necessidade sentida por todos aqueles que, de uma forma ou outra, estão ligados à vitivinicultura no Concelho de Torres Vedras e que, sempre que necessitam de mostrar ou promover o seu trabalho e os seus produtos, não possuem uma ferramenta que bem ilustre essa realidade, esse mundo.</em>&#8221; Entre outros critérios possíveis, pelos vistos figurava também o de arranjar um catálogo promocional (a pagar pelo Estado) de um produto que é privado, aliás diga-se em abono que o design do livro, parece ser coerente com essa estratégia, sendo menos um livro de fotografia artística e mais uma ode ao vinho, com manchas de vinho, lettering em grená, poesia &#8220;Bacólica&#8221;, etc. Numa variação ao que afirmei, se que de facto quem fez a encomenda sabia da &#8220;poda&#8221;, pode-se ler mais adiante &#8220;<em>com as suas vestes tão depressa verdes como grenás ou amarelas</em>&#8220;, mas não era de exposição a preto e branco que se tratava? Esta dinâmica acerca do &#8220;quem&#8221;, já esteve presente na escolha de <strong>Eduardo Gageiro</strong> para o projecto sobre Torres Vedras, &#8220;Viagem ao Centro Histórico&#8221;, do ponto de vista fotográfico, artístico ou documental, um autêntico fiasco, a fazer lembrar o Nick Knight e a célebre e dispendiosa campanha <a href="http://www.portugal.gov.pt/NR/rdonlyres/94EFD4E0-A052-4264-BE24-F3E4D34D046D/0/Portugal_Costa_Oeste_Europa.pdf" target="_blank">Portugal West Coast</a>. A questão não é a boa vontade para com o gesto artístico, aliás nesse aspecto, a edilidade torreense tem sido pródiga a apoiar a fotografia, é sobretudo, para além da competência e capacidade técnica do artista, se está o mesmo &#8220;comprometido&#8221; com o tema, se lhe interessa, se o apaixona, se o retratará de forma consistente.</p>
<p>Numa outra dinâmica, talvez esta ainda mais delicada, tem o fotógrafo a noção de que pode desempenhar bem o que lhe é pedido? Aqui cruzam-se sempre os dados financeiros, está o mesmo em posição de recusar uma oferta que lhe pode ser vantajosa não só financeira como promocionalmente? Se me vierem dizer que foi trabalho de borla  e que só se pagou aos custos, então será que o trabalho foi feito com toda a dedicação que lhe era devido, apenas porque foi feito <em>pro bono</em>? Questiono-me sempre até que ponto é a &#8220;encomenda&#8221; boa para o fotógrafo. Provavelmente estou a falar de um segmento de fotógrafos que se servem da exposição que tem numa dada área para abarcar negócio noutras áreas, que não sendo as suas facetas mais fortes, naturalmente propiciam entrada em caixa, afinal de contas, há que chegar ao fim do mês, mas qual é o preço dessa estratégia, é o que seria interessante conhecer.</p>
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		<pubDate>Mon, 10 Nov 2008 00:16:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoh</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;National Catographic Magazine&#8220;, de Susana Neves Sabendo que tenho uma gata como topmodel particular, uma certa curiosidade me levou às &#8220;pétalas de gatos&#8221; que a autora mostrou até 8 de Novembro, na Galeria Diferença, em Lisboa. Do texto de Hikaru Katashi &#8220;A artista quis olhar para os gatos como se fossem flores. E para as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;">&#8220;<em>National Catographic Magazine</em>&#8220;, de <strong>Susana Neves</strong></p>
<div id="attachment_460" class="wp-caption aligncenter" style="width: 321px"><a href="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/ncm-geral.jpg"><img class="size-full wp-image-460" title="ncm-geral" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/ncm-geral.jpg" alt="©Susana Neves" width="311" height="400" /></a><p class="wp-caption-text">©Susana Neves</p></div>
<p style="text-align:center;"><a href="http://quando-o-rei-era-sabao.blogspot.com/" target="_blank"><strong></strong></a></p>
<p>Sabendo que tenho uma gata como <a href="http://abitpixel.wordpress.com/2008/10/22/4-a-minha-casinha/" target="_blank">topmodel</a> particular, uma certa curiosidade me levou às &#8220;pétalas de gatos&#8221; que a autora mostrou até 8 de Novembro, na <a href="http://www.triplov.com/galeria_diferenca/index.htm" target="_blank"><em>Galeria Diferença</em></a>, em Lisboa. Do texto de <strong>Hikaru Katashi </strong>&#8220;<em>A artista quis olhar para os gatos como se fossem flores. E para as flores como se tivessem todas as qualidades felinas clássicas, o mistério, a leveza, a subtil densidade, a capacidade de voo e outras não nomeáveis, a não ser por recurso à arte aristocrática da poesia</em><em>.&#8221; </em></p>
<p><strong>Susana Neves</strong> é jornalista, escritora (biografias de <strong>Eduardo Nery</strong> e <strong>Fernando Assis Pacheco</strong>, contos publicados) e parece ter também uma ligação especial com as artes plásticas, pois pinta, fotografa e esculpe. A sua obra denota antes de mais um talento indesmentível para o título, veja-se “<em>Viagem ao Polén Sul</em>”, “<em>A Noiva do Campo Mil</em>” ou o nome do seu blog &#8220;<a href="http://quando-o-rei-era-sabao.blogspot.com/" target="_blank">quando o rei era sabão</a>&#8220;. Neste &#8220;<em>National Catographic Magazine</em>&#8221; as fotos são-nos apresentadas em díptico, a um felino está associada uma imagem de uma flor, sugerindo-se um casamento entre a flora e a fauna, aqui retratado de uma forma totalmente diversa daquele que a revista (<em>National Geographic</em>) tradicionalmente nos poderia propôr. Li <a href="http://ojardimassombrado.blogspot.com/2008/10/national-catographic-magazine.html" target="_blank">aqui</a> uma aproximação à poesia</p>
<p>(&#8230;)<br />
<strong>Quando os meus dedos, à vontade, afagam<br />
O dorso elástico, a cabeça,<br />
E a mão se me inebria de prazer<br />
No corpo eléctrico, a apalpá-lo,</strong><br />
<em>(&#8230;)&#8221;</em></p>
<p>do poema <em>Le Chat</em>, de <strong>Charles Baudelaire</strong> (<em>Les Fleurs du Mal</em>), <em>in </em>“<em>Assinar</em> <em>a Pele“</em> (antologia de poesia contemporânea sobre gatos), Ed. Assírio Alvim. Se há autor que facilmente me assoma nesta visão poética florifelina, ele é  <strong>David Mourão Ferreira</strong>, não porque seja especialmente conhecido por evocar os gatos, mas porque como neste ensaio, nele se urde o sedoso, o macio, a sensualidade e a intímidade. Uma exposição homogénea, ao mesmo tempo simples, acolhedora, aconchegante e embora usando uma linguagem estética sem grandes arroubos, à base do macro, do detalhe minúsculo, furta-se a alguns dos dramas da criação artistica &#8211; como afirma <a href="http://alexandrepomar.typepad.com/alexandre_pomar/2008/11/analyse-lart-entre-provocation-et-cynisme-par-philippe-dagenle-monde-311008-une-série-de-onze-aquarelles-dadolf-h.html" target="_blank">Alexandre Pomar</a> &#8211; &#8220;<em>a pobreza das ideias, a literalidade das formas, a ausência de invenção</em>&#8220;. É simples tomar partido por algo que não nos machuca nem nos agride visualmente, pois ainda que as imagens não sejam visualmente fortes, a expressão que evocam forma um todo coerente, goste-se ou não de gatos e de uma certa abordagem poética <em>quase</em> ingénua ou infantil.</p>
<p style="text-align:center;">&#8220;<em>Searching for Adam, A New York Imaginary Tale</em>&#8220;, de <strong>Rodrigo Amado</strong></p>
<div id="attachment_462" class="wp-caption aligncenter" style="width: 443px"><a href="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/homenews_13.gif"><img class="size-full wp-image-462" title="homenews_13" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/homenews_13.gif" alt="©Rodrigo Amado" width="433" height="360" /></a><p class="wp-caption-text">©Rodrigo Amado</p></div>
<p>Na <em>Galeria Módulo</em> esteve exposta esta série do jazzman e fotógrafo nacional, <strong><a href="http://www.rodrigoamado.com/" target="_blank"><strong>Rodrigo Amado</strong></a></strong>. O artista já tinha ensaiado a sua aproximação à fotografia, numa outra mostra denominada &#8220;<em>Close/Closer</em>&#8221; presente na galeria  da <a href="http://www.kameraphoto.com/" target="_blank">Kameraphoto</a>, e também nalgumas capas de discos da editora <strong>Clean Feed</strong>. Este projecto apresenta-se repartido entre música e fotografia, tendo também sido alvo de um slideshow na Culturgest, aquando do concerto inaugural. É o músico quem afirma tratar-se &#8220;<em>Searching for Adam</em>&#8221; da sua busca de uma linguagem musical e fotográfica próprias, cujo interesse reside na expressão da arte de &#8220;<em>forma pura, sem qualquer associação</em>&#8220;, em que &#8220;<em>o propósito seria o de contar uma história, não apenas mais uma exposição sobre a Big Apple, de uma perspectiva puramente pessoal, com personagens e ambientes que se encontram em Nova Iorque, mas que poderiam ser de qualquer outro lugar</em>&#8220;.</p>
<p>Podendo ser enquadrável numa corrente &#8220;fotografia de rua&#8221;, o fotógrafo parece demarcar-se não só do momento decisivo que por vezes a pontua, como do estilo de composição dessa estética, geralmente rica gráficamente, mas também já correntemente analisada como portadora de uma outra forma de sedução publicitária. Neste registo fotográfico é aparente uma sobreposição de planos, um certo &#8220;fugir das regras&#8221;, num registo visual que parece encontrar paralelos no &#8220;jazz improv&#8221; que pratica. Esta &#8220;atonalidade&#8221; da fotografia em que o elemento harmónico do pictórico/cromático é substituído pelo olhar menos &#8220;melódico&#8221;, não deixa contudo de ter aqui e ali algum ritmo, se bem que aparentemente ainda procurando um fraseado mais consistente. Que o <strong>Rodrigo Amado</strong> possa &#8220;continuar a procurar o Adam&#8221; e que nunca o encontre, tal como deseja.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>Daniel Malhão</strong>, <em>Galeria <a href="http://www.cristinaguerra.com/index.html" target="_blank">Cristina Guerra</a></em></p>
<div id="attachment_463" class="wp-caption aligncenter" style="width: 340px"><a href="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/08dmalhao01s.jpg"><img class="size-full wp-image-463" title="08dmalhao01s" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/08dmalhao01s.jpg" alt="©Daniel Malhão/Galeria Cristina Guerra" width="330" height="220" /></a><p class="wp-caption-text">©Daniel Malhão/Galeria Cristina Guerra</p></div>
<p style="text-align:center;">
<div id="attachment_464" class="wp-caption aligncenter" style="width: 340px"><a href="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/08dmalhao02s.jpg"><img class="size-full wp-image-464" title="08dmalhao02s" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/08dmalhao02s.jpg" alt="©Daniel Malhão/Galeria Cristina Guerra" width="330" height="220" /></a><p class="wp-caption-text">©Daniel Malhão/Galeria Cristina Guerra</p></div>
<p>Pelos vistos, a arte contemporânea tem sempre mais um lugar para<em> &#8220;imagens enormes, visualmente apelativas </em>(???)<em> e muito caras&#8221;</em>. Mais uma aparição em formato &#8220;grande-é-que-é&#8221;, pelos vistos tão caro às galerias, museus e colecionadores abonados, mas de natureza &#8220;pouco palpável&#8221; ao público &#8220;mais comum&#8221;, mesmo que informado. A produção de alguns fotógrafos portugueses, <em>parece</em> estar um pouco condicionada por uma estratégia de marketing, assente na raridade, na exclusividade, no status e claramente a pensar &#8220;no cliente&#8221;. Provavelmente hoje o artista &#8220;toma partido&#8221; a troco de uma casita, digamos que é o neo ou pós-vanguardismo na sua expressão pragmática. Aliado a esses fenómenos, um discurso narrativo que parece apenas estar preocupado com a propagação de um paradigma universitário, uniformizado na linguagem e nos códigos, previsível, a fazer lembrar a tese académica e as &#8220;respectivas normas&#8221;, em que a própria tese se encerra mais no cumprir das normas, das formalidades, do que no conteúdo em si. Se a intelectualidade sobre os temas faz (muita) falta no tratamento dos mesmos, o que parece concorrer para um certo desagrado é a excessiva racionalidade com que os mesmos se apresentam, já para não dizer do desinteresse de alguns deles, aqui sou claramente partidário de Popper, simples, mas não simplório. Como é óbvio, quem estiver fora desta corrente dificilmente se &#8220;licenciará&#8221; com distinção, pois este culto exacerbado que alguns autores-críticos-curadores-museus-galeristas portugueses exibem pelo molde estético &#8220;dusseldorfiano&#8221; e seus derivados, não parece deixar margens para uma saudável diversidade, criatividade e originalidade na fotografia contemporânea portuguesa, antes gerando uma legião de imitadores e pseudo candidatos ao Be$photo. Anos a fio em que se viveu debaixo da imagética <strong>Molder</strong> e <strong>Blaufuks</strong>, menos de <strong>Nozolino</strong>, sempre muito contido nas suas aparições, a contemporaneidade portuguesa encontrou agora suficiente diversidade na fotografia para encher galerias e bolsos, de tal modo que artistas tradicionalmente ligados a outros meios de expressão plástica, casos de <strong>João Paulo Feliciano</strong>, <strong>João Louro</strong>, <strong>Pedro Cabrita Reis</strong>, etc, a ela se viram agora, na <span style="text-decoration:line-through;">busca do filão</span> expansão do acto artistíco. Dentro em breve se seguirá um novo estilo, o de fotografar &#8220;à moda do BES&#8221;.</p>
<p>No presente caso de <strong>Daniel Malhão</strong>, as temáticas tratadas são &#8220;<em>o sentido da deslocação, jogos de linguagem, relações de escala e côr, interessando ao fotógrafo olhar a arquitectura, estimular o olhar e a memória visual</em>&#8220;, já que estou hoje inclinado ao jazz, diria estar perante um estilo sem swing (e que raios estou a ouvir <strong>Anthony Braxton</strong>), de executante de segunda linha, cuja linguagem própria assenta no recurso ao fraseado pomposo mas sem idéias e dado que se trata de aeroportos, aportando aquela sensação do concerto que &#8220;nunca descola&#8221;, razoavelmente controlado na sua expressão, sem extâse, num exercício escolar que convoca mais depressa o aborrecimento que qualquer outro sentimento, aliás já tinha ficado com essa sensação na exposição do Besphoto em que o autor esteve presente com <em>&#8220;as far as i can see&#8221;</em> no Museu Berardo.</p>
<p>Nesta mostra é visível &#8211; para além da fraca (nunca sei se é propositado ou não) qualidade de impressão de algumas das fotos &#8211; a atracção pelos mecanismos e motores que fazem funcionar as máquinas, algo já patente noutros trabalhos do autor (a série &#8220;<em>Making of</em>&#8221; exposta na Lisboa Photo 2005, se não me falha a memória), pelos vistos o fotógrafo na éxegese do que faz andar o mundo. Naquele que pode ser o ex-librís da exposição (ver 1ª foto) pode-se entrever Hockney, Smithson, Ruff, a idéia de foto-escultura, o paralelo com o cinema. É visível a preocupação com a arquitectura da composição, mas falar de escala e corporalidade da fotografia através da &#8220;grandeza&#8221; quer da forma quer do objecto representado, é falar do óbvio. Também há uma foto pequena, mas observe-se a pobreza pictórica da mesma comparada com as outras. Agora que penso nisso, o retrato mesmo de grandes dimensões (relembro <strong>Thomas</strong> <strong>Ruff </strong>em Serralves), nunca me remete para este sentimento, pois talvez esteja nele a grandeza do rosto humano, de qualquer rosto. Esta diatribe filosófica com a natureza e os limites da representação fotográfica, encerrada nesta fotografia de <strong>Daniel Malhão</strong> e noutros fotógrafos filiados no género, de tão repetida já ganhou forma de novela na fotografia contemporânea, aliás mais não faço aqui do que me comiserar com o meu próprio discurso, pois ao validá-lo, ou ser contra ele, faço parte do mesmo, mas sinceramente ver-me a debater (tele)novelas, dá-me vontade imediata de ir &#8220;comprar a Maria&#8221;, sentar-me a ver o telejornal, acompanhado de uma refeição de plástico, de preferência requentada. Se os artistas arranjaram ou não uma maneira de mugir a vaca e de ao mesmo tempo a insultar, então esse sim, é o verdadeiro acto &#8220;artistíco&#8221;.</p>
<p style="text-align:center;"><strong>Gundula Friese</strong>, galeria Antiksdesign</p>
<div id="attachment_465" class="wp-caption aligncenter" style="width: 460px"><a href="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081108_lx_expo_008.jpg"><img class="size-full wp-image-465" title="20081108_lx_expo_008" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081108_lx_expo_008.jpg" alt="©Gundula Friese" width="450" height="600" /></a><p class="wp-caption-text">©Gundula Friese</p></div>
<p>Deve ser incrível o esforço financeiro que se faz para manter funcionante uma galeria real, com os tamanhos de parede exígiveis pelos artistas modernos e o preço do metro quadrado nas grandes metrópoles, mas pese embora o -  quando comparado &#8211; pequeno investimento na net, mal se vê uma página virtual decente, quer dos autores, quer das galerias, tese todavia aqui contrariada pela <a href="http://www.antiksdesign.com/show1.html" target="_blank">Galeria Antiksdesign</a>. A exposição patente de <a href="http://www.gfriese.com/en/index1.htm" target="_blank"><strong>Gundula Friese</strong></a>, é uma mostra de vários trabalhos que percorrem as últimas duas décadas da sua obra, em que está patente o interesse da artista pelo retrato, versando sobre o passar dos anos e a mudança que o mesmo trás, num acto associado à reconfiguração da identidade. Ainda o retrato visado numa série de que gostei &#8220;<em>Das_Geheimnis,_the_Secret (1998)&#8221;</em>, da qual faz parte a foto acima, um conjunto de Polaroids (tenho um fraquito), cuja iconicidade lembra a publicidade ou a moda, mas cujos olhares reflectiam um espanto ou desconforto. Do restante material exposto, se aprecio e partilho do gosto pelo secreto do mar, já não apreciei tanto alguma da morfologia das imagens a cores do mar de Portugal e do mar de Itália, tiradas com a câmara numa posição semi-dentro de água. Diga-se que o objecto mar-linha do horizonte-céu-nuvens, embora prenhe de sentidos e sempre aberto a novas representações(*), se trata de uma iconografia algo vista, para mais estando as imagens pobremente (de propósito?) impressas, pouca vontade se tem de nelas permanecer. Ainda assim e porque era o mar, a par das polaroids, a linha condutora desta retrospectiva, pode-se percepcionar no percurso da autora o interesse pela corajosa descoberta, de penetrar no oculto das emoções (Água), do navegar abaixo da superfície, pois as imagens mostram em simultâneo o dentro e fora de água. Se essa alegoria dentro-fora-superficie desta série, roça o superficial ou tem algo a ver com uma certa qualidade banal quer no acabamento quer na composição que prespassa destas imagens, é algo que não consigo responder claramente. Como aspirante na fotografia, vejo-me nesta estranha posição crítica, com ela tento aprender sobretudo sobre mim, pois o que projecto é também aquilo que me confronta com o que sou, e a minha missão é apenas a de me confrontar comigo mesmo, não com os outros, mas com os outros que vivem dentro de mim, não com a arte , mas com a que vive dentro de mim.</p>
<p>(*) A este respeito veja-se esta série magnífica de <a href="http://japan-photo.info/blog/2006/06/16/asako-narahashi/">Asako Narahashi “half awake and half asleep in the water”</a></p>
<p>Antes do final da tarde e porque estava mesmo ali ao lado da Antiks- para além de não dar para saír dali devido ao congestionamento de tráfego provocado pela (maior de sempre) manifestação de professores &#8211; fui à <em>Cinemateca</em> dar uma espreitadela na exposição comemorativa do centenário de <strong>Manoel de Oliveira</strong> e descansar um pouco no bonito restaurante/cafetaria. Das fotografias, eram tantas e sem sinalização dos autores, que confesso, indulgi na visualização, talvez numa próxima oportunidade.</p>
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		<title>#5 &#8230; no país da fotografia</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Nov 2008 18:57:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoh</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ida a Tomar, supresa! Criação de um centro de arte e imagem do Inst. Politécnico de Tomar, que tem uma licenciatura em Fotografia, já vai para alguns anos. Exposiçao Inaugural de José Luis Neto (premiado BESPhoto 2006) com &#8220;PMC/P.M.I. Passport&#8220;. Anunciada como estando aberta ao sábado de todo o dia (à tarde, das 14 às [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ida a <strong>Tomar</strong>, supresa! Criação de um centro de arte e imagem do <a href="http://portal.ipt.pt/portal/portal/home/home" target="_blank">Inst. Politécnico de Tomar</a>, que tem uma licenciatura em Fotografia, já vai para alguns anos. Exposiçao Inaugural de <strong>José Luis Neto</strong> (premiado BESPhoto 2006) com <a href="http://portal.ipt.pt/mgallery/default.asp?obj=1236" target="_blank">&#8220;<strong><em>PMC/P.M.I. Passport</em></strong>&#8220;</a>. Anunciada como estando aberta ao sábado de todo o dia (à tarde, das 14 às 19), não me foi possível pela manhã, pelo que a seguir ao almoço lá fui eu todo lampeiro. Pelo arrastar desta prosa já devem calcular o que aconteceu, exposição fechada, zero avisos, nada, algo inaugurado dois 2 antes&#8230; Enfim, ainda assim uma grande alegria sendo eu natural da <em>Nabância</em>, ainda que me veja obrigado a voltar lá antes de 22 de Novembro, data do encerramento da exposição.</p>
<p>Adenda [16.Nov.2008]: Ontem voltei à exposição, fui <em>lembrado</em> de que no dia em que fora, era feriado de Todos os Santos, logo estava fechada. Concedo, metade para mim metade para eles, no horário afixado não constava o encerramento aos feriados.</p>
<div id="attachment_362" class="wp-caption aligncenter" style="width: 481px"><a href="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081102_lx-danc_005.jpg"><img class="size-full wp-image-362" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081102_lx-danc_005.jpg" alt="Mariana Alves, série Evan Parker, Drawn Inward" width="471" height="471" /></a><p class="wp-caption-text">Mariana Alves, série Evan Parker, Drawn Inward</p></div>
<p>Rumei ao Seixaljazz, associado ao cartaz, uma boa surpresa e outra menos boa, começo pela melhor, &#8220;<em>Mood Indigo</em>&#8220;, de <strong>Mariana Alves</strong>, exposição de pintura que visou apresentar o Jazz através de representações visuais do som. O desenho exposto é da série que mais olhei, que embora seja capa do catálogo, não corresponde ao título da exposição &#8220;<em>Mood Indigo</em>&#8220;, obra de <strong>Duke Ellington</strong>. Esta produção foi feita no local, a artista desenhou escutando os respectivos discos. Reflectindo sobre a parte desta obra que mais gostei, a mesma talvez esteja também colorida pelo mecanismo de espanto, encanto e atracção que foi a descoberta do <strong>Evan Parker Electro-Acoustic Ensemble</strong>, através de <em>Towards the Margins </em>(1997), <em>Drawn Inward</em> (1999), <em>Memory Vision</em> (2003), <em>Eleventh Hour</em> (2004). Embora cotada como Jazz, esta é uma estética que vai muito para além disso, aliás ao ouvido comum facilmente chega a pergunta, mas isto é Jazz? O que é não interessa, só posso dizer que foi das músicas que mais me maravilhou nos últimos anos (e continua), <strong>Evan Parker</strong> talvez possa ser desconhecido do grande público do jazz, mas tem uma autêntica legião de fãs no mundo da música improvisada, aclamado como um dos grandes inovadores ainda vivos, a par de <strong>Cecil Taylor, Peter Brotzmann</strong> e talvez <strong>Ornette Coleman</strong>, este último esta semana na Aula Magna (5Nov) e no Coliseu do Porto (7Nov), a apresentar esse bom disco que é <em>Sound Grammar</em>, a não perder para quem gosta de jazz &#8220;à homem&#8221; (ainda sou acusado de machismo musical)&#8230; Aí embaixo uma foto (fraquita) do músico (à esquerda) na Glubenkian, reparem na expressão de ambos em face da notação musical que se pode ver na pauta, este concerto fez esfriar muito lugar nesse noite&#8230; O desagradável no Seixal, foi ver a exposição de fotografia evocativa a Eric Dolphy tão mal tratada, mal impressa, ampliada a ficar no pixel, sem qualquer jeito.</p>
<p><a href="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/barry-guy-5.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-363" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/barry-guy-5.jpg" alt="evan parker à esquerda, mats gustafsson, à direita" width="664" height="491" /></a></p>
<p>Domingo foi dia de <a href="http://www.edp.pt/EDPI/Internet/PT/Group/AboutEDP/EDPFoundation/Museu/default.htm" target="_blank">Museu de Electricidade</a>, em Alcântara, nunca lá tinha estado e a viagem revelou-se autêntica surpresa, tanto que me senti com uma alegria infantil, contagiante, querendo saber tudo, mexer, divertir-me como os miúdos que por lá andavam. Uma autêntica beleza este restauro, uma mais-valia para o turismo e cultura lisboeta, num local cheio de atractivos para miúdos e graúdos, simplesmente encantador. Nele figura também uma exposição (permanente segundo creio) de vários períodos do seu funcionamento, com especial incidência na década de 40, em que pontuam algumas (muito) bonitas fotos de <strong>Kurt Pinto</strong>, numa estética documentalista com traços de semelhança com o que de melhor se produz hoje. A visitar sem demora, levando filhos, sobrinhos, ou apenas a criança que há dentro de cada um.</p>
<div id="attachment_364" class="wp-caption aligncenter" style="width: 665px"><a href="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081102_lxexpo_edp_001.jpg"><img class="size-full wp-image-364" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081102_lxexpo_edp_001.jpg" alt="foto, Kurt Pinho, 1940" width="655" height="491" /></a><p class="wp-caption-text">fotografia de Kurt Pinto, 1940</p></div>
<p>O museu está também predisposto para outras mostras artísticas, como se sabe a EDP através da sua fundação tem vindo a apadrinhar novos talentos. Numa galeria está presente uma exposição de <strong>Pedro Gomes</strong>, das palavras de João Pinharanda lê-se &#8220;<em>Pedro Gomes, une, em choque, digital e manual. E, na mesma operação, questiona o Desenho como disciplina. A Forma é um guião cifrado que se esconde na face oculta da obra, onde o desenho linear se inscreve; e que se revela pela técnica de minúsculas perfurações. A imagem final aproxima-nos (através de uma verdadeira negação irónica) da pixelização das imagens digitais que dominam a actualidade. Também a Cor não tem finalidade descritiva mas sim um fim evocativo: a nostalgia do cinzento, enunciada nas irrelevantes imagens de um quotidiano em fuga; o amarelo e o branco como pontos de uma energia que transcende a máquina e contamina a nossa vontade criativa. Somos assim conduzidos à consideração destas obras como verdadeiros &#8220;desenhos úteis.&#8221;</em></p>
<p>Quanto à parte fotográfica, ela estava inserida na Exposição internacional de Design Ecológico, &#8220;<strong>Remade In Portugal</strong>&#8220;, com dois video slideshows, &#8220;<em>Terra Nova</em>&#8221; de <strong>Alberto Plácido</strong> (a foto original não é tremida, foi apenas a minha deficiente captação)</p>
<div id="attachment_365" class="wp-caption aligncenter" style="width: 665px"><a href="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081102_lxexpo_edp_002.jpg"><img class="size-full wp-image-365" title="20081102_lxexpo_edp_002" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081102_lxexpo_edp_002.jpg" alt="©Alberto Plácido" width="655" height="491" /></a><p class="wp-caption-text">©Alberto Plácido</p></div>
<p>cuja série apresentava fotos nocturnas tiradas em aterros sanitários, deixando transparecer uma paisagem sem humanos, quase de outro planeta (Marte talvez, devido ao vermelho&#8230;) alegoria perfeitamente conseguida face ao corrente estado do ambiental, na nossa querida nave mãe Gaia. Ambas as exposições estavam deficientemente apresentadas, com problemas de resolução do ecrã, conduzindo a um exercício bastante desconfortável de visualização, quiçá desvalorizando o potencial não só da imagem, como da mensagem que aquela carrega. As &#8220;<em>Trashformações</em>&#8221; de <strong>Rita Burmester</strong>, parecem conduzir a uma nova identidade do lixo,</p>
<div id="attachment_366" class="wp-caption aligncenter" style="width: 665px"><a href="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081102_lxexpo_edp_003.jpg"><img class="size-full wp-image-366" title="20081102_lxexpo_edp_003" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/11/20081102_lxexpo_edp_003.jpg" alt="©Rita Burmester" width="655" height="427" /></a><p class="wp-caption-text">©Rita Burmester</p></div>
<p>mas estas fotos não mexeram comigo, nem no plano estético, nem no plano conceptual. Não creio que baste associar a idéia de &#8220;Identidade&#8221; ao lixo, ou do lixo, para que saia de imediato um trabalho de grande valia artística.  As palavrosas idéias não são tudo na fotografia, e alguma da foto contemporânea parece apenas viver do apoio das palavras, não da riqueza estética ou conceptual. A temática &#8220;ecologia&#8221; no fotográfico já ganhou uma dimensão considerável, como se pode perceber pela atribuição anual do <a href="http://www.prixpictet.com/" target="_blank">Prix Pictet</a>, pelo que é provavél que se venha a assistir a uma explosão deste tipo de dcoumental, inevitavelmente com trabalhos de grande calibre e outros que nem por isso.</p>
<p>A restante exposição tem algumas peças de designers nacionais e estrangeiros, alguns workshops temáticos, enfim vale a pena dar uma olhada, até 15 de Novembro.</p>
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		<title>#4 &#8230; no país da fotografia</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Oct 2008 11:08:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoh</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Virgílio Ferreira, &#8220;Peregrinos do Quotidiano&#8220;, no Centro Português de Fotografia-Porto Das palavras do autor &#8220;Este Projecto foi desenvolvido em 2006 em algumas cidades asiáticas, Banguecoque, Macau, Hong Kong, Pequim, Xangai e Tóquio.(&#8230;)é entre linhas que procuro as ambiguidades e contradições.(&#8230;) De uma forma intuitiva e aleatória caminho pelas ruas, sou atraído por luzes, cores, cenários, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><strong>Virgílio Ferreira</strong>, &#8220;<em><strong>Peregrinos do Quotidiano</strong></em>&#8220;, no Centro Português de Fotografia-Porto</p>
<p style="text-align:center;">
<div id="attachment_339" class="wp-caption aligncenter" style="width: 609px"><a href="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/10/20081024_prt_expcpf_0121.jpg"><img class="size-full wp-image-339" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/10/20081024_prt_expcpf_0121.jpg" alt="©Virgilio Ferreira" width="599" height="599" /></a><p class="wp-caption-text">©Virgílio Ferreira</p></div>
<p>Das palavras do autor &#8220;<em><span class="texto1">Este Projecto foi desenvolvido em 2006 em algumas cidades asiáticas, Banguecoque, Macau, Hong Kong, Pequim, Xangai e Tóquio.(&#8230;)</span><span class="texto1">é entre linhas que procuro as ambiguidades e contradições.(&#8230;) </span>De uma forma intuitiva e aleatória caminho pelas ruas, sou atraído por luzes, cores, cenários, pessoas anónimas que se cruzam comigo e que convido a posar. Os retratos são realizados muito rapidamente mas, de uma forma rigorosa e selectiva, procuro relacionar a pessoa com o fundo. Como o foque e o desfoque criam tensão, os rostos desfocados transformam-se em máscaras fugidias; esse deficit de informação conquista a atenção do observador e atribui maior protagonismo, mas também enigma ao retratado, &#8211; o anonimato é sempre intrigante. As imagens sem gente contextualizam e criam diálogo com os retratos, são atmosferas emotivas, jogos de descodificação. <span class="texto1">As fotografias sugerem inquietação e, com isso, poderão provocar um confronto perante o que entendo como um certo estado de amnésia de uma sociedade carregada de estereótipos, alienada de uma rede social. Essencialmente colocam questões à sobrecomplexidade em que vivemos, remetendo, por vezes, para uma posição reflexiva em relação ao outro e ao próprio sujeito. Sem recorrer a qualquer manipulação digital o trabalho foi realizado em médio formato com uso de color reversal film.</span></em><span class="texto1">&#8220;</span></p>
<p>Da sinopse de <strong>Maria do Carmo Serén</strong> &#8220;(&#8230;) <em>O objectivo declarado liga-se com essa figura da Sociologia que lhe dá o título: o universo que se adivinha nos gestos e actividades dos habitantes urbanos do mundo em rede mediática. Tudo nos surge numa perspectiva fotográfica muito actual, exuberância de cor em imagens directas, sem trabalho digital, debitando as alegorias contemporâneas do olhar fotográfico, como o desfocado, a sobre-exposição e os timings dessa mesma exposição, o objecto fotográfico fragmentário e ocultado, os contrastes entre a nitidez do fundo ou do primeiro plano e, acima de tudo, a composição que procura representar o que fica no olhar errante. Trata-se, pois, de um trabalho de autor que tem o mérito de deixar uma forte impressão sobre essas duas realidades coincidentes: a globalização patente no vasto continente asiático, (cidades pós-modernas, preenchidas pela informação) e a emergência multicultural de características orientais que não deixam perder o espírito da festa e da fundação: a ornamentação, um certo excesso da cor, a profusão do dourado, um ou outro traço cultural. E, naturalmente, a solidão que matiza as metrópoles da contemporaneidade, mais nítida ainda porque temos de a identificar num rosto na penumbra, no alheamento dos gestos, sem velhas estratégias de abandono e melancolia.</em>&#8221;</p>
<p><span class="texto1">Torna-se difícil acrescentar valia crítica quando o autor e a comissária da exposição já convocam linhas suficientes de reflexão e apreciação da imagem, no caso de <strong>Maria do Carmo Serén</strong>, sempre exemplar no modo como &#8220;ilustra&#8221; a fotografia, com textos carregados de sensibilidade e saber. Este registo fotográfico foi amável comigo, uma estética cheia de &#8220;rasteiras&#8221; visuais, desfocada, sub ou sobreexposta, de composição reveladora, cheia de poesia e encanto. </span><span class="texto1">Aliado a uma estética que me agradou &#8211; mas que certamente vai deixar muita gente a torcer o nariz &#8211; o tratamento do tema torna-se intelígivel e coerente à medida que se avança pela exposição. A narrativa embora deixe a entender pelo título a associação ao religioso, dificílmente convoca imagens que o deixem transparecer, embora se possa associar Oriente a espiritualidade, a menos que se veja o anonimato dos rostos desfocados como um traço de budismo, filosofia espiritual na qual os conceitos de vacuidade do Eu, a desidentificação com o ego-imagem-rosto, tem lugar cimeiro.<br />
</span></p>
<p><span class="texto1">Ainda que o fotógrafo deixe vincada a não manipulação a nível digital, a escolha da técnica de iluminação e do filme escolhido nada fica ao dever ao &#8220;manipular&#8221;, se é que me faço entender. Aliás parecendo ser uma &#8220;fotografia de rua&#8221; não já ao jeito cartier-bresson do &#8220;momento decisivo&#8221; &#8211; o cidadão é convidado a posar, a luz é altamente elaborada, possívelmente até com uso de algum kit de iluminação, e isso, também são formas de &#8220;manipulação&#8221;, ou talvez mais eufemisticamente, encenação. Optar por esta afirmação, deixa subentender não apenas uma declaração neutra, mas um posicionamento perante a &#8220;manipulação digital&#8221;, embora isso não seja de todo claro, no entanto a leitura da fotografia aparece fortemente influenciada pelo uso do desfoque e da iluminação que usa. Por outro lado, a impressão foi feita em jacto de tinta, o que provavelmente poderá revelar algum tipo de tratamento digital nomeadamente a scanização dos negativos, processo que só por si é &#8220;manipulação&#8221; digital. Se existe valorização no mercado para este tipo de fotografia &#8220;não manipulada&#8221; é algo que desconheço, embora saiba que alguns coleccionadores privilegiam a aquisição da prova de contacto do grande formato, processo talvez mais próximo do conceito de &#8220;isenção&#8221; no tratamento. Mas não creio que seja dessa fotografia que se trata aqui, a mesma deseja exibir um plano de idéias, esse plano não parece neutro, se se entender por neutralidade também a ausência de manipulação. Por outro lado, é possível que, e aqui entro em águas turvas, seja exigível a esta fotografia a demarcação do cliché piroso que se viu ampliado no mundo da fotografia desde que o digital se popularizou, com o uso e abuso de toda a espécie de filtros e efeitos, todavia esse fenómeno já acontecia no tempo do filme. Uma fotografia que se auto-sustenta e faz bom uso das diversas estratégias e técnicas fotográficas contemporâneas, como parece ser esta, poderia dispensar a demarcação populista, e quem sabe se o estético de hoje não é o piroso de amanhã. </span><span class="texto1">Por outro lado creio que a manipulação digital tem servido a alguns autores para a criação de originalidade e marca autoral, conceitos que embora sejam presentemente abanados, não estão de todo ausentes do processo de mercado, e que por outro lado são apanágio de todas as estéticas fotográficas, quase todas elas &#8220;manipuladas&#8221; de uma maneira ou de outra. </span><span class="texto1">Os textos de suporte ao fotográfico são de tal modo importantes hoje em dia, que por vezes parecem ultrapassar o domínio da ajuda á inteligibilidade da exposição, desviando a atenção da fotografia para o autor. De qualquer modo, um excelente trabalho, diverso do tradicional registo preto e branco da fotografia &#8220;humanista&#8221;, embora assumindo linhas que lhe são devedoras, num modo &#8220;reportagem/ensaio&#8221; artístico, pleno de contemporaneidade, que nos convida a olhar para além do primeiro plano.</span></p>
<p><span class="texto1">Aditamento [12.Nov.2008]: </span>O <a href="http://www.virgilioferreira.com/" target="_blank">autor</a> submeteu o seu trabalho (não sei se foi este &#8220;<a href="http://www.virgilioferreira.com/projectos/daily-pilgrims" target="_blank"><em>Peregrinos do Quotidiano</em></a>&#8221; que fui ver) ao &#8220;Critical Mass&#8221;,  e o portfolio foi um dos escolhidos para passar à próxima fase, mais info em <a rel="nofollow" href="http://photolucidapdx.blogspot.com/2008/10/theyre-here-theyre-here-2008-critical.html" target="_blank">http://photolucidapdx.blogspot.com/2008/10/theyre-here-theyre-here-2008-critical.html</a>.</p>
<p><span class="texto1">Estava presente uma outra exposição no CPF, </span>&#8220;<strong>De um Chão Nosso</strong>&#8220;, e transcrevo textualmente <span class="texto1">&#8220;<em>documento produzido a partir de uma reportagem fotográfica realizada durante o ano de 2007, <strong>toma a forma de umas bases fotográficas para um Inquérito, um inquérito regional,</strong> através das quais se possibilita o entendimento da realidade construída de um conjunto abrangente de aldeias que, dispersas no território duriense, formam entre si uma rede com significado, sentido e conteúdo identitário</em>&#8220;, sendo que apenas nesta introdução, já temos um tratamento da lingua portuguesa </span><span class="texto1">(ver negrito meu)</span><span class="texto1"> digno de reflexão, quiçá um vislumbre do que se veria adiante. </span>Fotografias a cargo de <strong>Mário João Mesquita</strong> e <strong>Sónia Pinto Basto, </strong>se qualquer deles mantém ambições fotográficas no domínio do documental ou até do paisagistico, tal não transparece nas imagens, de uma pobreza estética confrangedora, mal tratadas, mal impressas, de uma incompetência gritante. Poder-se-ia em abono afirmar que apesar da estética, o tema tinha sido tratado de forma coerente, mas sou totalmente ignorante sobre as identidades patrimoniais do Douro, é verdade que tinha uma boa oportunidade para deixar de o ser, mas ver a fotografia tratada desta maneira, desinteressa-me do tema de imediato, será certamente um problema meu. É possível que o Centro Português de Fotografia não tenha sido criado como local exclusivo à fotografia de excelência, mas dá vontade de perguntar quem foi o crâneo responsável por este atentado ao registo documental, porque nesta &#8220;desgraça&#8221;, ninguém &#8220;ficou bem na fotografia&#8221;.</p>
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		<title>#3 &#8230; no país da fotografia</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Oct 2008 22:16:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoh</dc:creator>
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		<category><![CDATA[exposições]]></category>
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		<description><![CDATA[Testemunhos &#8211; Trajectos de Qualificação, Alfândega do Porto Mostra colectiva de fotografia, com um filme-documentário, vários textos e o que me pareceu ser um slideshow (não estava funcionante) este trabalho foi uma encomenda do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), sobre o tema da qualificação, escolar e profissional. Das palavras de Sérgio Mah, comissário [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><strong><em>Testemunhos &#8211; Trajectos de Qualificação</em>, Alfândega do Porto</strong></p>
<p style="text-align:center;"><a href="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/10/testemunhos1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-274" title="testemunhos1" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/10/testemunhos1.jpg" alt="" width="500" height="707" /></a></p>
<p style="text-align:center;">
<p>Mostra colectiva de fotografia, com um filme-documentário, vários textos e o que me pareceu ser um slideshow (não estava funcionante) este trabalho foi uma encomenda do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), sobre o tema da qualificação, escolar e profissional. Das palavras de Sérgio Mah, comissário da exposição &#8220;<em>Procurou-se, deste modo, potenciar uma representação actualizada e empiricamente sensível sobre o quotidiano de pessoas e perfis sócio-profissionais, sobre contextos de formação e sobre condições sociais e ambientes laborais em que o desafio da qualificação tem vindo a adquirir especial oportunidade e relevância pública.(&#8230;) Deste modo, por entre imagens e palavras, Testemunhos — Trajectos de Qualificação propõe uma incursão sobre experiências reais nos domínios do trabalho e da formação, mas também sobre modos e percursos de vida que inevitavelmente nos faz pensar sobre a relação entre trajectos educativos e trajectos profissionais. Esta é, como sabemos, uma reflexão cada vez mais presente e necessária, também porque abrange uma significativa maioria da população portuguesa. Contudo, mais do que descrever e procurar respostas esta exposição pretende sobretudo delimitar um contexto susceptível de mobilizar a nossa consciência individual e colectiva para uma temática que atravessa diferentes aspectos do domínio privado e público e que nos remete, inevitavelmente, para os dilemas e os desafios de um país em mudança.</em>&#8221;</p>
<p>Sendo um projecto institucional do IEFP, a mensagem é clara e assumida, aliás pode-se ler no site &#8220;<span style="font-size:11pt;font-family:verdana;"><em><span style="font-size:x-small;font-family:Arial;">tem como principal objectivo dar visibilidade<span> </span>a histórias de vida que se (re)construíram quando a qualificação se cruzou com a experiência, na preparação de novos futuros</span>.</em>&#8220;</span> É inevitável, sobretudo em Portugal, o cruzamento de projectos pessoais de fotografia com &#8220;encomendas institucionais&#8221;, a maior parte dos autores tem que trabalhar para colmatar o fim do mês, com raras excepções a poderem fotografar e sustentar a fotografia que querem, sem colocar em risco a sobrevivência financeira e pessoal, é a mescla entre o projecto inteiramente pessoal e os &#8220;constrangimentos&#8221; da encomenda. Se no caso do fotógrafo de tendência fotojornalistica, isso pode parecer menos problemático para a gestão da respectiva carreira profissional e artística, já no caso do fotógrafo &#8220;conceptual&#8221; esse casamento poderá levantar algumas questões, nomeadamente se a &#8220;encomenda&#8221; está de acordo com a sua visão artística, de que modo é afectada a unicidade estética da obra, etc, ou dito de outro modo, como coexistem os paradigmas estéticos da autoria e da originalidade, com as &#8220;encomendas&#8221;, sabendo que essas parecem ser dinâmicas que afectam o modo como o fotógrafo é publicitado, convidado a expôr e sobretudo &#8220;comprado&#8221; pelas colecções. Será que esses critérios prevalecem? Não tenho idéia de quem consegue ter mais sucesso financeiro, mas a &#8220;olho&#8221;, na fotografia em Portugal, parecem ser os &#8220;artistas conceptuais&#8221;, cuja representatividade nas colecções privadas (as que mais pagarão) é visível, isto porque a actividade fotojornalística parece mais destinada a outros meandros menos rentáveis, pelo menos por cá. Despe o artista esse &#8220;chapéu&#8221; perante a encomenda? É importante que o faça? De que modo é afectado? É coerente consigo mesmo e/ou com a sua obra? É essa coerência importante ou desejável?</p>
<p>No que diz respeito ao fotográfico, foram agregados neste projecto fotógrafos de várias sensibilidades, desde o fotojornalismo &#8220;artístico&#8221;, casos de <strong>Sandra Rocha, Pedro Letria </strong>e<strong> Augusto Brázio</strong>, a correntes estéticas que se parecem balizar mais de acordo com a &#8220;arte conceptual&#8221;, eventualmente apoiada em escolas ou correntes de fotografia, como parecem ser os nomes de <strong>António Júlio Duarte, André Cepeda, Patrícia Almeida </strong>e<strong> Augusto Alves da Silva</strong>. Se este era um trabalho que poderia remeter de modo confortável para os domínios do fotojornalismo, a inclusão de outras abordagens estéticas enriqueceu-o de tal modo, que considero esta exposição fundamental a quem deseje alargar horizontes sobre o olhar fotográfico contemporâneo.</p>
<p>Quanto ao que estava exposto, a <strong>Patrícia Almeida </strong>foi destinada a missão de fotografar cinco centros profissionais das áreas de Lisboa e Porto. Já tinha observado em <a href="http://abitpixel.wordpress.com/2008/10/08/1-visitas-ao-pais-da-fotografia/" target="_blank"><em>Portobello</em></a> algumas características que aqui se tornam de novo visíveis, alguns traços visuais de uma provocante ironia, rigor de composição, por vezes até cénica, encenada, com uma das fotos da mesa composta para o almoço a parecer ilustrar essa dinâmica da autora. A narrativa visual é rica apesar de directa e não obstante o classicismo rigoroso da composição. Daí resulta uma estética imediata, agradável e ainda que pouco perturbadora ou aparentemente pouco questionante, será que nos questionamos apenas em face da perturbação que nos é causada? A riqueza das tomadas de vista foi facilitada pela pluralidade de locais que estavam á sua disposição para fotografar, mas isso não lhe retira qualquer mérito. Por outro lado a aparente &#8220;neutralidade&#8221; do documento fotográfico, apanágio deste tipo de fotografia, é trabalhada de um modo sui generis, desfazendo um pouco (mas não muito) as &#8220;regras&#8221; do documental, que aliás outros fotógrafos representados na exposição &#8220;infringem&#8221; de modo claro.</p>
<p>Aos restantes autores foi-lhes pedido que ilustrassem um &#8220;caso&#8221;, o de alguém que frequentara a formação profissional. É desconhecido se se trata de um caso de &#8220;sucesso&#8221; ou como foi a amostra escolhida, de modo a chegar a estas pessoas.</p>
<p><strong>André Cepeda</strong>, apresentou uma fotografia na linha do que já lhe conhecíamos de <em><a href="http://abitpixel.wordpress.com/2008/10/08/1-visitas-ao-pais-da-fotografia/" target="_blank">Ontem,</a></em>. Aqui a marca autoral parece estar mais no domínio do que se entrevê, sempre menos do que se deixa ver, na dureza das formas, numa composição de fórmula estranha. Alguns momentos captados remetem para noção tão díspares como o aborrecimento, o fastio, o esforço, a concentração, o estudo, a curiosidade, etc, tudo sempre embebebido por uma estratégia de revelação crua, de pouco &#8220;glamour&#8221; estético, nada de ícones apenas aquilo que é, ou parece ser, acabando essa estratégia por talvez revelar maior densidade no tratamento do sujeito. Não é uma estética fácil, aparentemente denunciando até algum desconforto perante o sujeito tratado, mas esta é uma impressão inteiramente subjectiva e além disso, até que ponto está o autor presente naquilo que fotografa?</p>
<p><strong>Sandra Rocha</strong>, apresenta uma fotografia interessante, quase todos os planos de composição paralela, praticamente na perpendicular ao sujeito, numa fórmula muito pouco vista e visualmente difícil. O tratamento da luz é belo, a fugir muito da proposta de &#8220;neutralidade&#8221; subscrita por alguma arte conceptual, pelo que esta fotografia dificilmente caberá nas colecções contemporâneas, presentemente pouco dadas a este tipo de abordagem. Aborda-se a diversidade de uma vida que mistura afectos com trabalho, curiosamente apenas as autoras femininas mostram o afecto de forma clara, os homens optando por uma linguagem por vezes mais do domínio da razão nas suas propostas, por vezes rebuscadamente intelectual. Existirá uma fotografia &#8220;feminina&#8221;, mais instintiva, a fotografar com o estômago como diz <strong>Nan Goldin</strong>? Ainda assim gostei da poesia visual proposta neste ensaio pese embora a estética &#8220;ferrugem&#8221; de oficina de serralharia que permeia as fotos, mesmo as que não estão directamente envolvidas com a actividade laboral.</p>
<p>Todavia contém alguns perigos esta narrativa, ao qual não se furtaram outros autores presentes, sobretudo no ilustrar de conceitos que são demasiado complexos para poderem ser encerrados na fórmula qualificação=sucesso que alguma desta foto parece ilustrar. A história é levada para o lado da versão oficial, porque o autor está a ser pago para isso, ou ainda que não totalmente assumido, é inconscientemente influenciado por esse facto? Em 4 casos, é fotografado o acto de comer, ou o pão, ou a preparação de refeição, sem dúvida que o trabalho é aquilo que coloca o pão na mesa, mas está isso associado a trabalho qualificado? Provavelmente&#8230; Em 3 casos, os autores apresentam a &#8220;casa nova&#8221; do cidadão que frequentou a formação, pressente-se a ambição de possuir e adquirir casa própria como uma das mais intimamente arreigadas no ser humano, desejoso de conforto, segurança, estabilidade, mas &#8220;ligar&#8221; imagem de casa nova=sucesso=qualificação profissional é uma visão possível, ainda assim algo enviesada. Indubitávelmente existe uma correlação, mas não creio incorrer nalguma injustiça se afirmar que a formação profissional é ainda e foi em muitos casos autenticamente &#8220;despejada&#8221;, via fundos provenientes dos diferentes quadros comunitários, como ferramenta estratégica de aumento de produtividade que poderia ser, mas que tal não conduziu a resultados muito efectivos no plano prático e vejam-se os indíces de produtividade, crescimento do PIB, taxas de rotatividade, crescimento da massa salarial, aumento da procura e exportações, enfim, saímos da cauda da Europa? Foi graças á qualificação profissional? Algumas das narrativas descritas por <strong>Kathleen Gomes</strong>, parecem inclusivamente apontar num caso ou outro para o descair para alguma verdade oculta, que embora não inteiramente assumida se pressente, a formação como &#8220;obrigação&#8221;, algo imposto do exterior, não totalmente desejado. Um autor &#8220;independente&#8221; ao relatar a formação profissional, ilustraria apenas os casos de sucesso?</p>
<p><strong>Augusto Brázio</strong>, que se reconhece como o retratista luso actualmente com maior protagonismo, apresentou a D. Júlia, costureira, desafio maior ter que conjugar cores e formas geométricas, numa mente que provavelmente pensa de modo automático &#8220;rosto, preto e branco&#8221;. Num autor cujo trabalho é tão vincado, este ensaio poderia ser uma proposta complexa. Apresentando o sujeito no contexto de alguém que, além da profissão ainda tem que tratar da lida da casa e dos filhos, o resultado final parece-nos pouco conseguido no domínio de uma estética própria, de uma linguagem que distinga o autor, pontuando talvez em demasia o uso da côr e do gráfico, mas numa casa de costura a tentação era grande. Ainda assim uma narrativa interessante, diversa, com algumas anotações de puro deleite visual, como o Cristo-Rei em contraponto ao cruxifiço dependurado no retrovisor do automóvel.</p>
<p><strong>Pedro Letria</strong> mostra uma narrativa que não sendo exaltante visual ou conceptualmente, leva a bom porto o que lhe é pedido. É comum a todos os autores a necessidade de ir buscar pontos de vista que possam trazer riqueza a uma abordagem que está confinada a uma só pessoa, sobretudo quando se tem como instrumento narrativo uma câmara e não uma caneta e papel, tal tarefa é bem mais dificil do que possa parecer. O ensaio mais &#8220;fotojornalistico&#8221; de todos.</p>
<p><strong>António Júlio Duarte</strong>, ilustra Jerónimo, profissional da pesca. O traço autoral é distintivo no uso da côr e naquilo que usualmente se consideram &#8220;erros&#8221; fotográficos, que o autor integra bem numa fotografia de dificil formato quadrado mas de grande riqueza visual, ainda que do todo possa resultar uma estética que provoque ambivalência no espectador, uns amarão, outros odiarão, estou mais do lado dos primeiros. Ainda assim quando a composição integra paisagem ou fragmentos de &#8220;still life&#8221; parece-me mais bem conseguida do que quando abraça pessoas, num registo que por vezes parece usar o humano como mera ferramenta de composição visual o que numa fotografia deste género pode parecer algo estranho. Por outro lado, o uso da narrativa que enuncia a &#8220;casa nova&#8221; mais visível no catálogo que na exposição, parece-me uma abordagem um pouco dada ao &#8220;discurso oficial&#8221;. Discordo desta fórmula de sucesso e é aqui que creio que o fotógrafo &#8220;faz encomenda&#8221;, embora o possa fazer de modo inconsciente. Poder-se-á argumentar que é apenas uma constatação, a de que com esforço e aplicação se conseguem obter coisas, mas para além da perspectiva materialista inteiramente válida, estão outras dinâmicas não menos importantes e sobre as quais importaria que a fotografia também reflectisse (ou fizesse reflectir, como largamente pretende), aqui subscrevo <strong>Jon Presser</strong> quando afirma que &#8220;<em>a fotografia documental avança as falsas causas do sistema liberal porque ignora os aspectos ideológicos do sseus próprios padrões de representação</em>&#8221; in <a href="http://search.barnesandnoble.com/booksearch/isbninquiry.asp?r=1&amp;ean=075070649X" target="_blank">Image Based Research</a>.</p>
<p><strong>Augusto Alves da Silva</strong> apresenta quase sempre uma fotografia em que o simbólico é claramente mais forte que o simbolizado. Pouco dado a imediatismo visuais, denota profundo conhecimento acerca do poder codificador e simbolizador da imagem. Neste ensaio, se lhe retirássemos a carga do nome do autor que o mesmo carrega, diríamos tratar-se de alguém que possui um gosto particular pelo cliché, que convoca o kitsch para as suas imagens, um fotógrafo que parece entrar na cabeça do povo e que fotografa como se fosse o mais comum dos mortais. Recriar um registo popular, sem glamourizar os &#8220;petiscos, pão e vinho tinto&#8221;, é decerto um traço de ironia que se regista e que parece figurar na sua obra. Ironia ou talvez não, este fotógrafo é normalmente associado a grande coerência na sua estética,  recorde-se a &#8220;paródia&#8221; ao encontro de Bush, Aznar, Blair e Durão nos Açores, na série &#8220;3.16&#8243; de 2003, em que a paisagem açoreana ilustrava a complacente natureza, que segue o seu curso independentemente das desgraças que por ela passem, ou num tom mais político, tudo vai bem pelo mundo desde que em NY se possa viver protegido, ainda que enjaulado. Quem olhasse as fotografias separadamente da proposta conceptual que as apoiava, teria dificuldades em encontrar um fio condutor, confundindo eventualmente fotografia &#8220;de paisagem&#8221; que manifestamente não era. Neste ensaio, o fotógrafo ilustra um electricista que arranjou dinheiro para comprar um barco &#8211; a meias &#8211; e dedicar-se à pesca. Pese embora o imediatismo que as suas imagens convocam, parece ser ubíquo o dom de esconder significados, quer apoiado na ironia (sarcasmo como mecanismo de defesa?) ou por imagens de uma estética banal ou próxima, com as quais se poderia escrever uma fotonovela. Sendo possível que no anseio da intelectualidade resida o seu oposto, até porque as lógicas demasiado díspares são normalmente aquelas que estão mais próximas, ou como diz Pedro Mexia &#8220;o engraçado é que as pessoas mais «elitistas» cedem com gosto aos gostos da multidão, que as mais «misantropas» são na verdade fúteis, as mais distantes da «<em>communis opinio</em>» anseiam pela aceitação social e as mais «sofisticadas» pensam exactamente como adolescentes.&#8221;</p>
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		<title>#2 &#8230; no país da fotografia</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Oct 2008 19:38:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoh</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma pequena excursão à Planície Alentejana permitiu matar saudades da minha Évora e apanhando mais duas flores com uma só ramada de mão, visitei a retrospectiva de carreira &#8220;Antologia Experimental&#8221; do fotógrafo José Manuel Rodrigues, patrocinada pela Fundação Eugénio de Almeida e exposta no Palácio da Inquisição, onde também eu fui &#8220;inquirido&#8221; pela última vez [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Uma pequena excursão à Planície Alentejana permitiu matar saudades da minha Évora e apanhando mais duas flores com uma só ramada de mão, visitei a retrospectiva de carreira &#8220;<em><strong>Antologia Experimental</strong></em>&#8221; do fotógrafo José Manuel Rodrigues, patrocinada pela Fundação Eugénio de Almeida e exposta no Palácio da Inquisição, onde também eu fui &#8220;inquirido&#8221; pela última vez a fim de terminar a licenciatura, para a ignominiosa cadeira de Economia Regional, espaço agora airosamente dedicado ás inquisições artísticas, visita após a qual se deu 3 passinhos á direita e onde se entrou para a exposição colectiva &#8220;<em><strong>Café Portugal</strong></em>&#8220;, no fórum daquela fundação.</p>
<p>Uma visita a Évora é sempre um momento de grande alegria pela memória dos tempos de estudante que por lá passei em meados dos 80 e ainda adentro dos 90, nunca deixei de voltar regularmente, para olhar a indolente mole humana que vai pululando pela Praça do Giraldo, para escutar a deliciosa pronúncia, pela luz que parece entrar por uma qualquer porta da muralha, pela paisagem urbana, angular, caiada, granítica, infelizmente agora recortada por uma série de horrendos &#8220;vasinhos de flores&#8221;, labor de algum esteta preocupado com a falta de verde no centro da cidade e quiçá convencido de que a mesma é a sua varanda, tendo conseguido não menor proeza que assassinar toda a estética das arcadas e da Praça do Giraldo, bem como da Praça do Município e sabe-se lá que mais, pois que não tive tempo para visitar o resto da cidade, a arquitontura paisagistica no seu máximo expoente!</p>
<div id="attachment_101" class="wp-caption aligncenter" style="width: 660px"><a href="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/10/20081011_evrexpojmrodrigues_014.jpg"><img class="size-full wp-image-101" title="20081011_evrexpojmrodrigues_014" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/10/20081011_evrexpojmrodrigues_014.jpg" alt="©2008jose manuel rodrigues - foto da Série Solo a Solo" width="650" height="448" /></a><p class="wp-caption-text">foto da Série Solo a Solo</p></div>
<p>Mas vamos à &#8220;<em><strong>Antologia Experimental</strong></em>&#8221; exposição individual do fotógrafo <strong>José Manuel Rodrigues</strong>, nascido em Évora e por lá de novo após alguns anos na diáspora, do folheto pode-se ler &#8220;<em>Este projecto expositivo, de carácter antológico, é estruturado em torno da série recente Solo a Solo (2005-06), e explora cruzamentos múltiplos entre fotografias das últimas duas décadas e o trabalho performativo e experimentalista realizado sobretudo na década de 1980, período em que José M. Rodrigues, então a residir na Holanda, manteve estreitas ligações com os movimentos artísticos de vanguarda do centro da Europa. Apresentam-se, em 12 núcleos expositivos, algumas das fotografias mais marcantes do autor, e um conjunto de obras/instalações, filmes experimentais, peças tridimensionais e séries fotográficas – inéditas ou raramente vistas em Portugal. Entre as obras inéditas destacam-se um filme dedicado a Ernesto de Sousa, <strong>Enciclopédia Universal </strong>(1984 &#8211; 2008) e dois projectos de 2007 criados para esta exposição, e <strong>Lugar </strong>e </em><em><strong>Lucefece</strong>.  A exposição é de uma produção própria da Fundação Eugénio de Almeida com a colaboração do artista, que procura tirar partido da excepcional localização do Palácio da Inquisição, um edifício do século XVII situado no principal núcleo monumental do centro histórico da cidade de Évora, fronteiro ao Templo Romano e virado à Catedral.</em>&#8221;</p>
<p><span class="texto_normal">Conhecia algumas imagens do fotógrafo, já tinha visitado &#8220;<em>Solo a Solo</em>&#8221; em Sines, &#8220;Jogos proíbidos&#8221; nos silos do NorteShopping no Porto e tido a oportunidade de folhear alguns livros da sua fotografia, mas desconhecia por completo todo o resto do seu corpo de trabalho que abrange muito mais que o fotografia, mas onde a imagem se mostra quase sempre presente. Desta antologia constam inúmeros trabalhos dos anos 80, os quais assumiram claramente o risco próprio de quem experimenta e em simultâneo é influenciado pelo surrealismo, </span><span class="texto_normal">que a par de uma economia de meios, fornecem </span><span class="texto_normal">elementos que de algum modo nunca deixam de estar presentes no restante percurso do autor. Se este traço inicial do percurso parece mais vincado, mais demarcado, parecendo apontar para uma fotografia &#8220;independente&#8221; &#8211; se é que isso existe  e com isso quero apenas significar uma estética vincada pouco dado a modismos &#8211; nos trabalhos mais recentes essa tendência esbate-se um pouco (Solo a Solo), sem contudo abandonar as temáticas principais.<br />
</span></p>
<p><span class="texto_normal">Alguns desess temas são recorrentes nesta antologia, o retrato, sobretudo na exploração do rosto e do auto-retrato, os 4 elementos, mas o preponderante Terra, apresentados sobre as mais diversas formas, perspectivas e composições. Uma perspectiva rica da obra do fotógrafo, bem casada com o espaço, informativa e formativa, onde como afirma <a href="http://alexandrepomar.typepad.com/alexandre_pomar/jos_manuel_rodrigues/" target="_blank">Alexandre Pomar</a> &#8220;</span><em>se com as experiências se aprende, e esta é uma antologia experimental, aqui também se ensina a ver, ao longo de um percurso inesgotável</em>&#8220;, sendo o potencial lúdico e didático desta exposição enorme, como me deliciei com uma bailarina (real) que durante largos minutos dançou sua sombra na projecção de um dos filmes &#8211; <em>Lucefece</em> &#8211; ou quando abri uma instalação caixinha-supresa de fotos. Uma beleza esta antologia, em todo o caso não comparável ao magnifíco bolo de laranja com que se fechou a tarde na cafeteria do fórum, mas o estomago também não desdenha de arte.</p>
<p>Em seguida rumou-se ao &#8220;<em>Café Portugal</em>&#8220;, exposição de arte contemporânea portuguesa itinerando agora no Fórum Eugénio de Almeida, criada a pretexto de uma visita do actual Presidente da República à Rep Eslovaca e que assenta no conceito de identidade, pertença a um país, a um património comum. No mínimo curiosa esta &#8220;integração&#8221; portuguesa na identidade europeia através dessa tipologia social, cultural e patrimonial, que é o café, citando George Steiner &#8220;<em>desenhe-se o mapa das cafeterias e obter-se-á um dos marcadores essenciais da &#8220;ideia de Europa</em>&#8220;.</p>
<p>A alguns eborenses o título desta exposição trará certamente o reavivar de algumas memórias, pois existiu um Café Portugal em Évora &#8211; hoje totalmente travestido numa desenxabida multinacional de roupa &#8211; que concorria com esse outro café &#8220;à antiga&#8221;, o Café Arcada, na Praça do Giraldo. Em ambos ainda por lá assisti a uns encontros de jazz lá pelos 80 e tais, mas a fumarada era tão espessa que já não relembro os tocadores, fecharam ambos pouco depois, tendo o Arcada felizmente sido reaberto já neste século e até agora sobrevivendo. O Café Portugal era lembrado pelos locais com mais carinho que o Arcada, quiçá por ser mais popular &#8220;frequentado por eborenses e pela malta do reviralho&#8221;, e acrescento eu, pelo facto de ladear com a sede do Partido Comunista mesmo a 2 passos no largo de Camões, dado que à época ainda Évora vestia de vermelho, estando o Arcada reservado à burguesia, às senhoras finas esposas dos alemães da Siemens, aos domingos ao som de orquestra.</p>
<p>Nestoutro &#8220;<em>Café Portugal</em>&#8221; alguma fotografia se abriga nesta &#8220;encomenda&#8221; da mais alta patente nacional, <strong>Paulo Catrica</strong> com 6 fotos sobre o Teatro S Carlos, ou um ensaio de como a fotografia pode ser uma coisa aborrecida de se ver e relembro como ao contrário, a &#8220;estética do documental&#8221; pode ser de uma extraordinária beleza, através das fotos de lugares do Porto de Inês d&#8217;Orey, obra essa não presente nesta exposição. Um trabalho de <strong>José Luis Neto</strong> &#8211; prémio BESphoto 2006 &#8211; plasticamente desinteressante, mas com uma carga tremenda de polaridade, ironia, sugestão, pois à encomenda para fotografar os 21 monumentos portugueses candidatos às 7 maravilhas, contrapõe uma obra miniaturizada que exige um esforço de atenção e visão impar, trabalho que &#8220;reflecte sobre a memória, a sua subjectividade e o seu processo de construção&#8221;. Uma foto de <strong>Manuel Botelho</strong> intitulada <em>Ração de Combate</em>, cuja ideia de identidade é representada pela abordagem de uma vivência de guerra, onde se entrevê um fantástico postal deixado no chão onde se pode ler sobre a bandeira portuguesa &#8220;LUTAMOS PELA PAZ&#8221;. Todos estes registos fotográficos bastante interessante a nível conceptual, mas cuja forma plástica em todos os casos é desgraçadamente feia ou assim assim, embora técnicamente irrepreensível, apontando talvez para a idéia de que o conteúdo supera a forma, mas não poderia a moça ser bonita e inteligente ao mesmo tempo&#8230;?</p>
<p>Rematando esta &#8220;conversa de café&#8221;, uma passagem sobre as escolhas para esta exposição entregues a <strong>Filipa Oliveira</strong>, algumas delas rebuscadas no sentido da mais imediata apreensão acerca da ideia de identidade nacional &#8211; casos dos extraordinários desenhos de Rui Moreira, em que a alusão aos caretos do Norte a história bíblica de José e Maria é algo obscura, reflectindo a itinerância dos portugueses- mas abrangendo um leque de obras que pontificam de imediato sobre essa ideia, o retrato de Amália, o barco de pesca feito de azulejos, o catolicismo (sem Fátima&#8230;), a alusão à ditadura e à guerra colonial (mas a não à integração dos retornados e imigrantes na formação dessa mesma identidade), a tauromaquia, num conjunto de artistas que parece talhado pela preocupação crítica sobre a sociedade. Ainda assim há espaço à arte pela arte, com a escolha da fotografia de um icone da cultura de elites &#8211; Teatro S Carlos &#8211; mas se houve algo em que nunca os portugueses foram pródigos foi na produção de formas de cultura de elite, pelo que se despercebe esta escolha, ao invés abrindo mais sentido ao vazio da ausência de uma obra sobre o desporto como grande fenómeno de identidade nacional em que justamente &#8220;a nação&#8221; se projecta, ou dito de modo curto, nem uma obra sobre as bandeirinhas de Scolari na janela? Já sabíamos que o sr Presidente não vai muito á bola, mas tanto também não. Como em tudo, há que fazer escolhas e a curadora fê-las certamente levando em linha de conta não só o patrono como o carácter da exposição e não serão alguns reparos que a tornam menos meritória, enfim, uma boa viagem à planície.</p>
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		<title>#1 &#8230; no país da fotografia</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Oct 2008 10:30:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>joaoh</dc:creator>
				<category><![CDATA[geral]]></category>
		<category><![CDATA[exposições]]></category>
		<category><![CDATA[no país da fotografia]]></category>

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		<description><![CDATA[L&#8217;apparence prend toujours le dessus sur le réel, le masque sur le masqué. On montre pour cacher, mais on montre surtout pour montrer&#8230; Jean-Pierre Martel País onde num espaço de 3 anos se &#8220;escurecem&#8221; os 2 maiores certames expositivos nacionais, LisboaPhoto e os Encontros de Fotografia de Braga, não não é para mim este país. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><span style="font-family:courier new;">L&#8217;apparence prend toujours le dessus sur le réel, le masque sur le masqué. On montre pour cacher, mais on montre surtout pour montrer&#8230;</span></em><br />
<strong><span style="font-size:78%;">Jean-Pierre Martel</span></strong></p>
<p>País onde num espaço de 3 anos se &#8220;escurecem&#8221; os 2 maiores certames expositivos nacionais, LisboaPhoto e os Encontros de Fotografia de Braga, não não é para mim este país. O O&#8217;Neill que me perdoe a apropriação mas nem tudo aparenta negatividade, o espaço vazio deixado pelo investimento dos dinheiros públicos na área da exposição/divulgação vai sendo apropriado pelo circuito das galerias e pelos institucionais que apostam na área (Berardo, BES, Glubenkian), o que embora não dando uma noção exacta da vitalidade (ou do oposto) da fotografia portuguesa, dá pelo menos a idéia de que existe um mercado.</p>
<p>Este fim de semana fiz-me ao caminho e fui ver&#8230; No sábado 3 locais, Galeria S Bento, Plataforma Revólver/Rock Gallery/VPF Cream Art Gallery e a Galeria Zé dos Bois. Nos 2 primeiros terei estado respectivamente 20 minutos e cerca de uma hora, não entrou mais ninguém, no último terei estado uns 45 minutos e entrou uma pessoa. Tentei ainda visitar 2 locais que supostamente estariam abertos ao Sábado à tarde, a Foto Imagerie e a Galeria K, do colectivo português Kameraphoto, em ambos os casos nem um aviso, um volto já, nada, desconheço que tipo de impacto sobre o público terão estas atitudes, no meu caso fiquei com pouca vontade de voltar&#8230; Quanto à falta de públicos, estando perante exposições de artistas consagrados ou emergentes e não de exposições &#8220;amadoras&#8221;, é de especular por onde andam os alunos de artes, da imensa mole de fotógrafos, de outros artistas e interessados? É também de considerar que as exposições tenham o seu pico de visitas na época da inauguração e que depois a assiduidade venha por aí abaixo, mas é de perguntar se estamos em Lisboa?</p>
<p style="text-align:left;">
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;"><strong>Galeria S Bento</strong></p>
<p align="center"><strong><img src="http://www.cps.pt/images/articles/4/ILoveYou_dest_gr.jpg" border="0" alt="" width="300" height="207" /></strong></p>
<p><span style="color:deeppink;"><strong>&#8216;I LOVE YOU, OH, YOU PAY MY RENT&#8217;<br />
</strong>Paulo Romão Brás e Sandro Resende<br />
<strong>Galeria de São Bento<br />
13 Setembro &#8211; 13 Outubro</strong></span></p>
<p style="text-align:left;"><em><span class="texto_11">&#8220;O que leva um artista a expor o seu trabalho? A sobrevivência, o ego ou a necessidade de aceitação e crítica? Estas suposições criam ansiedades e compromissos entre as várias entidades envolvidas no processo: artistas, críticos e galerias. Paulo Romão Brás e Sandro Resende são dois artistas emergentes que aliam o trabalho artístico ao dia-a-dia das suas profissões, retirando destas o seu manancial criativo.<br />
O primeiro recolhe fotografias ao acaso, produto de algumas memórias já passadas. Utiliza-as depois como suporte para um trabalho de desenho e, por fim, cria uma nova imagem impressa. Esta destruição e reconstrução das imagens, leva-o a inventar novos personagens e novas histórias a partir das já existentes.<br />
O segundo, parte das relações sociais e afectivas que estabelece, analisa a dificuldade de comunicação existente, sublinhando a necessidade de definição da culpabilidade pelos nossos actos enquanto seres humanos. Imagina então que essa &#8216;in-comunicação&#8217; tem uma forma e um código, mostrá-la e descodificá-la será o </span><span class="texto_11">primeiro passo para que seja reconhecível ao observador. Em &#8216;I LOVE YOU, OH, YOU PAY MY RENT&#8217;, Paulo Romão Brás e Sandro Resende assumem a exposição pessoal e artística, esferas indissociáveis na relação da arte com o público, do artista com o meio em que se exprime, mas que sistematicamente procuram confrontar nas suas práticas pessoais de identificação social e criativa.</span></em></p>
<p><em>&#8216;I LOVE YOU, OH, YOU PAY MY RENT&#8217;<br />
Do tema &#8216;RENT&#8217; álbum Actually, Pet Shop Boys, 1987.</em>&#8221; retirado do <a href="http://www.cps.pt/index.php?article=4&amp;visual=13#" target="_blank">Centro Português de Serigrafia</a></p>
<p><strong>Paulo Brás</strong> apresenta desenho sobre fotografia, em contra-corrente ao actual panorama de quanto-maior-melhor, tratam-se de dimensões relativamente pequenas. A fusão que possa existir entre a fotografia e outras artes visuais apresenta hoje em dia tantas possibilidades, pintura, ilustração, desenho, etc, que é gratificante verificar a existência de algumas propostas nesse domínio. Fotografias bem escolhidas, por si próprias já passíveis de contar uma história, no entanto os desenhos nelas apostos deixam-me algo renitente em considerar uma forma conseguida e coerente, defeito meu talvez&#8230; <strong>Sandro Resende</strong> tinha a sua exposição amputada da principal fotografia por razões não mencionadas pela pessoa que me atendeu, quanto a factos não há argumentos&#8230;
</p>
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;"><strong><a href="http://www.artecapital.net/plataforma.php" target="_blank">Plataforma Revólver</a>/<a href="http://artecapital.net/rockgallery/" target="_blank">Rock Gallery</a>/<a href="http://www.vpfcreamart.com/vpfptframes.htm" target="_blank">VPF Cream Art Gallery</a></strong></p>
<p>Nesta visita deparei-me com 3 propostas expositivas no mesmo edifício, nenhuma delas tendo como pano de fundo a fotografia, mas ainda assim a permitir uma bela viagem pela arte contemporânea portuguesa. (ver mais em <a href="http://www.artecapital.net/home.php" target="_blank">ARTECAPITAL.NET</a>) O espaço está dividido entre a <strong>Rock Gallery</strong> destinada a artistas emergentes e a <strong>VPF</strong> para consagrados, presentemente albergando 2 estimulantes propostas de desenho e pintura respectivamente de Cristina Robalo e Ana Cardoso. No sotão, o espaço abriga a <strong>Plataforma Revólver</strong>, onde habitam mostras colectivas de novos criadores. Lá estava uma pequena amostra fotográfica de 3 fotografias de <strong>Ana Telhado</strong>, uma delas abaixo reproduzida</p>
<p style="text-align:center;"><img src="http://www.artecapital.net/uploads/AnaTelhado1.jpg" alt="" width="220" /><br />
<span class="legenda">Ana Telhado, S/ título, &#8220;da série Si proche de la Matrice&#8221;, 2007, Emulsão de gelatina e prata s/ papel</span></p>
<p>Uma das formas sobre a qual o artista contemporâneo parece querer influenciar o espectador e digo influenciar á falta de melhor termo, é através de uma escolha criteriosa do título para as suas séries/fotografias. Não como algo meramente descritivo, neutro em relação ao objecto, mas uma escrita que parece tentar fornecer a chave a todo o processo exposto, trazendo-lhe coerência, inteligibilidade? Não sei até que ponto este processo desvenda ou adensa o mistério da revelação fotográfica, mas que o aproxima de alguma pintura e da literatura, isso parece-me verosímil.
</p>
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;"><strong>Galeria Zé dos Bois</strong></p>
<p><img src="/DOCUME~1/joao/DEFINI~1/Temp/moz-screenshot-1.jpg" alt="" /></p>
<p><a href="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/10/net_expo_ing.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-49" title="net_expo_ing" src="http://abitpixel.files.wordpress.com/2008/10/net_expo_ing.jpg?w=655" alt="" width="655" height="655" /></a></p>
<p>A exposição que me fez ganhar a tarde foi a de <strong>Patrícia Almeida</strong> e o seu &#8220;<strong><em>Portobello</em></strong>&#8220;, citando a autora &#8220;<span style="font-size:11px;">Portobello apresenta-se assim como um lugar à beira da ficção, simultaneamente real e inventado, uma espécie de ‘parque temático’ sem temática, mas ancorado num imaginário colectivo relacionado com as férias e construído a partir de estereótipos. Enquanto projecto documental, apresenta-se também como um ensaio fotográfico sobre a forma como os fluxos de ocupação temporários gerados pelo turismo de verão influenciam a construção da identidade de um lugar.(&#8230;) </span><span style="font-size:11px;">Portobello procura olhar para uma realidade sem cair no discurso propagandístico da indústria do turismo nem numa visão depreciativa que tende a julgar estes fenómenos com ironia ou cinismo. Finalmente, o projecto insere-se numa prática artística que utiliza a fotografia não tanto nas suas possibilidades plásticas ou picturais mas numa perspectiva onde a componente documental, sem deixar de existir, carrega também um olhar (poético, crítico ou político) sobre uma realidade « tal » como ela existe ou seja, tal como ela se « apresenta e representa » a si própria.&#8221;</span></p>
<p>Discordo do uso da ironia como recorte negativo, um olhar cínico ou sarcástico tenderá a prejudicar a assimilação das fotografias, mas que o fotógrafo ele próprio tenha que se exumar a essa responsabilidade afirmando que não era essa a intenção, parece-me não só uma demarcação desnecessária como em simultâneo tende a influenciar o espectador para que veja as fotos sob um determinado prisma e não por outro, inibindo-o de se colocar perante as mesmas da forma que melhor lhe convier, á esquerda á direita ou ao meio. Os artistas de hoje não só tem que ser políticamente correctos, como também parecê-lo? Parecendo-me esta exposição de certo modo tributária de Martin Parr, vem á mente a posição muito semelhante daquele no contexto da sua fotografia, a do não-julgamento, que sendo postura humana desejável, pelos vistos tem que ser assumida por palavras, mas e os actos (as fotografias) aliás muito mais importantes, onde ficam? Deve a fotografia ser interpretada por quem a vê, ou deve a chave da sua visão ser facilitada por quem a tira? É a escolha do local e do momento do disparo neutra? A realidade não existe sem observador como tal parece difícil que se represente a si própria, não creio na existência de observadores neutros ainda que como tal se afirmem, poderão isso sim tender para a neutralidade. De qualquer modo a tendência actual também parece ser a da separação entre a persona do autor e o objecto/sujeito, apoiada na &#8220;escola&#8221; de Dusseldorf. Criei para mim a ficção de que se deveria fotografar apenas aquilo que se gosta, pelo qual existe uma paixão, um interesse, isso parece ser conseguido nesta estética mais por aquilo que o &#8220;sujeito&#8221; comunica ou suscita, do que pelo objecto em si, pelo que continuo a &#8220;resistir&#8221; a uma abordagem estética que tendo o condão de me obrigar a pensar, não me provoca entusiasmo.</p>
<p>Voltando à exposição propriamente dita, uma primeira impressão ditaria um amadorismo, através do uso de diferentes formatos de papel, da falta de meios financeiros consuetudinados na falta da moldura (ou acrílico ou metal) como suporte pois o papel está na parede pendurado por alfinetes (papel de parede?), o aparente visual de quarto de adolescente, amadorismo esse que contudo o curriculo da fotógrafa não parece confirmar. Verdades ou propositadamente plantados neste ensaio, estes podem ser factores que dimínuem esta exposição mas que a meu ver também lhe permitem uma leitura mais rica. Composição, cor, sentido de momento, idéias, de tudo tem esta primeira sala, embora a segunda sala não me pareça tão forte todavia está em coerência com as restantes, voltando a terceira sala a brilhar nos gestos captados. Muito bem &#8220;ensaiado&#8221;, este ensaio.</p>
<p>No andar de cima estava &#8220;<strong><em>Ontem</em></strong>&#8221; de <strong>André Cepeda</strong>, nas palavras do autor &#8220;<span style="font-size:11px;">Estou sempre a tentar construir novas formas de olhar para a realidade e para o espaço que me é apresentado. Procuro essencialmente os espaços e os momentos esquecidos ou rejeitados. Coisas que nos pertencem e que estamos habituados a olhar. Isso interessa-me na exacta medida em que me obriga a criar uma imagem e relacionar-me com o seu espaço tentando esquecer a sua história e contextos de recepção originais. Concentrando-me apenas na luz, no espaço e no tempo, sinto-me mais livre para criar novos contextos para as imagens, como se este tratamento quase escultórico lhes devolvesse uma dignidade aparentemente esquecida ou negligenciada. E assim, estas imagens tornam-se momentos que propiciam uma reflexão mais alargada sobre o modo como construímos a nossa identidade cultural e social.&#8221;<br />
</span></p>
<p>Trabalho de grande formato na exposição e na câmara usada, apresenta uma foto densa, crua, que opta pelo menos belo, tornando-se o apelo ao espectador menos imediato, mas provavelmente com impacto mais duradouro na memória. Existe um frémito na intimidação provocada pelo olhar directo para a câmara que os modelos deste fotógrafo privilegiam, como se fosse possível à escala e em tempo real ser confrontado ou convocado perante uma determinada realidade, mas fora isso não sei o que o grande formato trouxe a esta fotografia que formatos mais pequenos não possam trazer. Pressão das galerias, dos compradores, dos vendedores de tintas? Esta exposição tem o dom de poder vir a revelar camadas desconhecidas, tal como um disco de que se não gosta logo á primeira, ainda assim, é uma estética que não agradará a todos.</p>
<p style="text-align:center;">
<p style="text-align:center;"><strong>BESarte #01</strong></p>
<p>Está de pé a mostra daquela que poderá vir a ser, se já não o é, a maior colecção de fotografia em Portugal. Aparentemente irá ser mostrada em capítulos, dos quais está patente o primeiro na galeria BESart ao Marquês de Pombal, certamente futuro ponto de passagem obrigatório a quem se interesse pelos &#8220;presentes&#8221; da foto contemporânea, passe a tautologia. O folheto da mostra é nulo quanto aos critérios da exibição, embora no interior se vislumbrem alguns, sendo que no site se pode ler &#8220;<em>A colecção de fotografia BESart &#8211; Colecção Banco Espírito Santo - começou em 2004 com a aquisição de uma caixa de luz de Jeff Wall, um auto-retrato de Cindy Sherman, uma vista de Shanghai de Thomas Struth e uma biblioteca de Candida Höffer, obras que se consideraram marcantes para definir o enquadramento da colecção que se ía iniciar</em>&#8220;, ainda que esta citação não renda grande evidência sobre o porquê das escolhas patentes neste arranque, partimos do princípio que para bom entendedor meia palavra ou neste caso nenhuma, seja bastante. É a fotografia papel de parede caro? Temos então 2 pisos cheios de grande fotografia ou fotografia grande nalguns casos, entre os portugueses do presente quase tudo impresso em grande formato, com <strong>Daniel Malhão</strong> e <strong>Paulo Catrica</strong> a denotarem seguidismo à escola de Dusseldorf, <strong>Augusto Alves da Silva</strong> nos seus &#8220;quotidianos banais&#8221; cujas fotos parecem também querer ilustrar o conceito. Desta estética de fotografia grande &#8211; e como gosto de fotografia em grande formato &#8211; que se arrisca a ser comprada pelos coleccionadores institucionais, devo dizer que não só o objecto é a mais das vezes banal, quase fazendo corresponder ao sujeito muitas vezes tratado. Podíamos dizer que estas fotografias tem poesia, mas há da boa e da má e ao que aprece também há a metro.</p>
<p>As minhas preferidas desta &#8220;selecção nacional&#8221; são as de um não-fotógrafo, <strong>Pedro Cabrita Reis</strong>, que embora técnicamente seja uma fotografia eufemisticamente discutível, casa de modo interessante a textura, a materialidade, a dimensão&#8230; Realço também um belo contra-luz de <strong>José Maçãs de Carvalho</strong>. Do lado dos estrangeiros denota-se maior criatividade e risco nos objectos mostrados mas nem sempre correspondendo a maior qualidade, apesar de tudo com uma tremenda foto desse magnífico retratista que é <strong>Irving Penn</strong>, e também um belo trabalho de <strong>John Baldessari</strong>, em que se juntam fotografia e desenho.</p>
<p>Evidencie-se aqui o mérito do BES em criar uma colecção de fotografia contemporânea, certamente com recursos limitados, mas se a representatividade de várias correntes estéticas parece eclética nesta primeira mostra do acervo, o sentimento que fica é o de que algumas das obras adquiridas não serão aquelas em que os  artistas estariam nos seus melhores dias. Terá a política de aquisições privilegiado um leque mais amplo de artistas em detrimento das melhores obras dos mesmos ou de uma determinada estética? Como em todas as outras artes, os fotógrafos não criam constantemente obras geniais ou icónes pese embora possam ser dignos representantes de uma determinada estética. Ou noutra interpretação poder-se-á ter optado pelo &#8220;fazer render o peixe e comprar o máximo possível&#8221;, podendo nalguns casos tratar-se de compras de fundo de catálogo (logo mais baratas)? Interrogações de quem está de fora, a confirmar pelas cenas dos próximos capítulos.</p>
<p>Num outro plano e face ao que vi por este fim de semana está a fotografia &#8220;coleccionável&#8221;, quase na totalidade confinada ao meio grande formato em papel e nas máquinas usadas? O 35mm é uma arte menor, deixada aos fotojornalistas e aos amadores? Sem dúvida que poderia ser uma forma de demarcação da comunidade artística, a de procurar também a vanguarda pelo uso do meio, aproveitando até a corrente de mercado que vende o analógico de maior formato a pataco, mas nem sempre isso parece corresponder a uma equílibrada dose de reflexão e emoção nalguns trabalhos apresentados. Ainda assim parece ser uma tendência a fazer escola em Portugal, máquinas de médio ou grande formato e fotos impressas em grande é bom, o resto, não interessa!?</p>
<p><img src="/DOCUME~1/joao/DEFINI~1/Temp/moz-screenshot.jpg" alt="" /></p>
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